Inflação: A Revanche

21 de novembro de 2016

2017 será pior que 2016?


Quem acha que 2016 foi um ano difícil com muitas surpresas inesperadas, que espere 2017. Depois da vitória de Trump, que sucedeu a votação do Brexit, tenho a convicção de que o mercado não vai mais acreditar nas pesquisas, por mais que esses eventos tenham sido pontos fora da curva, pois os investidores não vão pagar para ver.

Sabemos que os partidos de direita estão ganhando a preferência dos eleitores ao redor do mundo; pois quanto mais sucessos acontecem, mais ganham força. Gerando, consequentemente, um círculo virtuoso para quem os apoia.

A Europa encontra-se sob questionamento e vários países já demostram muita insatisfação por motivos semelhantes ao que levaram os americanos a optar pelo candidato mais à direita. A figura a seguir apresenta um cronograma dos principais eventos políticos nos próximos meses; e não são poucos. O primeiro será o referendum na Itália neste dezembro.


O projeto da união europeia compreende vários pontos, dentre os quais a utilização de uma moeda única, onde os países se comprometeram a limites em seus déficits públicos. A opção pela moeda única mostrou-se inadequada, enquanto uma Alemanha com níveis elevados de produtividade indicaria uma taxa do euro mais valorizada. Os países do Club Med não tiveram a mesma performance, e para compensar precisam de um euro mais desvalorizado. Em 2012, para evitar uma crise bancária importante, o BCE pendeu suas decisões na direção de proteger os países do Club Med; o que acabou beneficiando ainda mais a Alemanha.

Tudo indica que uma dissolução da moeda única seria boa para todos, de um ponto de vista teórico, porque de um ponto de vista prático traria uma série de inconvenientes. Primeiro, exigiria um cuidado especial para não quebrar de vez os países mais fracos: Grécia, Itália, Portugal. A França ficaria numa situação delicada também. Partindo do ponto de vista político, no qual todos sabem que franceses e alemães não se bicam, tal divórcio acirraria essa disputa de séculos.

Outro fator fundamental é que o Trump pode se dar ao luxo de acelerar com projetos de infraestrutura, aumentando o déficit público, sendo possível porque o dólar é considerado a moeda de troca universal. Imagina se a Itália resolvesse fazer o mesmo, quem compraria suas liras? Ou mesmo o franco francês? Em um mundo com pouco crescimento não é recomendável mudanças dessa magnitude.

A figura abaixo mostra as principais medidas que o futuro Presidente americano disse que pretende implantar. Confuso? Talvez para nós que temos uma cabeça mais organizada, mas para pessoas como Trump tudo isso parece fazer muito sentido!


O gráfico a seguir apresenta a evolução do PIB Chinês com suas contribuições por categoria. Notem que o consumo interno tem sido o motor principal, os investimentos decresceram substancialmente nos últimos anos e as exportações liquidas atuam como fator negativo. Ou seja, a China importa mais que exporta.


Sob essa ótica, uma retaliação dos EUA com alíquotas maiores de importação terão um impacto na China, mas não parece ser mortal. Não se pode esquecer que eles, os chineses, poderão fazer o mesmo em relação as suas importações, o que poderia dar início a uma guerra comercial nada agradável. Para vocês terem ideia do impacto num Iphone, a ilustração a seguir demonstra como é composto o custo atualmente desse produto fabricado na China, e qual o aumento de custo caso fosse fabricado no EUA. A dúvida seria: quem pagaria a conta, os consumidores ou os acionistas da Apple?

Minhas análises desse final de semana apontaram uma tendência generalizada de fortalecimento do dólar, com especial ênfase ao euro. No post longos-60-dias, coloquei uma possibilidade de recuperação em curto prazo, antes da moeda única buscar romper o limite inferior de 1,055. Entretanto, esse será o assunto de amanhã. Hoje comentarei o dólar contra o real.

No post trump-trump-trump, fiz os seguintes comentários: ...” sugeri compra de dólar a R$ 3,36, mas não chegou a negociar nesse nível, a mínima foi R$ 3,387. Atualmente se encontra a R$ 3,44 e o nível de R$ 3,50 é muito importante. Caso esse último seja rompido, cálculo que, irá tingir R$ 3,65. Não vejo nenhum trade para sugerir agora, a não ser o mesmo da sexta-feira, compra a R$ 3,36 com stop a R$ 3,26” ... E hoje o dólar atingiu esse patamar. Eu orientei para que o volume fosse adequado ao nível maior de stoploss, assim considerarei como ½ trade.


O objetivo será entre R$ 3,60 – R$ 3,75 a ser definido melhor mais à frente. Caso o que estou esperando aconteça, ficarei bastante confiante numa alta mais consistente do dólar no longo prazo. Posso adiantar que o nível de R$ 4,25 será testado novamente, seria uma alta expressiva superior a 25%! Mas, é fundamental que o nível de R$ 3,26 não seja tocado; não que isso elimine completamente minha expectativa.

Em contrapartida, os outros indicadores que acompanho não indicam ainda um quadro claro de alta do dólar contra o real, somente após ultrapassar os R$ 3,50.

Se você achava que só no Brasil existe manifestações contra o Presidente, veja a foto a seguir na Coréia do Sul.



A Presidente Park Geun-hye é primeira mulher a ocupar esse cargo na Coréia do Sul. O que aconteceu por lá envolveu uma “amiga” sua, Choi Soon-sil, que foi acusada de interferir com negócios do estado, extorquindo dezenas de milhões de dólares de empresários. A Lava jato poderia se tornar uma multinacional com sucursais em diversos países, quem sabe um novo ramo de negócios? Hahaha ...

O SP500 fechou a 2.198, com alta de 0,75%; o USDBRL a R$ 3,3511, com queda de 0,93%; o EURUSD a 1,0627, com alta de 0,40%; e o ouro a US$ 1.214, com alta de 0,50%.
Fique ligado

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