Inflação: A Revanche

29 de novembro de 2016

"Tutti buona gente"


Hoje a foto do post é uma lembrança a tragédia que ocorreu com o avião que levava a equipe de futebol do Chapecoense, para a disputar a final da Copa Sul Americana. Vou transcrever um texto que circulou hoje pelas redes sócias de Artur Crispin ... ” Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos para Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo Chapecoense”... ...” A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja”...

Quando eu era criança, lembro-me de ouvir diversas vezes uma frase que se referia aos italianos, “Tutti buona gente”. Mesmo sem conhecer a língua italiana é fácil imaginar o seu significado. Acredito que isso seja decorrente de que eles eram a maior colônia estrangeira, depois dos portugueses, que vivia no Brasil. Para quem conhece a Itália sabe que é um país sui generis: as pessoas não conversam, discutem, pelo menos no meu padrão de entendimento; cheio de história por todos os cantos; líder na moda e tudo que envolva design; e dono da marca mais desejada de automóvel, a Ferrari; sem falar na sua cozinha repleta de pratos deliciosos.

Entretanto, desde que a Itália aderiu ao euro no final dos anos 90 tudo começou a mudar. Anteriromente, com uma moeda sempre desvalorizada, a lira italiana, e sem os males da globalização, conseguia financiar seu déficit público pagando taxas elevadas comparadas aos padrões internacionais. Eu me recordo de títulos de bancos que rendiam 9% a.a., enquanto um alemão rendia 3% a.a. Bons tempos! Depois de se juntar a unidade europeia, a realidade veio à tona com uma mão de obra ineficiente, um povo que se sentava para almoços de mais de 2 horas com direito a vinho, sua produtividade entrou em colapso e, pouco a pouco, foi perdendo suas vantagens comparativas.

Semana que vem, esse país passa por um teste importante. O momento é propício para mudanças, pois depois do choque vindos do Brexit e da vitória de Trump a ordem parece voltada para a continuidade de más notícias. A pesquisa mais preocupante para o Primeiro Ministro Matteo Renzi revelou que apenas 40% pretende votar no pacote de reforma, enquanto 56% consideram votar contra, sugerindo sua substituição por um grupo de ante euros iconoclastas do espectro Brexit/Trump.

Com uma taxa de desemprego de 11%; sendo que desses, 40% são jovens que constituíram a maior parte dos 107.000 que deixaram o país no ano passado para procurar emprego em outro país. As consequências do crash financeiro dão conta que aproximadamente ¼ da indústria foi destruída. A renda familiar agora é menor que em 2007.

Renzi tentou virar o jogo, uma vez que seu apoio forte para as reformas constitucionais caiu. Numa tentativa de seduzir o eleitorado cada vez mais eurocéptico, começou a falar duro, abandonando os objetivos de austeridade e ameaçando vetar o orçamento da Unidade Europeia. Os mercados tornaram-se decididamente desconfortáveis frente à perspectiva da Itália tornar-se o próximo país a obter um choque sísmico em suas pesquisas. O gráfico a seguir já mostra bem o distanciamento dos títulos do governo italiano versus o alemão.


Mas isso não se tornou um fato exclusivo à Itália, a diferença também é vista em títulos de outros países, inclusive a França, é verdade, com menor intensidade.


O movimento recente é de alta de juros, empurrado pela evolução dos títulos americanos. Porém, isso não aconteceu como os títulos da Alemanha em que a cada dia suas taxas ficam mais negativas.


Em agosto de 2011, um dos primeiros posts que publiquei quando-unica-solucao-é-o-divorcio, já externava meu ceticismo em relação moeda única. Passados mais de 5 anos, a situação ainda perdura, porém, as chances de uma ruptura parecem mais elevadas agora. Como uma camisa de força, os países mais fracos precisam de uma moeda mais desvalorizada para tornarem-se mais competitivos em termos de troca, e isso vem acontecendo ultimamente, basta ver a reação dos mercados pelo resultado do Brexit e Trump.



Quando isso acontece, é bom para todos os países da Europa, mas é ótimo para a Alemanha. O gráfico a seguir não deixa dúvidas da importância das exportações nesse país. Mas tudo isso não é uma situação de equilíbrio, pois a desvalorização da moeda única só tem efeitos fora da Europa e como a maior parte do comércio é realiza entre os seus membros, seria necessárias duas moedas pelo menos: o EUROGER e o EUROREST. A primeira, da Alemanha; a segunda, do resto!


O assunto técnico hoje não poderia ser diferente, a moeda única. No post europa-bola-da-vez, fiz os seguintes comentários: ...” É notório que a moeda única está “tentando” romper o intervalo inferior, porém sempre que se aproximou, surgiu alguma coisa que fez com que o mercado retrocedesse. Nesta nova tentativa, imagino que o mercado já esteja bem posicionado e precisa de um fato para romper a linha”...


Desde então, pouca coisa mudou e o euro se encontra agora levemente acima daquele dia a 1,0595. Como mencionei acima, o mercado precisa de algum fato para que possa romper a marca do 1,05, e esse fato poderá ser o resultado do referendum no próximo domingo. Acho pouco provável que exista alguém apostando que o resultado será positivo desta vez, porque as pesquisas já apontam para esse resultado e, principalmente, duvido que o mercado seja pego de calça curta pela terceira vez!


Apontei acima duas hipóteses para o termino da correção do euro:

1.       Verde – Antes de começar, aproveito para parabenizar os Palmeirenses pela conquista do brasileirão; foi merecido. Com o desfalque de Gabriel Jesus e do técnico Cuca para a próxima temporada, enfrentará a dificuldade de todos os times brasileiros. O Estadão publicou hoje uma estatística com a quantidade de jogadores brasileiros que jogam no exterior, são 469 no total sendo que 114 deles estão nos Top-5.
                                                                                                              
      Se a correção tiver um formato de triângulo, ainda estaria faltando um movimento de alta. Como demandaria certo tempo, só imagino isso acontecendo caso a euforia pós Trump mude repentinamente.

2.       Rosa – A correção teria terminado e já estamos no movimento impulsivo de queda que levaria o euro a 1,00 ou menos.

Depois de 20 meses num movimento de correção parece que o mais provável seja a alternativa 1. Você poderia se perguntar por qual razão o Mosca não embarca na venda e, “vamos que vamos”. Prefiro aguardar ou o rompimento ou uma recuperação para vender em níveis melhores. Talvez esteja sendo muito conservador, mas não se pode esquecer que no espaço de 3 semanas a moeda única caiu quase 7%.

O Sp500 fechou a 2.204, com alta de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,3975, com alta de 0,39%; o EURUSD a 1,0649, com alta de 0,32%; e o ouro a US$ 1.188, com baixa de 0,42%.
Fique ligado!

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