Inflação: A Revanche

24 de novembro de 2017

2018 está chegando


Os antigos leitores do Mosca sabem que não gosto de previsões gregorianas. São dois os motivos dessa rejeição: primeiro não vejo porque uma previsão para uma determinada data possa se concretizar. Os eventos deveriam originar uma projeção e não uma data; segundo, pelos conceitos de análise técnica, são os preços que determinam ações e não o prazo.

Mas não tenho como confrontar essa tendência enraizada no comportamento humano. Todo final de ano, os analistas publicam suas previsões para o ano seguinte, e o Mosca não vai fugir à regra, nos próximos dias estarei focado nessa tarefa.

Pouco se comenta se as previsões feitas no passado foram alcançadas ou não. Apenas quando algum analista acerta na mosca. Essas situações ocorrem normalmente quando esse acerto era contrário a maioria das previsões.

Hoje o Wall Street Journal publicou uma matéria comentando sobre os erros cometidos pelos analistas em 2017.

Todos nós gostamos de lembrar nossos sucessos e esquecer nossas falhas e em finanças não é diferente. À medida que os e-mails dos investidores mais uma vez ficam entupidas com as previsões anuais dos “gênios” de Wall Street, há pouca admissão da falha quase generalizada sobre as previsões deste ano - mesmo os casos onde os analistas sugeriam cenários muito mais interessantes do que suas previsões.

Há duas grandes lições para aprender com os erros de olhar a “bola de cristal” de final de ano: A primeira quando todos concordam que os preços só podem ir em uma direção, é perigoso; a segunda é mais heterogênea, realmente sabemos muito menos sobre o funcionamento da economia do que pensávamos.

No ano passado, quase todos estavam eufóricos com as perspectivas de recuperação econômica, implicando em maiores rendimentos dos títulos, dos preços das ações e do dólar, impulsionados pela elevação dos salários e pelos planos de redução de impostos de Donald Trump.

Um ano se passou e a inflação não se materializou, a discussão sobre impostos está atolada no Congresso, e quase todos os analistas estavam errados. Os rendimentos dos títulos de 10 anos continuam baixos, o dólar caiu, e o SP 500 performou mais do dobro que os prognosticadores mais otimistas de Wall Street.

Os estrategistas balançam os ombros e repetem suas projeções para 2018. Suas previsões até agora sugerem que a alta das ações continuará e os rendimentos dos títulos finalmente começam a subir, é verdade, um pouco menos do que pensavam antes.

Os cínicos observarão o que aconteceu no passado e se perguntam se alguém está incomodado com esses erros. As previsões têm um histórico constante de erros. Veja por exemplo os rendimentos dos bonds de 10 anos, previu-se alta em todos os anos durante a última década, de acordo com as previsões coletadas pela Consensus Economics. Mas elas caíram mais frequentemente do que não. Mesmo quando subiram, os movimentos foram apenas temporários, e nem perto do que estava previsto. ...”Esqueça o uso de um dardo para planejar investimentos; em média, jogar uma moeda seria melhor” .... Comenta o Wall Street Journal.


O mesmo vale para as ações. Apenas raramente a previsão média dos estrategistas para o SP500 ficou perto do resultado real. Desde 2000, mais da metade do tempo, o erro foi tanto de superestimar como de subestimar. O retorno ocorrido, foi em uma magnitude superior ao retorno de longo prazo de 9% do SP500.

Este ano tem sido um exemplo clássico. Os analistas consideravam que as ações teriam uma performance positiva, pela redução dos impostos anunciada por Trump, e alta da inflação, enquanto muitos também previram mais volatilidade por causa da incerteza política e geopolítica. Eles estavam errados, pelo menos até agora, sobre impostos e inflação. Mas as ações subiram mesmo assim, parece que atiram no que viram e acertaram no que não viram. Eles estavam certos sobre a incerteza política e geopolítica, mas a volatilidade não aconteceu, ao contrário, continuou caindo.

A chave para o que deu errado na visão dos estrategistas foi a falta de inflação, algo que a presidente do FED, Janet Yellen, descreveu como um "mistério". Ao longo do ano, os investidores ficaram cada vez mais convencidos de que a inflação ficaria baixa e derrubaria as taxas de juros e o dólar, mesmo quando um crescimento econômico enxuto elevou os lucros e os preços das ações.

O artigo termina de forma interessante ...”O forte consenso é um sinal de alerta que vale a pena observar. Mas o valor nas publicações de fim de semana do Wall Street vem da análise que elas contêm, e não dos preços que preveem” .... Uma defesa em causa própria.

Previsões totalmente certas ou totalmente erradas tem o mesmo valor para um investidor, pois nos dois casos pode se ganhar bastante dinheiro. Basta na primeira apostar a favor e na outra apostar contra!

David, e como foi o Mosca nas previsões?
De cara, o tema sugerido para 2017 não aconteceu, eu previa uma alta da inflação que acabou não acontecendo. Mas diferentemente dos analistas que ficaram presos a suas opiniões, o Mosca está preso ao bolso. Assim, conforme o mercado se moveu, fomos adaptando as posições. Agora em relação ao tema é diferente, permanece para o ano todo– Inflação: A Revanche. Estou pensando se vou continuar sugerindo um tema para cada ano.

