2018: Vestibular Político

13 de novembro de 2018

A 4ª Revolução Industrial



As três primeiras revoluções industriais foram impulsionadas: pelo carvão e vapor; depois pela eletricidade e o automóvel; e por último a computação. Agora podemos estar testemunhando a ascensão da quarta: uma economia movida pela internet móvel, automação e inteligência artificial.

Essa foi a avaliação de Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, que fez da quarta revolução industrial o tema de seu encontro anual em 2016.

Cada uma dessas revoluções anteriores é fácil de medir em retrospectiva - toneladas de aço produzidas, número de automóveis na estrada, a proporção de casas com um PC. Como estamos apenas no início desta última transformação, só podemos tentar encontrar pistas para o futuro observando as tendências da última década, com o surgimento do smartphone, a Internet de Coisas e a computação em nuvem.

Nos dois anos que se seguiram à palestra do Prof. Schwab, essas tendências entraram em colapso. O aumento súbito de tecnologias que vão desde componentes de telefone a redes sem fio e data centers aponta para um novo tipo de automação, mais difundida e mais inteligente do que nunca. Ela afeta todos os setores, não apenas a indústria, a logística ou o transporte, e é única no grau em que afeta os trabalhadores de “colarinho branco” e de “colarinho azul”.

Estamos testemunhando o fim do trabalho como conhecemos ou "meramente" uma profunda transformação dos trabalhos que os humanos fazem. De qualquer forma, as ramificações econômicas e políticas tendem a ser parecidas com o impacto dos últimos 50 anos de terceirização e globalização.

A explosão dos smartphones criou a necessidade de desenvolvimento de novos softwares (de aplicativos a inteligência artificial), novas plataformas (como cloud computing e blockchain), novas redes (primeiro 4G e logo sucessor 5G), e não menos importante, uma matriz de componentes que antes eram proibitivamente caros (todos os tipos de sensores e câmeras).


O crescimento da economia de smartphones e nuvem trouxe a automação para um setor tradicionalmente protegido de seus efeitos: o trabalho do conhecimento. Aqui, porém, é menos sobre a substituição de trabalhadores do que melhorar suas habilidades automatizando tarefas como analisar grandes quantidades de dados e dando-lhes acesso a ferramentas como análise preditiva, além de inventar novos trabalhos como cientista de dados e operador de drone.

À medida que pensamos em quais trabalhos devemos preparar nossos filhos, não podemos esquecer que os setores de empregos que mais crescem e as maiores lacunas de habilidades estão atualmente na tecnologia, e que isso provavelmente continuará sendo o caso no futuro previsível.


A nova economia não exige apenas humanos - ela também requer uma grande infraestrutura, mesmo que tenda a ser invisível em nossas vidas cotidianas. Nos EUA, isso significa milhares de quilômetros de cabos de fibra ótica e centenas de milhares de torres de celular. Globalmente, isso significa uma explosão de tráfego na Internet.



Combinando o smartphone, as nuvens, e a automação do comercio, e você obterá uma transformação em como se distribui bens, tanto para consumo como uso industrial. O resultado de tal transformação é o seu efeito na venda ao varejo e a consequente transferência desses empregos para os armazéns.

Enquanto os armazéns estão vendo um aumento no emprego, os empregos nas fábricas continuam a apresentar um declínio devido à automação. Embora grande parte da produção no mundo desenvolvido tenha sido terceirizada em vez de automatizada, até mesmo os países para onde esses empregos foram, como Bangladesh, estão agora vendo a automação de setores anteriormente não automatizáveis como o têxtil.

O impacto mais visível da ascensão de uma automação cada vez mais capaz é que o emprego na fábrica e os negócios qualificados caíram mesmo quando a produtividade total nos EUA (e quase todos os outros países desenvolvidos) aumentou.


Essa crescente população de robôs industriais nem conta o que pode ser o maior acelerador de automação de todos: veículos autônomos. Hoje, os números de veículos verdadeiramente autônomos na estrada estão na casa das centenas, e todos eles ainda estão em fase de testes.

A autonomia como uma tecnologia ampla - dando aos robôs a capacidade de navegar sozinhos, com segurança, na presença de seres humanos - será ainda maior, e poderia ter um efeito multiplicador no número de robôs envolvidos em tarefas mundanas, como entregar mantimentos, ou como ajudar a crescente população de seres humanos envelhecidos, tornando-os mais móveis.

Crítica para as novas habilidades de toda essa automação, é a inteligência artificial. A IA não é tão perigosa quanto os arbitrários gostam de questionar, nem é tão inteligente. A IA atual não pensa como as pessoas fazem; apenas coleta dados e localiza padrões neles.


Não podemos considerar os futuros impulsionadores da quarta revolução industrial sem falar sobre a pesquisa fundamental que alimenta essas transformações, bem como a corrida para mantê-la no topo. É notável que 2018 seja projetado para ser o primeiro ano em que a China ultrapassará os EUA em gastos totais com Pesquisa e Desenvolvimento.

A China prometeu tornar-se uma potência na inteligência artificial dentro de 15 anos e lançar uma "revolução do robô" para se manter competitiva na manufatura, mesmo com o aumento dos salários. Também está aproveitando o Big Data para criar uma forma de capitalismo de vigilância - na qual o valor econômico é criado e controlado por meio da coleta de dados sobre todos os aspectos das atividades diárias das pessoas - coisas que o mundo nunca viu.

A quarta revolução industrial está ganhando força, mas, a menos que os EUA continuem a atrair os melhores talentos do exterior, ao mesmo tempo em que educam uma força de trabalho doméstica adequada aos empregos que estão por vir, desta vez, pode não ser uma revolução americana.

Este artigo publicado pelo Wall Street Journal mostra as principais áreas onde se utiliza essa nova tecnologia. O leitor pode ter a impressão de falta de conteúdo pois não parece identificar muita coisa diferente da que já conhece. Como citado no início desse artigo, essa nova etapa não é visível, mas perceptível. O que sim é visível são as mudanças no mercado de trabalho com inúmeras profissões sendo extintas, e por outro lado, nova criadas. Porém, esse saldo parece negativo.

