2018: Vestibular Político

21 de agosto de 2018

Sem futuro



Todos os leitores do Mosca devem ter ficado surpreso com o resultado das pesquisas eleitorais publicados pelo Ibope. Independente do Lula poder ser ou não candidato, na pesquisa espontânea, ele é a escolha da grande maioria da população, com 37% dos votos. É muito provável que não lhe seja dado o direito de concorrer, mas esse número quer dizer muita coisa para mim.

O primeiro recado que o eleitor brasileiro nos dá é que não está interessado em ter um governante que seja honesto ou qualificado, o que importa são as benesses que lhe são oferecidas, sem se preocupar como são obtidos esses recursos. O governo que paga, é o mantra que usam, não é seu problema se o déficit vai para o espaço.

Se este pré-requisito é garantido, o fato do governante ser honesto ou não é de pouca importância, afinal todos roubam. Com esse raciocínio simplista, esse eleitor não deveria reclamar dos assaltos e roubos que estamos sujeitos todos os dias, ou quando é de sua propriedade deveria ser diferente. Ao se observar o ponto de vista do ladrão, se todo mundo rouba, porque ele não?  Igualdade para todos!

Para os intelectuais que defendem o Lula e também o PT, quero dizer que se eleito, não reclamem que suas poupanças vão virar pó no longo prazo. Tenho certeza que, nenhum acadêmico brilhante, vai gostar se algum dia a dívida pública que garante boa parte de suas poupanças, passarem por uma renegociação. Ou será que acreditam que governo não vai fazer isso? Não apostem nisso.

Tenho muita convicção que, caso o PT ganhe as próximas eleições, os ativos brasileiros vão despencar. A bolsa, NTN-b, LTN, devem cair muito. Basta observar o programa de governo do PT, uma volta ao passado, total delírio econômico.

Por outro lado, se Bolsonaro for eleito, o que também tem boa chance, a lua de mel será temporária. Acredito que Paulo Guedes, um economista renomado com uma personalidade muito forte, vai bater de frente com o seu chefe em algum momento. Não acho uma boa solução para nosso país.

Para dizer a verdade, nenhum da lista de candidatos é uma boa opção para o momento que vivemos, seria preciso alguém com gutz para fazer uma grande mudança. Pois é, ainda não será desta vez, o que implica que mais quatro anos serão perdidos, ou em outras palavras, o sofrimento não atingiu o stoploss.

Fico preocupado com os jovens que estão iniciando sua carreira num ambiente tão sem perspectivas.

As pessoas se perguntam se o Brasil pode virar uma Venezuela. Essa pergunta tem uma resposta difícil, mas se o país eleger presidentes com viés populista a chance aumenta, pois é mais fácil manter o apoio de quem recebe benefícios do governo, quando esse grupo é ampla maioria.

Eu acreditava que, depois do que vivemos nesses últimos anos, a população tenderia por uma mudança. Porém, com 37% de intenções de voto para o Lula, eu estava enganado, a grande maioria prefere deixar o país escorregar rumo a uma Venezuela.

Mas o problema da dívida pública não é exclusividade brasileira, vejam a seguir a evolução da dívida americana depois que o Trump resolveu dar benefícios ao povo com a redução de impostos.


Como dizia Keynes no logo prazo todos estaremos mortos, o que se pode concluir dessas palavras é que, vale o curto prazo. Essas medidas do presidente americano acoplado as imposições comercias que vem adotando, fizeram com que a bolsa americana tivesse uma performance melhor. Notem a seguir, essa comparação em relação a bolsa europeia.



O bitcoin continua empacado próximo dos U$ 6.000, nível que venho alertando como muito importante. No gráfico a seguir, se nota a configuração de um triângulo descendente que, em 2/3 das vezes, rompe para baixo.



Os negócios com essa crypto moeda vem perdendo ímpeto a cada dia que passa. O seu interesse acaba se elevando quando algum país passa por uma crise como o caso da Venezuela e mais recentemente a Turquia. O que essas pessoas se esquecem é que, essa moeda deveria ser usada unicamente como uma ponte para sair do país. Assim, compra bitcoin em moeda local e imediatamente vende para receber em dólares ou euros, pois caos contrário, o bitcoin pode sofrer uma desvalorização superior a de sua moeda, como aconteceu em 2018.



No post não-esqueceram-de-mim, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” A queda do euro, que começou em março, está prestes a terminar, pelo menos este movimento inicial. Calculo entre € 1,1230 ou € 1,1100, são os níveis onde deveria zerar esse trade. Depois disso a moeda única poderá subir, atingindo € 1,185 a € 1,20. Sendo assim, de agora em diante é necessário cuidado para administrar esse percurso final” ... ...” No caso em questão, a operação ficou muito tranquila, pois vou elevar o stoploss para € 1,15, o que garante um resultado não negativo. Isso é possível pelas características técnicas desse movimento especifico, e não porque quero me proteger de um eventual prejuízo” ...


Minhas recomendações dos cuidados nessa posição, foram importantes. O que eu havia imaginado como possibilidade, acabou ocorrendo, e fomos stopados sem prejuízo. Mas o que significa isso para o euro? Incialmente devemos passar por um tempo com valorização da moeda única. No gráfico abaixo apontei dois possíveis objetivos 1,195 ou 1.21


O gráfico acima contempla um período de mais longo prazo. Com a linha em marrom, apontei uma possibilidade para o movimento daqui em diante nessa correção. Notem algo importante, no longo prazo trabalho com novas altas para o euro.

Em termos de Elliot Wave, devemos estar entrando numa onda B. É sabido que essa onda é terrível, uma destruidora de resultados. Normalmente, anda 2 passos à frente e 1 a 1,5 para trás. Provavelmente não devo me envolver nesse movimento, que deve durar poucos meses, vou aguardar a onda C.

