2018: Vestibular Político

22 de maio de 2018

In dollar we trust?



Estava pensando pela manhã se não seria o momento de analisar o DXY – dólar index observando sua perspectiva de longo prazo. Se um movimento de alta mais duradouro estiver florescendo, podemos esperar mais turbulência a frente, caso contrário, a situação que prevalecia antes voltaria a predominar.

Um artigo publicado no Wall Street Journal faz uma comparação analisando o impacto que houve desde meados de abril em diversas moedas de países emergentes e desenvolvidos.

O ressurgimento do dólar está expondo os pontos fracos do mundo em desenvolvimento, levando os investidores a desfazerem as apostas de longo prazo sobre ações, títulos e moedas de mercados emergentes.

Na última quinta-feira, o banco central da Indonésia elevou as taxas de juros pela primeira vez em quatro anos para deter uma queda em sua moeda; as autoridades monetárias de Hong Kong na semana passada intervieram para sustentar o dólar de hong kong. A lira turca na segunda-feira caiu para os níveis mais baixos recentes em relação ao dólar, enquanto o real está próximo de seu nível mais baixo em mais de dois anos. O MSCI Emerging Markets Index, que mede o desempenho das ações, caiu 10,72% em relação às altas de janeiro, enquanto o índice de títulos do JPMorgan Emerging Market perdeu 5,47% de seu pico.

Os investidores acumularam ações e títulos de mercados emergentes nos últimos anos, muitas vezes ignorando importantes questões macroeconômicas ou políticas, à medida que buscavam retornos que superavam os encontrados no mundo desenvolvido. Agora que o dólar está se fortalecendo e o rendimento dos EUA está aumentando, essas deficiências estão se tornando mais evidentes. Um dólar em alta torna mais difícil para os países pagar a dívida denominada na moeda norte-americana, enquanto o aumento dos rendimentos diminui a atratividade dos ativos estrangeiros.

Os investidores estão particularmente nervosos com países com grandes déficits em conta corrente, que compreendem bens e serviços, renda de comércio e investimento, e aquelas que dependem de investimento estrangeiro para financiar gastos do governo ou déficits fiscais. Sua dependência do resto do mundo para o comércio e as finanças do governo os deixa expostos quando o dólar sobe.


O real que não se encontra na tabela acima, sofreu uma desvalorização nesse período de 8,5%, muito aquém de outras moedas de mercados emergentes.

A Argentina, cuja moeda e bolsa de valores despencaram nas últimas semanas em meio a temores de uma crise financeira cada vez maior, acarreta uma conta corrente e um déficit fiscal. Outros mercados emergentes com grandes diferenças em conta corrente incluem a Turquia, com um déficit que ficou em 5,5% do produto interno bruto no final de 2017, assim como Colômbia, África do Sul, Indonésia, Índia e México.

A política é outra preocupação. O peso do México, um dos principais desempenhos no último trimestre, tem sido afetado pelas preocupações com a renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte e uma eleição presidencial iminente. Mesmo a recente subida dos preços do petróleo quase não ajudou a moeda da Rússia produtora de petróleo, onde preocupações com novas sanções dos EUA contra Moscou afetaram o rublo.

Altas no dólar e rendimentos nos EUA já “queimaram” os investidores de mercados emergentes. Muitos países em desenvolvimento tomaram emprestado em dólares e mantiveram suas moedas firmemente atreladas à moeda norte-americana nos anos 90.

Uma rápida alta do dólar, forçou-os a elevar as taxas de juros e conter suas próprias moedas a níveis insustentáveis, prejudicando as exportações, o crescimento e, eventualmente, desencadeando a crise financeira asiática em 1997.

Os países em desenvolvimento haviam afrouxado suas polítcas cambiais, acumulado reservas até 2013. Mesmo assim, muitos foram pegos de surpresa naquele ano, quando os juros subiram depois que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, indicou que o banco central poderia acabar com seu programa de compra de títulos, em um episódio conhecido como o "taper tantrum".

Hoje, algumas economias emergentes podem estar pelo menos parcialmente protegidas, por taxas de crescimento robustas, disseram analistas. As previsões de abril do Fundo Monetário Internacional (FMI), feitas antes da recente turbulência, projetaram o crescimento da Índia em 7,4% e esperavam que a Indonésia e a Malásia crescessem 5,3%.

Outros reforçaram suas finanças. Países como África do Sul, México e Brasil reduziram seus déficits em conta corrente, e alguns prometeram ou lançaram revisões econômicas e políticas.

Ainda assim, isso parece não ter sido suficiente. Enquanto as economias asiáticas estão se expandindo rapidamente, outras estão em dificuldades: a Argentina deve crescer apenas 2% neste ano, o México em 2,3%, a Colômbia em 2,7%, o Brasil em 2,3% e a África do Sul em 1,5%.

Além disso, alguns analistas acreditam que um aumento contínuo do dólar e dos rendimentos norte-americanos punirão mercados emergentes comparativamente saudáveis, ao lado de mercados mais vulneráveis. Em 2013, por exemplo, os temores de uma desaceleração na China e uma queda nos preços das commodities provocaram uma queda de 3 anos no MSCI Emerging Markets Index.

O dólar mais forte "está desacelerando o fluxo de dinheiro flutuando ao redor do mundo, procurando algo a ver consigo mesmo", disse Kit Juckes, estrategista da Société Générale SA. "O mundo tende a ser um lugar muito mais feliz quando o dólar não está subindo."