No post promessas-do-trump, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” A configuração técnica do Ibovespa não é tão clara, precisou de algumas considerações. Nada que viole as leis de Elliot Wave, porém fica sujeita a futura mudanças. Como mostro a seguir, o índice deveria ter forte resistência ao redor de 95 mil” ...


Quem acompanha os comentários do Mosca com frequência, notou que o Ibovespa está me incomodando há tempos. Não que tenha alguma coisa contra a bolsa, mas o movimento traçado por esse índice brasileira não é de livro texto. Diversas vezes fiquei desconfiado, o que acarretou eu perder parte da alta inicial, após atingir a mínima de 39 mil.

Bem, lamentações a parte, o Ibovespa não atingiu o nível de 95.000, aonde eu gostaria de liquidar a posição existente. Na máxima chegou perto dos 90 mil e desde então, vem recuando diariamente, retornando a região do triangulo formado, conforme aponto no gráfico a seguir.


É normal em rompimentos de triângulo, que o mercado retorne até o início desse movimento. Até aí nada a se preocupar, acontece que em algumas circunstâncias volta a subir novamente e em outras continua caindo.

Do ponto de vista técnico, posso advogar nos dois sentidos: na alta, existe uma confluência de três pontos no nível de 95.000 (verde), isso dá esperança que ainda pode completar esse movimento. Por outro, se continuar a cair, não posso dizer que houve uma falha (90 mil), pois atingiu um outro parâmetro técnico totalmente aceitável (vermelho).


- David, então você quer que nós decidimos? Acho que ganha bem para querer jogar seu dilema aos leitores!
Calma companheiro, eu não disse isso! Só quis compartilhar minhas hipóteses. Não preciso deixar os leitores angustiados, pois, o stoploss decidi caso o cenário vermelho prevaleça.

Poderia também, liquidar a posição agora e observar. Não vou fazer isso por dois motivos: o primeiro que não tenho preferência por nenhuma das duas opções, para dizer a verdade, acho a verde um pouco mais provável 55%/45% (torcida? Pode ser); segundo que o risco retorno é convidativo, possibilidade de ganho de 12,1%, ao preço atual de 84,7 mil; e de perda, segundo o mesmo critério, de 3,2%.

Essa é uma daquelas situações onde se monta uma posição, e o mercado não performa da maneira que se imaginava, mas também não viola nenhum princípio básico. Minha recomendação é que continue com a ideia original até que o mercado o leve para o seu lucro, ou ao seu stoploss.

O SP500 fechou a 2.722, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,8031, com alta de 0,95%; o EURUSD a 1,1289, com alta de 0,61%; o ouro a U$ 1.201, sem variação.

Fique ligado!

12 de novembro de 2018

O futuro já



O carro elétrico já não é uma aposta do futuro é realidade. Nos dias atuais, os fatores de meio ambiente têm tomado muita atenção ao redor do mundo, razão pela qual, todas as montadoras têm programas de investimento nesta área. Um artigo publicado pela Bloomberg descreve sobre esse assunto.

Seria ótimo se todos pudéssemos dirigir sem sujar o ar que respiramos. Infelizmente, nem todos podem pagar um carro elétrico.

A boa notícia é que a morte do motor de combustão interna está se aproximando e a venda de veículos elétricos está em ascensão. Os países que juntos representam mais de 10% das vendas globais de automóveis têm planos detalhados de eliminar progressivamente os carros convencionais movidos a gasolina. Inclua a China, e isso salta para 40%.


Atualmente, os carros elétricos podem percorrer distância maiores e ser recarregado mais rapidamente do que antes. As montadoras estão começando a produzir pelo menos uma opção elétrica, com mais de 100 modelos a bateria, disponíveis até o próximo ano. Isso significa que o carro acessível do futuro chegou.

Os números de vendas sugerem que está se aproximando: os consumidores compraram mais de 1 milhão de veículos elétricos no ano passado, um aumento de quase 60 % em relação a 2016, mesmo com a demanda mundial por carros caindo. A China, com uma política agressiva de veículos ecológicos, responde por quase metade das vendas mundiais de carros elétricos. O preço médio das baterias de íon-lítio, que representam quase a metade do custo de um carro, caiu de US $ 599 por quilowatt / hora para US $ 208 por kWh nos últimos cinco anos. Os motoristas agora têm quase 600.000 pontos de carga em todo o mundo, dos quais mais da metade estão na China.

O país é responsável por uma grande parte da mudança na demanda, por meio de políticas de incentivo. Isso é forçando fabricantes de automóveis globais, à procura de uma posição no maior mercado de automóveis do mundo, para começar a produzir carros elétricos.


Em números absolutos, os veículos convencionais superam seus primos verdes. No entanto, o declínio dos motores que consomem muito combustível parece inexorável, uma vez que, os rigorosos padrões de economia de combustível forçam os fabricantes a repensar o futuro e olhar para a China. As vendas de veículos elétricos no mês passado aumentaram 55 % no país, mesmo com a queda na demanda geral por carros de passageiros.

A Tesla, tem grandes planos para a China, junto com uma série de empresas de carros elétricos caseiros que surgiram com o apoio de investidores de alto escalão.

Os incentivos, as políticas e as regras do setor da China basicamente exigem que uma parte de todos os carros vendidos seja elétrica. Com menos de um terço das peças de automóveis comuns, os modelos elétricos são mais fáceis de fabricar.

O problema é que os números de vendas não dizem muito sobre qualidade ou tecnologia. No início deste ano, analistas do UBS Group foram buscar baterias de carros elétricos na região Ásia-Pacífico. A realidade não foi tão boa quanto os números sugeridos. As baterias domésticas da China tiveram um desempenho fraco em baixas temperaturas e as empresas tiveram outros problemas de fabricação, observaram os analistas depois de falar com participantes do setor. Outros disseram que os números de vendas foram principalmente um esforço de marketing que reflete a pressão de governos locais ansiosos para mostrar que estão seguindo as políticas de Pequim.

