2019: Quem dá menos!

18 de junho de 2019

Alguém vai ficar infeliz amanhã



Vou comentar sobre um artigo publicado pelo estrategista, Mohamed El-Erian, membro do Board da maior gestora de fundos de renda fixa, PIMCO. Sua posição mostra o dilema que o Fed terá na reunião de amanhã e nos próximos meses, ao ter que calibrar suas decisões de política monetária sem confrontar o mercado, mas ao mesmo tempo evitar a formação de uma bolha nos ativos de risco.

A reunião de política monetária do Federal Reserve a ser anunciada amanhã, deve sinalizar outra mudança de afrouxamento na política monetária dos EUA, embora não tão pronunciada quanto os mercados já precificaram, e os estrategistas de Wall Street estão cada vez mais prevendo. No processo, o banco central deve destacar as difíceis trocas de política e incertezas inerentes, enfrentadas pelo Fed e outros bancos centrais importantes.


Se o Fed sinalizar na quarta-feira um caminho mais claro para reduzir as taxas de juros, em comparação com o que foi previamente comunicado, as questões são quanto, quando e por quê.

Embora a economia dos EUA tenha mostrado alguns sinais de maior fragilidade, nem toda a sua dinâmica de crescimento enfraqueceu. Por exemplo: os dados sobre a atividade econômica e o sentimento permanecem mistos, com algumas leituras fortes persistindo; e enquanto o relatório de empregos mais recente ficou aquém das expectativas de consenso, as médias de três meses para a criação de empregos e crescimento dos salários reais permanecem sólidas para essas séries de dados intrinsecamente voláteis.

A inflação, por outro lado, continua a subestimar a especificação atual da meta do Fed de 2%; e está caindo ainda mais atrás da meta simétrica de 2% ao longo do tempo que o banco central poderia mudar no final de sua revisão da política monetária.

As preocupações com o crescimento mais frágil e com a inflação insuficiente são amplificadas pelo que está acontecendo globalmente.

O comércio internacional continua enfraquecendo diante das incertezas da guerra comercial. Essas incertezas estão ampliando os efeitos da incapacidade política da Europa de avançar em políticas pró-crescimento de grande necessidade. Eles também estão complicando o que é uma transição econômica e financeira, intrinsecamente complicada para a China. E tudo isso ameaça a robustez da cunha que os bancos centrais mantêm coletivamente entre os preços elevados dos ativos e os fundamentos econômicos mais lentos - uma cunha que repetidamente contraria os riscos de volatilidade disruptiva do mercado, mas o fez incentivando a tomada de alto risco em certos segmentos vis-à-vis a estabilidade financeira a médio prazo.


Junte tudo isso e se pode chegar facilmente para a decisão de “corte pela segurança” - isto é, uma redução de 0,25% na taxa de juros envolto em diretrizes futuras, que sinaliza um caminho para novas reduções de taxa ao longo do tempo. Mas - e esse é um dos dilemas do Fed - os mercados já precificaram uma resposta política muito agressiva, incluindo até três a quatro cortes de juros apenas este ano. Além disso, está longe de ser claro que, a confiança contínua nas políticas expansionista central dos bancos, fará muito para aliviar o que estruturalmente prejudica o crescimento e a determinação da inflação. Enquanto isso, o risco de consequências não intencionais, incluindo eventuais danos colaterais econômicos e financeiros, e maior vulnerabilidade à interferência política, continua a aumentar.

A conclusão mais provável da reunião do Comitê Federal de Mercados Abertos desta semana será a disposição do banco central de cortar as taxas como um complemento à dramática reviravolta da política no início deste ano. O primeiro corte provavelmente não acontecerá esta semana, mas sim na próxima reunião do FOMC, marcada para os dias 30 e 31 de julho. É provável que represente uma redução de 25 pontos-base como parte de um ciclo aberto de corte de taxa, com uma menor probabilidade de uma abordagem de “um corte único” de 50 pontos-base.

Nas últimas duas vezes, o Fed iniciou um ciclo de flexibilização, em 2001 e 2007, optou por um movimento de 0,50% ao invés de um ajuste de 0,25%.




Acompanhando a previsão de queda para as taxas, a narrativa que sai da reunião enfatizará a disposição e a capacidade do Fed de responder em tempo hábil, conforme exigido pelos desenvolvimentos econômicos.

O condutor comum dessas previsões é o estado extraordinariamente fluido da economia doméstica e, em maior medida, o global. Com essa realidade, o Fed desejará manter o maior número possível de opções políticas, mesmo que haja algum risco de mercados decepcionantes que pressionem por sinais iniciais de medidas do Fed muito débeis.

Essa troca - entre o que a economia garantiria neste estágio e o que os mercados querem elevar ainda mais os preços dos ativos e reprimir a volatilidade financeira - aponta para o risco de outra má comunicação do Fed. Não é um equilíbrio fácil de atacar.

Por fim, nada disso permitiria que o Fed superasse uma inconsistência importante: entre expectativas extremamente altas quanto ao que pode e deveria fazer, e suas ferramentas que, na melhor das hipóteses, só podem ganhar tempo para a economia e os mercados.

O Fed não é o único banco central que enfrenta esse dilema. Outros bancos centrais sistemicamente importantes também estão nessa posição, como demonstrado recentemente pelos comentários do Banco do Japão, do Banco Central Europeu e do Banco da China. Os banqueiros centrais sentem que não têm escolha a não ser continuar se posicionando por enquanto como o “único jogo da cidade” em termos de política. E, apesar das crescentes preocupações sobre o alcance excessivo e a falta de missão, eles continuarão a fazê-lo, ao mesmo tempo em que subscrevem todos os riscos associados à sua própria credibilidade e bem-estar econômico e financeiro que acompanham isso.