Na ilustração acima, se nota um movimento generalizado de alta do dólar. Para quem se recorda é o que eu denominei no passado como efeito “dólar-dólar”.

Em janeiro deste ano fiz uma análise do DXY, que vou revisitar hoje. No post derrocada-do-dólar, fiz os seguintes comentários: ...” Do ponto de vista técnico anotei no gráfico um nível crucial para as perspectivas futuras do dólar. Hoje o nível desse indicador se encontra em 90.5 e caso retroceda abaixo de 89.0... …” Em outras palavras, ou o dólar se recupera nas próximas semanas ou um “estrago” de longo prazo estará feito” ...
Passados alguns meses, o mercado respeitou o nível apontado pelo Mosca. Vejam a seguir que houveram tentativas de baixa, nos meses subsequentes, sem sucesso. Em abril aconteceu a reversão com o afastamento do nível crítico. Agora as cotações se encontram em 93.5.

Os dados técnicos não sugerem uma definição com mais convicção. Como o intuito não é de sugerir trades e sim obter alguma indicação na direção do dólar, os gráficos aqui apresentados são de longo prazo. Desta forma, o DXY não nos dá nenhuma indicação de direção, tanto pode continuar subindo, como retornar e voltar a cair. Somente acima de 104, poder-se-ia afirmar que, o dólar tem uma tendência de alta. Mas isso equivale a um nível de 11% superior ao de hoje.

- David, você desenvolveu um raciocínio enorme para chegar a nada!
A vida de analista técnico é assim, nem sempre existe uma tendência clara definida. Isso pelo menos te alerta que qualquer direção é possível, evita ficar com um viés.

O SP500 fechou a 2.724, com queda de 0,31%; o USDBRL a R$ 3,6437, com queda de 0,90%; o ERUSD a 1,17777, com queda de 0,11%; e o ouro a U$ 1.291, sem alteração.

Fique ligado!

21 de maio de 2018

Mercados Emergentes: a bola da vez?



Muito sem tem falado sobre os mercados emergentes ultimamente, e não é para elogiar. Com a elevação dos juros americanos, muitos investidores têm agido no sentido de diminuírem suas posições nesses mercados. Mas será que estamos no início de uma mudança de rumo como aconteceu em 2008, ou é simplesmente um espasmo?

A economista de Harvard, Carmen Reinhart, chamou a atenção nesta semana com seus comentários sobre os mercados emergentes, dizendo que estão em pior situação agora do que durante a crise financeira global de 2008.

Sua avaliação ocorre num momento em que os investidores estão se tornando mais cautelosos sobre essa classe de ativo - e francamente pessimistas em mercados como Argentina, Indonésia e Turquia. Mas as opiniões divergem sobre se a recente turbulência é apenas um pontinho ou o começo de algo maior. O quadro também varia de economia para economia, com alguns em melhor forma do que outros.

Abaixo, veja como alguns dos principais indicadores de mercados emergentes evoluíram desde 2008.

Contas correntes

Os excedentes das contas correntes são a linha de frente da defesa para os mercados emergentes. Embora o grupo tenha um grande superávit em conta corrente em 2008, agora tem um pequeno déficit - em grande parte devido a uma queda significativa no superávit da China. Mas o quadro não é uniforme. Alguns países, como a Tailândia, são notáveis por seus fortes saldos positivos.




Crescimento econômico

A economia mundial está desfrutando de seu maior crescimento desde 2011, e o crescimento nos mercados emergentes e nas economias em desenvolvimento tende a acelerar ainda mais antes de estabilizar nos próximos anos, de acordo com o Fundo Monetário Internacional. Isso está fornecendo um colchão para enfrentar ventos contrários, como o aumento das taxas de juros, mesmo que, as taxas de crescimento não sejam tão altas quanto na véspera da crise financeira global.




Dívida

Os governos dos mercados emergentes tomaram empréstimos de forma constante ao longo da última década, em meio a taxas de juros baixas. As empresas também apostaram: o crédito em dólares para tomadores não bancários nos países em desenvolvimento alcançou U$ 3,7 trilhões no final do ano passado, acima dos U$ 1,5 trilhão da década anterior, segundo o BIS.




Volatilidade cambial

O Índice de Volatilidade dos Mercados Emergentes do JPMorgan, uma medida das flutuações cambiais, permanece bem abaixo dos níveis observados em 2008, apesar dos bolsões de turbulência na Argentina e na Turquia. O yuan da China se destaca por sua estabilidade nos últimos meses




Avaliação das ações

O MSCI Emerging Markets Index está sendo negociado em torno de 12 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses. Embora esteja ligeiramente acima da média histórica, isso não é uma leitura extrema. O indicador alcançou cerca de 15 vezes os lucros projetados em 2007, antes que a queda no mercado do ano seguinte enviasse esse indicador para pouco menos de 6.




Mercados de renda fixa

Os rendimentos dos títulos em dólar dos mercados emergentes estão abaixo da média histórica, um sinal de que os níveis de estresse dos investidores ainda são baixos. A leitura atual do rendimento, até o pior no índice agregado Bloomberg Barclays EM USD, é de cerca de 5,6%, acima dos 4,5% no início do ano. Em 2008, a taxa subiu de 6,6% em janeiro para 14,3% em outubro, quando os investidores liquidaram freneticamente suas posições de risco nos mercados emergentes.




