Inflação: A Revanche

4 de novembro de 2016

Fim de semana sem fim


Este será o último final de semana em que a dúvida ainda paira no ar: Trump ou Hillary? Não me lembro de nenhuma eleição presidencial mais confusa que a atual. Recordo-me que no ano 2000 a disputa entre Bush e Gore foi levada a corte Suprema dos EUA, em função de uma vitória apertada de Bush no estado da Flórida por uma pequena margem de votos. Essa disputa deslocou a decisão que seria anunciada em novembro para meados de fevereiro do ano seguinte. Mesmo com toda essa bagunça, a oscilação do índice SP500 ficou contida em meros 3%.

Hoje, a situação é muito diferente. Enquanto no passado era um problema de cunho partidário, não envolvia candidatos malucos, no caso atual, uma vitória de Trump pode significar algo terrível para os mercados: o desconhecido. Eu até acredito que ele não vá cumprir metade do que promete, caso seja eleito; contudo, as decisões não dependem apenas dele. Um indivíduo com atributos narcisistas e psicopatas pode promover um grande estrago, vide o exemplo do ex-presidente Lula.

Este será um fim de semana sem fim. Imagino que as pesquisas proliferarão por todos os lados e discursos mais inflamados dos candidatos com acusações mutuas deve dar o tom desse período. A recente frustração dos mercados quando o refendo sobre o Brexit dava como certa a vitória do fico se mostrou errada; sensação que irá prevalecer até que o resultado seja conhecido. Não quero nem pensar se a situação vivida em 2000 pode vir a se repetir nessas eleições, o que não é impossível, dado a pequena margem entre os candidatos. Neste caso, este seria um final de ano sem Peru no Thanksgiving e nem presentes do Papai Noel!

O dado de PMI da Indústria calculado de uma forma global, feito pelo banco JP Morgan, mostra uma pequena melhora, como apresentado abaixo. Pode-se notar que esse índice vem se segurando próximo a marca de 50 desde 2011. Enfatizo que abaixo dessa marca indica retração da atividade. Nada inspirador e nem preocupante, um resultado morno!


Outro dado também que acompanho todo início do mês, e com um peso superior ao da Indústria, é o PMI de Serviços que detém a maior parcela do PIB americano. Esse indicador corrobora a expectativa de alta de juros para dezembro.


Os dados de emprego publicados pela manhã não apresentaram grandes surpresas: foram criados 161 mil novos postos, sendo um pouco abaixo da previsão do mercado em 173 mil. A taxa de desemprego caiu de 5,0% para 4,9% e o Participation Rate recuou para 62,8%. Esse último dado tem causado menos polêmica atualmente, uma vez que tem se mantido razoavelmente estável.


A boa notícia veio do aumento da remuneração de horas trabalhadas, que subiu 0,4% no mês e 2,8% em bases anuais. Se a lógica prevalecer aqui, é esperada a elevação da inflação; outro indicador acompanhado pelo FED. Usando a terminologia utilizada no post de ontem, os escravos estão ganhando mais!


Até que os resultados das eleições sejam conhecidos os mercados permanecerão sem grandes flutuações, em especial os juros de 10 anos. No post o-banco-central-afinou, fiz os seguintes comentários: ...” As indicações são que o mercado está consolidando em relação a alta recente e se prepara para buscar o nível que apontei acima, ao redor de 2,00%, talvez um pouquinho menos 1,96%. Na parte da queda, poderá chegar até o nível de 1,65%, abaixo disso vou começar a considerar que o movimento de baixa de juros começa a ganhar mais força” ...


Confesso que ao observar o gráfico acima, publicado há duas semanas, tive dificuldade de me situar em relação às cotações atuais, que pareciam estar no mesmo lugar! Foi quando percebi que houve uma tentativa de romper a linha apontada abaixo em verde, quando atingiu a máxima de 1,88% a.a.


As três tentativas de rompimento destacado acima colocam em cheque a dúvida que eu já tinha mencionado nos posts anteriores, a saber, se essa correção terminou ou se ainda terá mais uma alta nos níveis, de pelo menos 1,96%. Não sei dizer, mas abaixo de 1,72% a.a. aumentam as chances de término.


Por outro lado, estamos discutindo misérias. Como podemos inferir tamanho grau de precisão num título que tem longínquos 10 anos para vencer? Quem pode dizer qual será a inflação daqui a 3 anos ou o que dirá daqui a 5 anos? Aonde esse título ainda terá mais 5 anos a vencer. Com a mesma analogia dos “escravos remunerados”, podemos dizer que os juros rendem migalhas, pois só assim faz sentido discutir o,o5% para lá e para cá. Acredito que isso irá terminar algum dia e as oscilações de 0,50% pontos por dia voltarão. Só não sei qual será o nível inteiro, mas certamente não o atual de 1!


O SP500 fechou a 2.085, com queda de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,2322, com queda de 0,72%; o EURUSD a 1,1135, com alta de 0,27%; e o ouro a US$ 1.303, sem alteração.
Fique ligado!

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