O SP500 fechou a 2.862, com alta de 0,21%; o USDBRL a R$ 4,0492, com alta de 2,11%; o EURUSD a 1,1569, com alta de 0,75%; e o ouro a U$ 1.195, com alta de 0,42%.

Fique ligado!

20 de agosto de 2018

Desapego



A cada dia, mais e mais pessoas usam serviços temporários. Ao invés de comprar produtos que permanecem ociosos por boa parte do tempo, adquiri serviços temporários. Os mais óbvios e difundidos são os automóveis que, na maioria dos casos, ficam parados em alguma garagem. Eu já me juntei a esse grupo, vendi meu carro! Demorou um pouco, mas posso dizer que é muito melhor e mais barato andar de Uber.

O Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre esse assunto, que compartilho a seguir.

Alguns problemas sociais são descaradamente óbvios na vida cotidiana, enquanto outros são de longo prazo, mais corrosivos e, talvez, quase invisíveis. Ultimamente tenho observado um problema deste último tipo: a erosão da propriedade pessoal e o que isso significará para nossa lealdade aos conceitos tradicionais de capitalismo e propriedade privada.

Os principais responsáveis pela mudança são o software e a internet. Por exemplo, o Kindle da Amazon e outros métodos de leitura on-line revolucionaram a forma como é consumido texto. Quinze anos atrás, as pessoas geralmente possuíam os livros e revistas que estavam lendo. Muito menos agora. Se você olhar para as letras miúdas, verifica-se que você não possui os livros no seu Kindle. A Amazon os tem.

Isso não parece ser um grande problema prático. Embora a Amazon possa destruir os livros no Kindle, isso aconteceu apenas em um número muito pequeno de casos. Ainda assim, esse licenciamento de livros eletrônicos, em vez de empilhar livros em uma prateleira, alterou nosso senso psicológico de como nos conectamos com o que lemos - não é mais verdadeiramente "nosso".

A mudança em nosso relacionamento com objetos físicos não para por aí. Nós costumávamos comprar DVDs ou fitas de vídeo; agora os espectadores assistem filmes ou programas de TV com a Netflix. Os amantes da música costumavam comprar discos compactos; agora o Spotify e o YouTube são mais usados ​​para ouvir nossas músicas favoritas.

O grande sonho dos adolescentes costumava ser a de ter o próprio carro. Isso está diminuindo em favor da vida urbana, maior dependência de transporte de massa, ciclismo, caminhada e, claro, serviços de compartilhamento de carona como Uber e Cabify.

Cada uma dessas mudanças é benéfica, mas as pessoas estão, lenta, mas seguramente, perdendo sua conexão com a ideia de propriedade privada. O EUA baseou-se que, a noção de propriedade dá aos indivíduos uma participação no sistema. Separou os americanos dos camponeses feudais, ensinou como os direitos de propriedade e os incentivos operam, e foi uma espécie de treinamento para o futuro empreendedorismo.

E quanto ao smartphone, esse dispositivo de vida essencial. Você possui um? Bem, mais ou menos. Quando a Apple decide alterar o software operacional, mais cedo ou mais tarde você tem que concordar com o que selecionou. O Gmail deve mudar sua aparência geral e funcionalidade, talvez para melhor, mas, novamente, eventualmente, essa escolha também não será sua: é do Google. A própria economia do software estimula a padronização e muda com o tempo, de modo que você aluga muito do que usa em vez de adquiri-lo. Ao usar o Microsoft Word, mais cedo ou mais tarde, o contrato terá que ser renovado.

Imagine a “internet das coisas” penetrando cada vez mais em nossas casas, por meio de serviços como o Alexa da Amazon. Teremos fornos e termostatos que você definirá com sua voz e um banheiro que periodicamente lhe dará o equivalente a um check-up médico. Sim, você ainda possuirá o título da sua casa física, mas a maior parte do valor nessa casa, em essência, será alugado de empresas externas ou, no caso de concessionárias municipais, do governo.

Quanto aos smartphones, já está claro que você não tem todo o direito legal de repará-lo e, de fato, cada vez mais dispositivos são vendidos aos consumidores sem lhes dar os correspondentes direitos para consertar ou alterar esses bens e serviços. Os tratores John Deere são vendidos a fazendeiros com muitos softwares, e os agricultores precisam “hackear” o trator se quiserem consertá-lo.

Essas são intuições cada vez mais desconectadas da realidade, e ninguém sabe o que está do outro lado desse experimento social.

A mudança de atitude dos jovens, com menos ligação com a propriedade e mais com o uso, poderá ter grandes impactos econômicos. Com uma postura mais pragmática, a de que os bens servem por uma necessidade temporária, por que então ter a propriedade? Filosoficamente e economicamente, parece fazer muito sentido. Quanto tempo o carro, a casa da praia, as roupas, e aparelhos ficam ociosos?

Pensando-se no limite, se todos aderissem a esse novo modelo instantaneamente, haveria um colapso de demanda enorme, pois todo o estoque existente seria muito mais que suficiente para atender a demanda.

Marginalmente já está acontecendo, diariamente noto pessoas aceitando essa nova tendência. Vendem seu carro, ou alugam moradias pelo AirBnb. Parece que é uma questão de tempo, para que boa parte da demanda seja afetada por essa nova tendência.

No post salários-estagnados, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” O traçado em cinza, é uma formação bem aceitável nesta situação. Neste caso, o dólar voltaria a negociar por volta de R$ 3,80 para depois subir. Em contrapartida, o movimento traçado em vermelho, teria como premissa que, a correção já terminou e o dólar caminharia para romper o nível máximo anterior de R$ 3,97” ... ...”  No momento, não temos nada a fazer. Existirão duas possibilidades, ou se aguarda para comprar ao redor de R$ 3,80 com um stoploss a R$ 3,70; ou no rompimento de R$ 3,97” ...