Vale a pena notar novamente que há muita variação dentro do mundo emergente, e isso é particularmente verdadeiro quando se trata de reservas cambiais. Enquanto a China tem um enorme estoque, reservas em países como Argentina e Indonésia estão diminuindo depois que seus bancos centrais intervieram para defender suas moedas.


Analisando os indicadores expostos acima não se pode concluir que estamos no início de uma venda generalizada dessas ativos. Reforço novamente minha ideia que enquanto os juros estiverem subindo pelo bom motivo, os mercados emergentes deveriam ser privilegiados nesse cenário. Se por outro lado, começarem a subir pelo mal motivo, aí as coisas mudam, e os emergentes deverão sofrer bastante.

Comentei na sexta-feira que o BCB poderia agir: ...” posso antecipar que não vai me surpreender, se o BCB entrar mais pesado no mercado. Não é inside information, é lógica” .... Vejam, eu não tinha inside information, e o BCB não leu o Mosca, certo? Estava evidente que a volatilidade do real não poderia continuar da maneira que estava sem gerar efeitos secundários indesejáveis. Então por que não atuar se as reservas brasileiras são tão elevadas?

No post bitcoin-próximo-ao-recorde-mundial, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico a seguir coloquei o limite que aceito sem problemas, considerando que ainda estarmos numa correção, onde o próximo movimento mais importante seria de queda do dólar. Mas, como apontado, acima de R$ 3,80 as coisas ficam mais perigosas” ...

O dólar acabou chegando muito próximo da zona que denominei de “perigo”. O gráfico a seguir mostra a evolução do dólar com prazo mais curto, e fica notório a progresso pujante das cotações desde início de abril. Com a atuação mais forte por parte do BC, hoje as cotações estão recuando, porém de forma tímida.

Eu frisei em rosa o intervalo aonde o dólar “deveria” estancar e possivelmente reverter a alta. Preciso enfatizar que, embora eu tenha apontado o nível de R$ 3,80 com crítico, não significa que as cotações possam subir mais, mesmo ainda num processo de correção. Quando destaquei, quis dizer que seria o mais provável reverter a R$ 3,80. Se ultrapassar, não posso afirmar que meu call passa a ser de alta do dólar.

Até não atingir e ultrapassar o nível de R$ 4,25, o dólar poderá recuar toda essa alta, a única menção que devo fazer é que, acima de R$ 3,80 fico mais desconfiado dessa hipótese.

Tanto o Mosca quanto o BCB sabem que enquanto a situação estiver “quente” para os emergentes, dificilmente veremos uma queda substancial do dólar. A intenção do banco central, em aumentar as linhas de swap, foi de evitar altas descontroladas do dólar, não de derrubar as cotações.

Não se tem nada a fazer no momento, o dólar atingiu o nível “esperado” nessa alta e para quem está comprado sugiro ou liquidar, ou elevar os stoploss. O mercado nos dará indicações mais claras nos próximos dias, ou semanas.

O SP500 fechou a 2.733, com alta de 0,74%; o USDBRL a R$ 3,6865, com queda de 1,36%; o EURUSD a 1,1787, sem alteração; e o ouro a U$ 1.292, sem alteração.

Fique ligado!

18 de maio de 2018

O grande risco do bitcoin



Talvez o leitor imagine que o grande risco do bitcoin é que saia da moda e suas cotações sofram quedas. É também, porem o maior risco para o bitcoin, e por que não dizer as crypto moedas, e seu elevado consumo de energia.

Acredito que mesmo não sendo especialistas no assunto, vocês já tomaram conhecimento que a transferência entre detentores dessas moedas, e feito através de uma rede privada. Através de verificações em cadeias “carimbam” as operações, tornando-as segura. Nesse processo são necessários elevados investimentos em infraestrutura, além do consumo de energia. Como recompensa, esses mineradores recebem bitcoins por esse serviço.

Enquanto as negociações eram marginais e existiam poucos mineradores, esse era um negócio lucrativo, pois o descasamento de moeda (*) era altamente favorável.

(*) O conceito de descasamento é usado nos negócios em geral, significa que o ativo de uma empresa, ou seu faturamento, sofrem flutuações de preços, que são diferentes do passivo, ou seus custos. No caso especifico, a receita do minerado está indexado ao preço do bitcoin, enquanto sua despesa basicamente ao custo de energia e mão de obra.

Um estudo realizado por um especialista no assunto, Alex de Vries, aponta para o risco existente no negócio de mineração e como consequência o bitcoin.

A eletricidade que é despendida no processo de mineração de Bitcoin tornou-se um tópico de grande debate nos últimos anos. É um processo que torna o Bitcoin extremamente dependente por princípio, já que a moeda exige uma enorme quantidade de cálculos para seu objetivo final de processar transações financeiras sem intermediários (peer-to-peer).

O combustível primário para cada um desses cálculos é a eletricidade. Estima-se que a rede Bitcoin consuma pelo menos 2,55 gigas watts de eletricidade atualmente e potencialmente 7,67 gigas watts no futuro, tornando-a comparável a países como a Irlanda (3,1 gigas watts) e a Áustria (8,2 gigas watts). Os modelos econômicos nos dizem que o consumo de eletricidade do Bitcoin irá gravitar em direção ao último número. Uma análise das estimativas de produção de minas de Bitcoin sugere que esse número já poderia ser alcançado em 2018.

Cerca de 26 trilhões de operações são realizadas a cada segundo e sem interrupção pela rede Bitcoin (Figura abaixo). Ao mesmo tempo, a rede Bitcoin está processando apenas de 2 a 3 transações por segundo (cerca de 200.000 transações por dia). Isso significa que a proporção de cálculos para transações processadas é de 8,7 quintilhões para 1 na melhor das hipóteses. O combustível primário para cada um desses cálculos é eletricidade.



