2019: Quem dá menos!

22 de fevereiro de 2019

Bolhas discretas



Durante a existência desses 7 anos, o Mosca já acompanhou algumas bolhas que ocorreram no mercado financeiro. Talvez a que causou maior impacto foi a do bitcoin. A pouco mais de um ano, essa cryptocurrency tocou na cotação de U$ 20.000. Naquele momento, somente os pessimistas poderiam prever um colapso em seu preço.

Não se passava um único dia, no qual as pessoas envolvidas nesse mercado, ou mesmo os curiosos, consultavam quanto estava valendo. Percebi que agora nem acompanho mais. Confesso que abri meu aplicativo para saber qual nível se encontrava, um pouco acima da mínima atingida recentemente, hoje vale aproximadamente U$ 4.000. Para quem ainda tem algum interesse, o gráfico abaixo conta um pouco da história dessa bolha, antevista pelo Mosca.


Desde então, não tive conhecimento de nenhum ativo que tivesse entrado num frenesi semelhante. Mas assim como tem as bolhas espalhafatosas existem também as discretas. Na verdade, essa qualificação é função do interesse do público. Porém, outro dia, encontrei uma da segunda espécie.

Se eu perguntasse aos leitores, se acreditam no crescimento expressivo dos automóveis elétricos, acredito que quase a totalidade diria que sim, mesmo que, o mercado de automóveis esteja em declínio no mundo, como comentei no post surpresas-antigas. Certamente o efeito deve ser diferente para os carros a combustão x elétricos. Muito bem, uma das matérias primas fundamentais para produzir as baterias é o cobalto, o metal precioso que de acordo com uma reportagem da BBC “está provocando uma nova febre de ouro”.

Dito isso, seria minimante razoável, para quem não acompanha nada desse mercado, que esse mineral estivesse subindo de preço, afinal, uma demanda adicional que era inexistente, está se formando aceleradamente. Sem mais palavras, veja a evolução da cotação a seguir.




Ao me deparar com esse gráfico, fiquei chocado, como assim, caiu 70% do seu preço máximo em menos de um ano? Em seguida, a imagem da bolha me veio a consciência, e pensei, mesmo sem entender nada sobre o assunto: bolhas existem muitas, porém, tem as que fazem barulho e as que não fazem, depende de quanto dinheiro está envolvido. É, do ser humano, acreditar que, em situações como essa, onde parece lógico que os preços só podem subir, aproveitar a grande oportunidade da vida, o céu passa a ser o limite. Talvez falte a essas pessoas uma frase que repito bastante: dinheiro não é capim!

Para os mais sofisticados, podem ter pensado: hum, se realmente é bom, imagina quanto pode subir de preço as empresas que extraem esse mineral, o lucro será alavancado. Bora comprar! Para esses mais especulativos, talvez esqueceram de avisar que os lucros ou os prejuízos são alavancados! Vejam a seguir, algumas praticamente viraram pó!




Nem me perguntem o que aconteceu, não sei! O que eu sei é que, tomem muito cuidado quando entrarem numa operação cheia de “oba, oba”. Isso não significa que devam ficar fora e só trabalhar no pai e mamãe, podem entrar sim, mas sempre atentos a evolução dos preços e principalmente com o santo stoploss. O céu não é limite para nada!

Percebi que o post de hoje está dedicado as curiosidades financeiras. Seu eu disser que, uma empresa que atua no lado real da economia, vende bens de consumo cujo produto não tem o menor segredo, e suas ações valorizaram mais que as ações da Google, a grande maioria diria que está na hora do Mosca parar. Ah, é! Então vejam a valorização da Pizza Domino versus a Google, desde 2004.




Vou buscar os motivos e informo no futuro caso consiga uma boa explicação!

E por último, notem a seguir, a correlação entre a produtividade e o crescimento do PIB. Parece bastante lógico que um país com elevada produtividade apresente crescimentos superiores. Do ponto de vista macro, é possível estabelecer políticas que incentivem o investimento e facilitem a produção.

No micro depende do empresário, que pelo seu dinamismo busca diminuir os custos de produção. Em fazendo isso, pode ganhar mais mercado e evitar a concorrência externa. Agora pensem um pouco no Brasil, e vejam no gráfico onde nos encontramos. É necessário um choque interno com mais liberalismo e menos protecionismo.




No post ate-especular-virou-mal-negocio, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” um triangulo descendente está se formando – linhas cinza. Nestes casos, o mercado tende a romper para baixo” ... ...” mantenho a minha ideia que uma alta até o nível de 2,80% ainda deve acontecer. É verdade que, as chances de rompimento de 2,55%, antes de atingir aquele nível, se elevaram” ...


Como os níveis essa semana ficaram disciplinadamente dentro do triângulo apontado em cinza (no gráfico acima), resolvi dar uma visão de mais longo prazo aos leitores.



Como se pode notar com muita clareza, os juros estão em queda desde 1980, quase 40 anos. Os traders de Wall Street não sabem o que é operar esse mercado quando os juros sobem. Somente em alguns poucos momentos, houve pequenas altas, que foram sucedidas por quedas levando os juros a níveis mais baixos. Assim, foram acostumados a comprar títulos e ficarem tranquilos, mesmo que uma queda de preço acontecesse no curto, pois era temporária.

Em 2012, quando os juros atingiram o mínimo de 1,5%, e por estarem na linha cinza inferior, os traders poderiam ter feito uma aposta de alta, considerando que, mais um zig zag era provável. Levaram um susto em 2016, pois houve uma ameaça de níveis mais baixos. Porém foi por pouco tempo, pois em seguida, ficaram tranquilos.

Durante 2018, agora no limite superior da reta, houveram muitas apostas de “chegou a hora de romper”! Pensavam que, daqui em diante os juros só poderiam subir, acabando o longo ciclo de queda. Mas no final daquele ano, os juros começaram a cair e voltaram ao interior das retas paralelas.

Esse movimento, sucinta duas dúvidas crucias no futuro: primeira, se os juros não irão subir, e na melhor das hipóteses, ficarão mais algum tempo dentro das retas paralelas; ou essa queda recente, é ocasionada pela dificuldade de um rompimento tão aguardado.