No post Bond-3017-uma-odisseia-no-espaço, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” como apontei, a resolução final está próxima, acredito que até o Natal no máximo, o mercado nos dirá se os juros estão mirando para 2,65% a.a. ou mais, ou se as forças que comandam a queda, conforme descrevi no post riscos-frente, empurram os juros na busca de novas mínimas. É verdade que nessa última hipótese, muita agua vai rolar antes que isso aconteça” ...

 
Nesta semana, com o feriado de Thanksgiving, pouca coisa mudou. Vou apresentar hoje um gráfico de mais longo prazo para que possam observar melhor os cenários mais à frente.


Sem entrar em discussões de curto prazo de qual seria a trajetória dos juros para chegar nesses pontos, tracei dois níveis de especial interesse, que descrevo a seguir:

Altista – Para quem acredita que os juros subirão, onde o Mosca tem sua preferência, antes das taxas ultrapassarem 2,65%, nada se pode afirmar com convicção. Os juros podem bater na porta e retornar, ou nem chegar. Agora ao passar, abrem-se varais possiblidades, e dependendo de como isso acontecer “shape” vários targets são possíveis, sendo o mais visível de 3,15% a.a., o que não seria nem um absurdo.

Baixista – Nesse grupo o nível de 1,85% é crucial. Da mesma forma que a análise acima, o mercado poderá cair até 2% e depois recuperar, subindo tudo volta e um pouco mais. Aponto também que abaixo de 2% uma luz bem amarela se acende, fazendo o Mosca ficar neutro daí em diante. Se rompido as chances de novas baixas aumentam consideravelmente e o primeiro ponto a vista seria 1,35% a.a. – Deus me livre! Nem quero pensar nesse cenário, pois alguma coisa de muito ruim deve acontecer.

Como essas situações extremas -  > 2,65% ou < 1,85% - irão acontecer em 2018, estou antecipando minhas previsões para o próximo ano. E diferente das previsões dos analistas fundamentalistas, tenho duas opções. Estou certo que se entregasse esses números aos fundamentalistas, cairiam na gargalhada com o cenário de baixa. Eu prefiro manter os dois, pois ao invés de ouvir suas previsões ouço o mercado! Compromisso com o bolso não com a opinião!


O SP500 fechou a 2.602, com alta de 0,21%; o USDBRL a R$ 3,2329, com alta de 0,34%; o EURUSD a € 1,1930, com alta de 0,68%; e o ouro a U$ 1.287, com baixa de 0,24%.


Fique ligado!

23 de novembro de 2017

Ilan Godlfajn: Esqueceram de mim

O ser humano tem uma capacidade incrível de esquecer momentos ruins. Se querem um exemplo pense na Dilma Rousseff no caso recente em tour pela Europa, bancado com nosso dinheiro, que se aproveitou de um jornalista português para ampliar seu repertório de estupidez. Ao ler essa reportagem, o que você lembra é que gostaria de esquecer para sempre que ela existiu. Mas tem outros acontecimentos que são mais produtivos, como o Ilan Goldfajn que se ouve falar muito pouco nos últimos tempos.

Vocês devem lembrar que a bem pouco tempo a inflação era uma grande preocupação, o banco central na era  Tombini era constantemente questionado e pressionado. Justiça seja feita, ele sozinho não tinha como resolver o total descontrole das contas públicas, mas acabava sendo o culpado.

Hoje foi publicado o IPCA -15 do mês de novembro cuja variação ficou em 0,32%, pouco abaixo do mês anterior em 0,34% (pouco mesmo!). A taxa de 12 meses teve uma leve alta e ficou em 2,8% a.a., abaixo do limite mínimo de 3% estabelecido pelo regime de metas.





Como se pode anotar acima, os alimentos contribuíram significativamente para a redução da inflação, ocasionado pela excelente safra do ano em curso. Ao se extrair os alimentos da série, o nível de inflação estaria mais próximo do centro da meta de 4% a.a.

Acredito que é de pouca utilidade aos leitores do Mosca saber quais os subgrupos da inflação que mais colaboram para a queda, ou se a habitação foi o destaque da elevação deste mês. Afinal não me proponho a orientar os leitores sobre posições no mercado de inflação. É por essa razão que foco nos principais elementos que merecem algum destaque.

Como sabem, observo o nível dos preços livres, esse sim é um indicador importante da inflação, por não ter nenhuma ingerência nem sazonalidade importante, como o próprio nome diz são livres. Na tabela a seguir notem que se encontra bem abaixo da meta e compatível com inflação de primeiro mundo – 1,36% a.a. Lembro bem quando esse era o nível mensal. O índice de difusão, que em base mensal recou de 54% para 49%, em bases anuais permaneceu nos mesmos patamares baixos de 53%.

A Rosenberg projeta que a inflação em bases anuais deve terminar em 3%, em função da estabilização dos preços de alimentos nesses dois últimos meses, depois de passar praticamente em deflação todo o ano de 2017. Se isso acontecer, evitará que Ilan Goldfajn seja obrigado dar explicações ao Senado, do porque a inflação ficou tão baixa, fato inédito desde a implantação do regime de metas.