Tentar medir a eletricidade consumida pelas máquinas de mineração da Bitcoin, produzindo todos esses cálculos continua sendo um desafio até agora. Mesmo que se possa estimar facilmente o poder computacional total da rede Bitcoin, ela fornece apenas poucas informações sobre as máquinas subjacentes e seu respectivo uso de energia.

Um hashate de 14 terahashes por segundo pode vir de um único Antminer S9 consumindo mais de meio milhão de dispositivos Playstation-3 rodando em 40 MW. Também não é possível observar o número exato de dispositivos conectados. Estima-se que a rede Bitcoin tenha cerca de 10.000 nós conectados, mas um único nó na rede pode representar uma ou várias máquinas.

Ainda assim, estimar o consumo de energia da rede Bitcoin usando a eficiência para diferentes hardwares tem sido uma abordagem comum há anos. Em particular, as informações sobre a potência computacional total da rede podem ser usadas na determinação de um limite inferior para o consumo de eletricidade do Bitcoin.

Uma estimativa de consumo é muito grosseira, em primeiro lugar porque a rede não contém um único tipo de máquina, mas também porque não leva em conta os requisitos de refrigeração. Essas instalações provavelmente terão mais gastos de energia. Com cada uma das máquinas gerando tanto calor quanto um aquecedor portátil, o gasto adicional de eletricidade para simplesmente se livrar de todo esse calor pode ser potencialmente significativo, dependendo de fatores como o clima e a tecnologia de resfriamento escolhida.

O artigo descreveu vários métodos que são usados ​​atualmente para determinar o consumo de eletricidade atual e futuro da rede Bitcoin. Com a rede Bitcoin processando apenas 200.000 transações por dia, isso significa que a eletricidade média consumida por transação é igual a pelo menos 300 kWh e pode exceder 900 kWh por transação até o final de 2018.

Esse artigo, realizado por um especialista no assunto, traz um problema importantíssimo para a sobrevivência das moedas digitais. O que esse relatório não aborda é a viabilidade desse negócio. Hoje em dia, cada minerador recebe 12,5 bitcoins sempre que é bem-sucedido em quebrar da chave. Assim, consegue calcular dentro de um modelo estatístico, quais são suas receitas e despesas.

Mas essa receita mudará drasticamente no futuro em função de 3 fatores: a remuneração paga em bitcoins diminui significativamente no tempo, segundo a regra de seu criador, o aumento no número de competidores nessa área; e por último a própria cotação do bitcoin.

Entrar num negócio cuja receita é declinante, somente se justifica se o volume crescer suficientemente para compensar essa queda. Outro fator que age negativamente, é que a economia de escala é inversa, pois quanto mais cresce o número de transações, mais se gasta em energia, além da concorrência para se ter o sucesso na quebra da chave.

Agora, se a cotação do bitcoin continuar a cair, a atratividade dos mineradores também cai, fazendo com que haja um grande número de abandonos. Isso pode criar um ciclo vicioso que levaria o bitcoin para níveis totalmente desinteressantes do ponto de vista dos mineradores. A única solução nesse caso seria a cobrança de uma taxa por transação.

Será que os apaixonados pelas crypto moedas podem imaginar não ter ninguém (ou cobrando elevados custos) para liquidar? Naturalmente, existe um exagero da minha parte, porém se esses receios crescem, a garantia de não ter nenhum governo que interfere nesse negócio, pode ser um tiro pela culatra.

No post alguém-pensa-no-longo-prazo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” chegou a hora de tomar cuidado e elevar os stoploss. Como anotei abaixo, existem 2 pontos onde pode haver uma reversão, o primeiro é ao redor de 3,0% e o outro a 3,3%” ... ...” Vamos elevar o stoploss para 2,90%, realizar metade da posição caso atinja 3,07%, e o restante continuar” ... ...” a taxa ainda pode subir acima de 3%, e saímos da posição. Em seguida, o mercado entraria num período de correção levando os juros para o nível de 2,70% (a ser melhor calculado) ” ...


E finalmente houve o rompimento do nível de 3%. Mesmo quem não acompanha esse mercado ficou sabendo, afinal esse é o argumento para justificar a alta sem parar do dólar contra as moedas dos emergentes, inclusive o real, que está ganhando uma configuração mais preocupante. Esse será o assunto de segunda-feira, mas posso antecipar que não vai me surpreender, se o BCB entrar mais pesado no mercado. Não é inside information, é lógica.

Uma parte da nossa posição nos juros de 10 anos, já foi para o bolso, e continuamos com a outra metade. Vamos subir novamente o stoploss para 3%, como está anotado abaixo no gráfico.


Conforme apontei acima, vamos buscar o nível de 3,3% e aí vou cair fora.

Vejo as pessoas muito preocupadas ultimamente, mas eu sinceramente não estou. Não entendo porque tanto pânico, se os juros americanos ainda estão baixos. Por enquanto, os juros sobem pelo bom motivo, e o que está acontecendo é um ajuste de preços relativos. Agora vou ficar muito preocupado se subir pelo mal motivo, a inflação. Por enquanto o ouro está comportado, mas estamos de olho nele. Let´s the market speak!


