Inflação: A Revanche

8 de novembro de 2016

Desafiando o Mosca


Quem acompanha o Mosca nesses últimos 5 anos sabe dos inúmeros posts que publiquei alertando para o excesso de liquidez que o mundo vive. Tudo começou com os helicópteros do Bernanke que foram copiados por outros bancos centrais ocidentais: Europa, Japão, Inglaterra, Suíça; entre outros. Embora boa parte desses programas tenha terminado, seus efeitos continuam, uma vez que, a liquidez injetada permanece no sistema. Esses excessos de recursos geram distorções e especulações em diversos mercados, sendo os mais intuitivos os mercados de bolsa e títulos.

Já vi de tudo nos meus mais de 40 anos no ramo. Ou melhor, achava que havia visto até que uma matéria do Wall Street Journal chamou minha atenção. Seu título é, sui generis, “especuladores cheiram lucros no mercado Chinês de alho”. O gráfico abaixo não deixa dúvidas que o preço em yuans dobrou em um ano.


Ao ler a matéria, conheci os argumentos para tamanha explosão nos preços, sendo o principal motivo a queda na oferta. Tanto os produtores como um número de especuladores estocaram o produto para posterior venda. A título de informação, 80% da produção chinesa são exportadas, tendo como maior consumidor os americanos. Tanto o alho como vários outros produtos agrícolas chineses são atraídos por especuladores porque a colheita é feita uma vez por ano e depois vendida lentamente até a próxima safra.

Faz 5 anos que eu ínsito, ad nauseam, que dinheiro não é capim; mas nos dias de hoje parece que é. Tamanha distorção, oriunda de políticas monetárias desesperadas para que os países não entrassem numa depressão, está gerando divergências em diversos segmentos da sociedade, com consequências imprevisíveis. Historicamente, situações onde foi injetado muita liquidez numa economia, a moeda tende a perder seu valor intrínseco no tempo, originado pelo aumento da inflação. Como agora são vários países agindo da mesma forma e como uma moeda sempre se desvaloriza em relação a outra, qual será a perdedora?

Por esta e outras razões analistas tem sugerido a compra de ouro como um refúgio de valor. Será que algum dia vou sugerir a compra de alho? Hahaha ...

Ontem, comentei que seriam publicados alguns dados da economia chinesa: a balança comercial ainda apresentou saldo expressivo de aproximadamente US$ 50 bilhões no mês de outubro, em virtude de uma queda das importações de 1,4% e das exportações 7,3%. Uma boa parte da explicação é por conta da desvalorização do Yuan de 9% desde agosto de 2015, entretanto os analistas consideram que é necessário que o yuan se deprecie mais a fim de aumentar as exportações.


Em relação às reservas, os dados de setembro apontam para uma queda de US$ 45,7 bilhões; um resultado maior que o esperado pelos analistas. Porém, o gráfico abaixo ajuda até entender a matéria acima, pois os residentes chineses estão mandando para o exterior quantias cada vez maiores (vermelho); e as entradas na verdade são saídas (azul marinho).


As reservas ainda são enormes US$ 3,1 trilhões e por enquanto não apresentam a menor ameaça. Contudo, um fluxo cambial gerado por expectativa de desvalorização pode criar um ciclo vicioso que num determinado momento obriga o banco central a agir. Esse é o risco monetário que a China poderá enfrentar se a população chinesa se convencer que o yuan vai perder valor. Outro mercado onde os chineses estão participando ativamente é o Bitcoin


Uma ilustração bastante interessante preparada pelo professor Branko Milanovic conclui quem os maiores beneficiários da globalização são: a classe média asiática e os 1% mais ricos dos países ocidentais. Um resultado lógico, pois a produção foi transferida para a Ásia.


Ontem os mercados reagiram à possibilidade de vitória da Hillary, porém, hoje que é o dia da eleição, vão querer a certeza. Assim, é de se esperar pouco volume de negociação até que o resultado seja anunciado ou uma evidência se concretize; se é que teremos essa informação hoje. A Bovespa não poderia ser diferente, ontem acompanhou a alta das bolsas do exterior.

A janela abaixo espelha as cotações com suas variações das principais moedas que acompanho. Isso aconteceu na parte da manhã. Praticamente nada!


No post de-dedos-cruzados, alertei para a resistência que se visionava a 66.000: ...” Minha sugestão é vender metade da posição nesse nível e elevar o stoploss para o nível de 62.500, valendo para o restante ou para posição inteira” .... Depois disso fomos stopados.


O Bovespa encontra-se negociando a 63.300, muito próximo da máxima de 65.200. O que fazer? Nada! Neste momento não consigo saber se a correção já terminou ou se terá novas baixas nos próximos dias. Não arrisco nenhum palpite, pois, se por um lado esse índice já subiu muito nesse ano e seria esperada uma correção maior, os dados de momentum continuam muito bons; o melhor de todos que acompanho. Já na queda, pelo último motivo exposto, acho arriscado se enveredar por esse caminho.

Para não deixar vocês sem parâmetro, apontei dois níveis de observação: primeiro, se o índice ultrapassar 65.200 de uma forma consistente, vamos comprar, com as ressalvas que explicarei se acabar acontecendo; segundo, uma queda abaixo de 61.500, onde a correção ganha mais credibilidade. Será necessário avaliar se é uma correção pequena, média ou grande. I’m sorry, mas é isso que posso antecipar, mas uma coisa é clara: o Mosca quer comprar!

O SP500 fechou a  2.139, com alta de 0,38%; o USDBRL a R$ 3,1680, com queda de 1,02%; o EURUSD a 1,1019, com queda de 0,18%; e o ouro a US$ 1.275, com queda de 0,45%.
Fique ligado!

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