Por último queria dizer ao presidente do banco central brasileiro que não fique chateado se foi esquecido. Tenha certeza que em qualquer aparição, e ao contrário da equipe anterior que normalmente é vaiada, será muito elogiado.

No post inflação-em-alta (não aqui! Hahaha ...), fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” vou sugerir um trade de compra a € 1,1750, com um stoploss a € 1,1650. O meu objetivo é algo em torno de € 1,1880 a € 1,20, pelo menos. O gráfico a seguir exibe qual é minha ideia” ...

 ... “O que apontei em verde parece ser uma onda 3 sob a ótica de Elliot Wave, e se isso se mostrar correto, ou seja nossa estratégia for bem-sucedida, a chance de rompimento se eleva bastante” ...


Podem verificar no gráfico a seguir, que o euro se comportou como se esperaria no livro texto. Nestas últimas horas está testando a primeira resistência anotada em verde.

Se acontecer esse rompimento os níveis apontados anteriormente estarão validos, sendo o primeiro, bastante próximo dos níveis atuais. Como medida de precaução vamos subir o stoploss para € 1,17 e caso o nível de € 1,19 seja rompido, podemos mover o stoploss para € 1,175.

O mercado de bolsa esteve fechado; o USDBRL fechou a R$ 3,2218, sem variação; o EURUSD a € 1,1850, com alta de 0,24%; e o ouro a U$ 1.290, sem alteração.


Fique ligado!

22 de novembro de 2017

Peru no forno


O feriado de Thanksgiving é o mais importante dos EUA, certamente mais que o ano novo. Num Réveillon estava em Los Angeles com um casal de amigos que vivem naquele país. Na noite do Ano Novo fomos comemorar. O jantar como acontece com os americanos foi servido as 20h00, bem tarde este dia! Depois de beber e comer o relógio não passava das 22h30 e já não se tinha mais o que fazer. O casal sugeriu irmos embora. Foi quando eu perguntei “Não tem fogos de artifício”? Meu amigo sorriu e disse “Aqui todo mundo acorda cedo, mesmo no Ano Novo”.

Mas em Thanksgiving é costume reunir toda a família, situação rara para os costumes americanos, consequência de filhos que morarem espalhados pelo país. Como de praxe, nessa data os mercados ficam em banho Maria, da véspera até o final de semana. Porém, diferentemente daqui do Brasil, na sexta-feira de Thanksgiving o mercado funciona por meio dia.

Os americanos exportaram o conceito de Black Friday para o resto do mundo, mas acredito que o resultado não é igual ao de lá. Nos EUA, as vendas dessa data é uma antecipação das vendas de Natal, com uma significância bastante importante. Filas gigantescas se formam nos locais de venda na noite que antecede a sexta-feira. Através de cálculos comparativos, os investidores projetam como serão as vendas no final de ano. Isso tem falhado nos últimos anos em função da compras on-line. Estou mencionando isso porque na próxima sexta-feira, dependendo das primeiras estimativas, poderá haver algum impacto nas bolsas.

O que realmente importa nos EUA são os consumidores e se eles compram a economia vai vem. Uma comparação não mostra ainda a concretização das expectativas mais elevadas nesse segmento. Enquanto o índice de Confiança medido pelo Conference Board subiu de maneira substancial, o consumo real ainda não apresentou essa melhora.


O nível de Surpresas medido pelo Citibank encontra-se nos maiores níveis dos últimos 5 anos. Depois de ter atingido patamares extremante baixos há 6 meses, haja visto que naquela época havia muito ceticismo sobre a recuperação americana, agora os dados reais apontam para resultados mais animadores.


O próximo gráfico mostra quando a taxa de juros estará em 2% a.a. na opinião do mercado. Isso significa mais três altas de 0,25%. Considerando que a próxima de dezembro é dada, esse nível seria alcançado em novembro de 2018. Notem que há apenas um mês, correspondia a dezembro de 2019.


E antes de avançar no Peru literalmente, uma visualização da dívida dos países, em forma de bola, dá a real dimensão da dívida japonesa que é mais da metade da americana, sendo que seu PIB é de 1/4. E isso não se deve ao fato da dívida americana ser baixa, pois essa representa 32% do total enquanto seu PIB é de 25% com a mesma métrica.


No post riscos-frente, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” anotei uma região de observação compreendida entre 69.000 – nosso stoploss - e 64.000. Nesse intervalo permanecermos sem posições, pois a correção poderia avançar nesse terreno, mas não é comum. Abaixo de 64.000, alguma coisa mais séria aconteceu, prefiro deixar para analisar caso ocorra” ... E foi praticamente nestas mínimas que o mercado reverteu.


- Boa David, agora podemos ficar tranquilos!
Primeiro lema de qualquer investidor, quando tiver posições nunca fique tranquilo, o mercado pode mudar e você vai ficar sonhando com lucros que sumiram. No caso em questão, não sei se estamos preparados para novas altas, pelo menos não já. No gráfico a seguir apresento minhas duas possibilidades.

