Inflação: A Revanche

3 de novembro de 2016

Escravidão remunerada

A vida dos economistas não está nada fácil. Confesso que se minha formação original fosse nessa área, teria grandes dificuldades de explicar as enormes distorções que ocorrem atualmente. Por exemplo: Por qual razão, com essa enorme injeção de liquidez pelos maiores bancos centrais do planeta, não  estão conseguindo ativar a economia e, o que é pior , nem elevar a inflação que se encontra muito baixa.  


Por que os baixos níveis de desemprego não estão criando escassez de mão de obra que  deveria resultar em salários mais elevados? A taxa de desemprego vem caindo na maioria dos países desenvolvidos como os EUA, Japão e mesmo em alguns países da Europa, como se pode verificar na Alemanha. 



Sobre esse assunto, ontem foi publicado o ADP – proxy do resultado a ser publicado nessa sexta-feira relativo ao desemprego nos EUA.  



Entretanto, será que esse dado é de importância para o FED no atual estágio, com uma taxa de desemprego em 5% já próxima de ser considerada como pleno emprego? O desemprego não sendo um dado catastrófico, o mercado nem vai dar bola!  

Com o que acontece no mundo, não seria de se esperar que os salários estivessem subindo? Como já comentei algumas vezes, acredito que existem 2 forças deflacionárias que estão atuando há alguns anos que resultam nessa "distorção": a terceirização da mão de obra em países cujo custo é muito inferior aos dos países desenvolvidos (China, Índia, Vietnam, etc ...) e a robotização dos trabalhos de manufatura.  

Em acordo com essa ideia, pode-se observar uma migração de trabalhos da área de manufatura para a de serviços, assim, torneiros mecânicos acabam por trabalhar em restaurantes como garçom ou como motoristas da Uber, acarretando uma adaptação em novas funções bem como uma diminuição em seus salários. 

E, nesse mundo moderno recheado de novas tecnologias, o trabalho (lato sensu) vem se tornando escasso e com uma pressão natural de queda nos rendimentos. Podendo chegar o dia em que os menos especializados terão de trocar seu trabalho por comida, como na época da escravidão. Naturalmente existe uma certa dose de exagero de minha parte, porém, parece-me que caminhamos para uma "escravidão remunerada", bem mal remunerada! 

O que fazer? quebrar todos os robôs, fechar as economias para evitar a terceirização da mão de obra? Não fiquem chocados, é exatamente isso o que Trump prega. Essa ação não seria inédita na história, pois há vários casos semelhantes que aconteceram de barreiras comerciais. Enquanto consumidores somos contra, afinal é bom poder comprar ou consumir produtos e serviços por preços mais baratos; Entretanto, enquanto empregados talvez sejamos a favor.  

Do ponto de vista econômico uma tendência nesse sentido seria horrível para os ativos, tanto as ações como os investimentos em renda fixa teriam grandes quedas, pois se existe uma certeza nesse cenário é  a de que a inflação iria subir e, com tanta liquidez rondando por aí, os bancos centrais sairiam como loucos aumentando os juros. 

Neste mundo distorcido onde os grandes ganhadores são os detentores de ativos (bolsa e renda fixa), seriam  também os últimos a pagar a conta, com perdas expressivas. Assim, não sobraria mais ninguém satisfeito com o status quo e uma depressão é o cenário mais provável. O mundo entraria num círculo vicioso e, pior ainda, sem que os bancos centrais tivessem nenhuma arma para combater. 

- David, teve muitos pesadelos está noite? 
Hahaha ..., antes fosse! O assunto foi fluindo naturalmente e esse receio você sabe que tenho a muito tempo. Não tenho a menor ideia se isso irá ocorrer ou não, mas aconselho muita cautela em seus investimentos, pois podem estar certos que os preços estão distorcidos por todos esses efeitos que citei. Não está na hora de ser arrojado. 

- David, e o que você sugere. 
Ativos líquidos e coloque um stoploss em tudo que você tem investido. "Ah, me esqueci", então continue lendo o Mosca! Hahaha ... A figura abaixo pode te auxiliar. 


Um último comentário sobre a reunião do FOMC ontem, nada a comentar! Como se diz no futebol: cumpriram a tabela e indicaram que em dezembro os juros irão subir para 0,75%. Os mercados futuros apontam 80% de probabilidade de isso acontecer. Só para lembrar os leitores, a última vez que o FED subiu os juros foi em dezembro de 2015, e projetando essa tendência de forma lógica, pode-se espera que a taxa atinja 3% a.a. em 2025. Daqui alguns anos, as crianças irão pedir “FED hike” de Papai Noel! Hahaha ... 

Tenho visto vários analistas indicando a compra de ouro. Dentre seus argumentos, o mais citado é que investir no metal protege contra as loucuras feitas pelos bancos centrais que irá culminar em alta da inflação. Até acho um bom argumento, mas prefiro me guiar pela análise técnica, pois todos eles já estão comprados e buscam novos incautos. 

No post a-inflacão-errada, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Quero enfatizar o que eu disse no post: ...”as chances de compra nos níveis acima ficaram mais factíveis, e segundo que o metal deverá ficar um bom tempo num movimento de correção”.... Acredito que o ouro ficará um tempo nesse intervalo, sem romper o nível de US$ 1.375. No gráfico abaixo tracei o movimento que espero. 


...” o acompanhamento do movimento nos próximos dias, irão dar ao Mosca a chance de venda, antes de comprar provavelmente próximo de US$ 1.200” ... É esta oportunidade que o mercado poderá oferecer em breve. 


Depois de ter atingido a máxima de US$ 1.308, hoje chegou a negociar a US$ 1.287, porém recuperou-se no final do dia. Assim um trade oportunista de venda é vislumbrado em breve desde que, o nível de US$ 1.375 não seja ultrapassado. Quero enfatizar que será um trade oportunista pois minha visão de longo prazo ainda é de alta para o ouro. 

-David, mas em qual nível? 
Ainda não dá para dizer, talvez por volta de US$ 1.320/1.325, sugiro acompanhar o Mosca.

O SP500 fechou a  2.088, com queda de 0,44%; o USDBRL a R$ 3,2558, com alta de 0,46%; o EURUSD a 1,1105, sem variação e o ouro a US$ 1.303, com alta de 0,49%. Hoje fomos estopados em nossa posição de Bovespa a 62.500.
Fique ligado!

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