Inflação: A Revanche

14 de novembro de 2016

Trump, Trump, Trump


Para uma pessoa como Trump nada deve estar dando mais satisfação do que o recente interesse da mídia sobre ele. Após a confirmação como futuro Presidente dos EUA, o número de artigos que o mencionam aumentou exponencialmente, estimaria que nos meios econômicos beira hoje a 50%.

Após as primeiras reações contrárias pelo mercado, uma onda de otimismo vem tomando conta. E como não é só o Mosca que é movido pelo compromisso com o bolso, nota-se uma diminuição das críticas, embora uma grande dose de incerteza ainda paira no ar.

Neste último final de semana houveram manifestações em diversas cidades, contra sua vitória. Porém ao invés de hostilizar esses grupos tem dito que mudarão de opinião quando o conhecerem melhor. Neste momento está com a roupagem de cordeirinho, veremos quanto tempo dura.

Para quem ainda busca as razões porque os eleitores estão chacoalhando o mundo com votos inesperados, o gráfico a seguir fornece uma pista.  As pessoas com instrução média estão sendo atingidas pela globalização, com a perda de empregos para outros países, bem como as novas tecnologias.

 
Esse gráfico baseado em dados da MIT mostra como os empregos de habilidade média, que requer alguma educação depois do ensino médio, decresceu nos últimos 26 anos.

Segundo Jason Rotemberg, da empresa de pesquisas Bridgewater: ...”Sim, os trabalhadores que se beneficiaram de produtos mais baratos. Porém os negativos da perda de empregos e salários estagnados, são mais diretamente visíveis e facilmente atribuídos a competição global” ...

Esse efeito é nitidamente visível quando se observa a evolução dos salários por faixa de renda. Enquanto os 5% mais ricos viram seus rendimentos subirem em 50% desde 1990, para 80% da população ficaram praticamente estagnados.


Mesmo com muitas dúvidas ainda não respondidas, o mercado assumiu algumas premissas, que já estão expressas nos preços dos ativos:

1.       Diminuição dos impostos – A figura abaixo faz uma comparação de quanto são taxadas as empresas em vários países. Como se pode notar, a americana é uma das mais altas.


2.       Gastos com infraestrutura -  Na sexta-feira mostrei a expressiva alta dos preços do cobre, mas essa alta não se limita somente a essa commoditie, o gráfico a seguir mostra esse efeito em várias delas que são usadas em obras de infraestrutura.


3.       Alta da Inflação – Como consequência é esperado que a inflação suba em função desse potencial aquecimento econômico, além das ameaças pelo aumento de barreiras alfandegárias.




No post joe-beautiful, fiz os seguintes comentários sobre o DXY: ...” O dólar se encontra numa correção e conforme indiquei abaixo, não se pode saber se vai buscar romper agora o nível de 100,5 (1), ou ainda permanecerá na região contida pelas duas linhas verdes paralelas (2). Os indicadores de momentum estão bastante positivos, o que poderia indicar que a primeira hipótese é mais provável, mas prefiro esperar o rompimento para me posicionar” ...

 
O movimento desses últimos dias vai colocar em teste a primeira hipótese levantada acima, com as cotações hoje em 99,70, é uma questão de tempo para que isso aconteça. Como a composição desse índice tem como peso 57% de euros, e através dessa última onde eu irei me posicionar.


Já em relação ao real, como eu havia suspeitado, o banco central efetuou vários leilões de venda de dólar na última sexta-feira e disse que vai se utilizar desse instrumento para enfrentar as oscilações bruscas. Agora não esperem que a autoridade monetária fique presa a um determinado nível, vai buscar suavizar o movimento e não fixar a cotação. O que eu quero dizer com isso, é que se o dólar continuar subindo contra as outras moedas, vai subir contra o real também.

Na última sexta-feira sugeri compra de dólar a R$ 3,36, mas não chegou a negociar nesse nível, a mínima foi R$ 3,387. Atualmente se encontra a R$ 3,44 e o nível de R$ 3,50 é muito importante. Caso esse último seja rompido, cálculo que, irá tingir R$ 3,65. Não vejo nenhum trade para sugerir agora, a não ser o mesmo da sexta-feira, compra a R$ 3,36 com stop a R$ 3,26. Acho difícil, mas quem sabe?



Com o cenário estabelecido pelo mercado com a vitória de Trump, é bastante provável que o dólar subirá contra o real. É com esse pano de fundo que vou trabalhar, buscando um ponto melhor de compra. O meu nível crítico é R$ 3,65, acima desse nível a probabilidade de o dólar testar novamente R$ 4,25 se eleva. Como esse movimento poderá impactar nossa economia, a expectativa de queda de juros ficará em observação.

O SP500 fechou a 2.164, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,4329, com alta de 1,27%; o EURUSD a 1,0740, com queda de 1,01%; e o ouro a US$ 1.221, com queda de 0,34%.
Fique ligado!

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