Não vou aqui me elucubrar, imaginado justificativas, baseada em fundamentos, para essa situação, existem várias. Deixo esse trabalho para os economistas, afinal eles sempre precisam de uma lógica.

Sendo assim, vislumbro no curto prazo uma queda dos juros até o nível de 2,5%, ou até 2,3%. Mas o crucial é se for abaixo de 2,0%, ficaria bem preocupado. Nessa situação, as chances de novas quedas se elevam. Um economista que lesse esse post, seria levado a crer que, uma deflação justificaria esses níveis. Tudo bem para mim, o principal é saber o que devemos fazer.

Mas se por outro lado, ao chegar aos 2,5%, os juros começam uma trajetória de alta desafiando sair novamente das linhas paralelas, pode chegar a 4%. Considerem esse nível como bastante indicativo, pois não tenho elementos ainda para um cálculo mais preciso.

Essas ideias mostram o cuidado que se deve tomar na situação atual. Não são só nos juros, onde alguns perigos maiores rondam, o SP500 também merece todo cuidado.

E, é assim, com todos essa dúvidas e riscos a frente, que o Mosca continuará a sugerir trades sem receio. Sem receio, porque temos nossa proteção patrimonial do stoploss.


O SP500 fechou a 2.792, com alta de 0,64%; o USDBRL a R$ 3,7482, com queda de 0,56%; o EURUSD a 1,1329, sem variação; e o ouro a U$ 1.328, com alta de 0,38%.

Fique ligado!

21 de fevereiro de 2019

Past copy



Ontem foi publicada a minuta da última reunião do Fed realizada no final de janeiro. Foi nessa reunião que a autoridade monetária externou sua dúvida sobre a possível alta de juros neste ano. Extrai alguns trechos que considero interessantes, a fim de analisar o que se poderia, ou não poderia esperar – Quem dá menos! Tema do Mosca para 2019.

“Os participantes observaram que alguns riscos para o lado negativo aumentaram, incluindo as possibilidades de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado no crescimento econômico global, particularmente na China e na Europa, um rápido declínio dos estímulos da política fiscal ou um novo aperto nas condições do mercado financeiro. Um aumento em algumas incertezas de políticas governamentais estrangeiras e domésticas, incluindo aquelas associadas ao Brexit, uma escalada nas tensões da política de comércio internacional e o potencial para paralisações adicionais do governo federal estendido também foram citadas como riscos descendentes” (destaque meu)

Trechos praticamente idênticos podem ser notado em todas as minutas de banco centrais, inclusive o nosso. Isso nos dá indicação que todos não têm a menor ideia do que pode acontecer, mas como precisam se justificar, usam assuntos da moda. Esse caso se enquadra na famosa frase em inglês cover the ass!

“Alguns participantes observaram que determinados fatores, como a queda do preço do petróleo, o crescimento mais lento, a inflação mais baixa no exterior, ou a valorização do dólar no ano passado, mantiveram algumas leituras de inflação recentes e podem continuar a fazê-lo este ano. Além disso, muitos participantes comentaram que as pressões ascendentes sobre a inflação pareciam mais atenuadas do que semelhavam ser no ano passado, apesar do fortalecimento das condições do mercado de trabalho e do aumento dos custos de insumos para algumas indústrias”

“Muitos participantes sugeriram que ainda não está claro quais ajustes no intervalo de metas para a taxa de fundos federais podem ser apropriados ainda este ano; vários desses participantes argumentaram que o aumento da taxa só seria necessário se os resultados da inflação fossem mais altos do que em suas perspectivas de base. Divresos outros participantes indicaram que, se a economia evoluísse como esperavam, eles considerariam adequado aumentar a meta para a taxa dos fundos federais ainda este ano

Depois alguns leitores reclamam do Mosca ironizando que sempre estou certo, pois, se não cair vai subir. O que diriam do Fed então! Hahaha ...

Fala-se ainda de um aumento de taxa, mas sem mencionar um eventual corte (como o mercado está prevendo para 2020). Um acordo comercial com a China aumentará as chances de mais uma alta neste ano?

“Os gastos das famílias pareciam ter aumentado fortemente no quarto trimestre, já que o crescimento real do PCE foi forte em outubro e novembro. A divulgação do relatório de vendas de varejo para dezembro foi adiada, mas os indicadores disponíveis - como dados de transações com cartão de crédito e cartão de débito e venda de veículos leves - sugeriram que o crescimento dos gastos das famílias permaneceu forte em dezembro

“Quase todos os participantes pensaram que seria desejável anunciar com muita antecedência, um plano para parar de reduzir o estoque de ativos do Federal Reserve ainda este ano. Tal anúncio forneceria mais certeza sobre o processo para completar a normalização do tamanho do balanço do Federal Reserve”.

Como esperado, o Fed está trabalhando num plano para acabar com o objetivo de diminuir seu balanço. A longo prazo, o banco central precisará começar a aumentar novamente o balanço para manter as reservas estáveis. Talvez essa seja o único ponto em concordância.

Uma medida do tom dessa minuta comparada com as anteriores pode ser vista abaixo, ao se contabilizar o número de vezes que as palavras: strong, stronger e strongly foram usadas.




O IPCA – 15 publicado hoje foi de 0,34% ficando em linha com a expectativa de 0,35%. Em 12 meses o indicador segue desacelerando, passando de 3,77% para 3,73%, permanecendo abaixo do centro da meta. Como a tabela a seguir mostra, os preços livres continuam na casa dos 3%, enquanto o índice de difusão ao redor de 55%. Muito mais do mesmo!


Gostaria de apresentar o gráfico a seguir que contém uma informação interessante sobre a evolução mensal do IPCA. Nele está anotado a média mensal esperada cada mês considerando um período longo de 10 anos, as linhas pontilhadas com 1 e 2 desvios padrões, e por último, a inflação mensal de 2018 (azul) e 2019 (vermelho). Notem que a partir do segundo semestre do ano passado, o padrão mensal ficou abaixo da média e dos desvios padrões, e esse comportamento continuou nos dois primeiros deste ano.




