Inflação: A Revanche

9 de novembro de 2016

USexit


Todos nós fomos surpreendidos pela vitória de Donald Trump. Como isso foi possível depois das pesquisas darem como certa a vitória de Hillary? A primeira reação é ficar p&*% da vida com os institutos de pesquisa. Pela terceira vez nos últimos meses eles erraram em 3 importantes ocasiões: Brexit, plebiscito na Colômbia, e agora a vitória do Trump denominada pelo Mosca como USexit.

Primeiro, quero explicar o motivo que me fez associar esse evento ao da Grã-Bretanha. A meu ver, existe algo em comum nos casos citados acima: o mundo está clamando por mudanças em seu regime político; onde o liberalismo perde para o radicalismo de direita.

Depois, como os resultados das pesquisas puderam estar tão errados? Lembrei-me de um caso que estudei quando estive na Stanford University. A Ford fez uma pesquisa antes do lançamento de um dos seus maiores sucessos de venda, o Mustang, onde levaram alguns potenciais compradores do carro a um evento em que se encontravam os modelos cupê e conversível. A pergunta feita era: caso comprassem o carro, qual seria a cor escolhida.  O vermelho obteve ampla maioria, da ordem de 80%. Com base nessa informação, a Ford fez uma campanha de marketing nacional e enviou a seus revendedores tal proporção. Qual não foi a sua surpresa a constatar que o vermelho era a cor de menor venda. O que deu errado? Simples, quem comprava era o homem, mas quem decidia era a mulher e ela não queria ver seu marido desfilando num carro vermelho!

Parece que as pesquisas falharam em capturar o voto daqueles que se sentiam de certa forma envergonhados em apoiar Trump e preferiam não revelar seu voto, ou dizer que não iriam votar.

Qual o outro recado que se pode inferir desse resultado? A classe média americana está revoltada com os 1%. Ontem mesmo publiquei um gráfico que apontava esse grupo como o grande vencedor da globalização. Os 99% querem mudanças, e Trump foi o veículo que usaram.

O que podemos esperar? Acho muito cedo para qualquer conclusão, pois tudo que é novo tem certo grau de incerteza. Entretanto, gostaria de colocar algumas observações mais gerais: Fiquei impressionado com o controle emocional do Trump ao fazer seu primeiro pronunciamento, não demostrando nenhuma emoção, o que reafirma sua característica psicótica, pois era de se esperar o contrário de uma pessoa normal; além do mais, seu pronunciamento conciliador não se deve levar muito em consideração, pois, para quem já esteve envolvido em 4 concordatas, sabe que depois de selado o acordo deve valorizar seus adversários. O que irá importar daqui em diante é observar o que ele faz e não o que ele fala.

Outro resultado surpreendente é que os Republicanos têm agora maioria tanto no Senado como na Câmera de Deputados. À primeira vista isso pode parecer positivo para Trump, mas não se pode esquecer que ele não tem a concordância de boa parte dos políticos de seu partido; e sozinho ele não consegue governar.  

Em relação a suas promessas de trazer os empregos de volta aos EUA, ou ele sabe que é mentira e apenas usou como mote de campanha ou não vai conseguir realizar. Esse é um movimento global de transferência da produção para países com mão de obra mais barata. A única forma de ter algum sucesso nessa empreitada seria a de criar barreiras alfandegárias, o que implicaria em inflação mais alta, parecendo-me a única conclusão mais evidente de sua vitória. 

Quanto aos mercados, começaram a reagir conforme o esperado, queda nas bolsas e ativos de risco em geral, mas à tarde já nota-se uma reversão. Ainda é cedo para qualquer conclusão.

Para justificar a minha nomenclatura USexit, veja a semelhança de comportamento nas moedas. O primeiro gráfico foi a reação da libra na hora do anúncio do Brexit.


Abaixo, a reação do peso mexicano quando Trump foi anunciado vencedor - escala invertida.


Podemos esperar daqui em diante vários “exit”, como FRexit, ITAexit e, quem sabe, BRAexit em 2018. Daqui em diante não descarte candidatos como Bolsonaro; o mundo já está deixando claro que quer mudanças e o candidato que capturar esse recado leva a eleição.

Provavelmente ficaremos mais alguns dias observando a reação dos mercados bem como analisando o que poderá mudar nessa nova gestão. Só para jogar um pouco de pimenta no assunto, se Trump fizer o que disse em relação a investir em infraestrutura, isso irá gerar empregos e elevar a inflação. Não é isso o que o FED está buscando?

O grande vencedor de hoje são os juros de 10 anos, que já estão acima de 2% a.a. No post fim-de-semana-sem-fim, fiz os seguintes comentários: ...” As indicações são que o mercado está consolidando em relação a alta recente e se prepara para buscar o nível que apontei acima, ao redor de 2,00%, talvez um pouquinho menos 1,96%” ...


Naquele momento, estava em dúvida se ainda haveria uma nova alta ou se a mesma já havia terminado, conforme tracei no gráfico acima. Fiz também um desabafo: ...” Como podemos inferir tamanho grau de precisão num título que tem longínquos 10 anos para vencer? Quem pode dizer qual será a inflação daqui a 3 anos ou o que dirá daqui a 5 anos? Aonde esse título ainda terá mais 5 anos a vencer” ... ...” Acredito que isso irá terminar algum dia e as oscilações de 0,50% pontos por dia voltarão. Só não sei qual será o nível inteiro, mas certamente não o atual de 1” ... E hoje pode ter sido a avant première. Observem o gráfico a seguir, entre a mínima e a máxima, os juros oscilaram 0,30%; já próximo de meu desejo (sublinhado). 


Eu havia dito que nesses níveis os juros deveriam começar seu caminho de queda, mas a pujança da alta hoje me faz apontar outro intervalo conforme a figura acima entre 2,2% - 2,4%. Entretanto, não tenho convicção de que volte a cair nos próximos dias ou que esse novo patamar seja testado (2,2% - 2,4%).

A eleição do Trump também traz outra mudança, pelo menos no FED. O excesso de liquidez para incentivar a economia, está com seus dias contados. A Professora Yellen precisa tirar o pó dos livros, pois a partir de fevereiro de 2018, quando termina seu mandato, poderá voltar a Universidade, e o novo Presidente do FED que será apontado por Trump deverá ser bem diferente.

O SP500 fechou a 2.163, com alta de 1,11%; o USDBRL a R$ 3,2156, com alta de 1,50%; o EURUSD a 1,0910, com queda de 1,03%; e o ouro a US$ 1.275, sem variação.
Fique ligado!


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