Inflação: A Revanche

17 de novembro de 2016

Japão estraga a festa


Os mercados estavam tranquilos em sua aposta que os juros iriam subir, não só nos EUA, mas na maioria dos países desenvolvidos. O mercado encontra-se concentrado nas principais medidas que Trump colocará em pratica, assim, as expectativas de inflação nesses países estão subindo, como é mostrado no gráfico a seguir.


Por outro lado, o que o governo japonês mais quer é tirar sua economia da letargia predominante das últimas décadas. O modelo escolhido por eles é um yen mais desvalorizado e juros baixos. Para colocar em prática esse desejo, já tentaram de tudo e nada tem funcionado como gostariam; no máximo mantém o paciente vivo, mas na UTI. Em setembro, o BOJ anunciou algo inusitado, um objetivo para a taxa de juros desafiando-os-limites.

Nesta madrugada, o BOJ jogou um balde de água fria nos especuladores ao anunciar sua primeira oferta de compra para títulos governamentais, com um detalhe: volume ilimitado. Entretanto, a chamada não produziu nenhuma oferta por parte do mercado, um sinal que o movimento era mais um “aviso” do que uma pretensão mais firme de compra. Imediatamente esses títulos desvalorizaram, pois estavam cotados com juros a 0,035% a.a. (positivos) e em seguida os juros eram cotados a 0,01% a.a. Somente a título de esclarecimentos, um título de renda fixa se valoriza quando a taxa implícita cai. Veja abaixo a evolução das taxas dos títulos japoneses nos principais vencimentos.


Kuroda, o Presidente do BOJ, disse ao seu Parlamento, após essa intervenção, que o banco central não permitirá automaticamente que as taxas no Japão subam caso as taxas nos EUA subissem. Reforçou que o BOJ tem um objetivo para as taxas dos títulos de 10 anos “aproximadamente” em 0%. Essa ação fez com que os juros ao redor do mundo parassem de subir e encontram-se estabilizados agora, num nível ligeiramente inferior as máximas atingidas recentemente.

Realmente, não sei aonde as ações tomadas pelo BOJ irão terminar, mas as considero totalmente sem sentido. Vale notar que o Japão tem a maior dívida do planeta ao redor de 250% do PIB e nós aqui estamos muito preocupados se a nossa atingir 100% do PIB daqui alguns anos. Se o FED normalizar os juros nos EUA, e sem considerar um cenário em que a inflação suba por lá mais que o desejado, pode-se antever uma desvalorização continua do Yen. Embora seja isso que o BOJ quer, esse movimento pode ganhar uma dinâmica onde esse “controle” que eles desejam manter saia da sua mão. O tempo dirá se o banco central japonês rasgou com sucesso a teoria que se ensina nos cursos de economia.

A elevação das tarifas pelo novo governo americano parece ser uma medida já aceita pelo mercado; a discussão atual é da sua magnitude. Entretanto, o movimento de elevação das alíquotas já começou. As tarifas de importação apresentadas a seguir atingiram um pico de baixa ao redor de 2013. 

A libra esterlina, depois da queda expressiva após o evento do Brexit, vem performando melhor que as outras moedas desde que Trump ganhou as eleições. Um dos motivos é o entendimento pelo mercado que sua situação ficou melhor que as dos países que estão no euro, mas também porque os dados econômicos estão melhores que o esperado. Por exemplo, o nível de desemprego é um dos menores da série histórica e pode-se considerar que a economia está a pleno emprego.

No post tiroteio-desenfreado, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” hoje decidi entrar numa posição de venda de ouro a US$ 1.287, com um stoploss a US$ 1.305, com um objetivo ao redor de US$ 1.200” .... Depois disso, atualizei o stoploss para U$ 1.287.


Eu tenho uma expectativa que o ouro deverá subir mais à frente, como notei no post acima: ...” O ouro está traçando uma correção complexa” ... ...” Se eu estiver certo - depois dessa correção o ouro iniciará um novo ciclo de alta” .... No gráfico a seguir apontei alguns intervalos que merecem comentários.


A principio, irei reajustar o stoploss para US$ 1.250 e liquidar a posição caso o ouro atinja US$ 1.200. Confesso que relutei em estabelecer o nível para realizar o lucro. Por que não ficar mais tempo buscando um resultado maior? São dois os motivos; primeiro, eu ainda trabalho com uma reversão nas cotações em algum momento e preço; segundo, poderia “perder” a alta.

Embora eu seja um adicto da análise gráfica, também sou um ser humano e é impossível controlar totalmente as emoções, poderia me colocar na posição de “torcedor”; o que é muito ruim.

Seguindo com o raciocínio, entre US$ 1.170 – US$ 1.200 o metal já deveria dar mostras de reversão, onde posso entrar com um trade de compra. Porém, o ouro poderá continuar caindo e anotei no gráfico um intervalo que não deveria romper caso eu esteja certo – reversão da queda. Esse intervalo é entre US$ 1.140 – US$ 1.120. Se mesmo assim, depois de atingir esse último intervalo, continuar caindo, ficarei muito desconfiado da minha previsão de alta.

Como diria Garrincha, “Só falta combinar com os Russos”, e por enquanto estamos vendidos buscando sair nos US$ 1.200. O resto fica para o futuro!

O SP500 fechou a 2.187, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 3,4205, sem variação; o EURUSD a 1,0622, com queda de 0,59%; e o ouro a US$ 1.217, com queda de 0,63%.
Fique ligado!

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