De qualquer forma, o problema do custo e, portanto, da aceitação pelo consumidor é iminente. Os domicílios com maior probabilidade de comprar um carro elétrico movido a bateria têm uma renda de US $ 300 mil por ano ou mais. Apenas 41 % dos lares com renda de US $ 150.000 a cerca de US $ 200.000 planejam fazer com que tal veículo seja a próxima compra automática. A maior barreira para comprar carros mais limpos ainda é o alto preço.


O custo da adoção total é astronômico. Estima-se que US $ 6 trilhões são teoricamente necessários para construir a infraestrutura que carros elétricos precisam, como estações de recarga e redes de energia. Segundo o Goldman Sachs, isso representa cerca de 7,5% a 8% do PIB mundial. Acrescente a isso o valor que as empresas gastam para produzir carros e baterias, e o número pode ser ainda maior.

Estudos mostraram que os custos de transição terão que ser reduzidos por meio de subsídios e apoio do governo. Retirar o suporte muito cedo - como o caso da Tesla mostrou na Dinamarca e em Hong Kong - mata as vendas imediatamente.


Para as empresas, encontrar o equilíbrio entre acessibilidade e lucratividade continua difícil. A Amperex Technology Ltd., campeã mundial de baterias da China, abriu o capital há cerca de seis meses. Ela conta com a BMW entre seus clientes e tem quase 40 % do mercado de baterias na China. As margens caíram 5 % no terceiro trimestre, embora os volumes e o lucro tenham subido. A queda nos preços médios de venda e os custos mais elevados da matéria-prima foram os culpados.

Mesmo que a tecnologia melhore, os custos continuam sendo a maior barreira. Montadoras de automóveis de luxo, como a Jaguar Land Rover e a Porsche, obterão melhores margens dos utilitários esportivos mais caros. Mas para que tais modelos se tornassem amplamente acessíveis, o custo de uma bateria teria que chegar a US $ 100 por kWh.

Os gastos de capital necessários para que isso aconteça não serão fáceis. As despesas são o maior problema para a indústria automobilística, desde tarifas e matérias-primas até mão de obra e pesquisa e desenvolvimento. O custo das mercadorias vendidas é em média mais de 80 % das vendas líquidas nas maiores empresas automobilísticas do mundo.

O resultado é que estamos a pelo menos cinco anos de reduzir o preço de um bom carro elétrico ao de um convencional, sem considerar créditos e subsídios fiscais. Os motoristas terão que aguardar por mais algum tempo.

Mas parece que o movimento é inexorável, como qualquer produto novo, o seu preço incialmente é caro e vai sendo reduzido conforme o volume cresce, a tecnologia evolui e a concorrência aumenta. Outra situação que ocorre é que, quem normalmente inventa não é quem sobrevive. Se esse for o caso nos automóveis elétricos, a Tesla, empresa cujo acionista majoritário arruma confusão a toda hora, deverá dar lugar a uma outra montadora.

Qualquer que seja o final dessa história, já se pode dizer que o carro elétrico não será o automóvel do futuro, pois já é!

No post bola-para-frente, fiz os seguinte comentários sobre o dólar: ...”  No gráfico abaixo tracei um intervalo onde deveria correr uma reversão, entre R$ 3,85 e R$ 4,00. Mas não consigo dizer a priori em qual nível devermos entrar vendendo dólares. Naturalmente, quanto mais próximo dos R$ 4,00, menor o risco em função do stoploss a ser definido” ...


Desde a última atualização, as cotações ficaram praticamente estagnadas ao redor de R$ 3,74. Isso não causa surpresa ao Mosca, embora para os simpatizantes de Bolsonaro, imaginavam que o dólar deveria cair mais. A esses mais otimistas, alerto para as condições externas, que contribuíram para que seu cenário não se concretizasse.


Eu reitero a mesma orientação acima, agora um pouco mais refinada, sugerindo um trade de venda de dólar a R$ 3,85 com um stoploss a R$ 3,98. Essa opção se concretizada vai enfrentar a ausência do Mosca entre o dia 15/11 a 26/11, período em que eu estarei viajando.

Mas como de costume, eu publicaria em caso extremo, caso achar que seja necessário. Além do mais, acredito que os leitores podem seguir com essa recomendação sem que haja publicações diárias por um tempo, afinal, já acompanham o post por um bom tempo.

O SP500 fechou a 2.726, com queda de 1,97%; o USDBRL a R$ 3,7674, com alta de 0,90%; o EURUSD a 1,1221, com queda de 1,00%; e o ouro a U$ 1.200, com queda de 0,74%.

Fique ligado!

9 de novembro de 2018

Dedo no gatilho



O Presidente eleito Jair Bolsonaro colheu duas derrotas está semana, a primeira com a aprovação pelo Senado do reajuste do Judiciário e Ministério Público, que tem um impacto calculado de U$ 4,0 bilhões/ano, segundo a aprovação de incentivos fiscais para o setor automotivo por 15 anos. Isso são resquícios da velha política que estão amplamente enraizadas. O novo presidente terá dificuldades em mudar essa atitude.

Na avaliação do Mosca um grande teste deve acontecer antes de sua posse, a mudança da Previdência. Esse assunto tem sido ventilado diariamente por toda parte, e é desejo que seja feito uma alteração ainda no mandato do Temer. Ao projeto já existente, espera-se mudanças para uma possível aprovação, inclusive, já ganhou diversas nomenclaturas “light”, “enxuto” e etc ...

Acredito que, caso nada seja aprovado, o novo governo começará com um desafio. Bolsonaro acreditava que não teria grande esforço nas aprovações, em função da sua alta popularidade, o que permitiria costurar as alianças necessárias. Será que vai ter que usar a velha tônica do toma lá dá cá? Esperamos que não.

O Fed anunciou o resultado da sua reunião de Política Monetária, e como já era amplamente esperado, manteve a taxa de juros. A autoridade monetária repetidamente enfatizou a força da economia em um comunicado divulgado após sua reunião. Não ofereceu nada para dissipar as expectativas do mercado de que entregaria sua quarta alta do ano em dezembro.

Dados divulgados desde que o Fed se reuniu pela última vez em setembro, indicam "que o mercado de trabalho continua se fortalecendo e que a atividade econômica vem subindo num ritmo forte", disse o Fed.