No cenário (A) a bolsa teria uma queda que a levaria de volta aos níveis de 68.000; ou como meu amigo gostaria, já se encontra no movimento de alta que levaria a novos recordes (B). Pelo sim, pelo não, vou liquidar metade de nossa posição comprada mais recentemente.

- Opa David, você afinou?
Não! Se eu tivesse afinado teria vendido tudo. Não esqueça que nós temos duas posições no Ibovespa, uma mais antiga e outra mais recente. Estou só diminuindo o risco, pois esperava uma correção “ pequena” e ela foi “média”, sem ser a “ máxima”.

Se acabar acontecendo o cenário (A), que não significa uma mudança de direção de longo prazo, posso decidir entrar novamente. E se acontecer o cenário (B) ótimo, ainda possuímos bastante posição.  Cautela!

O SP500 fechou a 2.597, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,2241, com queda de 1,06%; o EURUSD a € 1,1822, com alta de 0,72%; e o ouro a U$ 1.291, com alta de 0,86%.


Fique ligado!

21 de novembro de 2017

" Back to the school"


A professora Yellen já deve estar limpando suas gavetas. No final de fevereiro próximo termina seu mandato, e nesta data será substituída por Jerome Powell. Ela teria como continuar fazendo parte do Board mas decidiu por terminar seu mandato. Pelo seu histórico e bem provável que retorne a vida acadêmica além de faturar uma boa nota dando palestras.

Acho sua decisão sábia, primeiro não se sabe como será o FED comandado por alguém sem experiência em política monetária, além de Powell não possuir um título de doutor em economia, o que a grande maioria dos membros tem. Como serão as discussões técnicas, “Acho isso, acho aquilo”? Nós veremos, ela assistira.

A Bloomberg publicou uma matéria com alguns pontos que permitem uma avaliação de seu mandato. Vejamos alguns elementos:

·         Mercado de Trabalho
A taxa de desemprego se encontra próxima do nível mais baixo dos últimos 17 anos, e ainda abaixo da estimativa do FED de pleno emprego – essa é uma taxa onde se assume que todo mundo que busca por um emprego consegue e as empresas tem um incentivo de elevar os salários, haja visto que, a demanda aumenta.


·         Inflação

Tão bem-sucedida quanto a Yellen & Companhia tem sido no quesito para mais contratação de funcionários, a política do FED ainda não gerou a tão desejada estabilidade de preços. Durante o mandato de Yellen como presidente, o indicador de inflação preferido do banco central permaneceu incisivamente abaixo do objetivo de 2 %.


·         Crescimento

A velocidade da economia tem sido mais moderada na expansão atual, que começou sob a presidência do FED por Ben S. Bernanke e continuou em 2014 com a nomeação de Yellen. O PIB aumentou um pouco mais do que 2% a.a. em média, mais fraco do que 2,8% a.a. na expansão anterior, e na maior parte dos anos 2000. Em relação aos anos 80 o crescimento atual caiu pela metade.


·         Produtividade

A capacidade de a economia crescer mais rapidamente e elevar os padrões de vida dos americanos no processo, está sendo restringida pela baixa produtividade. Enquanto alguns economistas afirmam que a produtividade não está sendo medida corretamente, outra explicação possível é que os avanços tecnológicos não proporcionam uma grande explosão que fizeram há décadas. Outros afirmam que o investimento empresarial em equipamentos foi moderado.


·         Evolução da bolsa de valores

Talvez um dos maiores beneficiários da política monetária do FED tenham sido os investidores. O mercado de ações está no meio de uma alta que dura quase uma década. O SP500 subiu cerca de 15% este ano. Também começou a causar preocupação entre os formuladores de políticas do FED sobre elevadas vulnerabilidades associadas as avaliações de ativos. Outro ativo que ajudou na elevação do patrimônio das pessoas físicas foi a alta nos preços dos imóveis, que representam mais de 50% dos seus bens.


·         Concentração de riqueza

Para detentores diretos e indiretos de ações, o avanço elevou o patrimônio líquido doméstico a um recorde. Essa é a boa notícia. A má notícia é que a riqueza gerada pelo aumento dos preços das ações está concentrada entre os americanos com maior renda.


Qual a nota final da Yellen? Bem, depende que faz o julgamento.

Mercado: Nota 10 – Todos os ativos subiram de preços propiciando ganhos elevados.
Economistas: Nota 4 – É muito criticada pela quantidade de erros em previsões, bem como, por não ter conseguido fazer a economia crescer mesmo com juros reais negativos.
Ricos: Nota 10 – Ficaram muito mais ricos.
Classe média: Nota 3 – De que adianta desemprego baixo, juros baixos se os salários não sobem.
Mosca: Nota 6,75 – Ter mantido a estabilidade evitando uma deflação foi uma grande conquista. A nota foi decrescida pelo baixo crescimento e pelos juros muito baixos.

- David, por que uma nota quebrada?
Para você achar que fiz grandes cálculos. Não fiz! Hahaha ...