O mercado se encontra muito perto da opção em vermelho acima, ou seja de R$ 3,97. Ao se fazer algumas simulações de quais poderiam ser os objetivos, caso se deseje comprar dólares. Existiriam os seguintes alvos:

1-      R$ 4,00 – retorno de 0,80%
2-      R$ 4,10 (mais provável) – retorno de 3,3%
3-      R$ 4,17 / R$ 4,20 – retorno mínimo de 5,0%


O stoploss mais correto deveria estar colocado a R$ 3,85, o que implica numa perda potencial, caso seja acionado, de 3,1%.

Não posso dimensionar um trade pelo maior resultado, o correto neste caso seria utilizar o lucro potencial em 3,3%. Não gostei!

Quando a Dilma ainda era Presidente, e o processo de impeachment nem havia começado, e o dólar chegou a beirar R$ 4,25, em setembro de 2015. Agora, não parece ser o caso de uma nova investida acima desse nível, pois acredito que estamos numa correção maior, aonde em algum momento o dólar voltaria a cair. Isso, só seria negado, caso ultrapasse essa marca.

Desta forma, o dólar estaria no final do processo de alta, e qualquer falha em atingir os níveis mais prováveis, iriam comprometer o resultado desse trade.

Esse é um caso interessante onde existe a opção de um trade, porém, os resultados não são animadores. Desta forma, só entraria caso o mercado siga a opção cinza citada no post acima. Como não parece ser esse o caso, vou permanecer sem posição.

O SP500 fechou a 2.857, com alta de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,9657, com alta de 1,40%; o EURUSD a 1,1483, com alta de 0,39%; o ouro a U$ 1.190, com alta de 0,52%.

Fique ligado!

17 de agosto de 2018

China sob pressão



Durante anos, a economia chinesa se beneficiou de uma dinâmica incomum. Como a China usa uma paridade baixa do dólar, suas taxas de juros estão atreladas ao Federal Reserve. Após a crise financeira, como o Fed manteve as taxas excepcionalmente baixas por um período prolongado, a China foi capaz de definir suas próprias taxas mais baixas do que seria necessário, assim, conseguiu subscrever seu modelo de crescimento liderado por investimentos.


Agora este modelo está sob pressão significativa. O Banco Central da China está tentando manter as taxas baixas em uma economia superalavancada, enquanto o Fed está elevando os juros para conter a inflação. O aperto no diferencial de rendimento entre os dois países ameaça a cotação do yuan frente ao dólar, e pressionará o PBOC a aumentar os juros. Como a China lida com este desacoplamento é de importância crítica para o seu futuro econômico.


Desde dezembro de 2015, o Fed elevou sua taxa básica de juros sete vezes, de 0,25% para 2%. Durante esse período, os principais custos dos empréstimos chineses permaneceram praticamente estáveis ​​e o PBOC deixou as taxas de empréstimos oficiais inalteradas para os bancos. O rendimento dos títulos do governo chinês de 10 anos subiu apenas ligeiramente, de 3% para 3,55%.


Isso resultou em um estreitamento significativo do spread entre o custo da dívida chinesa e dos EUA. Um dia antes da primeira alta, o spread entre os títulos da China versus os do EUA, era de 1,70 %. Recentemente, esse spread é de 0,30%. O spread dos títulos de 10 anos tem oscilado em torno de 0,50 ponto percentual nos últimos meses, o que implica que os investidores preveem um novo aperto pelo Fed.


Para a China, isso apresenta dois grandes riscos.


Um é que os spreads de rendimento mais estreitos dificultarão a atração de capital. É verdade que a entrada de recursos para investimento em portfólio na China aumentou em 144% este ano. Mas isso se deve principalmente à inclusão da China nos índices de ações no benchmark da MSCI, e também a um novo programa que permite que investidores estrangeiros acessem o mercado de títulos interbancários da China. Esses ingressos são minúsculos para uma economia do tamanho da China. Como a sua conta corrente entrou em déficit, e tem uma demanda premente por investimentos para impulsionar o crescimento, a China precisa de capital estrangeiro.

À medida que os rendimentos avançam em direção à igualdade, os investidores provavelmente começarão a alocar seu capital em outro lugar. O investimento estrangeiro direto aumentou apenas 3,4% no ano. A China oferece agora mais riscos - os spreads de títulos industriais e de construção urbana quase dobraram em relação ao ano passado - e menos oportunidades do que antes. A compra de dívida do governo chinês com um acréscimo de 50 pontos base não é uma proposta atraente.

Mais fundamentalmente, o estreitamento dos spreads de rendimento sugere que o modelo de crescimento da China está em sério risco. Com as elevações programadas pelo Fed, o BPC deve seguir o mesmo caminho para manter a paridade do yuan. No entanto, a dívida corporativa chinesa é de 156% do PIB. Sob tais condições, os riscos financeiros são significativos.

Mais precisamente, com a dívida total chinesa se aproximando de 300% do produto interno bruto, qualquer aumento na taxa de juros aumentaria substancialmente os custos do serviço da dívida e pressionaria enormemente as empresas chinesas. É exatamente por isso que o governo está tentando manter as taxas baixas e manter a taxa de câmbio sob controle. Nenhum país pode depender de investimento financiado por dívida para impulsionar o crescimento em uma economia superalavancada se as taxas de juros estiverem subindo.

Isso deixa a China numa encruzilhada. Se quiser manter o yuan atrelado ao dólar, precisará aceitar um Yuan mais fraco à medida que os spreads se estreitam ou aumentem as taxas de juros. Se não quiser permanecer tão intimamente ligado ao dólar, precisará vincular o yuan a outra moeda ou deixá-la flutuar de alguma forma - mas isso também implicaria um Yuan mais fraco e taxas de juros mais altas.