O SP500 fechou a 2.713, com queda de 0,26%; o USDBRL a R$ 3,7394, com alta de 1,17%; o EURUSD a 1,1767, com queda de 0,22%; e o ouro a U$ 1.291, com alta de 0,14%.

Fique ligado!

17 de maio de 2018

BCB deveria atacar



O mercado financeiro brasileiro foi surpreendido pela decisão do COPOM em manter os juros da SELIC em 6,5% a.a. Em sua maioria, esperava-se mais um corte de 0,25%. Ao analisar o conteúdo do comunicado, fica claro que a autoridade brasileira resolveu não implementar esse novo corte em função das altas nos juros americanos expressas principalmente nos títulos de 10 anos, que estão afetando os mercados emergentes, inclusive o Brasil.

Em matéria publicada hoje no Valor, esse veículo elenca as opiniões de diversos analistas e corrobora seus argumentos mostrando a diferença dos juros de curto prazo entre os Brasil e os EUA. No gráfico a seguir, mostra a trajetória entre essas duas métricas, cuja diferença era de 13.5% em outubro de 2016 e agora se encontra em 4,75%.


Na verdade, esse diferencial tende a diminuir ainda mais, as projeções para o final de 2019 do FED funds encontra-se em 3%, e caso seja mantido o mesmo juro da SELIC, a diferença passara à 3,5%. É bem verdade, que as taxas futuras implícitas nos contratos de DI, projetam uma SELIC de 8,5 %, que se realizada, alargaria a diferença para 5,5%.

Eu não quero negar, que essa diferença de juros é insensível, naturalmente quanto menor o diferencial de juros, menor seria o interesse de estrangeiros de investir em títulos brasileiros, o que poderia afetar temporariamente a taxa de câmbio. Mas relativizo, pois, se a diferença é pequena, é porque o Brasil está melhor e deve atrair mais capital de risco.

O Valor segue em seu raciocínio informando que a taxa real de juros, a diferença entre a taxa SELIC e a inflação, “está rondando em 2,3%”. Não sei como chegaram a essa conta. Por diferença, calculo que utilizaram uma inflação de 4,11%. Me desculpe, mas não sabem calcular juros reais! Existira duas formas de fazer, ou associando a inflação corrente (a mais segura, porém menos real), ou a projeção de inflação futura num horizonte de 12 meses.

Em meus cálculos, com o primeiro critério chega-se a casa a 3,6% de juro real, e no segundo, usando a estimativa da Rosenberg para a inflação (3,5% a.a.) ao redor de 3%. É juro para chuchu! É tão elevado que, o nível do juro real é quase igual a inflação.

Em termos de inflação, repito seguidamente que, o Brasil vive sem inflação há um bom tempo, algo ao redor de 2,5% a 3% a.a. É verdade que minha afirmação é um pouco exagerada pois em países desenvolvidos esse nível já faria a autoridade monetária reagir, porem nossos padrões históricos são outros, o que justifica minha ênfase.

Não bastasse isso, a economia não anda tão bem como se esperava. Índice após índice, mostra resultados aquém do desejado, com recuos em relação aos meses antecedentes. Por exemplo, ontem o BC publicou o seu nível de atividade econômica com um recuo de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No gráfico a seguir, veja a relação entre esse indicador e o PIB.


De forma generalizada, os analistas estão reduzindo suas projeções para o PIB. A Rosenberg trabalha com uma expansão de 1,1% para esse trimestre, e esta em vias de reduzir para 2,3% no ano. E não esqueçam que passamos 2 anos numa tremenda recessão, o que torna esse nível muito baixo.

Desde que assumiu a Presidência do Banco Central, Ilan Goldfajn, vem fazendo um excelente trabalho, na verdade pegou um belo abacaxi. Com uma postura conservadora, levou a inflação a níveis baixíssimos em tempo recorde. Mas agora a tônica mudou em meu ponto de vista, o problema não é mais tanto a inflação e sim a atividade econômica.

Como no futebol, jogar com todo o time na defesa, diminui a chance de perder um jogo, mas limita por outro lado a vitória. Num campeonato a estratégia deve variar em função da sua classificação na tabela, e as vezes justifica a retranca. Mas não dá para jogar sempre assim, é necessário fazer gols, caso contrário, num lance de azar, se vai para casa.

No caso da economia está na hora de jogar no ataque e arriscar, pois, caso contrário, corremos o risco daqui a algum tempo de ter nada de inflação e nada de crescimento (afirmação exagerada, é claro). Ilan, deixe o espirito do Tite te contaminar, coloca o time para frente, baixando os juros e ficando de olho na defesa (inflação). Vamos lá Brasillllllllllllllllllll !

É a novela no Ibovespa continua, sem uma definição convincente. No post tio-patinhas-digital, fiz os seguintes comentários: ...” Se a correção que está ocorrendo a partir de fevereiro, for de extensão pequena <88.000 a 82.000>, é provável que a onda que imaginei ter terminado (veja comentários abaixo) ainda não terminou” ... ...” se for essa hipótese descrita acima a alta deveria parar ao redor de 92.000. Mas prefiro fazer um estudo mais detalhado dessa situação que surgiu. Quero frisar que, ainda não se materializou” ...


Confesso que estava pronto para dar uma ordem de compra, porém o mercado na abertura hoje, ao invés de romper o nível de 87.000, resolveu retroceder, operando em queda superior a 1,5% a 85.000, fazendo as cotações retornarem ao interior das linhas paraleleas traçado acima. O gráfico de mais longo prazo mostra algumas características que descrevo em seguida.