No post a-europa-esta-de-vento-em-popa, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” no gráfico abaixo apontei duas possibilidades onde no caso (A), que tem minha preferência, espero mais uma alta. Caso eu esteja correto, o dólar poderia atingir o nível de R$ 3,43/3,45 ... ...” já o caso (B) indica que a queda estaria em curso rumo a níveis inferiores a R$ 3,03, atingido em fevereiro de 2017” .... No momento o dólar se encontra próximo a R$ 3,26.


Agora parece que uma decisão se encontra mais próxima, e os dois cenários apontados acima podem ser vistos a seguir.


Caso a alterativa (A) vingue parece que um triangulo estaria se formando, e nesses casos a maior probabilidade (67%) é que rompa para cima. No caso (B) uma primeira violação do nível de R$ 3,23 já daria uma boa indicação que o dólar deve cair, porém essa confirmação só acontece no nível de R$ 3,20.

- David, isso tudo não ajuda em nada!

Ajuda sim, ajuda a não operar quando não se tem uma direção mais provável. Depois define um nível onde a hipótese se comprova ou não. Por exemplo, você poderia ser levado a arriscar uma venda, pois “tudo indica” que vai cair. Poderia até aceitar essa hipótese mas teria dificuldade em colocar o stoploss. Uma primeira análise apontaria para R$ 3,3350, uma perda potencial de 2,3%. O problema é que os outros indicadores apontam para neutralidade. O que tudo isso significa é que se assemelharia a uma aposta de Cassino. Cassino por Cassino, prefiro o original! Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.599, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,2572, sem alteração; o EURUSD a € 1,1732, com queda de 0,52%; e o ouro a U$ 1.280, com queda de 1,08%.

Fique ligado!

17 de novembro de 2017

Bond 3017 - Uma Odisseia no Espaço


Você devem estar se perguntando qual a razão do título. O que poderia significar Bond 3017 – Uma odisseia no espaço? Uma empresa de energia dinamarquesa – Orsted, emitiu um título com vencimento em 3017, esse papel tem 1.000 anos de prazo! A quem poderia interessar investir num título como esse? Naturalmente não é uma pessoa física, só poderia ser para especuladores ou fundos de pensão.

Antes de começar a avaliar em que grupo poderia se encaixar os compradores, essa emissão de € 500 milhões recebeu ofertas de € 2,4 bilhões, quase 5 vezes mais! Vejamos quais foram as suas condições: a taxa foi de 2,25% a.a. e existe uma call para 2024. Para quem não está familiarizado com esse conceito, a call garante ao emissor o direto de recomprar esse título naquela data com um preço um pouquinho superior ao preço de emissão.

Com um vencimento tão longo, equivalente a perpetuidade, uma oscilação pequena que seja da taxa de juros tem um impacto enorme no preço. Interessante que não é simétrico, por exemplo, se a taxa de juros a ser negociado no mercado para esse bond, estiver em 3,25% a.a., o impacto seria de uma queda de 30% em relação ao preço inicial. Se por outro lado a taxa cair para 1,25% a.a., o seu preço sobe 80%.

Será que algum especulador estaria interessado em comprar um título tão arriscado? Se esse investidor acredita que Mario Draghi vai se aposentar no BCE, e que manteria os juros negativos ad infinitum, talvez surgisse demanda para comprar a juros menores. Assim, esses especuladores poderiam auferir um bom lucro. Mas mesmo assim, num cenário tão maravilhoso, esse título poderá ser recomprado em 2024 pela empresa emissora, e caso isso aconteça, o lucro seria muito menor. Assim, acredito ser pouco provável que esses “gênios das finanças” entrariam num jogo tão arriscado.

Sobraram os fundos de pensão que por terem compromissos de longo prazo, um título como esses poderia ter interesse. Mas 1.000 anos, quem pode fazer alguma previsão? Como normalmente esses gestores são os melhores da área aliado do fato que não estarão no resgate, melhor um juro de 2,25% que zero. Se a taxa subir podem argumentar “ levamos a resgate”. Tudo isso sem falar no risco de crédito de uma empresa cujo principal ativo é energia eólica.

Hoje em dia, o sistema capitalista, que tem o seu tripé baseado no Capital, Trabalho e Propriedade, está sob judice. Os três elementos existem em abundancia excessiva atualmente. Os helicópteros usados pela maior parte dos bancos centrais inundaram o mundo de liquidez, fazendo com que, emissões como acima sejam colocadas com facilidade. Veja, não questiona a emissão de títulos perpétuos, já existem há muito tempo, agora nessas taxas e com uma call a favor do emissor é inacreditável.  No item trabalho, os robôs caminham a passos largos para substituir os seres humanos. As Propriedades ficam cada vez menos necessárias, por exemplo, com as vendas on line crescendo em taxas elevadas estão extinguindo as lojas, sem falar na utilização de bens ociosos que são alugados por períodos curtos (Uber, Air BNB), para demandas especificas, todas elas com efeitos deflacionários.

