Inflação: A Revanche

30 de novembro de 2016

Mudança de 360º


Eu costumo brincar que quando uma situação se altera radicalmente é porque passou por uma "mudança de 360°". Como pego a pessoa de surpresa ela fica alguns segundos pensando se a frase está correta ou eu me enganei. Talvez meu objetivo seja exatamente este, de provocar. Acredito que essa minha frase possa se aplicar as perspectivas da economia americana; e porque não dizer das economias ocidentais.

Nos últimos dias, ao invés de receios de recessão, depressão, deflação, entre outros; só se fala em crescimento, elevação de juros e inflação crescente. Será que uma economia pode virar no grito? Claramente não. Talvez esse crescimento que se vislumbra agora já estava acontecendo, entretanto, os analistas ainda guardavam lembranças do passado. Segundo Nietszche tudo tem que ter uma explicação, o motivo dado é a vitória de Trump, que ironicamente, iniciou esse processo.

Um bom sociólogo ou cientista político poderá explicar o que efetivamente ocorreu, mas para o Mosca isso não é importante, mas sim suas consequências. Também se fala que as prováveis medidas a serem implementadas pelo novo Presidente americano terão duração curta, mas isso vou deixar de lado, pois não sabemos nem se ele vai colocar em prática o que prometeu.

Ontem foi publicado a revisão do PIB americano do 3º trimestre e o resultado foi muito bom, o esperado era de 3% e o publicado foi de 3,2%. Como se pode ver a seguir, a recuperação da economia vem acontecendo desde do início do ano.



Contrapondo minha hipótese, uma pesquisa realizada com economistas aponta a recessão americana como o principal risco para o próximo ano. Não sei se foi elaborada antes dessa onda de otimismo.


Já Goldman Sachs, através de modelos proprietários, também calcula a probabilidade da economia americana entrar em recessão. Seus resultados, como se pode verificar a seguir, é de uma chance baixa no curto prazo e pequena (<30%) daqui a 2 anos.


Diz-se que as surpresas acontecem de onde você não espera e, para mim, a China ainda é o maior candidato nesse quesito. Algumas coisas estranhas têm acontecido por lá, como, por exemplo: A moeda chinesa, o Yuan, desvalorizou-se 5 % nos últimos 6 meses; a saída de capitais está crescendo através dos residentes. No 3º trimestre subiu para US$ 207 bilhões, quando comparados a US$ 99 bilhões no trimestre anterior, e mesmo com a desvalorização da moeda, suas exportações não estão crescendo. Em outubro, a queda foi de 7,3% medida em 12 meses. O gráfico a seguir dá uma boa dimensão do fluxo de saída de dólares.


O governo Chinês impôs uma série de controles para quem enviar recursos ao exterior acima de US$ 5 milhões; isso é válido para quem deseja mandar e para quem já mandou. É difícil de imaginar que uma medida como essa possa ter efeito numa economia desse tamanho e complexidade. Uma alternativa a essas medidas, caso não sejam eficientes, seria a implantação de um regime flutuante de câmbio, o que parece ser uma ferramenta a ser usada em último caso.

Será que o mundo está olhando para o lugar errado?

Nenhum dos mercados que acompanho tem novidades muito diferentes das que eu já comentei aqui. Por outro lado, algumas correções que eu aguardo no Bovespa, juros de 10 anos, ainda não se materializaram, sendo assim escolhi esse último. No post fazemos-qualquer-negócio, comentei: ...” A linha verde traçada desde o início da queda de juros na década de 80, conteve as várias idas e vindas, porém sempre com uma tendência de queda. Como podem observar essa linha foi rompida neste mês. Já a linha rosa, que contem movimentos mais curtos, o mercado está testando o ponto de tangência. Os indicadores de momentum ainda balizam alta, com um sinal de curto prazo apontando uma pausa”...


A análise num gráfico de curto prazo mostra a dificuldade, pelo menos temporária, desse ativo ultrapassar o nível de 2,40% - 2,45%. Esse nível é de real importância do ponto de vista técnico, pois, se ultrapassado, não existe grandes obstáculos até a marca de 3,0%.


Na próxima sexta-feira serão publicados os dados de emprego. Hoje como de costume, o ADP publicou um nível de contratação de 206 mil, resultado acima do que o mercado esperava (146 mil).



Não acredito que o resultado oficial possa afetar muito o mercado, a não ser que seja muito diferente do esperado – 170 mil. Desta forma, fico de espectador nos juros de 10 anos, aguardando um melhor momento para entrar com um trade acreditando que os juros irão subir.

O SP500 estava (*) a 2.201, com queda de 0,15%; o USDBRL a R$ 3,3850, com queda de 0,34%; o EURUSD a 1,0597, com queda de 0,48%; e o ouro a US$ 1.174, com queda de 1,19%.
Fique ligado
(*) - 18:00 hs.

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