Inflação: A Revanche

22 de novembro de 2016

Europa: A bola da vez


Todos esperam ansiosamente a posse de Trump na Presidência dos EUA, a fim de verificar o que realmente essa figura enigmática pretende fazer. Nestes últimos dias ele é o protagonista da maioria dos comentários, que buscam decifrar através da escolha de sua equipe e de suas ações, o que se poderá esperar.

Na minha visão, cada dia que passa, torno-me mais propenso a acreditar que vai fazer o que propôs em sua campanha. Por exemplo, ontem se encontrou com a imprensa numa reunião off records e desceu o sarrafo nos principais executivos, como se diz em linguagem coloquial. Nesse encontro estavam presentes chefes da CNN, NBC, CBS e FOX. ...” Nós estamos numa sala de mentirosos, a desonesta enganadora mídia que divulgou tudo errado” .... Para não deixar dúvidas, estendeu a todos esses adjetivos. Em especial a CNN, ao se dirigir para seu Presidente, Jeff Zucker, ...”Eu odeio sua cadeia de notícias, todo mundo na CNN é um mentiroso, e você deveria se envergonhar” ...

Este será o Presidente da maior economia do planeta e como eu já havia mencionado, não aceita nada que contrarie suas ideias ou objetivos. Por outro lado, os americanos são muito democráticos e presam sua liberdade de expressão. Não estou nada otimista, pois ao invés de unir, deverá dividir ainda mais os americanos. Antevejo muitas dificuldades e batalhas em sua gestão. É capaz de não haver o período de lua de mel que cada Presidente passa ao assumir e, nesse caso, começa com uma separação litigiosa!

Um detalhe interessante que passa desapercebido das notícias, no dia 14 último, na bolsa americana NYSE, mais de 300 ações atingiram preço recorde no período de um ano, enquanto outras 300 ações atingiram o preço mínimo no mesmo período. Isso nunca havia acontecido antes. Indecisão!  

Como postei ontem, nos próximos meses vários eventos importantes estarão acontecendo na Europa. Começando com o referendo na Itália em dezembro, considerado a mais importante do país desde a Segunda Guerra Mundial.  A proposta visa reduzir poderes do Senado e número de parlamentares a fim de aumentar a estabilidade política. Críticos alegam, porém, que a medida remove pesos e contrapesos fundamentais da democracia no país. E o povo italiano votará “sim” ou “não” a esse projeto.

O gráfico a seguir mede a diferença de juros entre os títulos italianos e espanhóis. O mesmo está no seus maiores níveis, como reflexo das pesquisas indicando que o “não” poderá vencer. O Primeiro Ministro italiano, Matteo Renzi, que propôs o referendo, disse que renunciará caso isso aconteça.


Os bancos italianos são outra área de grande preocupação, pois a saúde das maiores instituições financeiras é altamente questionável. Enquanto as bolsas ao redor do mundo surfam a onda de otimismo que eclodiu após a eleição de Trump, o setor bancário italiano vai em sentido contrário.

 
No restante da Europa, a Alemanha continua dando o ritmo para a região. No gráfico a seguir nota-se um movimento de elevação da inflação que se propaga aos outros membros da comunidade.


Esse movimento alterou profundamente a expectativa que havia no Continente. Alguns meses atrás, falava-se em novos cortes de juros, que já estão negativos, e a dúvida era quando seria implementada pelo BCE; agora o mercado espera alta dos juros conforme o gráfico a seguir.

 
Dado todo este cenário de instabilidade na Europa, a França passa a ser a peça principal; não que a Itália também não o seja, mas se os franceses resolverem tender para a direita, a Alemanha ficará numa situação bastante desconfortável enquanto maior economia do euro, composta apenas de países que dependem dela para sobreviver. Ainda é cedo para especular quem é o favorito nas próximas eleições presidenciais na França, que ocorrerá no final de abril.  O gráfico abaixo apresentando a probabilidade dos candidatos, e a candidata de direita, Le Pen, está bem próximo do candidato Juppé.
Considerando o mapa apresentado ontem no post, se pode dizer que a Europa é a bola da vez!

No post longos-60-dias, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” Parece que em breve o nível de 1,05 – 1,055 será testado e, se rompido, abrirá as portas para novas quedas, rumo a paridade” ... ...” Existe uma possibilidade ainda remota de uma última alta que poderia atingir até o nível de 1,12. Se eu vendesse agora e esse cenário ocorrer, seria seguramente stopado. Minha estratégia neste momento é aguardar uma das duas hipóteses traçadas acima: 1) Venda no rompimento do nível de 1,05; ou 2) Venda quando dessa eventual recuperação. Não esqueça que ainda estamos numa correção, e somente se pode anunciar o nascimento de um novo movimento impulsivo abaixo de 1,05”


Na última sexta-feira, o euro estava próximo da zona de “perigo” ao atingir a mínima de 1,0567. Desde então, teve uma pequena recuperação e encontra-se agora a 1,0620. No gráfico abaixo fiz algumas observações que merecem destaque.


Notem que dentro do intervalo contido entre as linhas rosa e verde, tracei uma linha cinza que divide ao meio. Nesses 20 meses, o euro esteve mais tempo na parte superior que na parte inferior. Na parte inferior observem que em 3 momentos tentou romper a linha entre 1,05 – 1,055 e rapidamente foi expelido, indo mais adiante buscar o rompimento na parte superior.

É notório que a moeda única está “tentando” romper o intervalo inferior, porém sempre que se aproximou, surgiu alguma coisa que fez com que o mercado retrocedesse. Nesta nova tentativa, imagino que o mercado já esteja bem posicionado e precisa de um fato para romper a linha.

Do ponto de vista técnico, existe muitos argumentos para esperar que a queda aconteça; e eu acredito nisso, porém não sou compelido a fazer agora. O momento atual não faltam situações para eventos conhecidos como cisne negro que, por sinal, acho que estão se multiplicando; seria uma alteração genética? Hahaha ...  O surgimento de situações inesperadas pode acontecer de toda forma e, no caso do euro, poderia ser algo como, por exemplo, uma “rateda” do FED na próxima reunião; ou quem sabe o super Mario surpreenda com a possibilidade de retirar os helicópteros, afinal, ficaram de mode. Bem, não quero ficar na torcida, nem como adivinho, e vou continuar com a mesma orientação apontada acima.


Let the market speak!

O SP500 fechou a 2.002, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,3540, sem variação; o EURUSD a 1,0626, sem variação; e o ouro a US$ 1.212, com queda de 0,12%.
Fique ligado!

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