 Nem adianta me perguntar como isso vai terminar, à primeira vista não parece bem, mas é inegável que esse novo mundo implica em juros menores, salários em queda e imóveis menos necessários (aqui não é generalizado). Mas tudo isso é muito positivo para o lucro das empresas, mas nem todas, algumas irão sumir, e muitas novas serão criadas.

Achei essa charge sugestiva. Veja o que Trump perguntou ao líder Chinês quando foram visitar a muralha da China. Esse presidente que os americanos foram arrumar foi o maior blefe da história. Agora só falta ser reeleito nas próximas eleições! 

No post inflação-em-alta, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” nosso trade parecia caminhar no sentido certo, porém o nível de 2,42% foi violado, só que desta vez para baixo. No momento se encontra a 2,34%, próximo de nosso stoploss” ... ...” agora não temos muita margem de manobra, ou o mercado vira e volta a subir, ou provavelmente seremos stopados. Se isso acabar acontecendo, não significa que os juros caiam abaixo de 2%, como eu estava esperando alguns meses atrás”... ...” notem que em 4 situações distintas o mercado buscou romper essa região – 2,40%/2,42%” ...


Novamente os juros ameaçaram romper o nível de 2,42% e recuaram em seguida. Agora não são 4 vezes, mas sim 5! Por outro lado, as quedas recentes têm sido a níveis superiores as anteriores, como anotado no gráfico abaixo.


Como apontei, a resolução final está próxima, acredito que até o Natal no máximo, o mercado nos dirá se os juros estão mirando para 2,65% a.a. ou mais, ou se as forças que comandam a queda, conforme descrevi no post riscos-frente, empurram os juros na busca de novas mínimas. É verdade que nessa última hipótese, muita agua vai rolar antes que isso aconteça.

Olhando de hoje até parece difícil imaginar os juros a 2% a.a., por exemplo, recebi um relatório do Deutsche Bank onde o analista faz a seguinte previsão: ...” Our Fed view is unchanged: we expect the next rate increase in December, followed by three hikes in 2018 and four in 2019” (texto sublinhado pelo Mosca). Se eles estiverem corretos e considerando que os juros se encontram em 1,25%, essas premissas levariam o FED funds a terminar o ano em 1,5% a.a., e somando tudo, no final de 2019, teríamos um juro de 3,25% a.a. Como os juros dos títulos de 10 anos poderiam estar a 2% a.a.? Difícil de aceitar, mas isso só seria possível se o mercado acredita que vem uma mega recessão mais adiante, ou os gestores europeus e japoneses “precisam” de um título que paga qualquer juro. Parece que a segunda hipótese é mais factível, haja visto os compradores dos “Bonds 3017 – Uma Odisseia no espaço! ” Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.578, com queda de 0,26%; o USDBRL a R$ 3,2573, com queda de 0,51%; o EURUSD a € 1,1793, com queda alta de 0,20%; e o ouro a U$ 1.294, com alta de 1,25%.


Fique ligado!

16 de novembro de 2017

A inflação está aparecendo


Ontem foram publicados os dados de inflação nos EUA medido pelo CPI. A taxa ficou em 0,1% no mês e 2% a.a. em 12 meses, o índice excluindo alimentos e energia registrou uma taxa de 0,2% e 1,8% a.a. em 12 meses.


Uma observação simples do gráfico acima não parece muito animador, a elevação que ocorreu no começo do ano foi fruto de preço mais elevado dos combustíveis. Mas também não parece que o risco de queda da inflação seja uma ameaça, ao contrário, uma medição feita com a inflação core –extraindo os alimentos e energia, de forma trimestral anualizada, mostra uma recuperação de preços mais consistente. Enfatizo aos leitores que essa forma de calcular coloca maior volatilidade no índice, e deve ser vista com uma certa cautela.


 Agora até os Corintianos, que estão felizes da vida pela conquista do Campeonato Brasileiro, apostam que a taxa de juros subirá na próxima reunião de dezembro. Sobre o campeonato brasileiro eu já contava há alguns meses que seria muito difícil do Corinthians não se tornar campeão. Cometei com meu filho, corintiano roxo, que se isso acontecesse – não fosse campeão, que ele não deveria ficar triste, pois o time ganharia uma outra taça, por conseguir perder um campeonato tão ganho. Ele não gostou muito! Hahaha ....


Os salários em termos reais nos EUA estão diminuindo. Em termos nominais a figura é um pouco diferente, o mesmo tem mantido uma alta em torno de 2% - 2,5% a.a. Acontece que a inflação entre 2015 e 2016 estava muito baixa, em alguns momentos quase beirando zero. Essa é a razão de sua queda em termos reais. Isso significa que os salários não estão sendo reajustados de acordo com a inflação.


As estimativas do PIB acompanhadas pelo FED de Atlanta, que tem se mostrado muito eficaz, aponta para um crescimento neste trimestre de 3,2% a.a., acima das previsões dos analistas. Embora seja muito cedo para cantar vitória, pois esse indicador levou em consideração somente os dados de outubro.


Outra comparação interessante aponta para a diferença dos ciclos entre os EUA e dos principais países desenvolvidos. Através do gráfico a seguir, que analisa o retorno das ações nos principais países, mostram que no passado tinham um retorno mais ou menos sincronizados. Porém depois da crise de 2008, os EUA se descolou desse grupo. Mais recentemente, a bolsa europeia e a japonesa, tem performado melhor que a americana, mais ainda tem muito chão a percorrer.