Uma argumentação de alta indica que, na região apontada em 1, a bolsa está acumulando para preparar um “bote” para cima. Em contrapartida, o livro texto diz que, se esperaria atingir nessa correção pelo menos a 81.000 ou 76.500, nesse caso especifico o primeiro seria o mais provável.

- David, está muito confuso, não dá para ter ideia do que você quer fazer?
Tem toda razão, ao reler o post acima quase nem eu entendi. Para dar uma reposta mais direta, está confuso mesmo. Nessas situações o ideal é não fazer nada. Veja a seguir uma tabela com os resultados caso resolva entrar agora.


Não é um cenário em que eu gostaria de ter posições, e não me incomodaria de pagar mais caro, se as perspectivas de lucro fossem melhores. Por enquanto, estou mais propenso a aguardar o índice cair para eventualmente comprar, ao comprar agora, e torcer para que estivéssemos no caso 1 ao invés do caso 2. Vamos torcer para a seleção, o que já deverá ser bastante sofrido, haja visto o equilíbrio dos países no futebol atual.

Agora a tarde o mercado apresenta uma performance pior, onde o Ibovespa está em queda superior a 3%. Isso justifica ainda mais os argumentos acima.

O SP500 fechou a 2.720, sem variação; o USDBRL a R$ 3,6987, com alta de 0,65%; o EURUSD a 1,1794, com queda de 0,12%; e o ouro a U$ 1.291, sem alteração.

Fique ligado!

16 de maio de 2018

Pernacchie!



Já faz um bom tempo que não se fala em calote de dívida, afinal, todos os países conseguiram se financiar a taxas baixas sem muitos problemas. Mas hoje a Itália veio com uma bomba, sugerindo que o BCE cancelasse 250 bilhões de sua dívida.

A Liga do Norte e o Movimento 5 Estrelas (M5S), que lutam para formar um governo desde as eleições de março, estão prestes a chegar a um acordo que abriria as portas para um governo conjunto, e isso parece chocar os mercados italianos que não ficaram felizes esta manhã.

Matteo Salvini, chefe da Liga, disse que as negociações estão na "reta final" e que um acordo provavelmente será alcançado na quarta-feira. Um representante do M5S ofereceu garantias semelhantes. Um "esboço do governo" provavelmente será lançado amanhã, disseram eles.

E, embora os representantes de ambos os partidos tenham negado que fizessem parte de sua plataforma, relatos de que o novo governo planejava pedir ao Banco Central Europeu que cancelasse 250 bilhões em dívidas italianas abalaram o mercado de títulos soberanos do país, pressionando os rendimentos. Como consequência, os títulos de 10 anos tiveram a maior movimentação em um dia, desde julho de 2017.


Uma forma de medir o risco de um país Europeu é analisar a diferença de juros entre os títulos desse país com os títulos equivalentes da Alemanha. Como se pode verificar a seguir, esse spread elevou-se para 147 pontos, o maior desde as eleições de 4 de março.


Jason Simpson, estrategista do Societe Generale, disse à Bloomberg que "tudo isso é um assunto bastante perturbador para os títulos italianos ... os mercados estavam assumindo que diminuiria algumas de suas visões mais radicais".

Como lembrete, o BCE tem sido o único comprador de títulos italianos nos últimos anos.


Várias outras questões difíceis também precisam ser resolvidas. O líder da liga, Matteo Salvini, e o líder do M5S, Luigi Di Maio, ainda devem decidir quem será o próximo primeiro-ministro do país. A mídia local informou que havia discutido várias opções, incluindo alternar, ou ter membros do grupo diferentes se revezando.

O cancelamento da dívida não seria o único golpe tomado no estabelecimento europeu. Claudio Borghi, o porta-voz econômico da Liga, disse que seu partido gostaria de "abolir o pacto fiscal" que restringe os membros da UE de liberar seus déficits orçamentários.

... "Queremos abolir o pacto fiscal ... Queremos superar o mal-entendido de que não houve dinheiro recusado a França, mesmo continuando nos últimos 10 anos, superando o limite do déficit em relação ao PIB. Tanto a França quanto a Espanha, já têm uma dívida pública superior a 60% do PIB "....

O presidente italiano, Sergio Mattarella, o “zelador” oficial do governo, concordou com uma prorrogação das conversações, já que os dois lados tentam resolver as diferenças de política, como a reversão das mudanças feitas recentemente às aposentadorias. Mas ele também expressou preocupação com as promessas do partido em relação à política fiscal e externa.

Os projetos de política das partes até agora fazem eco às suas principais propostas de campanha - um imposto fixo para a Liga e a renda dos cidadãos da 5 Star para os pobres.

Os analistas expressaram preocupação sobre certas propostas de gastos que foram divulgadas - incluindo um plano de reduzir a principal taxa de impostos às empresas e indivíduos para até 15% - e encontrar obstáculos no Parlamento, já que isso desestabilizaria ainda mais as finanças públicas do país.

Os últimos relatos da mídia citando fontes do M5S disseram que um acordo de governo entre a Liga e o M5S seria lançado amanhã - embora essa não seja a primeira vez que um acordo está chegando, e nas negociações desmoronar novamente.

Adoro a Itália, um país bonito, com uma cozinha excelente, além de uma população alegre e vibrante – as vezes até demais! Hahaha .... Mas por outro lado, não gostam muito do batente, valorizam mais a dolce vitta que um trabalho duro. A dívida italiana é sempre citada como uma das maiores do mundo, só perdendo para os japoneses.