A economia expandiu a uma taxa anual de 3,5% no terceiro trimestre, após um ritmo de 4,2% no segundo trimestre. Isso é aproximadamente o dobro da taxa de crescimento que as autoridades do Fed acreditam que pode ser mantida a longo prazo, a menos que a oferta de trabalhadores, ou sua produtividade, cresça mais rapidamente.

Enquanto isso, a taxa de desemprego manteve-se em 3,7% em outubro, quase meio século de baixa, e os salários médios por hora subiram 3,1% em relação ao ano anterior, o maior aumento ano a ano desde 2009.

A força geral da economia e do mercado de trabalho - impulsionada nos últimos trimestres por sólidos gastos do consumidor - é mais que suficiente para compensar qualquer preocupação com os pontos fracos da economia.

O setor imobiliário, por exemplo, arrefeceu neste ano, com os aumentos das taxas de juros levando as taxas hipotecárias a uma alta de sete anos. Isso exacerbou os desafios de acessibilidade decorrentes inicialmente de baixos estoques de casas à venda, que rapidamente elevaram os preços nos últimos anos.

A recente queda do mercado de ações parece improvável para mudar os planos do Fed. O recuo do mercado não recebeu menção na declaração do Fed, ao contrário das quedas anteriores em 2015 e 2016.

A inflação no próximo ano será fundamental para determinar como o caminho político do Fed evoluirá. A mesma tem estado perto da meta de 2% durante a maior parte deste ano, depois de permanecer muito baixa por muitos anos. O Fed vê a inflação em torno de 2% como um sinal de oferta e demanda equilibradas.

"Se observamos as coisas ficando cada vez mais fortes e a inflação subindo, podemos nos mover um pouco mais rápido", disse Powell no mês passado. "E se notamos a economia enfraquecendo ou a inflação caindo, podemos nos mover um pouco mais devagar."

Uma questão-chave é o grau em que salários mais altos podem levar as empresas a elevar os preços.

A reunião do Fed desta semana foi a primeira desde que o presidente Trump recentemente escalou suas críticas ao banco central. Autoridades do Fed disseram que tomarão decisões de política monetária sem qualquer consideração política.

"Mantivemos bastante foco nos fatos sobre a economia", disse Randal Quarles, vice-presidente do banco central para supervisão bancária, em resposta a uma pergunta sobre as críticas de Trump no mês passado. “O trabalho do Fed é permanecer focado nos fatos da economia e ser independente da administração. ”

Em resumo, o Fed está com o dedo no gatilho para elevar os juros mais uma vez esse ano, na sua reunião de dezembro. Resta saber se a economia e os outros indicadores performarão de forma a concretizar as projeções da autoridade monetária no próximo ano. Nas projeções, o Fed espera elevar os juros mais quatro vezes, levando a taxa para 3,5% a.a. Sobre as ameaças do Trump a política do Fed, não parece ter intimidado os técnicos da instituição.
Uma comparação entre o PMI e os juros de 10 anos indicam uma divergência entre ambos. É verdade que o PMI tem influência dos últimos acontecimentos, uma vez que, é uma pesquisa qualitativa é pode ter sido impactada pela guerra comercial travada entre China e EUA. Se não for isso, será que as taxas de juros estão próximas de queda?


No post crescendo-pela-barriga, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos. Relembro os leitores que decidi liquidar a posição quando o nível estava em 3,13%. Meus argumentos para tal ação foram: ...“ Primeiro, e mais importante, é que eu vinha enfatizando que estaríamos perto do final de um movimento de alta que deveria acontecer entre a 3, 23% a 3,32%. No gráfico a seguir se pode ter a noção desses limites” ...

...” segundo, no próximo gráfico com uma visão de mais curto prazo, se pode notar um movimento nítido em 5 ondas, que sustentaria as conclusões colocadas acima, na teoria de Elliot Wave.  E por último, se não tivéssemos feito nada, teríamos sido stopados hoje. Desta forma, mesmo que ainda existe uma chance de os juros subirem – e ainda existem, não nos aproveitaríamos dessa alta” ...

Como podem notar a seguir, os juros chegaram próximo do nível de 3%, porém não tão perto assim. Em seguida, voltaram a subir, abrindo novamente a possibilidade de atingir o objetivo inicial de 3,32%. Coloco minha mão no fogo que chegam lá? Não, veja por que.


Primeiro, note a marcação que fiz em vermelho neste gráfico semanal, do ponto de vista técnico, era muito importante que essa “barrinha” estivesse acima do fechamento da semana passada, e acabou não ficando, esse é um ponto negativo; segundo que meu objetivo inicial de alta se encontra muito próximo, assim pouco resultado é esperado.

Realmente, não me arrependo de ter liquidado essa posição, mesmo deixando algum lucro na “mesa”. Como dizia meu ex-sócio, Ibrahim Eris, “nunca se deve ficar no mercado querendo levar até as lâmpadas, deixe-as para o próximo que quer entrar! ”



O SP500 fechou a 2.781, com queda de 0,92%; o USDBRL a R$ 3,7339, com queda de 0,70%; o EURUSD a 1,1334, com queda de 0,25%; e o ouro a U$ 1.209, com queda de 1,11%.

Fique ligado!

8 de novembro de 2018

O Psicopata!



Trabalhando no mercado financeiro se aprende a conviver com psicopatas. Não que eles não existam na sociedade, mas pelo fato de ter que acompanhar os governantes, cujas suas decisões têm impacto nos seus investimentos. Também, é nessa categoria onde mais se encontra esse perfil psicológico, tornando mais rotineiro para nós.

Fui buscar a definição mais científica - “Psicopata é a designação atribuída a um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela presença de uma atitude de dominância desmedida. Esse tipo de comportamento agonista é relacionado com a ocorrência de delinquência, crime, falta de remorso e dominância, mas também é associado com competência social e liderança. A psicopatia, descrita como um padrão de alta ocorrência de comportamentos violentos e manipulatórios”. – Grifo do Mosca.

