Inflação: A Revanche

23 de novembro de 2016

Dólar pede passagem


As contas cambiais brasileiras começaram a mudar de rumo a partir do início de 2015, quando o déficit em transações correntes atingiu o recorde de US$ 105 bilhões. Nesses quase dois anos houve um ajuste brutal e o último dado publicado, referente ao mês de outubro, foi de US$ 22,3 bilhões, sendo uma queda vertiginosa de quase 80%; equivalente a 1,25% do PIB. Tal patamar remete esse indicador a níveis observados entre 2010 e 2012.

A entrada de investimento direto no país (IDP), que no acumulado dos últimos 12 meses alcançou US$ 75 bilhões, é mais do que suficiente para financiar o déficit em transações correntes. Esse resultado demonstra a manutenção do interesse externo em investimentos no Brasil, apesar das várias dificuldades que enfrentamos nestes últimos tempos.

A balança comercial continua sendo o principal item nessa redução, em outubro apresentou um superávit de US$ 2,1 bilhões e uma cifra de US$ 43 bilhões nos últimos 12 meses. Embora grande parte tenha se dado por conta de uma drástica redução das importações, consequência da profunda recessão, a elevação da cotação do câmbio também contribuiu na substituição de itens importados por produtos locais.

Já a conta de serviços registrou despesas líquidas de US$ 2,8 bilhões, o que permitiu a manutenção de um nível estável nos últimos 12 meses (U$ 29,6 bilhões). A imprensa deu grande destaque para o aumento das despesas com viagens internacionais, cujo crescimento foi de 80%, quando comparado a outubro do ano anterior. Eu não considero relevante essa discussão em virtude de dois fatores: primeiro, que essa conta deve ser sempre negativa, pois não estamos preparados para um influxo de turismo e, segundo, que o montante foi levemente inferior a U$ 1,0 bilhão, cifra pequena quando comparada as outras contas.

Na conta de rendas, cuja despesas somaram US$ 3 bilhões no mês (U$ 39 bilhões em 12 meses), também apresentou queda em relação ao ano anterior. O principal fator foi a diminuição na remessa de lucros e dividendos em função do baixo nível de atividade registrado em setembro.

No lado das entradas, para o financiamento desse déficit, além do elevado nível de investimento direto que totalizou US$ 8,4 bilhões no mês, um outro dado intriga pela sequência de saídas. O investimento em carteira somou saídas liquidas de US$ 1,7 bilhões. Tal saldo foi composto por uma saída de US$ 3,3 bilhões em títulos de renda fixa, uma entrada de US$ 1,3 bilhão em ações e US$ 280 milhões em fundos de investimento.  Como o gráfico a seguir mostra, as saídas na carteira de renda fixa atingiram um elevado nível em bases anuais (US$ 25 bilhões), o que se certa forma não faz sentido, haja vista a apreciação cambial e as elevadas taxas de juros que é praticada no país. Esse assunto já foi assunto de outros posts e ainda não tenho uma resposta convincente.


As reservas internacionais totalizaram os mesmos US$ 375 bilhões que perdura a vários meses neste patamar, situação muito confortável. A dívida externa bruta é da ordem de US$ 335 bilhões, resultando um saldo credor de US$ 58 bilhões, além do fato de que a divida de curto prazo é de US$ 69 bilhões.

O leitor poderia se perguntar por qual razão então presenciamos uma desvalorização cambial expressiva nos últimos dias. O motivo é unicamente a valorização que o dólar vem apresentando nos mercados internacionais desde a vitória de Trump. Na verdade, a moeda americana está se apreciando desde o início de 2011, com uma pausa nos últimos 20 meses, e agora entra num novo ciclo de alta. Desta forma, a desvalorização deve ser encarada como um alinhamento de nossa moeda em relação aos seus pares e não por consequência de uma fuga de capitais. Acredito que o nosso banco central fará intervenções no câmbio, direta ou indiretamente, visando uma trajetória suave e não para “defender” um determinado nível.

Amanhã é comemorado o feriado de Thanksgiving nos EUA, e já na parte da tarde as mesas de operações lá operam em marcha lenta. Embora haja mercado na sexta-feira, será com liquidez diminuta. Por outro lado, a liquidação do Black Friday é uma informação importante para a projeção das vendas desse período de festa, que corresponde a parcela significativa das vendas anuais.

No post ___contabilidade chinesa__-, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários abaixo continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas! ” ...


Ontem o SP500 finalmente ultrapassou esse nível, com fechamento acima dessa marca, mas ainda não vou me aventurar numa compra.

- Xiii, David, afinou?
Se você quer encarar desta forma, tudo bem comigo, mas tenho motivos para tanto. No gráfico abaixo destaco o motivo.


As altas destes últimos dias mostram uma formação sem muita convicção, o que em análise técnica se define como divergente dos instrumentos de momentum. Em outras palavras, pode acontecer uma realização a qualquer momento, o que fatalmente nos tiraria do trade. Mas quero deixar claro que pode não acontecer e aí perdemos essa oportunidade.

Como dinheiro não é capim, prefiro acompanhar os próximos dias para ter uma posição mais completa. Vamos deixar os americanos comerem o seu turkey tranquilamente!

O SP500 fechou a 2.204, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,3891, com alta de 1,05%; o EURUSD a 1,0550, com queda de 0,70%; e o ouro a US$ 1.189, com queda de 1,85%. Nosso trade de venda de ouro se encerrou hoje com um resulatdo de + 6,76%.
Fique ligado!

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