Inflação: A Revanche

18 de novembro de 2016

Quem tem medo de bicho papão?


A professora Yellen disse ontem ao comitê econômico do Congresso que ficará em seu cargo até janeiro de 2018 e que não tem medo de bicho papão, quando afirmou que não se intimida com o novo governo. Com o nível muito próximo do pleno emprego, ela aconselhou Trump e o líder dos Republicanos a serem cautelosos em afrouxar a política econômica através de cortes de impostos e elevações de despesas.

... “Quando tivermos uma maior clareza sobre as políticas econômicas que podem ser implementadas, o comitê levará em consideração os impactos no emprego e na inflação, e talvez, ajustaremos nossas projeções” .... Outros membros do FED disseram que esperam elevar as taxas de juros mais rápido do que o previsto, se o Congresso aprovar estímulos para a economia.

Yellen acrescentou que, com uma dívida aproximada de 77% do PIB, não existe muito espaço fiscal caso ocorra um choque na economia; um choque adverso que necessite de estímulo fiscal. Reforçou ao novo Presidente e congressistas para focarem seus esforços em medidas que aumentem a produtividade ... “excepcionalmente muito baixa” ..., variável crítica para o bom estado da economia no longo prazo.

E, por último, frisou que o mundo viveu numa crise devastadora em 2008 e muito das reformas apropriadas foram incorporadas na regulamentação conhecida como Dodd-Frank ... “Eu não gostaria de ver um retrocesso, uma vez que, ela é importante em diminuir a chance de uma outra crise financeira” ...

Yellen tocou em todos os pontos onde Trump disse ter intenções de mudanças, deixou claro que não é favorável. Parece difícil que ela seja apontada novamente ao cargo após o término de seu mandato, porém até lá seriam 12 longos meses. Imaginando isso, sente-se segura de colocar suas crenças sem receio das consequências. Do lado de Trump, nunca antes um Presidente do FED foi “convidado” a se retirar antes do prazo e não seria lógico que acontecesse agora. Mas Trump é Trump, e com ele tudo é possível. Este será mais um assunto que teremos de aguardar sua posse.

Ontem foi publicado o CPI americano e o resultado ainda mostra estabilização. O índice core foi de 1,64% a.a., enquanto o que exclui combustível e alimentos ficou em 2,14% a.a.


É interessante que a diferença entre os dois é causada pela deflação nos preços dos alimentos, uma vez que os combustíveis têm subido em função da alta do preço do petróleo.

Um dos fatores que assustavam o mundo recentemente era a exportação de deflação vinda da China com queda nos preços dos produtos que exportava. Mas, esse receio parece retroceder, visto que os preços das indústrias mostram um sinal de alta depois de muitos meses flertando com índices negativos.


O governo Chinês tem aproveitado a confusão trazida pela eleição americana para lentamente desvalorizar a sua moeda. Comentei anteriormente que as cotações do Yuan na região entre 6,70 – 6,90 podem ter um impacto tecnicamente importante. A cotação atual de 6,88 está no limite do intervalo estabelecido durante a crise de 2008. Caso seja rompido, poderá gerar muitas ordens de stoploss. Vale um acompanhamento constante, pois já é sabido que existe um forte fluxo de saída em curso oriundo dos chineses


Um dos veículos usados pelos chineses para trocar sua moeda é o Bitcoin, o gráfico a seguir mostra essa tendência, pois numa situação normal a cotação do Bitcoin deveria estar caindo, em decorrência dela ser considerada um refúgio às manipulações de moeda feitas pelos bancos centrais e que, nesse momento, a esperada alta dos juros americanos pesariam contra ela.


No post desafiando-o-mosca, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” se o índice ultrapassar 65.200 de uma forma consistente, vamos comprar, com as ressalvas que explicarei se acabar acontecendo; segundo, uma queda abaixo de 61.500, onde a correção ganha mais credibilidade. Será necessário avaliar se é uma correção pequena, média ou grande” ... Desde essa atualização o Bovespa, que estava na eminência do ultrapassar o nível de 65.200, retrocedeu e parece que a alternativa de correção ganhou credibilidade.

Por outro lado, não consigo ainda responder que tipo de correção se desenha: pequena, média ou grande. O máximo que consigo neste momento é traçar alguns níveis de acompanhamento.


Pequena (1) – Nesse caso é possível que o Bovespa atinja o nível de 57.000 e em seguida reinicie um movimento de alta. Já deixo esclarecido que não vou comprar nessa situação, pois acho o cenário pouco provável. Mas como tudo pode acontecer, se isto acabar ocorrendo, vou comprar quando romper os 65.200.

Média (2) - Esse é o cenário que eu trabalho no momento, uma queda entre 54.000 – 51.000, aí sim vou arriscar uma compra com stoploss ao redor de 48.000. Mas, caso isso se concretize, ainda deverá demorar algumas semanas até atingir esse intervalo.

Grande (3) -  Abaixo de 51.000 e principalmente 48.000, o Bovespa entra numa zona perigosa, pois pode ser uma correção média estendida ou o prenuncio de uma mudança total de rumo. Nessa situação vou ficar de espectador.

Perigo – Entre 37.000 e 43.000 eu já vou estar pronto para mudar minha projeção de continuidade de alta para reinício da baixa que prevalecia até o início deste ano. Outro dia, estava observando o Bovespa numa janela de mais longo prazo e observei um indicador que chamou minha atenção, e faria todo sentido nesse caso. Mas, é só um indicador que não é decisivo neste momento. Fica anotado.


Ainda não sei qual será o tema do Mosca para 2017, talvez seja um ano com maior grau de incerteza nos mercados internacionais. Ainda tenho algum tempo para refletir no assunto.


O SP500 fechou a 2.181, com baixa de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,3825, com queda de 1,03%; o EURUSD a 1,0592, com queda de 0,31%; e o ouro a US$ 1.208, com queda de 0,19%.
Fique ligado!

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