Em outras palavras, algo tem que ceder. A China há muito fala em se afastar de um modelo de crescimento baseado em investimentos, mas nunca tentou seriamente. O tempo para agir pode estar em breve chegando.

Essa percepção pelo mercado está acarretando a queda da bolsa de valores. Uma parte da queda é oriunda também pelo fato dessa economia ser considerada como emergente.


Este problema para China se soma ao constante ataque feito por Trump no front comercial. Nesse momento, a condição de negociação americana é melhor que a chinesa (até nisso o presidente americano tem sorte).

No post nunca-é-diferente, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos:  ....” Mas olho vivo, pois, para que a expectativa de alta do juro mais adiante ocorra, as áreas que identifiquei em bordo, devem conter essa queda. O primeiro intervalo é entre 2,70% e 2,75%, e aceito no máximo até 2,65%. Abaixo desse último nível, azeda bastante esse cenário” ...


No gráfico a seguir, de mais longo prazo, reforcei os dois períodos onde o juro buscou romper a barreira dos 3% (círculos). Além disso, mostra como os juros de 10 anos permaneceram encaixotados dentro do intervalo de 1,5% a 3%, por mais de 5 anos.


A mesma formação que apontei ontem no gráfico do SP500 – ombro, cabeça, ombro, pode estar se formando aqui também. Esta é a razão que frisei acima que, abaixo de 2,65% o cenário de alta ficaria bem comprometido.

Uma aposta enorme hoje nos mercados financeiros está alocada nesse ativo. Até o motorista do Uber (mudou, não é mais do táxi! Hahaha ...), de tanto ouvir em seu carro que a dica do momento é apostar contra o juro, resolveu comprar o ETF denominado de TBF, que aposta na alta de juros.

Por outro lado, penso o que teria que acontecer para os juros caírem abaixo de 2,65%. Neste momento, onde está todo mundo otimista com a bolsa americana, não faria sentido, a não ser que, ..... Bem, esse não é meu cenário básico, então vamos em frente sem pensar em horrores.


O SP500 fechou a 2.850, com alta de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,9127, com alta de 0,17%; o EURUD a 1,1439, com alta de 0,55%; e o ouro a U$ 1.184, com alta de 0,92%.

Fique ligado!

16 de agosto de 2018

Poucas boias



Ontem participei do evento organizado pelo Banco Credit Suisse, onde vários gestores de fundos se apresentaram. De uma maneira geral existe um consenso otimista em relação a bolsa americana, e uma postura cautelosa em relação aos ativos brasileiros, exceto a SPX, que através de seu CEO Rogério Xavier, traçou um quadro extremante negativo.

Porém foi na apresentação de Maurício Moura da Ideia Big Data, onde o interesse se voltou com mais atenção. Comentou sobre a próxima eleição. Suas principais informações foram bastante elucidativas considerado a curta distância em que nos encontramos do primeiro turno.

Eu poderia resumir os seguintes pontos: Acredita que teremos um segundo turno entre Bolsonaro x Haddad, uma vez que, Lula é inelegível; independente de quem ganhe será por uma pequena parte dos eleitores, haja visto que, nessa eleição o número de votos brancos, nulos e ausência será recorde. Assim sendo, não terá grande apoio.

Com isso em vista, e caso o PT ganhe, o mercado vai apostar numa queda forte dos ativos brasileiros, basta ver o programa desse partido; se por outro lado for o Bolsonaro, haverá uma trégua de curto prazo a fim de que se avalie o início do seu governo.  Tenho a impressão que serão mais quatro anos de Muddle Trough – fazer uma determinada tarefa com dificuldade.

Mas hoje tivemos uma boa notícia, o registro do Lula como candidato do PT. Essa atitude vai fazer com que o Haddad passe a ser candidato somente ao redor de 15 de setembro, a menos de 3 semanas das eleições, atrasando uma eventual transferência de votos. Realmente não entendo a cúpula do PT que não cortou o seu cordão umbilical. Melhor assim.

Como o Mosca havia aventado sobre eventuais ajuda de outros países, ontem o Catar decidiu injetar U$ 15 bilhões na economia turca, demonstrado seu suporte para um aliado, haja visto que, sua relação com os EUA se deteriorou. Esse suporte se dará através de investimentos diretos e depósitos.

Esse movimento reflete o fortalecimento econômico e político entre esses dois países. A Turquia apoiou o Catar no ano passado em uma disputa diplomática regional que viu quatro outros países árabes imporem um bloqueio econômico e de viagens a Doha depois de acusarem seu vizinho de fomentar a agitação na região.

A Alemanha também se movimentou para oferecer ajuda. Angela Merkel está lembrando o presidente turco, Erdogan, de que ele tem um potencial aliado em Berlim, oferecendo a credibilidade desse país para evitar um vazamento de turbulência econômica.

Enquanto Erdogan busca proteger a economia turca de uma rivalidade com o presidente Donald Trump. Ele e o chanceler alemão, conversaram por telefone na quarta-feira para marcar uma reunião dos ministros das finanças de ambos os países. Enquanto Berlim não oferece ajuda, a conversa reflete os interesses de ambos os lados e a influência da Alemanha como a maior economia da Europa.

A Alemanha quer que a Turquia evite um colapso financeiro e não pode permitir que o país caia no caos, de acordo com uma pessoa familiarizada com o pensamento de Merkel, que pediu para não ser identificada. Depois que uma guerra de palavras sobre os valores democráticos botou as relações para baixo, a Alemanha também está fazendo uma abertura ao hospedar Erdogan para uma visita de estado em 28 de setembro.

"Ninguém tem interesse na desestabilização econômica da Turquia", disse Merkel em Berlim nesta semana.