Sobre bolsa de valores, a ilustração a seguir mostra que para quem pretende comprar ações para seus netos, de companhias que são ícones hoje em dia, nem sempre é uma boa ideia. A história mostra que de 50 em 50 anos, as 10 principais ações de um período para o outro são completamente diferentes, tanto as empresas como os setores.


No post na-velocidade-da-luz eu estava com uma visão de queda para a moeda única, até sugeri um trade nesse sentido. Nesse post expressei meus pontos de vista e frisei que essa aposta era contra a tendência de médio prazo, onde acredito na alta da moeda única.

Na última segunda-feira, no post a-Europa-esta-de-vento-em-popa, resolvi liquidar essa posição: ...” estou liquidando a posição vendida de euros a € 1,1660. O motivo é que se trata de um trade especulativo contra a tendência principal de alta, além de sua evolução nos últimos dias ter deixado a desejar. Prefiro esperar como observador” ...

Depois disso, o euro subiu de maneira mais forte atingindo ontem a cotação de € 1,1845. Em função desses últimos acontecimentos, vou sugerir um trade de compra a € 1,1750, com um stoploss a € 1,1650. O meu objetivo é algo em torno de € 1,1880 a € 1,20, pelo menos. O gráfico a seguir exibe qual é minha ideia.

 
Como aponto em vermelho, um primeiro movimento até algo compreendido no intervalo expresso acima e depois duas hipóteses: ou rompe o nível máximo recente de € 1,208; ou o euro volta a cair. Essa é a razão de um stoploss tão apertado de 0,85%.

- David, porque você não espera as coisas se definirem melhor, e caso o euro suba, possa comprar no rompimento do nível € 1,208?
Nossa, que evolução, estou gostando de ver. Você está correto, de uma maneira mais conservadora isso é o que se deveria fazer. Agora o movimento de curo prazo que mostro a seguir parece que a opção de alta é um pouco mais provável.


O que apontei em verde parece ser uma onda 3 sob a ótica de Elliot Wave, e se isso se mostrar correto, ou seja nossa estratégia for bem-sucedida, a chance de rompimento se eleva bastante.

Esse pode ser um caso instrutivo sobre operar contra a tendência original. Nessas situações todo cuidado é pouco, e as vezes se deve agir rápido para não se “apaixonar” com a ideia de curto prazo. Não sou contrafazer isso – operar contra a tendência de longo prazo, mas esteja consciente que pode dar errado. Lembrem sempre que correções não são previsíveis, e ao contrário, muito difíceis de traçar planos.

O SP500 fechou a 2.585, com alta de 0,82%; o USDBRL a R$ 3,2729, com queda de 1,19%; o EURUSD a € 1,1769, com queda de 0,19%; o ouro a U$ 1.278, sem variação.
Fique ligado!


14 de novembro de 2017

Riscos a frente?


No post juros-101,  fiz uma breve explanação sobre os conceitos da curva de juros. Para quem não está familiarizado sugiro uma releitura, pois vou partir de algumas considerações lá definidas.

Simplificando, a curva de juros mede o spread entre os juros de curto e a de longo prazo. É a compensação extra que os investidores exigem para que seu dinheiro fique por um período prolongado.

O maior mercado de títulos do mundo está dando um sinal de que os investidores não podem ignorar. Quanto mais a tendência persistir, mais provável que seus efeitos possam se espalhar para os resultados dos bancos e para a economia real, ao mesmo tempo em que limitaria a capacidade do FED de responder quando esses riscos emergirem.

Para ter uma ideia de quão dramática essa tendência tem sido, abaixo encontra-se uma serie de dados referente as curvas de juros relativos ao início de 2017. Os resultados mais recentes apontam para os níveis mais baixos em uma década.

Diferença entre os juros de 2 anos– 10 Anos: 72 pontos contra 125 pontos (início de 2017)
Diferença entre os juros de 2 anos – 30 Anos: 119 pontos contra 187
Diferença entre os juros de 5 anos – 10 Anos: 33 pontos contra 52
Diferença entre os juros de 5 anos – 30 Anos: 80 pontos contra 114

Todo mundo tem sua teoria favorita para o porquê isso está acontecendo e o que isso significa para a economia e os mercados, e todos eles provavelmente desempenham um papel, então aqui está o detalhamento de cada um:

A Culpa é do FED

A razão mais simples para o achatamento vem ao observar separadamente sobre o que está acontecendo com taxas de curto prazo, as mais sensíveis às expectativas da política do FED, e os rendimentos a longo prazo, que levam em consideração as perspectivas de inflação e crescimento econômico.


Depois de anos inerte, com medo de interromper a recuperação econômica, o FED finalmente cumpriu seu plano em 2017. O rendimento dos títulos de 2 anos está no seu mais alto nível desde 2008, já que os investidores se preparam para uma alta de taxas em dezembro e começam a aumentar as expectativas de novos aumentos no próximo ano.