No post dias-contados-para-os-ladrões, fiz os seguintes comentários sobre o euro:  ...” finalmente, o euro rompeu a reta que estava contendo sua evolução, como eu desconfiava. O movimento de alta ainda não é convincente” .... Rompeu por pouco tempo, pois agora se encontra próximo as mínimas. Não fosse minha observação frisada acima, poderíamos estar amargando um prejuízo e se perguntando o que foi que aconteceu?


Como se pode notar no gráfico, a situação do ponto de vista técnico, aponta dois caminhos opostos que devem ocorrer brevemente. Nesse momento, as duas possibilidades permanecem abertas, sendo que a queda parece ter ganhado mais força.

Os rompimentos de retas conforme o caso em questão, estão sujeitos a frustrações como a que ocorreu no euro. O posicionamento tem que ser flexível o suficiente para refazer as premissas e não ficar teimando, ou se lamentado.

O Presidente do ECB, Mario Draghi – lembram o Super Mario do passado, já está arrumando suas malas e pertences, pois seu mandato termina no final deste ano. Mas antes de sair, deixou um recado hoje aos europeus “O ECB poderia lançar novos estímulos assim já na sua próxima reunião de política monetária em julho”.

Essa atitude fez com que o Presidente Trump postasse mais um de seus Tweets, só que esse dirigido ao Super Mario “Mario Draghi acaba de anunciar mais estímulos, o que imediatamente derrubou o euro em relação ao dólar, tornando-o injustamente mais fácil para eles competirem contra os EUA. Eles estão se safando disso há anos, junto com a China e outros”. Seu narcisismo é tão grande que se sente no direito de palpitar sobre qualquer assunto. Que se cuide os presidentes dos outros bancos centrais!

O SP500 fechou a 2.917, com alta de 0,97%; o USDBRL a R$ 3,8591, com queda de 0,75%; o EURUSD a 1,1197, com queda de 0,18%; e o ouro a U$ 1.345, com alta de 0,45%.

Fique ligado!

17 de junho de 2019

Um dia a alta termina



Muito se tem discutido sobre a longevidade da alta observada na bolsa americana neste ciclo, e diversos investidores profissionais fizeram comentários nesta última semana, preocupados com a possibilidade dessa ocorrência. Este mercado de alta para as ações dos EUA é de longe o mais longo já registrado, e apenas um lunático pode pensar que pode durar indefinidamente.

Seria o momento de se proteger?

O SP 500 não caiu 20% desde a alta anterior ocorrida em março de 2009. Como é comumente definido, esse mercado altista tem quase 3.750 dias, o mais longo da história do SP 500, com mais de 90 anos. Isso é duas vezes maior do que o tempo médio que permanece em alta. Desde 2009, as ações mais do que quintuplicaram, contando dividendos.


As ações vão parar de subir algum dia. Isso é tão certo quanto o sol se põe no Oeste. Ao contrário do pôr-do-sol de hoje, no entanto, você não sabe exatamente - ou até aproximadamente - quando o mercado em alta terminará.

Como os ciclos de mercado tendem a durar anos, os principais pontos de mudança são poucos e distantes. Há pouca comparabilidade na história desses pontos de inflexão, dificultando a obtenção de conclusões firmes.

E os ciclos podem durar por um tempo consideravelmente longo. A Austrália não teve uma recessão em quase 28 anos. As taxas de juros dos EUA vêm caindo quase continuamente desde 1981 - mais do que muitos investidores em títulos de dívida estão vivos.

Naturalmente, o que você espera depende do que você vivenciou. O pensador de investimento Peter L. Bernstein, que morreu em 2009, frequentemente falava de “bancos de memória”, as experiências coletivas pelas quais os investidores vivem e que permanecem em suas mentes.

Na década de 1950, os gerentes de portfólio argumentaram que as ações não valiam a pena, a menos que seu rendimento de dividendos exceda o rendimento dos títulos de longo prazo. É o que os bancos de memória deles disseram. No entanto, em 1958, o rendimento dos dividendos caiu abaixo do rendimento dos títulos - e ficou lá pelo próximo meio século.
No final dos anos 90, os jovens investidores acreditavam que as ações da Internet aumentariam cada vez mais - como já haviam feito há anos. Esses bancos de memória também falharam.

Após 10 anos de alta em ações, alguns investidores mais jovens não têm memória de perder grandes quantias de dinheiro. Isso pode fazê-los pensar que isso não pode acontecer. Dizer "desta vez é diferente" é mais fácil quando você o compara a um tempo anterior em que você não viveu sozinho.

Alguns sinais de aviso estão piscando, no entanto. Com o desemprego nas mínimas em meio século e a alta na confiança do consumidor, "não há folga na economia". As empresas não podem aumentar os lucros facilmente depois de terem aproveitado todos os recursos disponíveis.

"O crescimento econômico ainda é relativamente alto, mas o ritmo vem desacelerando, aproximando-nos do ponto de virada", diz Andrew Ang, diretor da BlackRock Inc. "Essa é uma época em que os investidores devem buscar resiliência em seus portfólios. É verdade que o mesmo já foi dito na última década.

Mas nem sempre a métrica de alta é suficiente para identificar um topo. O que se deve considerar nessas análises é que, o lucro das empresas também foi expressivo nesse período, tanto isso é verdade, que o P/L da bolsa americana não se encontra em níveis elevados, com exceção ao setor de tecnologia, considerado de crescimento, tem esta característica.

 Nós do Mosca, vamos usar a análise técnica para um eventual sinal. Aos leitores assíduos, vem acompanhando a diligência nesse sentido.

Um gráfico chamou muita minha atenção, para dizer a verdade, fiquei muito surpreso. Observando somente o índice SP500 e iniciando em 1993, se ao invés de comprar durante o pregão normal, um investidor resolvesse comprar quando o mercado fecha e liquidar no outro dia na abertura, contra, fazer ao contrário, o retorno desse investimento aconteceria integralmente no primeiro caso, haja visto que, no segundo, foi praticamente 0!