A Alemanha, é de longe, o maior parceiro econômico da Turquia, respondendo por cerca de 37 bilhões em comércio bilateral no ano passado, incluindo turistas alemães na Turquia. Mais de 6.500 empresas alemãs, de propriedade total ou parcial, operam no país.

Esses movimentos fizeram com que a lira turca subisse 20%, desde a mínima atingida na segunda-feira. Mas isso é suficiente para tranquilizar os mercados? Não acredito, são apenas algumas boias, insuficientes para colocar sua economia nos eixos. O próximo gráfico mostra as necessidades financeiras deste ano e do próximo. U$ 15 bilhões não faz nem cócegas!


Em seguida, seu nível de reservas é extremante baixo para fazer frente a um eventual resgate total desses compromissos pelos investidores.


Mas a desvalorização de uma moeda nesta magnitude tem um impacto na economia interna considerável. Como as importações ficam extremamente caras, os produtos produzidos internamente ficam extremante baratos. Uma simulação feita com esses novos parâmetros, mostra uma reversão na conta corrente do país.



Uma outra comparação interessante apresenta o movimento da moeda turca contra diversas moedas que passaram por situações semelhantes no passado, inclusive o Brasil em 1998. Por essa métrica, a lira turca ainda não atingiu seu mínimo.


Toda crise cambial tem um elemento não contabilizado que é o risco da poupança interna em moeda local. Os economistas trabalham somente com os dados existentes de fluxo cambial em suas análises. Mas se tem algo que pode apavorar qualquer governo é a possibilidade da população pular fora do barco e comprar moeda estrangeira com suas liras. Não precisa ser todo mundo, basta uma parcela significativa, e normalmente os mais bem informados. É aí que mora o perigo, e onde os especuladores miram em suas investidas em países com características semelhantes a Turquia.

No post bitcoin-da-escassez-para-sem-valor, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” o SP500 está bastante próximo de seu recorde histórico a 2.870” ... ...” Vou calcular quais seriam os objetivos considerando que o nível de 2.870 seja ultrapassado” ... ...” O primeiro nível seria 3.250, uma alta de 13% dos níveis atuais, e caso seja ultrapassado, o próximo ponto seria 3.650, uma alta nada desprezível de 27%” ... ...” o SP500 precisa vencer a barreira dos 2.873 para ser mais preciso, sem recuo. Para frente e para o alto! ” ...


Passados alguns dias, o SP500 está um pouco abaixo ao que estava no dia da publicação do post. O motivo principal desse recuo foi a queda livre da moeda turca, que assustou todos os mercados. As recomendações continuam as mesmas, é necessário romper o nível de 2.873.

Embora o SP500 está subindo hoje 1%, vou elevar o stoploss para 2.800. No gráfico abaixo aponto o motivo de meu movimento.


Uma formação denominada de ombro – cabeça – ombro, traçada em cinza, pode estar se formando. Segundo a análise técnica, nesses casos, se rompida a linha azul, a bolsa poderia cair. O Target mínimo seria a linha da hipotenusa do triangulo em formação, levando a bolsa a um nível de 2.700. Mínimo porque, no limite pode ir a 2.530.

Desta forma, se rompida a região dos 2.800, não quero ficar comprado torcendo para que a queda seja a menor. Outro fator que me intriga é o shape traçado em verde, deveria ser mais convincente. Levando tudo isso em consideração, vamos devagar.

O SP500 fechou a 2.840, com alta de 0,79%; o USDBRL a R$ 3,9024, sem variação; o EURUSD a 1,1371, com alta de 0,25%; e o ouro a U$ 1.173, sem variação.

Fique ligado!

15 de agosto de 2018

Carros elétricos: O presente



Frequentemente são apresentados novos carros elétricos produzidos pelas empresas automobilísticas conhecidas ou a Tesla, especializada nesse tipo de automóvel. Diversos países já anunciaram um cronograma com a morte anunciada dos veículos a combustão.

Essa mudança já é uma realidade e dificilmente será alterado. A população mundial está muito preocupada com a poluição, exigindo de seus governantes que tomem posições no sentido de diminuir a emissão de gases.

A bateria é um elemento crítico nesse processo, tanto em termos de sua dimensão, custo e reposição de energia. Um estudo elaborado pelo FMI, aponta as principais matérias primas usadas nas baterias em conjunto com suas evoluções de preço.

O aumento na demanda por carros elétricos foi impulsionado em parte pela queda dos custos das baterias de íons de lítio - impulsionadas pelo progresso tecnológico - que alimentam tudo, desde carros elétricos até smartphones.

Lítio e cobalto são componentes críticos em baterias para carros elétricos. O rápido crescimento da demanda por baterias recarregáveis elevou os preços dessas matérias-primas e gerou preocupações sobre potenciais escassez de cobalto e lítio que poderiam retardar o lançamento de veículos elétricos.

O preço do carbonato de lítio aumentou mais de 30% em 2017 (veja comentários adiante, sobre essa commoditie). Ainda mais surpreendente é o aumento do preço do cobalto, que aumentou 150% entre setembro de 2016 e julho de 2018. Os booms de preços de cobalto não são sem precedente histórico.

Ao contrário do lítio, o preço do cobalto deve permanecer alto devido à oferta limitada e à crescente demanda. Em 2016, mais de 50% da oferta global de cobalto veio da República Democrática do Congo.

Os preços do cobalto também foram voláteis devido a cadeias de fornecimento inseguras. O gráfico também mostra que desde 1915 houve quatro episódios de boom de preços. Aqueles durante 1978-81 e 1995-96 provocaram respostas nítidas: a produção mundial cresceu 54,1 e 36,1% em 1983 e 1995, respectivamente, significativamente maior do que a média de 50 anos de 4,8%. O aumento dos preços desde 2016 e os preços futuros de 2018-19 sugerem que a história pode estar se repetindo e que a produção pode acelerar novamente, pelo menos temporariamente. De fato, os preços do cobalto caíram um pouco nos últimos meses, após fortes aumentos de produção na República Democrática do Congo e redução da demanda da China.