O que esse fato pode indicar é que, se esse padrão continuar durante 2019, a inflação poderia ficar bem abaixo da meta, algo como 3% a 3,5%. Essas conjecturas são apenas reflexões, pois não fiz nenhuma projeção. Porém, se esse cenário se confirmar, é muito provável que o BC reduzirá os juros este ano. A confirmar!

No post rumo-ao-monopólio-da-informação, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” ao nível entre 2.800 e 2.830 existe uma alta probabilidade de acontecer uma queda, que levaria o SP500 entre 2.660 e 2.500” ... ...” Não sei se vou me envolver numa venda na região ao redor de 2.800, tudo vai depender do desenrolar nos próximos dias. Mas certamente não ficaria comprado, ou na melhor das hipóteses apertaria bastante o stoploss” ...


A bolsa americana está muito próxima da região que apontei como crítica – 2.800/2.830. No gráfico abaixo destaquei em amarelo essa região. Não vai ser fácil romper, mas caso isso aconteça, as chances de novas máximas históricas se elevam.



Hoje pela manhã, novas notícias que um memorando de acordo estaria sendo preparado entre os negociadores da China e EUA. A evolução desse assunto está animando o mercado em conjunto com o recuo do Fed nas suas intenções de subir o juro. Mas todos nós sabemos que, com um presidente instável como Trump, nada é previsível, e tudo pode mudar rapidamente.

Mas esses fatos para a análise técnica pouco importa, a leitura que obtemos do mercado é que o SP500 vai entrar numa região difícil. Vamos ficar atento para identificar uma possível oportunidade.

O SP500 fechou a 2.744, com queda de 0,35%; o USDBRL a R$ 3,7648, com alta de 1,01%; o EURUSD a 1,1333, sem variação; e o ouro a U$ 1.322, com queda de 1,17%.

Fique ligado!

20 de fevereiro de 2019

Engenharia Financeira



Eu nunca entendi bem porque as pessoas usam o termo engenharia financeira para operações que visam pagar menos impostos. Talvez o nome mais correto devesse ser matemática fiscal. Em todo caso, independentemente desse detalhe, as companhias usam consultores com o objetivo de reduzir os impostos de forma legal (nem todos!).

Essa prática é totalmente aceitável, haja visto que, a legislação tributária, contem falhas que permitem essa estratégia. Isso faz com que, exista uma espécie de competição entre empresas do mesmo setor, ou mesmo empresas do mesmo porte, em busca de lucros maiores. No final da linha, o objetivo é aumentar a rentabilidade para o acionista.

A mídia tem uma influência grande na divulgação dessas “espertezas” no bom sentido. Quando os ganhos são pequenos em montante, ou é generalizado, o impacto nos meios de comunicação é pequeno, agora quando se trata de uma empresa como a Amazon, o buraco é mais embaixo.

O presidente Trump nunca escondeu seu desdém pela gigante do varejo cibernético a Amazon, acusando a empresa de práticas fiscais injustas e violação de leis antitruste. O presidente provavelmente não vai se divertir muito com um novo relatório da empresa, onde relata ter evitado de pagar qualquer imposto de renda federal em 2018 pelo segundo ano consecutivo, apesar de ter registrado bilhões de dólares em lucros.

O gigante atual do varejo, apresentou um sólido lucro líquido de US $ 11,2 bilhões no ano fiscal de 2018, depois de dobrar o resultado do ano anterior de US $ 5,6 bilhões. No entanto, um relatório do Instituto de Tributação e Política Econômica (ITEP) mostra que a empresa não pagou um único centavo em imposto de renda em ambas as ocasiões - ironicamente em grande parte devido à bonança fiscal de Trump de 2017.


Inacreditavelmente, o último registro corporativo da empresa revela que, longe de pagar o imposto de renda regulamentar de 21% exigido pelas novas leis tributárias, o governo federal acabou pagando à Amazon graças a uma série de brechas fiscais.

O ITEP, uma organização que estuda os hábitos de pagamento de impostos por corporações há quase 40 anos, coloca a culpa no Congresso por esse cenário. Os proponentes das novas leis alegavam que uma taxa de imposto menor incentivaria uma melhor cidadania corporativa.

No entanto, o Congresso não conseguiu antecipar uma situação potencialmente complicada depois de não conseguir ampliar a base tributária nem fechar brechas fiscais críticas que permitem às empresas evitar o pagamento de impostos federais sobre quase metade de seus lucros. A Lei Tributária determinou que a alíquota estatutária do imposto sobre as sociedades baixou de 35% para apenas 21%, com a administração Trump e seus aliados do Congresso também lançando novos brindes para uma boa medida, incluindo a despesa imediata de investimentos de capital.

Na verdade, a Amazon não é a única empresa de alto perfil que dominou a arte de praticar a engenharia financeira. No ano passado, a Netflix também se saiu bem, apesar de ter registrado um lucro líquido de US $ 858 milhões, o maior da história da empresa de transmissão de vídeos.

Controvérsias tributárias

A Amazon não é exatamente uma estranha para controvérsias tributárias. No ano passado, a empresa se empenhou em uma pressão agressiva para novos subsídios de realocação para suas novas unidades, em Nova York e na Virgínia, além de incentivos fiscais adicionais para suas operações em Nashville.

A busca da companhia por uma segunda sede foi um evento que acabou em constrangimento para a gigante do varejo, depois que líderes e políticos de Nova York se recusaram publicamente aos enormes incentivos fiscais que a empresa receberia em troca da criação de 25 mil empregos.

O ano de 2018 foi o primeiro ano completo da nova lei fiscal, o que significa que teremos uma noção melhor do quanto as comportas foram abertas depois que a maioria das empresas da Fortune 500 informar seus resultados do quarto trimestre daqui a um mês. Os resultados iniciais sugerem que a Amazon e a Netflix provavelmente não serão as únicas.

É justo uma empresa lucrar e não pagar impostos? À primeira vista a resposta é não, mas a pergunta efetiva que se deve fazer é porque razão ela não paga, existe alguma brecha fiscal ou alguma vantagem para os governantes que não é explícita? Quando menciono vantagem, não quero dizer propina, mas sim a criação de empregos, aumento de faturamento com a arrecadação de impostos diretos ou outros.

Aos olhos da mídia e da população pouco importa os motivos, pois sentem que existe uma injustiça. Porque eles têm que pagar impostos e a Amazon não? Esta demanda é justa.