Quase seriam as razões de tamanha distorção? Notem que nesse período houve de tudo: crise da Rússia, bolha da internet, a recessão de 2009, juros altos, juros baixos .... Vou listar algumas possibilidades:

·         O resultado das empresas é publicado quando o mercado está fechado;
·         Efeito dos traders de curto prazo que não dormem com posições. Isso poderia distorcer o mercado durante o dia.
·         Atuação dos investidores na Ásia.

Não saberia dizer qual seria o motivo. Pedi para que alguns bancos pesquisem esse assunto. Quando tiver - se tiver alguma resposta, eu informo. Intrigante!

No post uma-atitude-nada-ortodoxa, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Com a queda que ocorrerem nos últimos dias, é bem provável que a onda B tenha terminado e agora a onda C está em curso. Se for isso mesmo, poderemos ver as cotações do dólar chegar a R$ 3,50” .... Tinha também proposto um trade de venda de dólar, do qual, vou fazer alguns ajustes dos níveis.



Depois de analisar mais detalhadamente o dólar, surgiu um outro enfoque que poderia descartar meu objetivo de R$ 3.50. Essa possibilidade alternativa está exposta a seguir.


Não é infrequente numa situação técnica equivalente, a formação de um triângulo. Caso isso aconteça, o dólar poderia atingir na melhor das hipóteses R$ 3,65, sendo que o mais provável apontaria para R$ 3,75/3,70. Não posso propor um trade considerando a melhor hipótese, sendo assim, é necessário que a venda seja feita em “boas” condições. Desta forma, minha sugestão é de vender dólar a R$ 3,94 com um stoploss a R$ 4,02.

Caso nosso trade seja executado, e o movimento estiver de acordo com a opção colocada no primeiro gráfico acima, é bem provável que esse stoploss seja bem folgado. Entretanto, na hipótese colocada no segundo gráfico, o stoploss seria justo, sem muita folga. O que quero dizer é que, se o leitor quiser fazer um trade com um prejuízo limitado, o que se encaixa no primeiro caso, o stoploss poderia ser colocado a R$ 3,98.

O SP500 fechou a 2.889, sem variação; o USDBRL a R$ 3,8945, sem variação; o EURUSD a 1,1214, sem variação; e o ouro a U$ 1.339, sem variação. Em 8 anos de Mosca, não me recordo de existir um dia onde todos os mercados que acompanho ficaram sem variação. Hoje era melhor ter ficado dormindo!

Fique ligado!

14 de junho de 2019

O motivo real



Ontem o CEO da Apple, Tim Cook, se reuniu com o presidente Trump na Casa Branca. O assunto do encontro não ficou claro. A visita de Cook ocorre no momento em que Trump está ameaçando impor tarifas sobre produtos importados da China, cerca de US $ 300 bilhões, incluindo o principal produto, o iPhone da Apple. O representante comercial dos EUA está atualmente no processo de determinar quais produtos serão poupados.

Cook emergiu como o perfil mais alto da Apple e o lobista mais efetivo desde que Trump assumiu o cargo. O CEO de fala mansa está disposto a se envolver direta e publicamente com Trump e seus principais assessores de uma forma que outros líderes de tecnologia têm procurado evitar.

As aparências permitem uma especulação que o assunto tratado foram as tarifas, pois embora o presidente Trump, de forma simplista, acha que só tem vantagens implementando tarifas, talvez os empresários o alertam da complexidade que tal medida representa.

Mas será que o motivo foi outro? A razão do meu questionamento se deve a publicação dos resultados de vendas de IPhone no mercado europeu. Um novo relatório do mais recente Quarterly Mobile Phone Tracker da International Data Corporation (IDC) mostra que, os fabricantes de smartphones chineses estão superando a Apple e a Samsung nos mercados europeus.

A Huawei e a Xiaomi, duas das principais produtoras de smartphones da China, registraram aumentos de vendas unitárias no comparativo anual de todas as regiões da Europa no 1T19, enquanto todas as outras grandes empresas de smartphones apresentaram quedas.

A remessa de unidades da Huawei na Europa aumentou 66% no 1T19, enquanto a Xiaomi cresceu 33% no período. Durante o mesmo período, as remessas de unidades da Samsung caíram 7%, enquanto as da Apple despencaram 23%.



Simon Baker, diretor de programas da IDC EMEA, disse: "A Europa tem sido um foco global de concentração de fornecedores nos últimos trimestres, com alguns dos participantes menores sob muita pressão. Olhando para o futuro, não é mais possível ver tendências claras como, a lista negra da Huawei nos EUA está criando tantas incógnitas, colocando a incerteza como a nova palavra-chave no setor, já que a geopolítica global - desconectada diretamente da Europa ou da EMEA - se torna o fator mais importante na forma como o mercado se desenvolverá durante o resto do ano ".

Os embarques globais da EMEA alcançaram 83,7 milhões de unidades no 1T19, uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, confirmando que a desaceleração dos smartphones não está apenas ganhando força com o avanço do Hemisfério Norte no verão, mas os fabricantes de smartphones chineses, desbancaram a Apple e a Samsung como os principais players da Europa.

Se você entrasse numa loja de smartphones e mesmo considerando que o aparelho da Huawei fosse sua preferência, compraria esse celular ou optaria por um IPhone ou Samsung? Acho que a resposta é óbvia que não, pois não teria segurança de continuidade do aparelho Chinês, nem em termos de Hardware nem de Software. Talvez a única exceção aconteceria se você fosse chinês, e mesmo assim ...

O mercado de smartphone, o grande gerador de lucro das principais fabricantes, está saturado, as pessoas não saem mais como loucas, fazem filas imensas, para comprar os novos lançamentos. Os novos aparelhos são quase iguais aos antigos. Nessa situação, o Tim Cook foi a Trump para pedir que relaxe as taxas de importação, ou ao contrário, que mantenha dando tempo à Apple se adequar os novos tempos, onde os consumidores não estão dispostos a pagar o dobro pelo mesmo aparelho?