Diversos desenvolvimentos poderiam, no entanto, limitar essa volatilidade de preço. Estes incluem maior reciclagem de cobalto e novas técnicas de mineração de produção primária.

Talvez o mais importante, a tecnologia de baterias continua a melhorar e pode interromper o aumento dos preços do cobalto. Uma das principais alternativas ao conceito de bateria de íons de lítio - a bateria de estado sólido - significaria baterias menores e mais densas em energia que não precisam de cobalto.

A pesquisa e a inovação contínuas nessa área podem estimular ainda mais o progresso no desenvolvimento de veículos elétricos e eletrônicos portáteis.

Uma matéria publicada no Wall Street Journal, aponta como a especulação sobre o lítio acabou derrubando os preços em 2018.

Um dos investimentos mais quentes de 2017 é agora um grande problema.

O lítio subiu no ano passado com as expectativas de que o crescimento da demanda levaria a uma escassez de oferta. Mas até agora, em 2018, os estoques de empresas de lítio caíram depois que o Morgan Stanley levantou preocupações de que os produtores aumentarão a produção muito rapidamente.

Projeções de alta para o consumo fizeram do lítio e do cobalto, dois dos queridinhos do mercado no ano passado. Mas o sentimento rapidamente mudou depois que o Morgan Stanley observou excesso de oferta de lítio em fevereiro. Agora, analistas dizem que os preços de materiais para baterias caíram na China, que domina o mercado de baterias. As Preocupações intensificaram que, as mudanças nas políticas de subsídios para veículos elétricos da China, levarão a uma demanda menor.


Alguns dos maiores produtores do mundo, incluindo a empresa chilena Sociedad Química Y Minera De Chile S.A. e a empresa norte-americana Albemarle Corp, caíram quase 25%. Pequenas empresas de lítio têm se saído ainda pior - em alguns casos, perdendo até 70%.

Algumas empresas e investidores continuam otimistas no mercado de lítio. O SoftBank e a Tesla estão entre as grandes empresas de tecnologia e automóveis que recentemente fizeram acordos para garantir o suprimento de lítio.

Mas isso não afetou a perspectiva de baixa de alguns investidores e traders. Eles estão apostando que as perdas no mercado de lítio continuarão.

Se isso é uma má notícia para os investidores que estavam especulando que essas commodities iriam explodir, por outro lado, os preços dos veículos elétricos se tornarão mais acessíveis.

O mundo possui mais de 1 bilhão de automóveis rodando, e regiões como a China e Índia passam por crescimento expressivo de sua frota. Desta forma, não se pode deslumbrar uma eliminação desse meio de transporte de um dia para o outro. Porém, a velocidade de substituição pode ser mais rápida que a projetada, e para tanto, basta que o preço dos carros elétricos seja reduzido, e isso passa por uma redução nos preços das baterias.

Essa seria uma boa noticia num mundo recheado de más notícias. Imaginem que maravilha seria percorrer a cidade sem o incomodo da fumaça. Mas talvez isso não esteja tão distante, pois daqui algum tempo, carro a combustão vai ser o maior mico, e pode entrar num ciclo vicioso de queda de preço.

No post os-velhinhos-na-ativa, fiz os seguintes comentários sobre o ouro:  ....” Conforme exposto no gráfico acima, o primeiro intervalo entre U$ 1.180 – U$ 1.200, uma reversão poderia acontecer. Caso o ouro continue em queda, e principalmente abaixo de U$ 1.130, aumentam consideravelmente as chances de o metal testar novamente o mínimo que ocorreu no final de 2016 em U$ 1.050” ...


No primeiro intervalo o ouro passou batido, e rápido. Aumentaram muito as chances do intervalo apontado abaixo em cinza, que corresponde ao preço de U$ 1.130, ser atingido em breve.  


Como apontei acima, existem 2 possibilidades: a primeira é que essa onda vendedora termine nesse nível e o metal comece a subir a partir daí; ou continua caindo, onde o próximo nível seria a U$ 1.050.

Qualquer penetração abaixo desse preço, o meu cenário predileto comentado no post para 2018, passa a valer o-ouro-perde-o-brilho...” O intervalo entre U$ 1.050 e U$ 1.400 são delimitadores. O que quero dizer com isso é que, precisam ser rompidos para que uma nova sequência seja estabelecida. No meu cenário predileto (1), o ouro incialmente romperia a parte inferior para atingir uma nova mínima ao redor de U$ 900, para só depois voltar a subir” ... ...” Quero ressaltar ser é possível que, o rompimento inferior não aconteça, por exemplo, parando próximo de U$ 1.050, e começando a alta a partir daí” ... ...” Um cenário alternativo contemplaria uma queda limitada ... ... para em seguida, o ouro romper o limite superior (2)” ...


Como se pode notar, não aconteceu nem o cenário predileto (1), nem o cenário (2). Na verdade, parece que foi um mix. Começou dando pinta que o cenário (2) iria prevalecer para em seguida reverter – razão de nossas apostas cautelosas nesses meses.

Para resumir, pois existem várias outras hipóteses, vamos observar o que acontece, se e quando, o ouro atingir ~ U$ 1.130, sem posições!

O SP500 fechou a 2.818, com queda de 0,76%; o USDBRL a 3,8982, com alta de 0,83%; o EURUSD a 1,1351, sem variação; e o ouro a U$ 1.175, com queda de 1,52%.

Fique ligado!

14 de agosto de 2018

Não esqueceram de mim



Nos anos 90, o filme Esqueceram de mim fez muito sucesso. Uma família de Chicago planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões da viagem, um dos filhos, Kevin (Macaulay Culkin), acaba esquecido em casa. O garoto de apenas oito anos é obrigado a se virar sozinho e defender a casa de dois insistentes ladrões.

