Warsh será um "yes man"? #USDBRL


Desde sexta-feira, o mercado passou a girar em torno de um único nome: Kevin Warsh. A indicação para a presidência do Federal Reserve foi rapidamente transformada em explicação para tudo — da queda histórica da prata ao recuo do ouro e à oscilação do dólar. A narrativa foi direta: os metais caíram porque Warsh seria duro com juros. Mas por trás dessa leitura apressada surge a pergunta que realmente importa: ele será independente ou apenas mais um presidente do Fed pressionado pela política.

O Mosca não ignora que a notícia serviu de gatilho. Mas gatilho não é causa estrutural. Em ativos que vinham subindo de forma quase vertical, qualquer evento vira desculpa para realização. O erro está em confundir correção técnica com mudança de regime monetário.

Quando o investidor olha apenas para o preço do ouro e tenta extrair dali uma conclusão sobre política monetária, acaba lendo o termômetro errado. Metais refletem expectativas, medo, excesso especulativo e, muitas vezes, puro movimento técnico.

Para entender o que o mercado realmente está precificando, é preciso olhar primeiro para os juros, onde estão as apostas reais de política econômica.

 

 

A precificação dos futuros passou a sugerir cortes mais rápidos à frente, leitura que sustenta a tese de que Warsh poderia adotar postura mais acomodatícia no início do mandato, evitando confronto direto com Trump, que nunca escondeu o desejo por juros próximos de 1% ao ano.

Esse movimento reforça a percepção de que o mercado, pelo menos no curto prazo, está disposto a acreditar em um Fed mais flexível, ainda que os fundamentos de inflação não tenham mudado de forma dramática.

O problema é transformar essa leitura em diagnóstico definitivo. Warsh não construiu sua carreira como defensor de política frouxa. Quando esteve no Fed, foi crítico da expansão permanente do balanço e de estímulos prolongados, sempre preocupado com distorções de longo prazo.

Seu histórico mostra um formulador de política monetária mais preocupado com credibilidade do que com popularidade momentânea.

John Authers chama atenção justamente para esse ponto: economistas não são “falcões” ou “pombas” fixos. Reagem ao ciclo. Warsh pode cortar juros se enxergar desaceleração real, mas também pode endurecer se perceber riscos inflacionários ou bolhas financeiras se formando novamente.

 

 

Mesmo após o tombo violento, ouro e prata seguem elevados em termos técnicos, o que enfraquece a tese de que houve uma virada estrutural. O movimento parece mais correção de excesso do que fim de ciclo.

Ao mesmo tempo, a intensidade da queda mostra o quanto o mercado estava esticado e sensível a qualquer mudança de narrativa.

Isso reforça a leitura de que boa parte da alta recente foi alimentada por euforia e posicionamento especulativo.

Stephen Roach amplia o debate ao resgatar a história do Fed pelo comportamento do juro real. Os períodos mais problemáticos não foram aqueles de política dura, mas justamente os de complacência em resposta à pressão política.

Juros reais negativos em ambiente de inflação resistente quase sempre terminaram em distorções, bolhas e ajustes dolorosos depois — um padrão que se repete com frequência desconfortável ao longo das décadas.

 

 

A lição é clara: ceder cedo demais ao conforto monetário costuma cobrar um preço elevado no futuro. Isso não significa que Warsh não possa cortar juros, mas sugere que há limites técnicos e institucionais muito mais rígidos do que o discurso político faz parecer.

Além disso, o Fed decide em comitê. O presidente do banco central influencia, mas não impõe sozinho, o que reduz a probabilidade de mudanças bruscas apenas por vontade política.

A própria transição pode se arrastar, já que há resistências políticas em andamento no Senado, tornando o cenário mais nebuloso do que o mercado parece precificar hoje.

Nesse contexto, a reação dos metais funciona mais como termômetro de ansiedade do que como prova de mudança estrutural.

Houve excesso, houve correção, mas permanece aberta a dúvida central: virá de fato um ciclo de juros muito mais baixos ou o mercado está se adiantando demais novamente?

É aqui que a pergunta do Mosca ganha força. Trump realmente acredita que indicou alguém que entregará juros baixos quase por decreto? Ou escolheu justamente um nome sólido para não colocar tudo a perder, ainda que em público continue pressionando por cortes agressivos?

"tudo indica que foi uma boa escolha pois Warsh é um profissional com boa experiencia no Fed em momento dramáticos de 2008, solidez acadêmica e uma bom transito politico, muito melhor que os outros nomes. Acredito que Wall Street pode ficar mais aliviado pois além dessas premissas não vai depender somente dele a decisão dos juros. Não me parece que é o melhor nome para o Trump de acordo com seus desejos expressos, ou será que le diz uma coisa - quero juros mais baixos, mas pensa em outra - não quero arriscar colocar tudo a perder.

 

Análise Técnica

No post “a-opinião-esta-no-fluxo”, fiz os seguintes comentários sobre o dólar:

“Plano atual — inicialmente apresento a opção que considero mais provável. Nesse cenário, o dólar estaria na onda terminal (5) vermelha da onda V verde. Trata-se de uma estrutura diagonal que, à primeira vista, parece ‘tranquila’, mas que, em prazos curtos, é bastante difícil de navegar.”




Partimos de um gráfico mensal para um gráfico com janela de duas horas, apresentado a seguir. Estou assumindo que a onda 4 laranja terminou — trata-se de uma suposição arriscada, pois está baseada em uma janela de tempo curta. Nesse cenário, a correção em andamento deveria, no máximo, atingir a região entre R$ 5,22 e R$ 5,20, onde eventualmente valeria um trade de compra. No entanto, pode ser que nem chegue a esse nível e ultrapasse R$ 5,3111, aumentando as chances de nova alta do dólar.




— David, por que você acredita que agora vai?

Estou observando a repercussão nas moedas do G10, bem como nos metais. Por exemplo, a moeda queridinha do “desastre”, o franco suíço, registra hoje queda de cerca de 1%, e desde sexta-feira 2,6%. Como o iene perdeu o status de “porto seguro”, ela e o ouro passaram a ser as principais escolhas como refúgio. Se o mercado chegou à mesma conclusão que o Mosca em relação à escolha do novo chefe do Fed, podemos estar no início de uma correção desses ativos. Como contrapartida, o real também deveria participar desse movimento de correção.

O S&P 500 fechou a 6.976, com alta de 0,54%; o USDBRL a R$ 5,2563, sem alteração; o EURUSD a € 1,1794, com queda de 0,48%; e o ouro a U$ 4.678, com queda de 4,39%.

Fique ligado!

Comentários

  1. Ele teve medo,como disse o Larry Summers,que se houvesse realmente reencarnação, ele queria retornar como o mercado de títulos americano, pois ele " intimida todo mundo"

    Até o trump...aliás,ele teve um gostinho disso no "liberation day"

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