Essa situação me faz lembrar o caso da Mercedes Bens, quando a Toyota lançou o Lexus para concorrer no mercado de carros de luxo. Incialmente, a empresa alemã acreditou que o consumidor desse segmento não deixaria de comprar seu produto só porque um iniciante vendia pela metade do preço, afinal, ter um Mercedes era sinal de status. A empresa alemã quase quebrou e percebeu na pele, que dinheiro não leva desaforo, mesmo entre os mais ricos!

No post inflação-sem-emoção, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “ A conjectura nesse ativo está extremamente delicada. Como notei acima, abaixo se 2,05%, o negócio fica feio” .... Nesse mesmo post, fiz uma análise de mais longo prazo, na hipótese de os juros romperem esse nível para baixo. Recomendo que revistem essas premissas. Porém, esse momento não aconteceu, pois depois de 3 tentativas de rompimento, as taxas se encontram levemente acima desse nível.

Vou elaborar um exercício semelhante, mas agora considerando os cenários de alta. Existem duas possibilidades que exponho a seguir:

1)      Rapidinho: Nesse caso a possível recuperação levaria os juros até o nível de 2,18%/2,28%, para em seguida voltar a cair. Se isso acontecer, vou propor um trade de queda de juros.


2)      Demorado: Nessa situação, os juros subiriam até o nível de 2,65%/2,80%, para em seguida voltarem a cair. Np gráfico a seguir, o movimento está bastante simplificado, pois em termos de tempo, levaria alguns meses para chegar nesse patamar.
          

A distinção entre essas duas hipóteses poderá ser definida conforme o mercado evolui. Naturalmente, é necessário que o primeiro cenário seja eliminado e isso aconteceria com as taxas subindo acima de 2,30%.

Quero deixar enfatizado que, é necessário que os juros saiam do nível atual, para que essas hipóteses possam acontecer, pois caso contrário, vale o que foi colocado no outro post.




O SP500 fechou a 2.868, com queda de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,8975, com alta de 1,30%; o EURUSD a 1,1207, com queda de 0,60%; o ouro a U$ 1.341, sem variação.

Fique ligado!

13 de junho de 2019

Quando o ego comanda



Ultimamente tenho ficado bastante irritado com as medidas tomadas pelo presidente Trump. Realmente não faz meu estilo sua forma arrogante em tratar os outros países e também seus colaboradores. No primeiro caso, a chantagem feita com o México foi absurda, não tem diferença essa uma atitude, com a de um pai que ameaça cortar a mesada do filho se não fizer o que ele deseja. Esse pai, pode estar certo que no futuro, seu filho vai se afastar. No segundo caso, a constante desmoralização do Fed, e seu Presidente, Jerome Powell, ao dizer em outras palavras que “esse pessoal não entende nada”.

Eu não tenho muita dúvida que Trump ficara isolado, e essa forma de atuar terão consequências ruins na sua intenção de se reeleger.

A ruptura causada pela guerra comercial iniciada no 2º semestre de 2018, está tendo consequências importantes no CEO das empresas. A confiança desse grupo de empresários despencou desde o anuncio dessas medidas, conforme se pode verificar a seguir. Como aponta o Deutsche Bank, o ISM da manufatura já contabiliza essa queda, com perspectivas ainda piores a frente.




Como não seria diferente de se esperar, o investimento em capital fixo, desde essa data, também está sofrendo um declínio constante. Sem investimentos, a modernização e a eficiência de uma economia se deteriora, com efeitos danosos no médio prazo.




Quando o poder de um país é dado a um mandante que tem sérios problemas psíquicos, o perigo de uma barbeiragem pode custar muito caro. A esperança é que a cada dia que passa, as pessoas vão conhecendo melhor e fazendo com que questionem sua aderência ao presidente Trump. Notem que, enquanto lhe é favorável uma relação ele a mantem, caso contrário, a despreza. Esse ciclo pode acontecer de um dia para o outro, e também de um lado para o outro, vide o caso da Coreia do Norte.

Como já amplamente comentado, na próxima semana o Fed se reúne no Comitê de Política Monetária. Ontem fiz uma exposição dos principais indicadores que os membros se baseiam na sua tomada de decisão. A situação é bastante questionável nesse momento, pois existem números que sugerem a manutenção dos juros e outros a queda. No quesito inflação, usando-se um modelo compostos de algumas variáveis, chega-se a uma conclusão que, a inflação deve cair nos próximos meses.




Já o PIB, segundo a empresa muito bem-conceituada, BCA, sua pesquisa econômica, projeta crescimento nos próximos anos. No gráfico a seguir, sugere que em função disso, a inflação deveria se elevar.




Não necessariamente esses dados dispares serão usados pelo Fed em seus modelos, mas tenho a impressão que essa dúvida também existe entre os membros, alguns adeptos a queda e outros menos. O Mosca está aberto a qualquer direção, talvez com um pequeno viés que considera a queda exagerada.

Vamos acompanhar os gráficos para melhores indicações, e por enquanto, a turma do “quem dá menos” está nadando de braçada.

No post a-barrons-errou, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “à bolsa brasileira se encontra estagnada num intervalo próximo ao estabelecido acima, entre 96.000/98.000” ... ... “- David, a bolsa americana apresentou sinais de reversão nesta semana, não seria o caso de entrar na bolsa brasileira? ” ... ... “em ambos os casos essas bolsas tem uma lição de casa a fazer, cada uma ultrapassando os níveis que indiquei” ...


Coincidentemente, o risco que apontei ontem para o SP 500 pode se aplicar a bolsa brasileira, a de que o Ibovespa estaria completando uma onda B. A situação em termos de onda difere entre as duas, razão pela qual, abre a possibilidade da correção do Ibovespa também se dar na forma de um triangulo.

Assim como no caso americano, caso a bolsa ultrapasse o nível de 100.500, vou sugerir um trade de compra com stoploss a 98.000. Caso contrário, ficamos com as hipóteses apontadas no gráfico abaixo.