Hoje o mercado resolveu dar um refresco a Turquia, depois de vários dias apresentando desvalorizações crescentes, uma onda de realização de lucros deve ter ocasionado a alta superior a 7%. Mas a perseguição do mercado, aos países emergentes, não parece ter terminado, apenas uma trégua.

Há dois meses foi a vez da Argentina ocupar o noticiário de forma bastante semelhante. Mas entre esses dois países existe uma diferença importante, enquanto nossos Hermanos tem um presidente que é empresário, a Turquia tem um populista. Como disse, o gestor de um Fundo Hedge, “ é uma Dilma com muito mais poder”.

O pais vizinho teve sua moeda beirando os 30 pesos por dólar ontem, uma desvalorização acumulada de 50% desde de maio último. O banco central argentino elevou a taxa de juros para 45% a.a. (está com saudades? Hahaha ...).


A Argentina está seguindo a cartilha do FMI, o que garante uma baita recessão à frente, enquanto a Turquia está na ilusão de seu presidente que, está sendo perseguido pelos EUA, e, portanto, basta seguir sua seguir cartilha. Mas a crise não aconteceu do nada, veja a seguir a classificação dos países emergentes no rol de dívidas.


Os dois estão na cabeceira, e o caso argentino tem uma característica ainda mais marcante, a maioria de sua dívida é governamental. Como um país não quebra por princípio, a chance de uma renegociação se eleva nesses casos, afinal, eles são especialistas no assunto.

Será que o mercado esqueceu da Argentina, ou os especuladores já tiraram todo o sangue? O próximo gráfico garante ainda muitas investidas dos especuladores. Tanto ela, como a Turquia, tem um déficit em conta corrente substancial. Mas o que significa isso? Significa que, necessita sempre de novos empréstimos para continuar financiando seu déficit, além de renovar o que está vencendo. Não precisa ser nenhum PHD em finanças para entender a fragilidade que ambas estão metidas.


Eh, diferentemente do Kelvin que é lembrado por seus pais e tudo acaba bem, a Argentina gostaria de ser esquecida pelo mercado. Mas não será, sua salvação se resume a reverter o seu déficit exportando mais que importando, e rezar para que os U$ 50 bilhões do FMI sejam suficiente para acalmar a turma. Se está percepção acontecer, terá um grande parceiro, o próprio mercado que deve estar bem “vendido”.

- David, não entendi esse último raciocínio do mercado.
O que eu quis dizer, é que, se o mercado está vendido e a percepção muda que, a Argentina não precisa renegociar sua dívida, esse pessoal vai puxar o mercado para cima, zerando suas posições. Mas, esse raciocínio ainda é mera conjectura, por enquanto, a situação é muito delicada.

No post estão-vendo-fantasma, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” propus dois trades do qual um exclui o outro se atingindo.1) vender euro a € 1,185 com stoploss € 1,1980, desde que, não negocie antes disso abaixo de € 1, 1505. 2)  vender euro a € 1,1500 com stoploss a € 1,1650” ... ...” em algum momento esse trade será executado, ou pelo “bom” preço € 1,1850, ou pelo “mal” preço € 1,1550” .... Na última sexta-feira nossa ordem foi executada pelo “mal” preço.


A queda do euro, que começou em março, está prestes a terminar, pelo menos este movimento inicial. Calculo entre 1,1230 ou 1,1100, são os níveis onde deveria zerar esse trade. Depois disso a moeda única poderá subir, atingindo 1,185 a 1,20. Sendo assim, de agora em diante é necessário cuidado para administrar esse percurso final.


Talvez os leitores se sintam incomodados ao encarar ordens deste tipo. É natural se pensar: porque não vender logo por um nível mais elevado? A razão é que, num movimento de correção, não se pode dizer a priori como será seu formato. Depois que acontece tudo parece “obvio”, principalmente se o desejo já era nesse sentido.

Mas o investidor disciplinado respeita o mercado e não tenta adivinhar. Deve traçar uma estratégia para cada opção, sempre estabelecendo seu stoploss a priori.

No caso em questão, a operação ficou muito tranquila, pois vou elevar o stoploss para 1,15, o que garante um resultado não negativo. Isso é possível pelas características técnicas desse movimento especifico, e não porque quero me proteger de um eventual prejuízo.

É desta forma que buscamos os resultados que o mercado nos oferece, não qualquer resultado, mas aqueles em que o risco x retorno nos é vantajoso. Os outros momentos, ficamos de espectador, não é fácil, pois no final de cada dia, poderíamos ter vários trades vantajosos. Naturalmente nossa mente, nos protege dos maus resultados simplesmente os esquecendo!

O SP500 fechou a 2.839, com alta de 0,64%; o USDBRL a R$ 3,8637, com queda de 0,51%; o EURUSD a 1,1342, com queda de 0,56%; e o ouro a U$ 1.193, sem variação.

Fique ligado!

13 de agosto de 2018

Salários estagnados



A Turquia tem gerado extrema volatilidade aos mercados emergentes sem que se vislumbre um final natural nesses casos. O Presidente Erdogan, ao invés de seguir a cartilha sugerida pelos economistas, prefere colocar a culpa nos outros, entenda-se os EUA. Como sua exposição em termos de montante de dívida é bem superior à da Grécia, ondas de contaminação se propagam a outros países, com maior ou menor intensidade. O gráfico a seguir, aponta a disparidade que está ocorrendo entre a volatilidade das moedas emergentes comparada a dos países desenvolvidos.


Como uma postura populista, o presidente Turco anuncia que seu país está sofrendo uma conspiração política, e está sendo esfaqueada pelas costas pelos EUA. Como para a população é melhor acreditar nessas versões que assumir o erro do governo, alguns movimentos começaram a atear fogo na moeda americano. Na foto abaixo, se percebe a queima de notas de U$ 1,00. Serão verdadeiras? Mas essa é a forma que Erdogan pretende enfrentar a crise.

