Inflação: A Revanche

10 de novembro de 2016

Tiroteio desenfreado


Passadas 24 horas do choque ocasionado pela vitória de Trump, a calma começa a reinar nos mercados. Ao invés de reagir intempestivamente, os analistas começam a raciocinar quais áreas se beneficiarão do novo Presidente e quais serão prejudicadas. Porém, mesmo essas análises estão sujeitas a erros como a história revela.

Em investimentos, não importa o que acontece e sim como que um evento difere daquilo que as pessoas estavam esperando. Sem falar que a melhor maneira de cometer erros é afirmar que algo “obviamente” claro irá acontecer.

Era “obvio” que o Presidente Obama iria colocar novas regras para os planos de saúde, e ele o fez, mas as ações desse setor acabaram perfomando pior que o restante do mercado.

O Presidente George W. Bush “obviamente” iria aumentar os gastos militares – mas as ações desse setor caíram 19% em 2001 e aproximadamente 7% em 2002.

E o Presidente Franklin D. Roosevelt iria “obviamente” ser ruim para Wall Street. No dia seguinte das eleições, o índice Dow Jones caiu 4,5%, porém, entre fevereiro e agosto de 1933, a bolsa subiu 186%! O motivo desta alta foi que o mercado se convenceu que a depressão tinha acabado, o que era inesperado no momento da posse de Roosevelt. O interessante é que o mercado errou novamente em sua expectativa, uma vez que a economia sofreu nos anos seguintes, culminando com uma queda de 35% em 1937.

Para ter sucesso em investimento de longo prazo, é necessário autocontrole.

Então o mercado vê “claramente” quais seriam as ações de Trump? Um dos argumentos de sua campanha é trazer de volta as fábricas para os EUA. Uma tentativa de induzir os empresários a esse movimento seria impor barreiras alfandegárias a seus parceiros. O gráfico a seguir não deixa dúvidas quais seriam os países mais afetados.


Além do México, outra região fortemente afetada seria a Ásia, especialmente a China, que poderia usar a opção de desvalorizar sua moeda a fim de combater a ação americana, Entretanto, como mencionei recentemente, isso colocaria em risco suas reservas que já apresenta um fluxo negativo de saídas. Tenho muitas dúvidas se a imposição de tarifas acarretaria nesse movimento – volta das fábricas aos EUA, pois os empresários sabem que realocações de fábricas motivadas por benefícios (ou imposições) tarifários podem mudar do dia para noite. O mais provável é que tenha apenas um impacto na inflação americana.

Outro ponto que acabou levando a uma “clara” conclusão do mercado seria que o novo governo não interferiria na decisão do FED. As apostas do mercado foram no sentido de projetar inflações mais elevadas com impacto mais forte nos títulos de longo prazo, assunto do post de ontem usexit. Agora, espera-se 3 aumentos de juros ao longo de 2017. Os contratos de swap projetam hoje uma taxa de 1,02% a.a. no período de 2 anos, comparado a 0,82% a.a. no final da semana passada.


A probabilidade de elevação já em dezembro encontra-se em 82%, e dificilmente o FED não irá corroborar com o mercado. Na reunião de 14 de dezembro, a projeção dos juros pelos participantes do comitê, conhecido como dots, será a informação mais importante a ser divulgada pela autoridade monetária.

É provável que os mercados façam suas apostas de acordo com as intenções declaradas pelo novo Presidente. Mas, como frisei ontem e com os exemplos apontados acima, ninguém sabe, nem o próprio Trump, se ele conseguirá implantar o que deseja. Assim, recomendo cautela e o uso da análise técnica para dirigir os trades.

No post escravidâo-remunerada, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” um trade oportunista de venda é vislumbrado em breve desde que, o nível de US$ 1.375 não seja ultrapassado. Quero enfatizar que será um trade oportunista pois minha visão de longo prazo ainda é de alta para o ouro” ...


E hoje decidi entrar numa posição de venda de ouro a US$ 1.287, com um stoploss a US$ 1.305, com um objetivo ao redor de US$ 1.200.

 
Desde julho, o Mosca vem advogando que um período de correção era vislumbrado para o ouro. Vim pacientemente acompanhando. O ouro está traçando uma correção complexa, por isso vou omitir a nomenclatura técnica a fim de não confundir. Por outro lado, para quem acompanha o Mosca assiduamente já deve ter decorado que correções são muito difíceis de prever, tanto seu movimento como sua extensão.

Se eu estiver certo - que depois dessa correção o ouro iniciará um novo ciclo de alta, e para quem gosta de usar a imaginação do que poderá acontecer com Trump na Presidência, esse caso é um prato cheio. Eu prefiro me ater aos gráficos ao invés de fazer um exercício de futurologia.

A nossa posição de dólar foi estopada hoje a R$ 3,26, acarretando um prejuízo de 2,33%. Nesse resultado, foram considerados os juros positivos do real nos cálculos. No post pt-perde-de-goleada, externei minhas dúvidas sobre essa posição: ...” Do ponto de vista técnico, não estava esperando esse último movimento. Respondendo diretamente a sua questão, pode ser que a queda esperada a R$ 2,90 não aconteça, e o que estamos presenciando seria reversão do dólar” .... Mesmo assim resolvi continuar com a posição, pois só depois de romper o nível de R$ 3,26, o risco de ficar vendido no dólar aumentaria.

Complementei meu raciocínio no caso de uma alta: ...” Se por acaso formos estopados, eu anotei acima também os níveis que passam a ter importância, primeiro R$ 3,35 que se ultrapassado é a primeira indicação de possível mudança” ... Essa marca foi atingida hoje e até ultrapassada, mas esse assunto fica para os comentários de amanhã.

O SP500 fechou a 2.167, com alta de 0,20%; o USDBRL a R$ 3,3850, com alta de 5,26%; o EURUSD a 1,894, com queda de 01,4%; e o ouro a US$ 1.259, com queda de 1,45%.
Fique ligado!

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