Ontem recebi uma publicação do Deutsche Bank que apresenta uma situação de elevado desequilíbrio mundial no futuro. A situação demográfica já é um problema em países como o Japão e Alemanha, onde a população idosa vem crescendo de forma desproporcional em relação ao nascimento de bebes. Porém a ilustração a seguir, mostra que esse desequilíbrio será generalizado daqui algumas décadas.


Na minha opinião, e a mesma pode estar enviesada pela minha situação pessoal (conflito de interesses! Hahaha ...), é que o problema reside na estagnação na geração de filhos. Os casais atuais têm uma visão mais pragmática em relação a gerar filhos, que os da minha geração. Mas contra isso não tem como lutar é assim e ponto. O que fica difícil é imaginar o que poderá ocorrer num futuro não tão distante com esse desequilibro. Agregue o fato, do aumento da expectativa de vida. Complicado!

E por último, o próximo gráfico mede a diferença de spread entre os bonds brasileiros e mexicanos. Acima de zero os bonds brasileiros apontam para um risco maior, e inversamente abaixo de zero. Até 2013, os riscos eram semelhantes, depois dessa data, a confusão política local levou essa relação a níveis recordes, com o pico ocorrendo em meados de 2015. Depois retornou ao estado anterior, e só mais recentemente com a eleição de Bolsonaro e a do novo presidente mexicano, Andrés Manuel Obrador, com viés socialista, levou esse diferencial a mínimas históricas. Não é necessário dizer que tipo de governo o mercado prefere.    


No post modelo-do-descapitalismo, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Conforme anotado no gráfico abaixo vou sugerir uma operação de compra de ouro a U$ 1.280, com um stoploss a U$ 1.250. O objetivo seria de U$ 1.350” ...


A pequena retração do metal nesse período levou as cotações a um preço mínimo de U$ 1.302, superior ao limite colocado no trade sugerido. Sendo assim, o trade fica cancelado. Nesse momento a cotação encontra-se em U$ 1.344 muito próximo de um momento crítico. Para explicar meu ponto de vista, vejam o gráfico de longo prazo a seguir.



Fica claro que o ouro está contido dentro de um triângulo (linhas cinza) desde 2012. Não será fácil romper o nível de U$ 1.370. Eu tracei dois cenários possíveis para a alta do metal, em verde e amarelo (só coincidência).

No caso verde, o limite mencionado acima seria testado e rompido. Por essa razão tenho observado que caso haja o rompimento, vou sugerir um trade de compra. Já no caso amarelo, o mesmo nível seria testado, mas em seguida haveria uma retração das cotações, que poderia levar o metal a U$ 1.250.

Existe também, a possibilidade de ao testar U$ 1.370, o ouro retraia e volte a cair mais forte levando a novas mínimas alcançada em 2016 (U$ 1.050). Essea é somente uma observação das possibilidades sem que seja meu cenário base, que é de alta.

Talvez este seja mais um exemplo de que, mesmo tendo uma visão direcional de alta, dada as condições e riscos atuais, o melhor o que se tem a fazer é esperar o mercado nos dizer quando devemos entrar.

O SP500 fechou a 2.784, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,7302, com alta de 0,24%; o EURUSD a 1,1337, sem variação; e o ouro a U$ 1.339, com queda de 0,15%.

Fique ligado!

19 de fevereiro de 2019

Surpresas antigas



As vezes nos surpreendemos com determinadas notícias, mais pelo seu impacto, do que pelo fato em si. Acredito que não seja surpresa para ninguém que, pelo sucesso obtido pelas empresas tipo Uber, que permitem o compartilhamento de veículos, causariam impacto na indústria automobilística.

Entre os mais jovens é nítido o desapego por bens, e o automóvel não é exceção. Na minha casa, entre meus filhos e os da minha esposa, dois de seis não possuem carro. Um percentual de 33% sobre uma amostra grandeeeee! Hahaha ...

Não bastasse eles, eu acabei vendendo meu carro, e ficamos somente com um. É verdade que, com a idade, não se usa tanto o automóvel, mas posso garantir que fiz uma ótima decisão, tanto financeiramente como em termos de comodidade.

Dito isso, e considerando que nós não somos a única família que agiu dessa forma, não seria previsível que a venda de automóveis sofreria uma queda? Pois bem, uma matéria publicada pela Business Insider reporta que os EUA poderiam entrar em recessão por esse motivo.

O mundo está perdendo seu entusiasmo com carros, e isso é um fator que empurra a economia global para a recessão, de acordo com dois economistas do HSBC.

O gráfico abaixo compara os registros de carros novos com às vendas no varejo nos EUA para mostrar esse ponto. A economia dos EUA está indo bem, os compradores mantiveram sua demanda do varejo. Mas não para automóveis:


A demanda por carros está em declínio devido a um maior foco nas políticas ambientais, aumento da urbanização e investimento em alternativas - seja carros sob demanda ou transporte público. Os economistas do HSBC citam também, outra evidência de que os aplicativos de compartilhamento de viagens como o Uber estão reduzindo a demanda por carros.

Não são apenas os EUA, A indústria automobilística na Europa também está encolhendo:

·         A Honda anunciou que fecharia sua fábrica em Swindon, na Inglaterra, com a perda de 3.500 empregos.
·         A Honda também está fechando uma fábrica na Turquia.
·         A General Motors anunciou que estava fechando sete fábricas globalmente em novembro de 2018, com 14.000 empregos perdidos, reduzidos ou movidos.
·         A Ford está cortando operações na Europa com a perda de "milhares" de empregos.
·         A Jaguar Land Rover disse em janeiro que cortaria 5 mil empregos no Reino Unido.

O s economistas do HSBC estão mais preocupados com a redução geral no comércio global e o efeito que teve nas exportações globais. As guerras comerciais - EUA - China e Grã-Bretanha versus a UE - atingiram os fabricantes da forma mais dura, à medida que empresas e consumidores tentam reduzir sua exposição a mercados internacionais incertos. Ao fazê-lo, eles reduziram sua produção agregada total, prejudicando os empregos.