A incógnita daqui em diante será a posição da Rússia e principalmente da China, que poderão se aproveitar desta situação para agregar mais um país contra os EUA. Naturalmente, uma avaliação de vantagens terá que se colocada na equação.

Aparentemente, não se pode ver quais seriam as vantagens, nem parece que esses países estariam dispostos a comprar mais uma briga com o Trump. Tudo indica que, A Turquia vai enfrentar sozinha esse grande problema.

Em todo caso, a lira turca, depois de negociar acima de 7,21 contra o dólar, agregando mais 10% de desvalorização em relação à última sexta-feira, busca algum equilíbrio de preço. Tudo isso, coloca pressão sobre a cotação do real bem como no Ibovespa, o que corrobora a visão que o Mosca vem externando, aonde o maior risco para nós, vem do exterior.

Com toda essa tensão nos mercados passou desapercebido a publicação dos índices de inflação americanos publicados. O CPI subiu 2,9% nos últimos 12 meses, um nível que superou ao do final de 2011. Extraindo os itens mais voláteis como combustíveis e alimentos, a inflação ficou em 2,4%, o maior ganho desde 2008.

O aumento dos alugueis, gasolina e assistência médica é outro sinal que a economia está entrando em ação, depois de anos de crescimento mais lento. As empresas aumentam os preços quando sentem que os americanos são capazes e estão dispostos a gastar mais. Durante grande parte da expansão, a inflação permaneceu teimosamente baixa, levando a uma campanha de estímulo sem precedentes do Federal Reserve para neutralizar sua anemia.

Mas os preços em alta estão agora consumindo muito dos salários dos americanos, restringindo sua capacidade de gastar no futuro. Pela segunda vez em quatro anos, o salário médio por hora - após a inflação - caiu nos últimos 12 meses.


Os trabalhadores conseguiram aumentos, mas apenas porque aumentaram o número de horas trabalhadas. O salário semanal, ajustado pela inflação, cresceu 0,1% no ano passado.

Muitos economistas esperam que a inflação aumente lentamente, sem se acelerar, em parte porque o Fed planeja elevar gradualmente as taxas de juros para evitar o superaquecimento da economia. O relatório de sexta-feira provavelmente reforça os planos do banco central para mais dois aumentos de taxa este ano.

O aumento dos custos do consumidor poderia prejudicar qualquer mensagem política antes das eleições de novembro. A produção interna bruta cresceu a uma taxa anual de 4,1% no segundo trimestre, o trimestre mais forte desde 2014, e os economistas projetam crescimento de 3% para 2018 como um todo.

Mas junto com um crescimento tão forte pode ocorrer uma inflação mais rápida, que reduz o poder de compra, e os democratas estão apontando para um crescimento salarial modesto como um sinal de que os ganhos da economia não estão sendo distribuídos uniformemente.

"Os trabalhadores não estão se beneficiando da economia Trump", disse o Comitê Nacional Democrata em um comunicado após o relatório de sexta-feira.

Enquanto isso, as empresas, que aumentaram os salários nos últimos anos com a queda do desemprego, podem ter que aumentá-las à medida que os trabalhadores se tornam mais difíceis de encontrar.

Por enquanto, os aumentos de preços parecem modestos.

Esses resultados apontam para um nível de inflação que o Fed almeja há muito tempo. Entretanto, ao invés da melhora recair sobre a população, através de aumentos de salários, vem acontecendo de forma mais abrangente sobre as matérias primas e serviços, deixando a população somente com a parte ruim de pagar mais caro pelos bens e serviços.

Daqui em diante, duas situações poderão ocorrer, ou os salários irão espelhar um mercado de trabalho apertado com aumento da remuneração, ou a demanda irá diminuir no futuro por falta de renda.

No post acabou-brincadeira, fiz os seguintes comentários obre o dólar: ...” No gráfico acima, aponto duas possibilidades de níveis para que o dólar volte a subir: a primeira em azul, onde o dólar atingiria R$ 3,60 (mais provável); ou então a R$ 3,50” ...


Mas não foi isso que aconteceu.

Então a análise está errada? Não considero desta forma, vejamos porque: Tenho enfatizado que o movimento de médio prazo é de alta do dólar, e que o trade proposto era de curto prazo, contra a tendência. Isso implicava que a moeda estava numa correção, e como os leitores já sabem, correções são de difícil previsibilidade.

Ao analisar a figura acima, imaginava que poderia ser um caso denominado de flat (mais provável), ou zig – zag (menos provável), tudo de acordo com a teoria de Elliot Wave. Mas parece que a configuração se alterou.


O traçado em cinza, é uma formação bem aceitável nesta situação. Neste caso, o dólar voltaria a negociar por volta de R$ 3,80 para depois subir. Em contrapartida, o movimento traçado em vermelho, teria como premissa que, a correção já terminou e o dólar caminharia para romper o nível máximo anterior de R$ 3,97.

Queria ressaltar que essa possibilidade surgida não deve surpreender ninguém, tanto isso é verdade, que foi por esse motivo a elevação do stoploss, originado um pequeno ganho. Também, a cautela do Mosca, foi tomada quando sugeriu u trade com metade da posição.

No momento, não temos nada a fazer. Existirão duas possibilidades, ou se aguarda para comprar ao redor de R$ 3,80 com um stoploss a R$ 3,70; ou no rompimento de R$ 3,97.

O SP500 fechou a 2.821, com queda de 0,40%; o USDBRL a R$ 3,8820, com alta de 0,50%; o EURUSD a 1,1407, sem variação; o ouro a U$ 1.193, com queda de 1,49%.

Fique ligado!