Tenho certeza que qualquer um de nós já se deparou com alguma pessoa que tem essas características. A título de exemplo, acredito que localmente ninguém suplanta o Lula, ele vai morrer dizendo que o tríplex do Guarujá e o sitio de Atibaia não são seus, e notem, isso é o que apareceu até agora.

Mas nada ultrapassa ao Presidente Trump, mesmo não vivendo nos EUA, somente pelas notícias e aparições públicas permitem classifica-lo como: O psicopata!

Ontem os americanos souberam dos resultados das eleições para Câmera dos Deputados, Senado e governadores. Os democratas ganharam maioria na Câmera enquanto os Republicanos mantiveram o controle do Senado. O resultado final está sendo classificado pelos analistas como Gridlock – termo usado para uma situação com tremendo congestionamento de transito.

Os Mercados de ações subiram forte na quarta-feira sobre a expectativa, ou talvez a esperança, que a divisão do poder em Washington significará dois anos de paralisações políticas. Esse é provavelmente o melhor resultado possível de uma Casa Democrata.

Os democratas começarão desencadeando múltiplas investigações sobre todas as coisas que Trump teria, para manchar o presidente e sua família como corruptos e impedi-lo, se conseguirem material suficiente. Espere dois anos de vazamentos sobre as declarações de impostos de Trump, os negócios e os contatos de sua administração.

Quanto à política, Trump precisará da Sra. Pelosi – líder da minoria do Congresso, para aprovar o Nafta 2.0, elevar o teto da dívida e negociar um orçamento. Ela tentará extrair concessões de políticas, como um aumento de impostos para pagar obras públicas.

A Sra. Pelosi também tentará atrair Trump com ofertas favoráveis ​​ao aumento do salário mínimo, exigindo licença familiar e impondo controles de preço aos remédios controlados. Mas estes teriam consequências econômicas destrutivas e seriam votos difíceis para os senadores do Partido Republicano.

O Sr. Trump não tem uma política fixa na maioria dos problemas, então há um sério risco de que ele seja atraído para armadilhas anti-crescimento.

Com tantas diferenças e animosidades entre esses dois partidos, por que então o mercado ficou tão animado? A interpretação é que, com tantas discussões pela frente nos próximos dois anos, é provável que a estagnação nesses assuntos é melhor que deixar Trump fazer o que quer.

Agora a psicose do Trump é tão grande que ele acredita que os resultados foi uma tremenda vitória, com uma explicação sem nexo de que a perda da Câmera poderia ajuda-lo – nem vou me dar o trabalho em reproduzir seu argumento. Sobre a investigação relativo aos negócios de sua família lançou um tom de ameaça para quem tentar trilhar por esse caminho.

O pior de tudo é que ele acredita em seus argumentos, porém, a realidade é que o mercado prefere Trump com seus poderes o mais limitado possível.

No post falsa-segurança fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” vou reintroduzir o trade de venda no nível de U$ 1.235 com stoploss a U$ 1.255” ... ...” Desde o início, não considero esse trade, um grande trade, não estou convencido. Por outro lado, os dados técnicos me sugerem um bom risco x retorno, dentro das premissas de Elliot Wave” ... Alguns dias depois do trade ter sido efetivado, resolvi zerar a posição o-cetisimo-do-mosca: “Pelo mesmo motivo, estou zerando também a posição de ouro” ...


Difícil essa vida de trader! Mas não se pode reclamar e muito menos deixar de alterar sua tática quando o mercado emite sinais no mínimo duvidosos. Lembrem que nunca faltará oportunidades, essa e outras não são as únicas.

Desde então, nada de muito interessante aconteceu com o metal. Como se pode verificar abaixo, o ouro está indeciso. Entretanto, se observa um comportamento nesse curto prazo, que beneficia mais, para quem está comprado. A cada movimento para cima, o ouro atinge níveis mais elevados (azul), e a cada retração, atinge níveis acima do anterior (vermelho). Essa tendência é denominada no jargão do mercado “Higher high – Lower low”.


Agora nada disso me motiva a entrar na compra, para dizer a verdade, não vou ficar surpreso se cair daqui em diante, nem se subir. Nesta situação, quero ficar fora, sem posição.

Tracei duas linhas divisoras que poderiam dar uma indicação melhor da direção que o ouro pretende. Acima de U$ 1.260 fica encorajador e calculo que U$ 1.360 seja o novo objetivo. Caso contrário, abaixo de U$ 1.180, poderemos estar rumando para testar U$ 1.130.

O SP500 fechou a 2.806, com queda de 0,25%; o USDBRL a R$ 3,7577, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1358, com queda de 0,59%; e o ouro a U$ 1.223, com queda de 0,21%.

Fique ligado!

7 de novembro de 2018

Aonde está Wally? Ou melhor, a inflação!



Hoje foi publicado o IPCA do mês de outubro ficando abaixo das expectativas dos analistas em 0,45%, a mediana de expectativas da Bloomberg indicava alta de 0,56% – menor do que a variação de 0,48% registrada no mês anterior. Na comparação em 12 meses, o índice segue estável, passando de 4,53% para 4,56%. De volta a comparação na margem, destaque para o arrefecimento do grupo de Transporte, reflexo de menores variações no subgrupo de combustíveis e do item passagem aérea. Na contramão, destaque para a aceleração do grupo Alimentação e Bebidas.


Destaque para a continuidade do processo desinflacionário do grupo de serviços na comparação em 12 meses, que reflete com defasagem a deterioração econômica da crise recente.

Outros fatores acompanhados pelo Mosca, suportam a tese que a inflação se mantem em níveis baixos. Os preços livres estão estáveis há diversos meses apontando uma inflação ao redor de 2,5% a 3%. Outro indicador que mede a disseminação dos preços, Difusão, encontra-se em níveis baixos relativos a série histórica, ao redor de 55%, indicando quase nenhuma propagação de aumentos em outros itens.



O dado de outubro corrobora a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros nos próximos meses, haja vista a ausência de pressão relevante no curto prazo. Para o mês de novembro, a Rosenberg projeta uma pequena deflação.

Agora com o risco de uma catástrofe econômica eliminado, onde poderíamos ter uma situação econômica pior que o atual, com a vitória de Bolsonaro, a situação passa a ser melhor que a atual. Desta forma, as intenções da nova equipe econômica, ou melhor da equipe de um só homem, Paulo Guedes, o prêmio Brasil começa a retomar a níveis anteriores as eleições.