"Grande parte da fraqueza da economia global está concentrada no setor manufatureiro". “Partes do mundo já estão em recessão industrial"

O dano foi irregular. Os EUA e a China ainda estão se saindo relativamente bem graças aos estímulos fiscais de seus respectivos governos. Mas a produção industrial na Europa e no Japão está sofrendo.

"Os índices de surpresa para a zona do euro e a América Latina caíram desde meados de 2018 e as previsões de crescimento para as principais economias foram reduzidas de forma agressiva nos últimos seis meses", diz a nota do HSBC.

"As estimativas de consenso para os EUA e China em 2018 ainda estão completamente inalteradas em relação às previsões de junho, enquanto o resultado do crescimento do PIB alemão em 1,5% ficou 0,9% abaixo da previsão de abril. O Japão ficou 0,7% abaixo e o consenso mais recente para a América Latina é 1,2% abaixo do consenso de meio de ano. "


Grande parte da fraqueza da economia global está concentrada no setor manufatureiro: o PMI industrial global caiu 3,6 % desde o início de 2018, enquanto o PMI de serviços desceu 1,6 %.

O impacto dessa mudança estrutural está ainda no começo, porém parece inexorável sua direção, a diminuição do número de automóveis por residência. Além disso, dentro em breve, será possível instalar um software para os carros autônomos. De cara vai eliminar centenas de milhares de empregos de motorista, utilização full time do veículo, e praticamente eliminar o seguro de automóveis. Isso sim são tempos modernos!

No post parabéns-você, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” podemos considerar que a correção está em curso? Tudo indica que sim, mas é necessário ainda uma confirmação: que os preços caiam abaixo de 93.400, além do nível de 98.500 não seja atingido” ...


O movimento da bolsa na última semana modificou as probabilidades que eu havia associado ao Ibovespa. Traduzindo de forma mais compreensível aos leitores, a correção que eu estava esperando pode ser bem menor da apontada abaixo.


Sendo assim, desconsidere esses objetivos.

- David, que furada! Hahaha ...
É melhor uma furada sem resultado que uma convicção com prejuízo. Não entendo sua alegria, eu sempre digo que me baseio nas informações do mercado, a minha previsão é dependente do que acontece. Se estiver errada vou mudar.

No gráfico a seguir está minha nova premissa, acredito que a bolsa ainda terá uma pequena correção, onde entraremos de novo no mercado a 93.000, com um stoploss a 91.000. Se isso acontecer, acredito que o objetivo anterior de 110 mil poderá ocorrer na sequência.


O que pode ocorrer de errado? Inicialmente o meu objetivo de queda, proposto anteriormente, pode estar em curso. Para tanto, basta a bolsa cair abaixo de 90.000; segundo, o nível de 93.000 não ser atingido e o Ibovespa ultrapassa a marca de 98.500. Na primeira perdemos dinheiro, na segunda talvez entre no rompimento da máxima.

Tudo acertado, só falta combinar com os Russos, ou melhor, com os filhos do Bolsonaro!

O SP500 fechou a 2.779, com alta de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,7227, com queda de 0,33%; o EURUSD a 1,130, com alta de 0,28%; e o ouro a U$ 1.341, com alta de 1,13%.

Fique ligado!

18 de fevereiro de 2019

O remédio perdeu a validade



A resposta dada pelos bancos centrais quando da crise de 2008, foi injetar liquidez no sistema, a fim de evitar a catástrofe maior e tão temida da deflação. A contrapartida foi o aumento da dívida pública para suportar essas ações. Transcorrido algum tempo, as economias mundiais deveriam retornar à situação que prevalecia antes. Esses estímulos têm que ser retirados além dos investimentos efetuados serem produtivos.

Um artigo publicado sobre a produtividade aponta para resultados insatisfatórios sobre esse último ponto.

A desaceleração global tem sido muito discutida ultimamente. Uma desaceleração na Europa e na China foi considerada a principal razão para a queda no mercado de ações de dezembro combinada com o programa de normalização do balanço patrimonial do Federal Reserve. O que está por trás da desaceleração?

Nenhuma resposta satisfatória surgiu, embora os esforços da China para restringir os empréstimos excessivos sejam um candidato natural, além do fato de os bancos centrais terem removido os estímulos. A resposta, no entanto, vai mais fundo na estrutura das economias modernas.

O fracasso dos impulsionadores econômicos do crescimento global, a China, a zona do euro e os EUA, está no centro da não-recuperação.

Matando o espírito

Em junho de 2017, notou-se algo estranho estava acontecendo na economia global. O crescimento da produtividade total dos fatores (TFP) estagnou a partir de 2011. Isso é algo que não deve acontecer em uma economia em crescimento.

A TFP é a medida da parte do crescimento do PIB que muda na qualidade e na quantidade de investimentos, e que a força do trabalho não consegue explicar. Geralmente, acredita-se que seja a medida da mudança tecnológica que impulsiona o crescimento econômico. Se estagnar, significa que a produção não está se tornando mais eficiente. Ou seja, a produção alcançada é apenas a soma do capital e do trabalho. A estagnação, portanto, implica que nossa capacidade de criar inovações produtivas tenha parado. Um presságio sério, e ainda assim é exatamente o que aconteceu desde 2011. Por quê?




Quando a economia global falha, você se volta para seus líderes para buscar culpados. No final de 2017, a China, a área do euro e os Estados Unidos representavam cerca de 51% do PIB mundial. Eles eram os motores indiscutíveis do crescimento global.

Depois da grande crise de 2008, os líderes da Europa, China e Estados Unidos promulgaram medidas excepcionais para “salvar” a economia global. Estes mantinham muitos bancos e empresas insolventes operando, intensificando assim a “zumbificação” da economia global. No entanto, essa recessão também levou a uma queda na taxa de investimento na área do euro e nos EUA (ver Figura abaixo). Sua formação bruta de capital físico caiu vários pontos percentuais e nunca se recuperou.




A formação de capital na China manteve sua taxa (muito alta). Lá, no entanto, o problema é que os investimentos se tornaram cada vez mais improdutivos. O próximo gráfico mostra o crescimento da TFP na China, na área do euro e nos EUA. Isso mostra que desde 2011, a produtividade da China caiu apesar dos altos níveis de investimento. Isso levou a um problema ainda mais intratável, o elevadíssimo endividamento, porque a receita dos investimentos não foi suficiente para pagar a dívida.