Quando houve as eleições recente na Itália, o mercado não deu muita importância para vitória do movimento 5 star. O motivo é que, por não terem maioria, seriam obrigados a fazer concessões em suas demandas. Só para lembrar o leitor, uma delas é a retirada do euro, com mudança de moeda.

A notícia de hoje pegou os analistas de surpresa e fez com que considerassem opções que tinham descartado. Começa com um calote ao ECB, que na verdade recairia em sua maioria para Alemanha, mas poderão prosseguir com outras ideias.

Na minha juventude tive diversos amigos de origem italiana, e lembro que em algumas situações diziam Pernacchie, que poderia ser traduzida por dane-se. A sugestão de calote sugerida hoje é uma Pernacchie ao BCE, e quem sabe amanhã ao mercado!

No post veja-bem, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” Se a reta apontada a seguir for rompida, o cenário de queda ganha um pouco mais de força, um pouco. Nada suficiente para que eu proponha algum trade” ...


Esse rompimento acabou acontecendo no final de abril e desde então, o euro vem caindo. O Mosca naquele momento esperava mais uma pequena alta, que levaria a moeda única ao redor de 1,26, o que acabou não acontecendo. Agora provavelmente estamos entrando numa correção mais demorada, onde o limite da queda está anotado no gráfico a seguir.


Como podem notar, o primeiro nível é 1,1735, e está próximo dos preços atuais. Caso não sustente, o próximo seria a 1,145 e finalmente 1,120, sendo esse último o menos provável.

Poderia ser indagado pelos leitores o porquê não entrei nesse movimento, haja visto que, teria indicado isso no post acima. A primeira razão, é que na época existiam outros trades com melhor risco x retorno, segundo que é um trade contra a direção de mais longo prazo, e por último, por que estava acreditando ainda numa pequena alta.

Assim como perdi essa oportunidade, perco inúmeras outras, todo dia. A seleção dos trades é importante na eficácia de um portfólio, não dá para ter posições em todos os mercados!

Agora Inês é morta, e nos resta acompanhar sem posições, vou observar a forma que tomará essa correção.

O SP500 fechou a 2.722, com alta de 0,41%; o USDBRL a R$ 3,6729, com alta de 0,54%; o EURUSD a 1,1808, com queda de 0,25%; e o ouro a U$ 1.290, sem alteração.

Fique ligado!

15 de maio de 2018

O grande teste



Sem que houvesse uma razão específica, hoje o juro de 10 anos americanos rompeu finalmente a marca dos 3% a.a. Daqui em diante, todo cuidado é pouco em relação a nossa posição.

Se havia alguma dúvida da repercursão desse rompimento nos mercados, pelo menos os países emergentes não precisam esperar, já sentem na pele o impacto. A Argentina dessa vez, encabeça a lista, com sua moeda caindo vertiginosamente. Num espação curto de um ano, a queda foi de 40%, sendo que 20% aconteceu no último mês.


 Mas o estrago foi generalizado, o noticiário local publica em manchete as quedas recentes do real. O gráfico a seguir, embora já um pouco desatualizado se visto de hoje, compara o que aconteceu em 2013 quando o FED deu um recado prematuro que os juros deveriam subir, conhecido como Taper tantrum.


Na próxima ilustração, se pode verificar que, os investidores estão retirando seus recursos dos mercados emergentes. Notem que na parte superior refere-se ao fluxo de ações, que está no negativo desde março deste ano, enquanto o fluxo de renda fixa, depois de uma melhora no início de abril, voltou ao vermelho mais forte no final do mês.


Vocês podem imaginar o que deverá acontecer na Venezuela, que está numa draga há um bom tempo. Comprar dólares por lá deve ser um evento. No oficial acho que nem o Maduro = “podre” consegue, no paralelo veja a seguir a evolução da cotação. Parece que é de 500.000 bolívares para um misero 1 dólar. Para comprar U$ 100 são necessários 50.000.000 de bolívares. Não sei qual a maior nota que existe, mas supondo que seja de 1.000 bolívares, são necessárias 50.000 notas. Uma coisa de boa acontece, não existe corrupção, já imaginou liquidar em moeda?  Ao invés de um apartamento como no caso do Geddel, seria necessário um palácio! Hahaha ...


No post sera-inflação-algo-do-passado, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Agora a cotação se encontra em U$ 1.320 fazendo com que o Mosca permaneça inerte. Tenho que confessar que essa situação me incomoda, afinal estou regateando no preço, e se eu estiver certo no longo prazo, não vai fazer muita diferença. Para me distanciar do efeito de curto prazo resolvi publicar o gráfico de prazo mais longo” ... ...” Do ponto de vista técnico ainda falta uma “quedinha” para que o movimento completasse como o livro texto. É esse o motivo que me faz esperar” ...

Por enquanto valeu a pena, hoje o ouro rompeu a barreira dos U$ 1.300 e se aproxima de alguns níveis interessantes. No gráfico a seguir aponto os níveis que sugiro compra de ouro. Vou dividir a ordem em duas tranches, a primeira metade a U$ 1.285 e a outra metade a U$ 1.260, colocando um stoploss em ambas a U$ 1.230.