Opção triangulo: Provavelmente não faria nenhuma posição, pois essa figura ainda estaria incompleta, sugerindo mais idas e vindas antes de subir. Mas será importante identificar se esse é o caso, que sugere uma primeira reversão ao nível de 92.000.

Opção Zig Zag: Neste caso, a bolsa deveria formar uma base ao redor de 88.500, onde devo sugerir uma compra.

Imagino que não seja fácil a compreensão pelo leitor de tantas possibilidades induzindo um quadro inseguro. Essa insegurança é fruto do desconhecimento das ferramentas de análise técnica. A situação atual desses ativos sugere essas várias possibilidades, não que em outros momentos isso não aconteça – várias possibilidades, sempre existem, mas nesse caso, as probabilidades são próximas.

Eu poderia simplesmente colocar os níveis sem grandes explicações, mas para um leigo poderia dar a impressão de pouca credibilidade. Alguns leitores poderiam pensar que consultei alguma cartomante! Hahaha .... Essa é a razão que prefiro expor meu raciocínio. Se não quiserem acompanhar, pulem direto as decisões, que é o que realmente importa.

O SP500 fechou a 2.891, com alta de 0,41%; o USDBRL a R$ 3,8579, com queda de 0,23%; o EURUSD a 1,1272, com queda de 0,13%; e o ouro a U$ 1.342, com alta de 0,69%.

Fique ligado!

12 de junho de 2019

Inflação Congelada



O título do post de hoje poderia levar os leitores mais velhos a imaginar que, algum país resolveu congelar os preços. Recentemente tivemos o caso da Argentina que vive uma crise importante, seu presidente atual, com intenções de se reeleger, colocou em prática um congelamento de preços, sabendo que é temporário.

Mas na verdade não houve imposição de ninguém, o mercado resolveu se “congelar”. Como assim?

Foi publicado o índice de inflação nos EUA – CPI que ficou em 1,8% a.a., já o índice que exclui gasolina e alimentos denominado core apontou para 2% a.a.


A inflação abaixo da previsão indicou sinais de crescimento econômico mais lento, segundo os analistas, o que deve aumentar as expectativas dos investidores para cortes na taxa do Fed este ano. Pesando ainda mais, são sinais de expansões sem brilho nos EUA e no exterior, juntamente com as tarifas do presidente Donald Trump em produtos chineses.

As chances implícitas de um corte em julho aumentaram após o relatório, com os futuros de fundos do Fed indicando quase 0,25% de alívio nos próximos dois meses.

Os preços mais baixos da gasolina desempenharam um papel na manutenção de uma inflação mais baixa. Os preços do vestuário ficaram inalterados após dois declínios acentuados.

Ao mesmo tempo, a inflação está mostrando sinais de firmeza por outra medida que o Fed prefere. O índice principal de preços - vinculado aos gastos e excluindo alimentos e energia - se firmou em abril pela primeira vez este ano, embora permanecesse abaixo da meta de 2% do Fed.

Powell, em um discurso na semana passada, abriu as portas para cortes na taxa de juros, depois de realizar em maio que, a inflação abaixo da meta era devido a fatores transitórios. Investidores do mercado de títulos esperam que o banco central reduza as taxas, enquanto tenta estimular a economia, a desacelerar o crescimento global, diminuir os gastos das empresas e reduzir as perspectivas de consumo.

Eu tenho dificuldades de entender como os analistas dão tamanho destaque para qualquer movimento mínimo na inflação, de um lado para o outro. Será que 0,1% a.a. – gente, ao ano! - seria suficiente para levar o Fed a agir, sendo que a inflação core está “congelada” ao redor de 2% por tanto tempo? Analisem o gráfico acima e notem as barras pretas.

Já o mercado de trabalho que faz parte do mandato da autoridade monetária, embora tenha registrado um resultado baixo na criação de novos empregos de 75 mil, observado de maneira mais ampla, ao invés de um mês isolado, não leva a conclusões de fraqueza.

A curva de Beveridge, é uma representação gráfica da relação entre o desemprego e a taxa de vacância de emprego - o número de vagas não preenchidas expressas como proporção da força de trabalho. O gráfico a seguir da curva de Beveridge, é uma ferramenta para avaliar se o mercado está apertado. Para sua interpretação, quanto mais à esquerda estiver, mais difícil é contratar empregados, e vice-versa.



Para se ter uma ideia na dificuldade de encontrar trabalhadores, o número de vagas criadas é superior ao número de pessoas desempregadas, situação essa inusitada nas últimas décadas conforme o gráfico a seguir. Inclusive, alguns analistas sugeriram que a razão do resultado de desemprego ter sido baixo no mês de maio foi ocasionada pela dificuldade de encontrar candidatos.




E para finalizar, o gráfico denominado de spider dá uma ideia mais abrangente, pois considera vários fatores relativos ao mercado de trabalho. No gráfico a seguir, com dados relativos a dezembro 2007, dezembro 2009 e maio de 2019, onde a linha laranja se refere a esse último, fica evidente que as condições atuais são mais apertadas que antes de eclodir a crise de 2008.




É sabido que os dados de emprego numa economia são atrasados. Uma desaceleração pode começar sem que nenhuma indicação possa ser observada imediatamente nos dados de emprego. Dizem que, a demora para se observar a queda, é de 6 a 9 meses.

Acredito que o Fed não terá outra saída, irá reduzir os juros brevemente. Provavelmente inicia nos comentários da próxima reunião. Agora, uma redução de 1,25% no prazo de um ano, projetada nos mercados futuros, é um pouco exagerada pelos dados existentes hoje. O risco no meu ponto de vista é afrouxar demais uma economia que cresce pouco mais cresce, e estimular em demasia gerando inflação maior que a desejada.

No post o-fed-afinou, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “Não se pode declarar que o movimento de queda iniciado em abril terminou, porém, a intensidade da alta apresentada ontem e continuando hoje, podem ser os primeiros sinais de uma alta mais consistente. Para tanto, o nível de 2.880 passa a ser importante” ...