Não sabemos ainda se Ilan Goldfjan continuará no comando do Banco Central, o que seria mais uma ótima notícia. A independência do BCB anunciada por Guedes, culminaria com a possibilidade de o juro real no Brasil iniciar um processo de queda, uma vez que, foi isso que ocorreu nos países que adotaram esse procedimento. Naturalmente, a reforma da Previdência é fundamental nesse sentido também.

Não encontro ninguém achando que a taxa SELIC poderá cair no futuro, por sinal, a maioria dos analistas esperam uma alta para o próximo ano ao redor de 8%. Os argumentos é que, com o aquecimento da demanda, seria necessário subir os juros. Será mesmo? Não seria esse um pensamento do passado?

Ainda existem muitas dúvidas do que essa equipe vai conseguir mudar, as intenções são bastante ambiciosas e nem todos os políticos estão alinhados com o Bolsonaro. Mas como comentei acima, vai ficar melhor, não sabemos quanto melhor.

Um exercício especulativo, considerando mudanças na Previdência, privatização de empresas estatais, reforma fiscal, poderiam levar a taxa de juros de longo prazo à 4% a.a. O que se deve perguntar é, qual deve ser a taxa SELIC nesse ambiente, considerado uma inflação de 3,5% a.a.? Seguramente, não seria 6,5%.

Muito bem, já que ninguém tem coragem, o Mosca dá o seu palpite: 5% a 5,5% a.a.
- David, você bebeu!!! Acho que não vou ver essa taxa de juros na minha existência.
Entendo seu ceticismo, afinal tem que dar muita coisa certa aqui dentro e não acontecer nada de importante no mercado internacional, o que por si só, parece difícil. Minha provocação tem um caráter de abrir a possibilidade para cenários diferentes dos que estamos acostumados, com chance concreta de acontecer.

No post o-cetisimo-do-mosca, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” decidi liquidar a posição. O real motivo é que o shape do movimento destacado não me “agradou”.... ... “Se essa minha percepção estiver correta, o euro poderia revisitar a casa de € 1,185 antes de voltar a cair novamente” ...


Neste meio tempo, o euro atingiu a mínima de 1,1299, em seguida, recuperou a queda recente, com as cotações no momento em 1,1470. Daqui em diante, espero que a moeda única reconquiste algum terreno perdido. No gráfico a seguir, se encontram os níveis que eu estimo.


O intervalo aonde vamos estabelecer um trade de venda do euro está demarcado em rosa 1,1820 / 1,1870. O nosso stoploss será estabelecido em 1,2050.

Tudo isso colocado aqui, está baseado em hipóteses sobre esse movimento de correção. O que eu não gostaria que acontecesse agora, seria uma retração até o nível € 1,1350. Se isso acontecer, vou ter que rever minhas premissas.

Por enquanto, vamos em frente dessa forma.

Em relação a um trade sugerido do SP500, no post a-china-sente-o-golpe, fica cancelado. O motivo é que a alta de hoje abriu a possibilidade de uma outra alternativa. Assim, pretendo aguardar mais alguns dias e avaliar se mantemos ou não a sugestão.

O SP500 fechou a 2.813, com alta de 2,13%; o USDBRL a R$ 3,7322, com queda de 0,78%; o EURUSD a 1,1450, com alta de 0,20%; e o ouro a U$ 1.226, sem variação.

Fique ligado!

6 de novembro de 2018

Bola para frente



As contratações robustas e os ganhos salariais no mês passado deixam o Federal Reserve praticamente certo de elevar as taxas de juros em dezembro e, a caminho, continuar elevando-as gradualmente no próximo ano.

Os empregadores adicionaram 250.000 empregos em outubro. Os números mostram que o mercado de trabalho continuou a fortalecer durante uma década na segunda expansão mais longa já registrada. Isso aconteceu apesar dos esforços cautelosos do Fed nos últimos anos para impedir o superaquecimento da economia, elevando as taxas de juros de curto prazo.

Embora o aumento dos salários e o baixo desemprego sejam uma ótima notícia para os trabalhadores, as autoridades do Fed temem que a escassez de mão-de-obra possa elevar os salários e os preços o suficiente para acelerar a inflação. Isso forçaria o banco central a aumentar as taxas de juros de forma mais agressiva para manter a inflação sob controle, potencialmente colocando a economia em recessão.

Por enquanto, porém, as autoridades do Fed devem manter seu ritmo gradual. Eles sinalizaram que provavelmente deixarão sua taxa básica de juros inalterada em um intervalo entre 2% e 2,25% em sua reunião de política nesta semana.

Os formuladores de política indicaram em setembro que esperavam elevar a taxa em um ponto percentual até 2019. Nesse cenário, eles previam que o desemprego cairia para 3,5% até o final do próximo ano e permanecerão até 2020, com a inflação subindo para apenas 2,1%.

Para que isso aconteça, porém, o crescimento do emprego teria que diminuir a partir de seu ritmo recente. Os economistas estimam que ganhos de apenas 145 mil empregos por mês manterão a taxa de desemprego estável.

Diretores do banco central estimam que uma taxa de desemprego sustentável no longo prazo é de 4,5%. Abaixo disso, em teoria, as pressões inflacionárias poderiam construir. Mas eles também notaram que a chamada taxa natural mudou ao longo do tempo e é difícil de identificar no curto prazo.

O presidente do Fed, Jerome Powell, em discurso em agosto, destacou a imprecisão de estimar tais variáveis ​​econômicas. Como resultado, disse que o Fed deve evitar dar-lhes demasiada influência sobre a política monetária, especialmente quando a inflação está se comportando bem.

O lado obscuro do ponto de vista do Fed é que a inflação permaneceu tranquila este ano, em torno de sua meta de 2%, mesmo com a taxa de desemprego caindo e as empresas reclamando sobre escassez de mão-de-obra.