A próxima ilustração mostra a dívida privada e governamental combinada junto com o PIB real da China desde 1995. De 1995 a 2007, a dívida total na China cresceu apenas um pouco mais rapidamente do que o PIB, como deveria. No entanto, entre 2008 e 2017, o PIB real da China cresceu cerca de 7,6 trilhões de dólares, mas a dívida privada e governamental cresceu em impressionantes 25 trilhões de dólares. Ou seja, durante esses nove anos, a dívida na China cresceu mais rápido que o PIB em um fator superior a três! Não há paralelos na história moderna, e isso leva a uma conclusão desconfortável.




A economia chinesa tornou-se um esquema Ponzi (*). Não pode se sustentar sem um contínuo aumento gradativo da dívida. Se a dívida para de crescer a economia real cai, e é isso que se vê recentemente.

À primeira vista, se estiver com problemas, você pode querer corrigi-lo.

O fato é que algo está seriamente errado no modelo de governança econômica global que existe desde a Segunda Guerra Mundial. Pode nunca ter funcionado como os macroeconomistas previam que funcionasse, mas claramente não está mais funcionando.

Com base no que aconteceu na economia global, deve-se ter muito cuidado ao pedir mais estímulo. Muito provavelmente não beneficiará a economia real, mas é provável que impulsione os mercados de ativos supervalorizados ainda mais. O fato lamentável é que quando os mercados de ativos vão, a frágil economia global irá com eles. A armadilha foi definida.

Acredito que o enfoque deste trabalho aponta para os graves problemas de crescimento que as economias mundiais estão enfrentando, sem que exista uma política econômica implementada que funcione. O caso clássico neste sentido, é a economia japonesa, que está prestes a completar 30 anos de total estagnação, com crescimento baixo, beirando a deflação, e a maior dívida sobre o PIB dos países desenvolvidos.

Imagino que a política de criar estímulos através do modelo atual deve permanecer em curso. Não vou me surpreender se em breve a China implemente mais um pacote neste sentindo. E como qualquer endividamento que não gera renda, em algum dia o credor vai desconfiar que não vai receber seu dinheiro de volta!

(*) Um esquema Ponzi é uma operação fraudulenta sofisticada de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos ("lucros") aos investidores à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real.

Uma matéria publicada no Jornal Valor comenta a perspectiva de corte na taxa SELIC. Essa é a opinião de alguns economistas de bancos, bem como, está implícita nos contratos de juros. Finalmente, os investidores estão chegando a mesma conclusão que o Mosca. Quem seguiu nossas recomendações de comprar títulos pré-fixados deve estar feliz!

No post burro-de-carga, fiz os seguintes comentários sobre o dólar após ter sido estopado na posição vendida no dólar: ...” a queda foi eliminada? Ainda não, talvez a correção da onda C não começou. No gráfico a seguir tracei uma dessas possibilidades, a de um triângulo em formação, ainda dentro de uma onda B” ... …”além dessas, existem outras também. Para que os leitores não fiquem confusos, é preferível apontar em qual nível, a minha visão se mostra incorreta. Esse patamar corresponde ao intervalo entre R$ 3,97 – R$ 4,00” ...


O gráfico do dólar, nem de longe segue o livro texto de análise gráfica. Confesso que ao avaliar, sempre surge uma nova possibilidade, principalmente nas de longo prazo. Quando isso acontece, a experiência me mostrou que, se deve focar no curto prazo, e não ter uma visão rígida sobre o longo prazo.

No curto prazo mantenho os mesmos parâmetros definidos acima, afinal nada se alterou muito.



No gráfico acima, enfatizei o número de vezes que o dólar ameaçou romper a reta traçada em cinza. Conjugando ambos os fatos, me parece que um objetivo para o dólar de R$ 3,50/R$ 3,55 parece bem razoável. Mas como enfatizei, talvez demore algum tempo até atingir, por volta do início do 2º semestre.

Talvez alguns leitores não entenderam o porquê fomos estopados tão precocemente, ainda tendo uma visão de queda do dólar. A razão tem muito a ver com o risco x retorno, do que a convicção da queda. Como comentei acima, o dólar pode negociar até próximo de R$ 4,00 mesmo sem eliminar esse cenário. Sendo assim, onde eu deveria colocar o stoploss? Se a resposta for R$ 4,00, não estaria disposto a arriscar uma perda de 7% (R$ 4,00 x R$ 3,74) para obter um ganho de 5% (R$ 3,74 x R$ 3,55). Prefiro ficar fora nesses níveis.

Como eu enfatizo, a maior parte do tempo é melhor ficar sem posição. É difícil, uma vez que, no final do dia todo mundo sabe o que teria dado lucro, porém, no começo do dia, ninguém sabe!

Hoje é feriado em Nova York e os todos os mercados do país permaneceram fechados.

O USDBRL fechou a R$ 3,7306, com alta de 0,81%; o EURUSD a 1,3111, com alta de 0,15%; e o ouro a U$ 1.326, com alta de 0,39%.

Fique ligado!

15 de fevereiro de 2019

Até especular virou mal negócio



A palavra especulação é tida pela maioria das pessoas como algo milagroso, basta especular para ganhar dinheiro. Talvez exista uma má interpretação entre informação privilegiada, ou se meter a comprar commodities, a classe de ativo mais volátil.

O primeiro caso, sem dúvida as chances de ganho são grandes, saber por exemplo que uma empresa publicara ótimos resultados, antes do mercado, ´´e como bater pênalti sem goleiro – e tem alguns jogadores que ainda erram! Hahaha .... Já no segundo caso, a aposta feita em antecipação parte de premissas que estão disponíveis para todos, o que muda é o julgamento que esse investidor faz sobre os preços no futuro.

Mas parece que os operadores de commodities não estão conseguindo repetir suas performances do passado. Eles faziam centenas de milhões de dólares em lucros a cada ano e têm um conhecimento inigualável do fluxo de mercadorias vitais em todo o mundo. No entanto, quando as maiores tradings de commodities do mundo saíram em busca de investidores para adquirir suas ações, encontraram poucos compradores.