Antes de prosseguir, gostaria de lembrar as 3 hipóteses de mais longo prazo que eu estou trabalhando. No post sempre-tem-um-culpado, eu publiquei o gráfico abaixo, que já foi comentado em diversos posts: Continuidade; Triângulo e Mais preocupante.




Muito bem, voltando ao curto prazo, e especificamente a sugestão de compra indicada no post acima, e cancelada ontem, se deve a dúvida que acabou pesando, conforme colocação a seguir.

No gráfico abaixo, aponto uma possível configuração onde levaria o SP500 de volta a no mínimo 2.700, estendendo a correção, que eu suponha tivesse terminado.


Mas é uma situação tênue, pois poderá continuar subindo dentro da hipótese traçada anteriormente.

- David, agora você embaralhou o meio de campo. Seja mais direto, é para comprar ou para vender?
Você se precipitou, vou fornecer os parâmetros de forma mais especifica.

- Continuidade (a): Se minha interrupção do trade foi prematura, vou ficar sabendo caso o índice feche acima de 2.915 e principalmente 2.955. Acima do primeiro, já pode valer uma compra com stoploss a 2.870.

- Continuidade (b): Caso o índice siga o que está espelhado no gráfico acima, o SP500 retornaria ao nível de 2.700/2.680 para depois voltar a subir.

- Triângulo: Esse caso seria uma continuidade do movimento apontado na alternativa (b) acima, só que ao invés de estancar a queda no nível exposto acima, o SP500 iria para 2.600/2.650, para só então voltar a subir.

Tudo isso parece complexo, e é! Como estamos dentro de uma correção de nível maior na escala de tempo, vamos buscando alternativas que devem ser questionadas conforme o mercado evolui. Não posso me prender a uma hipótese de forma rígida.

O SP500 fechou a 2.879, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 3,8644, com alta de 0,19%; o EURUSD a 1,1285, com queda de 0,40%; e o ouro a U$ 1.332, com alta de 0,47%.

Fique ligado!

11 de junho de 2019

Dias contados para os ladrões



Participei de um evento sobre o mercado imobiliário patrocinado pelo BTG. Tenho notado que a mais valia nesses encontros, de uma forma geral, são os painéis com os CEO de Startups. Como digo, se você cruzar com um deles na rua vai achar que se trata de um profissional novato. Com uma vestimenta esportiva, mantêm um perfil despojado. Mas por traz dessa simplicidade se encontram jovens brilhantes.

Mas, qual a diferença em relação a minha época? É que a tecnologia permitiu para esses jovens emprenhadores colocar suas ideias em prática de forma acessível. Noto também que, a maior parte das ideias tem uma linha comum, eliminar distorções de preços, ligando diretamente os clientes aos “produtores”.

Outro fator que nós mais velhos devemos levar em consideração é que, o jovem de hoje tem valores muito diferentes dos nossos. A propriedade de bens para eles não tem o mesmo valor que a nosso, preferem usar seus recursos para aproveitar momentos. Reflitam um pouco nessa mudança e notem como existem muitos negócios existentes hoje que serão ameaçados no futuro.

Um dos palestrantes fez uma projeção que dentro de 10 a 20 anos, as pessoas não comprarão mais residências. Considerando a tendência dos Milennials de não se apegar a propriedades, além da facilidade de alugar e devolver quando precisar, parece uma hipótese bastante razoável. Desta forma, como todo mundo precisa de um teto, grandes fundos ou empresas executarão essa intermediação. Se isso acontecer, qual será o impacto nos preços dos imóveis? De imediato, não gostaria de ter nenhuma propriedade de imóvel diretamente, como eu iria competir com os grandes fundos na locação?

Mas o assunto de hoje vai na linha da tecnologia. Um artigo publicado pelo Wall Street Journal relata como a expressão do rosto das pessoas, auxiliam a empresas de credito saber se você é um bom pagador ou não.

Uma das maiores seguradoras do mundo acredita que, o seu rosto revela o seu risco financeiro. Ela está usando a tecnologia de reconhecimento facial em clientes potenciais como parte de seus esforços para avaliar o risco quando vende produtos financeiros.

A Ping An Insurance Group Co., a maior seguradora da China e um dos maiores conglomerados financeiros do país, rotineiramente analisa os rostos de clientes, e seus próprios agentes, para verificar suas identidades ou examinar suas expressões em busca de pistas sobre sua veracidade.

Desde 2016, a empresa usa sua tecnologia proprietária para selecionar indivíduos que solicitam empréstimos em seu braço de financiamento ao consumidor. "Micro expressões" ou movimentos breves, pequenos e muitas vezes involuntários nos rostos das pessoas, são uma das áreas de foco que a empresa vem analisando.

Os esforços são um reflexo do que está acontecendo em toda a China, onde a tecnologia de reconhecimento facial se tornou uma característica da vida cotidiana. Livres de regulamentações ou preocupações com a privacidade, as autoridades chinesas usam-nas em ruas públicas, estações de metrô, aeroportos e controles nas fronteiras.

As seguradoras chinesas podem enfrentar menos preocupações com a privacidade dos consumidores, em comparação com suas contrapartes ocidentais, diz Tjun Tang, sócio sênior do Boston Consulting Group em Hong Kong, apesar de acrescentar que os consumidores chineses estão mais preocupados com a privacidade nos últimos anos. "Se os consumidores estão dispostos a compartilhar os dados, isso ajuda muito", diz ele. "Permite que as máquinas aprendam."

Ping An usa sua tecnologia de reconhecimento facial principalmente para verificar as identidades dos clientes. Quando as pessoas abrem contas com a seguradora, muitas vezes são solicitadas a enviar imagens de suas carteiras de identidade e concluir uma série de tarefas, incluindo abrir a boca e piscar quando usam o programa de reconhecimento facial da empresa pela primeira vez.