Embora as autoridades possam nutrir a incerteza sobre o quão baixo a taxa de desemprego pode ficar sem provocar aumentos desmedidos de preços, eles também estão receosos de serem pegos de surpresa. A história mostrou que o processo de reduzir a alta inflação é oneroso.

Se o crescimento forte e os ganhos de emprego continuarem e forem acompanhados por inflação estável, expectativas de inflação e expectativas para a política do Fed, essa situação, argumentaria contra a elevação das taxas de juros de curto prazo em mais do que é esperado atualmente.

Mas essa decisão do Fed não é um consenso entre os economistas. Na última reunião da Rosenberg esse foi um tema de amplo debate. Se por um lado, o aperto do mercado de trabalho é uma preocupação sobre a inflação futura, a elevação dos juros já tem impacto sobre alguns mercados, principalmente o imobiliário, aonde se nota uma desaceleração na venda de casas.

Esse fenômeno também pode ser projetado nas industrias, que com um custo financeiro mais elevado, o retorno de alguns projetos se tornam não lucrativos. Entretanto, de uma maneira geral, ainda não se observa diminuição nesse setor. Diferentemente de outros ciclos econômicos, onde se nota um alargamento no spread do bonds corporativos vis-a-vis o título do tesouro americano, atualmente, não aconteceu, o que reforça a continuidade dos investimentos.

Confesso que os dias atuais apresentam esse dilema de difícil análise. Na decisão de um portfólio internacional é de vital importância. Como esse é um assunto bastante técnico, vou explicar suas consequências em caso um dos casos:

Final de ciclo/ recessão logo a frente – Aqui, a precificação do mercado estaria correta nos títulos do governo e talvez otimista na bolsa de valores, pois depende qual seria a profundidade dessa recessão. A sugestão nesse caso seria a compra de títulos do governo, ou de empresas superseguras, de maturidade longa. Na bolsa, pelo sim pelo não, não teria posição.

Continuidade do crescimento econômico moderado – Aqui teremos que abrir uma chave: com inflação contida (< 2,5% a.a.) – O portfólio de bonds deveria ser de curta duração, pois a taxa de juros dos títulos longos é muito baixa, sem restrição com a qualidade dos bonds de empresas. Positivo na bolsa; com inflação em alta (> 2,5% a.a.) – Aqui fica mais simples, bonds do governo curtos, sem bolsa, e com ouro.

- David, qual a chance de cada um deles?
Eu me deparo com inúmeros analistas quantificando esses cenários, e acredito que existe uma tendência de acomodar os números espelhados no mercado. O Mosca vai ficar no muro, realmente, observando de hoje, 50/50.

Acredito que esse dilema não é só meu, é do Fed também. Isso se pode notar nas várias entrevistas de seus diretores. E como eles tomam a decisão? Usam o livro texto, até evidencia em contrário. Qualquer livro de economia ensina que, quando a taxa de desemprego é muito baixa, é uma questão de tempo para inflação subir.

Assim, se deve usar o cenário de crescimento para sua carteira, premiando veículos com liquidez caso se necessite fazer mudanças. Na bolsa, siga o Mosca, vamos deixar o mercado falar o que temos que fazer.

Falando em juros, veja que incrível a diferença de juros pagas nos ‘CDB” americanos contra os juros da Libor que pode ser obtido em diversos títulos corporativos. Ou os tesoureiros estão dormindo e esqueceram de ajustar as taxas para remunerar os recursos dos clientes, ou os clientes não perceberam que podem obter mais. Se fosse na minha época, e eu estivesse operando nesse mercado, garanto que estaria ganhando uma fortuna sem risco. Se algum tesoureiro quiser, posso dar o caminho das pedras! Hahahaha ...


Em termos de juros reais, somos ainda os Campeões do Mundo. É preciso fazer uma reforma da previdência urgente, que permitirá uma queda do juro real. Por outro lado, imaginem quanto não estaria se o Haddad ganhasse as eleições!



No post fim-de-festa, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” Ainda não se pode saber se a reversão que estou aguardando começou, ou ainda vai tocar no nível de R$ 3,55, onde valerá uma compra, caso aconteça” ... ...” Um exercício considerando a primeira hipótese – reversão em curso, calculo que o dólar deva subir até R$ 3,90 – R$ 3,95, para em seguida voltar a cair. Uma outra opção, onde o dólar não subiria tanto, aponta para R$ 3,85” ...


As cotações acabaram não atingindo a mínima de R$ 3,55. A partir do nível de R$ 3,58 atingido depois da vitória do Bolsonaro, ficou negociando numa faixa estreita. Estou imaginado alguns meses onde o dólar teria uma trajetória como a traçada a seguir.


Se minha análise estiver correta devermos estar entrando numa onda B, segundo a teoria de Elliot Wave. E como vocês já sabem, ela é terrível, destruidora de lucros! Só me aventuraria no nível de R$ 3,55, agora a R$ 3,74, fico de observador.

No gráfico acima tracei um intervalo onde deveria correr uma reversão, entre R$ 3,85 e R$ 4,00. Mas não consigo dizer a priori em qual nível devermos entrar vendendo dólares. Naturalmente, quanto mais próximo dos R$ 4,00, menor o risco em função do stoploss a ser definido. Vamos buscar diferentes opções nos outros mercados, por enquanto o dólar é caixão! Não de morte, mas do jogo de cartas.

O SP500 fechou a 2.755, com alta de 0,63%; o USDBRL a R$ 3,7601, com alta de 0,92%; o EURUSD a 1,1417, com alta de 0,10%; e o ouro a U$ 1.226, com queda de 0,34%.

Fique ligado!

5 de novembro de 2018

Promessas do Trump



Se o presidente chinês, Xi Jinping, estiver se preparando para fazer grandes concessões aos EUA, seu tão esperado discurso em uma feira de Xangai não demonstrou isso.

Xi reagiu contra as políticas do presidente Donald Trump America First, com algumas de suas mais bem apontadas linguagens, denunciando as práticas comerciais “lei da selva” e “mendigo-vizinho”. Ao mesmo tempo, ele não descreveu nenhuma nova proposta que sugira estar preparado, para atender às demandas de Trump, como suspender transferências forçadas de tecnologia ou reverter o apoio a empresas estatais.