Parte do problema é que a negociação de commodities, em grande parte dependente de mercados voláteis e gerenciamento de risco sofisticado, é notório por grandes oscilações no lucro. O Vitol Group Ltd., maior operador independente de petróleo do mundo, registrou lucro líquido de quase US $ 2,3 bilhões em 2009, caindo para US $ 837 milhões em 2013 antes de subir para US $ 2 bilhões em 2016 e cair para US $ 1,5 bilhão no ano seguinte.

Os últimos anos têm sido difíceis para os traders com queda nos lucros, dificultando a busca de investidores. Foi exacerbado pelo aumento da concorrência e por uma mudança da tecnologia, que tornou as principais informações de mercado - antes conhecidas apenas por alguns operadores - amplamente disponíveis para todos.

Para os traders de petróleo, uma estrutura de mercado que forneceu dinheiro fácil em 2015 e 2016, a de armazenar petróleo para vender mais tarde a preços mais altos, desapareceu. Os operadores de metais estão apenas começando a melhorar após anos de resultados fracos devido aos preços baixos. Operadores agrícolas ainda estão lutando com colheitas abundantes e uma falta de interrupções climáticas significativas, que reduziram os lucros, e reduziram a volatilidade dos preços que os investidores desejam.

“O setor de comércio de commodities está num caminho que não é sustentável. A margem típica para uma empresa comercial é de cerca de 0,5% do volume de negócios ”, segundo Marco Dunand, CEO da Mercuria Energy Group “A tendência vai continuar. Não é cíclico, é estrutural. Então, podemos precisar ver a consolidação ”.

As tentativas de encontrar investidores minoritários têm sido complicadas, pelo fato de que muitas casas comerciais têm um acionista dominante no controle, deixando qualquer pequeno proprietário com exposição aos riscos do negócio e à volatilidade dos lucros, mas com muito pouco controle sobre a administração da empresa.

A caça por esses investidores minoritários busca uma adequação de capital para essas casas, haja visto que, o lucro abundante do passado, que provia o capital a ser investido, diminuíram consideravelmente, como se nota na figura acima.

Torbjorn Tornqvist, o bilionário que controlava cerca de 64% da gigante de petróleo suíça Gunvor, a partir do ano passado, abordou rivais sobre a venda de uma participação em 2017, mas fracassou.

A Louis Dreyfus, recentemente sinalizou novamente que está aberta para vender uma participação e abrir a empresa para capital externo pela primeira vez desde que foi fundada, há mais de 150 anos. A Louis-Dreyfus buscou investidores em 2015, mas conversas com investidores, não tiveram sucesso.

Apesar do fracasso em encontrar investidores, os traders não estão aceitando a opção de oferta pública inicial (IPO).

"Financeiramente, os traders não estão tendo seu melhor momento no momento", disse Lambert, o consultor. Os únicos compradores estratégicos para participações minoritárias em trading são os investidores chineses e “eles se tornaram mais experientes e querem uma boa medida de controle. Isso faz com que seja um parceiro minoritário bastante exigente ”.

Mas porque toda essa dificuldade vem acontecendo? Acredito que o principal motivo é a queda de volatilidade. Talvez isso seja consequência do acesso as informações por muito mais investidores, o que faz com que o preço “justo” seja alcançado sem surpresas. Como exemplo abaixo se encontra o gráfico da volatilidade do ouro considerado a commodities com mais visibilidade e divulgação. Particularmente, eu acompanho esse ativo por mais de 30 anos, e posso afirmar que as oscilações diárias são menores que as oscilações por hora que prevalecia antes.




Sendo assim, como especular com commodities se os preços não saem do lugar, ou se saem, todo mundo sabe onde deve ir? Lógico que não é 100% do tempo, por exemplo, a queda do petróleo que ocorreu em 2018 foi expressiva. Mas como montar um negócio mirando um único evento?

No post relevâncias-irrelevantes, fiz os seguintes comentários sobre o juro de 10 anos: ...” Ainda acredito que uma pequena alta deve acontecer, talvez não tão elevada como previsto anteriormente, mas pelo menos até 2,80%. Depois disso, uma queda se sucederia levando os juros até o intervalo de 2,5% - 2,3% (em verde), sem, contudo, ameaçar a linha de longo prazo traçada em cinza” ...


Nesta última semana nada de impressionante no juro, o nível está praticamente igual à da semana passada. Mas tenho uma boa notícia, como podem verificar abaixo, um triangulo descendente está se formando – linhas cinza. Nestes casos, o mercado tende a romper para baixo.


Mesmo assim, mantenho a minha ideia que uma alta até o nível de 2,80% ainda deve acontecer. É verdade que, as chances de rompimento de 2,55%, antes de atingir aquele nível, se elevaram. Não tem importância, não vou me impressionar por isso, pois caso seja esse o cenário, vamos vender – aposta de queda, próximo dessa marca.

- David, você não parece diligente com o dinheiro dos leitores. Fala em vender um ativo num nível baixo, da mesma forma que fala em vender esse mesmo ativo, num nível mais alto, sem com isso ficar com remorso!

Não precisa me ensinar que é melhor vender mais caro! Come on! Lógico que prefiro vender mais caro, mas somente se tiver alguma indicação que esse nível é bom para tanto. Caso contrário, prefiro esperar por um rompimento, mesmo que seja em níveis piores. O que você não disse, é que o stoploss nesses casos são bem diferentes, é isso que interessa, quanto podemos perder, e não tentar acertar no bumbum da mosca.


O SP500 fechou a 2.775, com alta de 1,09%; o USDBRL a R$ 3,70, com queda de 0,61%; o EURUSD a 1,1293, sem variação; e o ouro a U$ 1.321, com alta de 0,66%.

Fique ligado!

14 de fevereiro de 2019

Confusão na área



No mês de dezembro vários fatores podem ter afetado a confiança do consumidor americano. Essa situação teve efeito em alguns indicadores que começam a ser divulgados agora, depois da extensa greve ocorrida nos EUA.

Como comentei diversas vezes que, o fantasma da recessão ronda no ar. Acredito que agora, nenhum analista irá negar essa possibilidade, inclusive os que estavam mais otimistas há cerca de um mês, como o Deutsche Bank.