Por enquanto, os mercados estão reagindo a alta de juros pelo bom motivo, ou seja, a atividade mostra que está se acelerando. O GDP Now, publicado pelo FED de Atlanta, aponta nesse sentido, com uma previsão para o trimestre em curso de 4%. Por outro lado, tecnicamente está surgindo uma oportunidade para a compra de ouro, que só faz sentido se os juros tivessem subindo pelo mal motivo. Como nosso compromisso é com o bolso, tanto faz se o lucro é pelo bom ou mal motivo, esse é um problema do FED!
O SP500 fechou a 2.711, com queda de 0,68%; o USDBRL a R$ 3,6615, com alta de 1,09%; o EURUSD a 1,1843, com queda de 0,70%; e o ouro a U$ 1.292, com queda de 1,50%.

Fique ligado!

14 de maio de 2018

Bitcoin: Próximo ao recorde mundial



Para que ainda acredita na cripto moedas e somente leu a chamada do Mosca, pode ter ficado animado. Mas, como diz um assíduo leitor, lamento! Na verdade, o título não é bem por esse motivo, mas sim, porque o bitcoin está próximo de ser considerado a maior bolha da história. Ever!

Se acabar acontecendo, todos nós seremos testemunhas da incrível mania criada sobre essa e outras moedas digitais, e servirá como experiência a todos de como uma bolha acontece, e como é difícil de prever a partir de quando começa a queda.

- Boa David, essa você acertou, vamos vender a descoberto?
Calma meu amigo, eu disse estamos próximos, mas o bitcoin terá que sofrer ainda alguma retração em seu preço. Mas mesmo assim, entre a máxima de U$ 20 mil e a mínima de U$ 6 mil ocorreu uma queda de 70%, já merece no mínimo uma medalha de bronze! Hahaha ...



Eu marquei no gráfico dois níveis importantes do ponto de vista técnico: se casualmente o bitcoin ganhar terreno e ultrapassar U$ 11.500, o processo fica postergado por um tempo. Caindo abaixo de U$ 6.500 e principalmente U$ 6.000, deverá caminhar mais rapidamente para os níveis esperados de estabilização de uma bolha, que é observado entre 10% a 20% do preço máximo, que nesse caso, seria entre U$ 4.000 e U$ 2.000.

O bitcoin é negociado agora ao redor de U$ 8.700 ainda distante de ambos os níveis. Tudo indica que caminha para romper o de baixo. Mas quem sabe o que vai acontecer. Uma coisa é certa, o bitcoin ultimamente só desperta interesse quando se aproxima de um nível crítico, e por enquanto só para baixo. Sem “gasolina” para fazer crescer os preços, os detentores vão pouco a pouco perdendo a esperança.

A Argentina continua fazendo notícias, com sua moeda em queda livre, está sentindo na pele o que um erro de política monetária pode ocasionar quando as reservas não são suficientes, ou o plano econômico implantado não é convincente. Os efeitos que se sentem hoje é reflexo de anos de má gestão da sua ex-Presidente Cristian Kirchner, grande amiga da Dilma e seus seguidores. A ajuda pedida ao FMI foi tímida em meu entender, pois até que seja aprovada, o peso poderá continuar sem piso. Também não acredito que está tudo um desastre por lá, a alta do câmbio agregado aos preços atrativos da commodities poderá propiciar uma boa oportunidade mais à frente.

 Além da Argentina, outro pais que está na mira dos especuladores é a Turquia. O mapa a seguir, mostra a vulnerabilidade dos países emergentes em relação ao volume de reservas detidos por cada um deles.



As condições mundiais não são favoráveis aos países emergentes. De uma forma geral as três altas: dólar, juros e petróleo, é uma trinca de Ases nas mãos do mercado para apostar contra. Tudo isso, vai de encontro numa mesa que, já tinha muitas fichas apostadas, através dos elevados volumes de empréstimos a taxas baixas, contratadas por esses países.


No post folego-para-o-BCE, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” notem que acima de R$ 3,57, marquei um intervalo, que compreende entre R$ 3,65 a R$ 3,70. O motivo é que nessa região existe algumas confluências, denotando uma probabilidade maior” ... ...” quanto mais o dólar sobe sem dar um respiro, mais aumentam as chances de estar entrando num novo movimento de alta mais consistente, destruindo minha ideia que ainda estamos numa correção”...


E não tem o que reclamar para quem está comprado em dólar. Desde início de março, o dólar subiu 13%. Entretanto, para quem é leitor do Mosca não deve estar surpreso, pois como frisei diversas vezes, o fato do dólar ter ficado contido num intervalo bastante restrito por praticamente dois anos, quando do seu rompimento, o movimento deveria se forte.

Existe uma razão lógica, os investidores, especuladores e as pessoas, se acostumam aquele intervalo, e uma falsa impressão de estabilidade passa a ser assumida como verdadeira. Mas nada é estável indefinidamente, ainda mais no câmbio.

No gráfico a seguir coloquei o limite que aceito sem problemas, considerando que ainda estarmos numa correção, onde o próximo movimento mais importante seria de queda do dólar. Mas, como apontado, acima de R$ 3,80 as coisas ficam mais perigosas. 

Se a Argentina e Turquia continuar piorando, a trinca de Azes prevalecendo sobre as “cartas” dos outros países, pode ser que, uma onda de contagio nos atinja. Isso é uma evidencia para os analistas que estavam focando nas eleições, perceberem que o mundo de hoje é mais complexo e interdependente. A evolução das eleições daqui em diante, só pode ser igual ou pior, mesmo que Alkmin esteja com 50% dos votos.

O SP500 fechou a 2.730, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,6205, com alta de 0,58%; o EURUSD a 1,1932, sem variação; e o ouro a U$ 1.313, com queda de 0,34%.

Fique ligado!