Depois de configurar as contas, os clientes podem comprar alguns produtos de seguro de vida e de saúde após examinar seus rostos com seus smartphones. Eles também podem se conectar diretamente com agentes de seguros em videoconferências ou enviar solicitações após o software da Ping An reconhecer seus rostos.


A Ping An também usa a tecnologia em seus negócios de seguros para avaliar a saúde dos clientes. Em um novo aplicativo, as varreduras faciais são usadas para estimar o índice de massa corporal, ou IMC, dos clientes que desejam comprar uma política que faz pagamentos de até um milhão de yuans (cerca de US $ 145.000) quando são diagnosticados com qualquer de 100 doenças críticas.

"Apenas o rosto em si contém uma riqueza de informações sobre a saúde de um indivíduo", diz Michael Powers, professor de matemática de risco da Universidade de Tsinghua, em Pequim. Pode ser possível coletar do rosto de uma pessoa se o indivíduo é fumante, por exemplo, diz ele. Mas esse uso de tecnologia de reconhecimento facial ainda não foi amplamente comercializado, em parte porque há preocupações de que ele possa ser usado para discriminar alguns grupos de pessoas.

Alguns críticos dizem que a tecnologia não está sendo usada para definir preços para diferentes grupos, mas sim uma espécie de ferramenta de marketing para a empresa gerar atenção e familiarizar os consumidores com a IA.

Em seu negócio de empréstimos, a Ping An afirma que usa sua tecnologia para analisar os rostos dos solicitantes de empréstimos em tempo real, procurando por “micro expressões” que revelam seu estado emocional e psicológico. Tais expressões normalmente ocorrem em frações de segundos e são difíceis de serem controladas pelas pessoas, e os oficiais de crédito fazem julgamentos mais precisos sobre a credibilidade dos candidatos com base nessas informações.

Para empréstimos grandes, os solicitantes geralmente precisam responder a perguntas em uma reunião de vídeo on-line que normalmente dura de 10 a 15 minutos. Ping An registra e analisa como o candidato responde a perguntas e procura sinais de mudança de comportamento ou outro comportamento suspeito, que seria sinalizado por seu sistema.

A Ping An anunciou em janeiro que fez mais de 500 bilhões de yuans em empréstimos com a ajuda de sua tecnologia de micro expressão. A empresa também disse que a tecnologia ajudou a reduzir o tempo médio de aprovação de empréstimos para duas horas, a partir de cinco dias.

Não parece ser surpresa que as expressões faciais podem revelar muito da personalidade de uma pessoa. Se isso é verdade, através de programa de Inteligência Artificial é possível identificar bons de maus pagadores.

Agora imaginem que essa tecnologia se propague e daqui alguns anos exista um aplicativo individual cujo objetivo é identificar com razoável precisão os indivíduos que você cruza na rua. Os ladrões irão perder o emprego, pois as pessoas através desse aplicativo, irão evita-los, será fácil identifica-los. Agora vai ganhar uma medalha de ouro quem lançar um aplicativo para identificar político desonesto. Aqui no Brasil, imagino que todos estarão na mira! Hahaha ...

No post uma-nova-ameaça, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “ No gráfico a seguir aponto as razões desse cenário dúbio. Por um lado, as cotações permanecem contidas entre retas traçadas em cinza, onde a região ao redor de € 1,12 parece ser um imã de atração, como se houvesse um grande player que compra quando atinge esse patamar (talvez a China trocando seus dólares?). Essa convergência entre as retas indica tecnicamente uma saturação do movimento, como se o euro estivesse pronto para um bote na direção contraria” ... ... “Por outro lado, as marcações em vermelho e verde indicam uma situação de queda, onde as quedas atingem valores menores e as altas níveis inferiores a alta anterior” ...


Finalmente, o euro rompeu a reta que estava contendo sua evolução, como eu desconfiava. O movimento de alta ainda não é convincente, mas sugere uma pequena aposta com stoploss bem justo. O potencial de ganho também não é muito promissor, conforme aponto abaixo entre 1,165/ 1,18. Mas com a volatilidade atual, qualquer centavo é bem-vindo.


Como podem notar, esse seria a princípio um trade de curto prazo, que podemos definir a saída mais adiante dependendo da forma que a moeda única evolui. Antes de traçar muitos planos, vamos observar se realmente essa ideia se concretiza. Minha proposta é comprar o euro a 1,13 com stoploss a 1,125, e com um objetivo inicial de 1,165.

No post inflação-sem-emoção. eu tinha sugerido dois trade de bolsa, no SP500 e Ibovespa, o primeiro se ultrapassasse 2.890 e o segundo 98.500. Em cada um deles existe um risco de uma nova queda antes da alta esperada. Desta forma estou cancelando ambos e vou aguardar uma melhor oportunidade. Para maiores explicações dos motivos, acompanhe os posts desta semana.

O SP500 fechou a 2.885, sem variação; o USDBRL a R$ 3,8532, com queda de 0,88%; o EURUSD a 1,1326, com alta de 0,12%; o ouro a U$ 1.326, sem variação.

Fique ligado!

10 de junho de 2019

Uma atitude nada ortodoxa



O mercado está muito focado no impacto que as medidas anunciadas por Trump podem ter na economia mundial, principalmente na americana. Na semana passada, as atenções se voltaram ao México, fruto da chantagem do Presidente americano, ao “obrigar” as autoridades daquele país a tomar alguma atitude, no intuito de estancar a imigração ilegal de cidadãos mexicanos.

Mas seguramente, o maior problema é com a China. A opiniões divergem neste sentido, alguns analistas acreditam que pode haver uma solução, ou encaminhamento na próxima reunião do G-20, e outros imaginam que essa guerra comercial durará por anos.

A área externa é de vital importância para os chineses pois representam uma parcela importante do seu PIB. Os últimos dados publicados revelam uma diminuição tanto nas importações como nas exportações, conforme gráficos a seguir.