Hoje foi publicado as vendas no varejo para o mês de dezembro, e o resultado foi horrível! Uma queda de 1,2% no índice completo – Headline, e -1,7% no índice que exclui itens mais voláteis como gasolina e alimentos – Control Group, o menor nível desde o ataque de 11/09 em 2001! Embora esse resultado está em contraste com os relatórios publicados sobre o Natal, que foram considerados bastante saudáveis.



Como o consumo representa 70% do PIB americano, esse resultado terá impacto sobre esse indicador, a ser publicado proximamente. Agora se espera um nível um pouco acima de 1%.

O Deutsche Bank, que tem agora uma visão bem mais cautelosa, levanta a dúvida se esses resultados que estão desacelerando, são motivados por fatores temporários (guerra comercial, fechamento do governo em dezembro e janeiro, incerteza do Brexit, queda do mercado acionário em dezembro), ou fatores mais permanentes (enfraquecimento do efeito positivo do corte de impostos, alta dos juros pelo Fed apresentando seus efeitos, e declínio proveniente do termino de ciclo econômico, na compra de carros e casas, que acarreta elevação das taxas de inadimplência para os consumidores).


Não há um indicador único que possa prever ou determinar uma recessão, embora alguns possam chegar perto disso, mas aqui estão alguns dos principais indicadores, e o que eles estão mostrando agora:


Diferença dos juros curtos x longos


Este pode ser o sinal de mercado mais acompanhado de uma desaceleração. O Fed de Nova York tem um rastreador de probabilidade de recessão baseado no spread médio mensal entre os rendimentos dos bonds de três meses e de 10 anos. A leitura mais recente mostrou a chance de uma recessão em 23 % para os próximos 12 meses, a maior desde a leitura do ano até julho de 2008. Leituras abaixo de 50% não são necessariamente seguras: o índice não está no topo desde o início dos anos 80, embora já tenham ocorrido três recessões.



Sentimento do consumidor


O investidor Jeffrey Gundlach disse no mês passado que o crescente distanciamento entre o sentimento do consumidor sobre a situação atual e as expectativas é o "sinal mais recessivo no momento". Enquanto isso, uma medida do sentimento das pequenas empresas perdeu o terreno, desde a eleição do presidente Donald Trump. É claro que as medidas de confiança caem durante as desacelerações, embora a extensão com que tais pesquisas possam realmente prever uma recessão seja discutível.





Pesquisas da Indústria


O mesmo vale para pesquisas mensais da Indústria e outras empresas realizadas pelo ISM, e cinco bancos do Federal Reserve. Estes tendem a ser voláteis de mês para mês, embora todos os indicadores da Indústria produzido pelo Fed caíram juntos em dezembro pela primeira vez desde maio de 2016. O índice nacional do ISM atingiu um mínimo de dois anos (recuperou algum terreno em janeiro). Uma fraqueza ainda maior nos medidores indicaria que o setor está caindo, embora isso não signifique necessariamente que toda a economia esteja com problemas.





Crescimento Global


Com a desaceleração do crescimento global levando o Fed a fazer uma pausa nos aumentos das taxas de juros, os analistas da Goldman Sachs. apresentaram uma maneira útil de calcular o quanto a desaceleração mundial afeta a economia dos EUA. Eles dizem que, para cada declínio de 1 % no crescimento fora dos EUA, a expansão americana é reduzida em cerca de 0,5%. Os economistas atualmente calculam uma chance de 14% de uma recessão nos EUA no próximo ano; que sobe para 46% com um declínio de 3 % no crescimento global, de acordo com um relatório recente.




Dados Reais


Em última análise, qualquer evidência de uma recessão virá nos principais indicadores da economia dos EUA, incluindo emprego, renda e horas trabalhadas; vendas; e, claro, o produto interno bruto. Esses são alguns dos números analisados pelo Departamento Nacional de Pesquisas Econômicas, o árbitro das datas de início, e término das recessões nos EUA. Até agora, esses números não estão perto de piscar vermelho, mas quando o fizerem, provavelmente será tarde demais para qualquer previsão de recessão.

Confuso? Vocês não são os únicos, todo o mercado também está. Por mais que os analistas busquem descobrir com antecedência se uma recessão está batendo na porta, não conseguem. Sempre alguns desses analistas irão anunciar que estão seguros que uma desaceleração acontecerá em “x” meses. Passado esse período, se realmente acontecer, serão lembrados pela imprensa, como o economista que previu a recessão corretamente. Não se iludam, foi puro chute. Lógico, baseado em seus modelos, que só funcionaram nesse caso.

No post do-lado-errado-do-hemisfério, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” No curto prazo, a situação do euro continua bastante indefinida. Imagino que ainda existe a possibilidade de queda para níveis ao redor de € 1,06, porém, não saberia dizer se já estamos no caminho ou ainda uma pequena alta deve ocorrer” ... ...” Na primeira hipótese, o euro deveria subir até € 1,17 - € 1,185 (é possível que a alta se estenda até € 1,20), para em seguida voltar a cair – em verde; na outra em vermelho, a queda já estaria em curso” ...


Passados duas semanas de nossa atualização, nada de muito diferente aconteceu. Em relação ao que fazer, comentei: ...” mas como se posicionar? Fixaria os níveis de € 1,12 e € 1,155 como delimitadores entre elas, ou seja, acima de € 1,155 vale o verde, abaixo de € 1,12 o vermelho” ... com as cotações mais próximas do último intervalo, as chances são maiores de queda.


Como apontado no gráfico acima, um triangulo descendente está se formando, e nessas situações o mais provável é o rompimento para baixo.

David, então vende!
Escute, esperamos até agora, pacientemente, porque se precipitar faltando tão pouco para a confirmação? Verifique o gráfico nesse período, tenho certeza que em diversos momentos poderia se envolver tanto na compra como na venda, e o resultado teria sido frustrante.  Vamos aguardar!

O SP500 fechou a 2.745, com queda de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,7232, com queda de 0,83%; o EURUSD a 1,1293, com alta de 0,25%; e o ouro a U$1.312, com alta de 0,53%.

Fique ligado!