Com os rendimentos de curto prazo subindo, a curva historicamente tende a se achatar, à medida que as taxas de longo prazo aumentam mais lentamente. Mas desde o início de 2017, os rendimentos de 10 anos e 30 anos diminuíram. E o culpado por trás disso parece ser uma inflação “teimosa” que permanece em níveis muito baixos.


Mesmo com um robusto crescimento do emprego dos EUA, e o desemprego no nível mais baixo desde 2000, o indicador preferido de inflação do FED encontra-se em apenas 1,6% a.a.

Tudo isso aumenta o espectro do que alguns chamam de "erro de política" potencial do Fed.

A conclusão é que o FED criou uma reputação de combater a inflação. Isso significa que os investidores devem esperar uma faixa de rendimento mais baixa para os juros de 10 anos e 30 anos, do que poderiam ter de outra forma.

Oferta e Demanda

Outro fator que pressiona os rendimentos de longo prazo são os compradores compulsórios, tanto nos EUA quanto em outros países.

Os gestores de ativos e passivos, como companhias de seguros e fundos de pensão, estão sempre buscando investimentos de longo prazo, e os títulos do Tesouro de 30 anos estão entre uma das melhores maneiras de obtê-lo. Combinando essa demanda com o aumento da demanda de fundos passivos de renda fixa, como Vanguard e BlackRock, justificam uma procura sustentada nos títulos de longo prazo.

Se isso não bastasse, o Tesouro americano anunciou recentemente que quer concentrar a maior emissão com prazo mais curto, como os títulos de 2 anos e 5 anos. Isso cria escassez relativa na curva longa, e um prémio na extremidade curta para absorver essa oferta extra.



Condução do ECB

Para alguns analistas, aqueles que olham apenas nos Estados Unidos para entender a curva de juros, estão perdendo o cenário mais amplo.

O mercado de títulos globais ainda está repleto por compras do banco central, principalmente do Banco do Japão e do Banco Central Europeu. E ao longo dos últimos anos, o rendimento diferencial entre os títulos do Tesouro americano e alemão de 10 anos, se elevou, criando uma oportunidade para investidores estrangeiros em adicionar dívidas dos EUA.


O BCE, liderado por Mario Draghi, anunciou no mês passado que planeja continuar comprando títulos até setembro de 2018, embora seja a metade do ritmo atual de janeiro. Também continuará a reinvestir o produto da dívida vencida por um período prolongado. A taxa principal de refinanciamento do banco foi fixada em zero desde o início de 2016, originando rendimentos negativos em trilhões de dólares de dívida da Alemanha.

Guia da História

Se alguém levar o passado como modelo, o mercado está enviando um aviso sobre as perspectivas econômicas. As curvas de juros são as mais flats em uma década, e não é coincidência que há cerca de dez anos marcou o início de uma recessão que durou 18 meses. A curva de juros mostrou-se um indicador confiável de retração econômica iminente quando se inverte, quando as taxas curtas são supeirores as taxas de longo prazo.


Lacy Hunt, economista chefe da Hoisington Investment Management, acredita que existe uma boa chance da curva se inverter, no prazo de um ano, se o FED continuar diminuindo seu estoque de títulos. Ele diz que a política de aperto provocada pela retirada de liquidez pelo FED, provavelmente irá restringir o crescimento do crédito, e reduzir o excesso de reservas, diminuindo a economia e reprimindo a inflação.

A tendência de achatamento pode ser um sinal de alerta, pois não foi o que aconteceu nas outras situações onde a economia entrou numa fase de crescimento mais robusto. Pode ser que um dos quatro motivos listados acima seja o responsável por esse achatamento, se for um dos 3 primeiros não é um sintoma de preocupação, porém se for o quarto, uma continuidade na queda do diferencial de juros é preocupante. Como não saberemos o motivo, caso aconteça uma recessão no futuro, deve-se acompanhar essa variável com diligencia, bem como outros indicadores econômicos nesse sentido.

No post bolsonaro-x-lula-sem-opção, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” não tenho razões para mudar de ideia, a de que a bolsa está numa correção, e quando terminada deve entrar num novo movimento de alta. Mas também não ficarei confortável com quedas além dos 71.000 e principalmente abaixo de 69.000, onde coloquei o stoploss” ... ...” Caso essa última hipótese aconteça ainda não poderia mudar definitivamente minha previsão de alta, isso só iria acontecer abaixo de 64.000” ...

O mercado acabou fechando hoje abaixo de 71.000, o que completou nossa segunda ordem. Anotei uma região de observação compreendida entre 69.000 – nosso stoploss - e 64.000. Nesse intervalo permanecermos sem posições, pois a correção poderia avançar nesse terreno, mas não é comum. Abaixo de 64.000, alguma coisa mais séria aconteceu, prefiro deixar para analisar caso ocorra.

O SP500 fechou a 2.578, com queda de 0,23%; o USDBRL a R$ 3,3127, com alta de 1,02%; o EURUSD a € 1,1796, com alta de 1,12%; e o ouro a U$ 1.280, com alta de 0,23%.


Fique ligado!