"Todos os países devem se esforçar para melhorar seu ambiente de negócios e resolver seus próprios problemas", disse Xi à inauguração da China International Import Expo, que contou com mais de 3.600 empresas de 172 países, regiões e organizações. "Eles nem sempre devem se eximir e culpar os outros, ou agir como um holofote que só expõe os outros, mas não eles mesmos."

Xi não chegou a mencionar Trump ou os EUA no discurso, seu discurso econômico de maior destaque desde abril. Em vez disso, alertou que o protecionismo prejudicaria o crescimento global, ao mesmo tempo em que prometia aumentar o consumo interno, fortalecer a proteção à propriedade intelectual e promover as negociações comerciais com a Europa, o Japão e a Coréia do Sul.

Embora Trump tenha lançado a possibilidade de um acordo, quando ele se encontra com Xi nas próximas semanas, os dois lados permanecem muito distantes na resolução das demandas importantes dos EUA. Os investidores que assistiram ao discurso em busca de provas de que a China estava falando sério sobre acelerar sua abertura econômica e queriam uma solução rápida para a guerra comercial ficaram decepcionados.

Promessas repetidas

Embora Xi tenha prometido importar US $ 30 trilhões de bens ao longo dos próximos 15 anos - acima dos US $ 24 trilhões em estimativas anteriores - suas iniciativas políticas estavam em grande parte de acordo com as declarações anteriores. O governo já reduziu as tarifas este ano e disse que voltaria a fazê-lo. O governante Chinês enfrenta mundo cansado de promessas vazias.

Embora o evento visasse reunir empresas estrangeiras para conquistar os consumidores chineses, as marcas globais da Adidas ao Walmart, a Procter & Gamble e a Uniqlo estavam enviando apenas os responsáveis de países - ou nenhum executivo sênior. O CEO da Starbucks, Kevin Johnson, cuja empresa abre uma loja na China a cada 15 horas, não participará, apesar de estar na mesma cidade.

'Lei da selva'

Isso não diminuiu os esforços de Xi para se posicionar como um dos principais defensores da globalização no mundo, que ele descreveu como uma “estrada de ampliação”. “À medida que a globalização se aprofunda, as práticas da lei da selva e do vencedor são um beco sem saída. ”.

Trump na segunda-feira disse que o conflito comercial com a China ainda pode prosperar de qualquer maneira.

"Estamos em uma disputa muito grande com eles agora, e estamos vencendo", disse Trump em uma teleconferência com apoiadores, no dia anterior às eleições americanas. A China quer fazer um acordo, mas se eles não querem, tudo bem”.

No entanto, o governo dos EUA ficou a distância, apesar de a China ter dito que Trump expressou apoio à exposição, na semana passada. Um porta-voz da embaixada dos EUA disse que o governo Trump não tinha planos de enviar um representante de alto nível, acrescentando que "a China precisa fazer as reformas necessárias para acabar com suas práticas comerciais injustas que estão prejudicando a economia mundial".

A balança comercial publicada na sexta-feira está muito próximo do recorde, atingindo U$ 54 bilhões. No entanto, quando contabilizado somente as transações com a China, atinge novo recorde. No gráfico a seguir, se nota uma participação desse país em 55% de todo déficit americano.


Como havia comentado no post da semana passada a-china-sente-o-golpe, o movimento do Presidente Trump impondo sansões aos chineses está surtindo efeito, que será mais evidente nos próximos meses. Para complicar a vida da China, o resto do mundo não está crescendo de forma satisfatória, não lhe permitindo ganhar novos mercados.

Na semana anterior, o Presidente Trump anunciou que as conversas com a China estavam caminhando muito bem, é que se encontraria com o Presidente Chinês na reunião do G-20 a realizar-se na Argentina. Depois de mais de dois anos de convivência com as bravatas de Trump, pouca ou nenhuma credibilidade se possa a dar as suas promessas. Até é possível que, sua declaração tinha mais que uma intenção política, haja visto as eleições que se realizam amanhã nos EUA.

Os dados de emprego anunciados na sexta-feira passada denotam como se encontra apertado. Com a criação de 250 mil novas vagas, taxa de desemprego em 3,7% e uma elevação na remuneração para 3,1% em bases anuais, não se pode ter dúvidas do movimento que o Fed pretende promover, mais uma alta de juros até o final do ano. Nesta semana, na quinta-feira, o Fed se reúne para decidir sobre a política monetária. Como essa reunião não é a completa com secção de perguntas e respostas, não é praxe que haja mudanças nessas ocasiões, o que empurraria para dezembro essa decisão. Mas quem sabe ....


No post o-ante-mangement, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “No curto prazo, o Ibovespa parece estar formando um triângulo, que no caso seria de alta. Uma primeira projeção levaria esse índice ao nível de 95.000” ...


Do ponto de vista de longo prazo complementei: ...” Notem que, como havia enfatizado anteriormente, será uma batalha difícil o rompimento da linha abaixo, nesse gráfico de longo prazo. Mas em isso acontecendo, projeto um objetivo de mais longo prazo em 110 mil, uma alta nada desprezível sobre os níveis atuais + 20%” ...


A configuração técnica do Ibovespa não é tão clara, precisou de algumas considerações. Nada que viole as leis de Elliot Wave, porém fica sujeita a futura mudanças. Como mostro a seguir, o índice deveria ter forte resistência ao redor de 95 mil. Tenho que enfatizar que, se esse nível for ultrapassado, vislumbraria novas altas até 110 mil.


Caso contrário, ao reverter nos 95 mil (conforme anotado no gráfico em cinza), segundo os critérios estabelecidos, uma correção de algumas semanas poderia levar o Ibovespa de volta para 84 mil/77 mil. Para em seguida iniciar novo movimento de alta.

A única posição remanescente no Mosca é do Ibovespa, e para tanto, sugiro liquidar a posição, caso 95 mil seja atingido.

O SP500 fechou a 2.738, com alta de 0,56%; o USDBRL a R$ 3,7248, com alta de 0,77%; o EURUSD a 1,1407, com alta de 0,19%; e o ouro a U$ 1.213, sem variação.

Fique ligado!