Uma análise mais detalhada dos resultados acima, apontam para uma queda mais forte das importações, o que pode denotar uma desaceleração da economia desse país. Como consequência, o saldo da balança comercial, apresentou uma melhora substancial em relação ao que os analistas esperavam. Ao se manter esses resultados, os saldos espelham números compatíveis aos bons tempos.




Mas é possível imaginar que o governo Chinês está passando um sufoco, pois tem que representar aos americanos que, mesmo que o Presidente Trump quiser manter as alíquotas de importações, vai doer, mas dá para aguentar. Por outro lado, a desaceleração da economia é sempre preocupante para um país que cresce a tantas décadas sem parar.

Mas as discussões não se limitam ao comercio internacional, desde que os EUA impuseram sanções às empresas americanas em relação a Huawei, as autoridades chinesas convocaram algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo nesta semana para dizer que, poderiam enfrentar repercussões, se respondessem de maneira muito agressiva às restrições comerciais dos EUA.

Chamados pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China na terça e quarta-feira, as reuniões com mais de uma dúzia de empresas, acrescentam uma nova dimensão ao retrocesso de Pequim contra as restrições do governo Trump, ao acesso à tecnologia americana avançada em meio a uma longa disputa comercial.

Entre as empresas chamadas foram fabricantes de chips Intel, Qualcomm, ARM Holdings, a gigante de software Microsoft, e da Coréia do Sul Samsung e diversas outras.

A ação contra a Huawei, não permitiu vendas para a gigante das telecomunicações sem uma licença do Departamento de Comércio. A China respondeu anunciando uma “lista de entidades não confiáveis” para empresas estrangeiras, que interromperam o fornecimento para a China ou tomaram outras ações consideradas prejudiciais aos interesses das empresas chinesas.

No sábado, a agência de notícias oficial chinesa Xinhua informou que a NDRC, órgão central de planejamento econômico da China, estuda o estabelecimento de outro sistema de lista para "prevenir e conter de forma mais eficaz os riscos de segurança nacional". A Xinhua também disse em um comentário que, este novo sistema visa impedir que “certos países usem as tecnologias chinesas e ao mesmo tempo limitem o desenvolvimento da China”.

AS medidas tempestivas adotadas por Trump, geram reações que muitas vezes nem foram pensadas pela sua equipe econômica. O recado é claro, a imposição de restrições com a gigante chinesa Huawei não será sem custos para as empresas americanas.

Pelo sim, pelo não, O Presidente do Banco Central Chinês, Yi Gang, disse que nenhum nível é importante para o Yuan. Comentou também, que de maneira geral, não intervém no mercado. Hahaha .... Será que ele mesmo acreditou? Porém o recado mais importante é que o nível de 7 contra o dólar poderá ser ultrapassado, caso seja de interesse a esse país. Como podem notar a seguir, o Yuan se encontra próximo desse nível, com grande importância técnica.




As exportações do Vietnam estão crescendo desde o final do ano passado. Muitas empresas que possuem fábricas na China estão transferindo suas operações para aquele país, a fim de evitar as taxas de importação imposta pelos americanos. Uma informação não confirmada, comenta que, produtos produzidos na China, são exportados através do Vietnam. Uma forma não ortodoxa de contornar as tarifas. Se for verdade, nós não somos os únicos “espertos”.

Junto com as ameaças de um lado a outro, a China como maior produtora de metais raros, insinuou proibir sua exportação aos EUA. É verdade que esse país é o maior produtor, mas existem outros que tem potencial de produção.

Algum tempo atrás, terras raras importantes na produção de microchips, eletrônicos e motores elétricos eram quase exclusivamente originárias da China. Nos últimos anos, várias nações retomaram a produção enquanto novos atores entraram no mercado, diversificando-o pelo menos em algum grau.

No entanto, a China ainda era responsável por mais de dois terços da produção global, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Mas, como muitos países têm receio de depender da China, especialmente quando se trata de produtos de tecnologia, é provável que os países com depósitos de terras raras os explorem ainda mais.

A China também possui os maiores depósitos conhecidos de terras raras, mas o Brasil, o Vietnã e a Rússia também têm muito (em grande parte) potencial inexplorado no setor. Os Estados Unidos, junto com a Austrália, surgiram como um grande produtor de terras raras depois de 2010. O país, que produzia terras raras antes para uso militar, voltou ao mercado à medida que as terras raras se tornavam mais importantes como parte da implementação de tecnologias cruciais.



No post queda-de-braço, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Com a queda que ocorrerem nos últimos dias, é bem provável que a onda B tenha terminado e agora a onda C está em curso. Se for isso mesmo, poderemos ver as cotações do dólar chegar a R$ 3,50” ...


Inicialmente eu desejava vender o dólar a R$ 3,95, porém depois das quedas da semana passada, esse nível passa a ser mais difícil de atingir. Vou propor um trade de venda a R$ 3,92 com um stoploss a R$ 3,97. Esse trade será cancelado, caso a cotação atinja R$ 3,83 antes de nosso limite ter sido alcançado.

Eu tinha comentado há algumas semanas, que os investidores estrangeiros mantinham uma elevada posição vendida no real. Imaginei que, nessas duas últimas semanas, essas posições tivessem diminuído, porém não foi isso que aconteceu, não só não diminuíram, como se encontram nas máximas dos últimos 2 anos.




Fico surpreso com o movimento ocorrido de valorização do real, considerando esse posicionamento. Nos últimos dias, as moedas do G7 contra o dólar pararam de cair, e estão ensaiando uma recuperação. Esse movimento se deve as perspectivas abertas pelo Fed de baixar os juros.

Vamos acompanhar o comportamento do dólar nos próximos dias, e caso isso aconteça – queda do dólar em relação ao G7, o real poderá se beneficiar duplamente, do movimento internacional e da posição vendida.

O SP500 fechou a 2.886 com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 3,8864, com alta de 0,25%; o EURUSD a 1,1317, com queda de 0,12%; e o ouro a U$ 1.328, com queda de 0,91%.

Fique ligado!