Produtividade, direto no lucro #Nasdaq100 #NVDA

 


Kevin Warsh, cotado para a sucessão de Jerome Powell, tem repetido nos últimos meses que a produtividade gerada pela inteligência artificial vai ajudar a derrubar a inflação americana sem que o Fed precise apertar mais os juros. É uma tese elegante, mas os números oficiais ainda não confirmam nada disso. Os índices de produtividade continuam andando dentro da faixa histórica, sem qualquer salto que sugira uma revolução em curso. A pergunta que me fiz foi outra: será que dá para medir esse tipo de ganho em tão pouco tempo?

Produtividade, no sentido técnico, é simplesmente a relação entre o que se produz e o que se usa para produzir — trabalho, capital, energia. Existem duas métricas principais. A produtividade do trabalho mede quanto cada hora trabalhada gera de produção, e vem crescendo de forma consistente nos Estados Unidos desde os anos 1950, puxada por ondas sucessivas de tecnologia — da linha de montagem ao computador pessoal.

Produtividade do trabalho (setor não agrícola), índice 2017=100 — artigo "How Does Productivity Affect Inflation, Jobs and Pay?", Fed de St. Louis]

Já a produtividade total dos fatores, que tenta capturar o quanto uma economia converte trabalho e capital em produto de forma eficiente, é uma métrica bem mais errática. Olhando a variação anual, ela oscila entre picos acima de 2% e quedas abaixo de zero, sem tendência clara nos últimos quinze anos. É justamente nesse tipo de série, cheia de ruído trimestre a trimestre, que fica difícil enxergar de imediato o efeito de uma tecnologia que começou a ser adotada em massa há pouco mais de dois anos.

Produtividade total dos fatores, variação anual — artigo "How Does Productivity Affect Inflation, Jobs and Pay?", Fed de St. Louis]

A Yardeni Research chegou a um número parecido usando outra régua: a produtividade do setor não agrícola, medida pela variação anualizada de sete anos, subiu para 2,4% no segundo trimestre, ligeiramente acima da média histórica de 2,3%. A equipe de Ed Yardeni aposta que esse ritmo pode chegar a 3%-4% até o fim da década, muito por conta do boom de investimento em infraestrutura de IA — os resultados recentes da Dell, com receita de servidores de IA dobrando na comparação anual, são citados como evidência de que a demanda por capacidade computacional segue em plena aceleração.

Ciclo de produtividade do setor não agrícola, variação anualizada de 28 trimestres — Yardeni QuickTakes, "Dell Results Suggest AI Productivity Boom Is Here"]

O raciocínio por trás da tese de Warsh é simples e vem direto da teoria quantitativa da moeda: se a produtividade sobe e a quantidade de moeda em circulação permanece estável, o resultado tende a ser preços mais baixos, porque mais bens e serviços passam a disputar a mesma massa monetária. O problema é que o mundo real não é tão limpo assim. Enquanto a produtividade não aparece nos números agregados, o investimento em data centers já está pressionando para cima o preço de componentes e de energia — um contraponto que o próprio mercado de juros parece estar precificando, com o núcleo do PCE ainda rodando acima de 3% e resistindo a ceder.

Refleti sobre esse tema olhando para a minha própria experiência com IA nos últimos dezoito meses, e divido esse período em três fases. No começo, o impacto foi quase nulo — usava a ferramenta como uma enciclopédia ambulante, enchendo de perguntas sobre curiosidades soltas. Na segunda fase, consegui reduzir o tempo de elaboração de cada post em uma hora, ou pouco mais. Mais recentemente, troquei esse ganho de tempo por uma pesquisa muito mais abrangente antes de escrever. Olhando em retrospecto, diria que o maior ganho não foi de tempo, mas de qualidade — hoje leio uma quantidade de material que é provavelmente o triplo do que lia antes, e recorro a resumos de matérias que antes ficavam restritas às manchetes. Produtividade aumentou, sim. Mas como isso seria medido nas estatísticas oficiais?

Outro episódio recente ilustra bem o ponto. Na preparação da minha apresentação na FEA, criei um projeto dentro do Claude, dei as coordenadas do que eu queria e anexei uma quantidade grande de relatórios e dados. O resultado foi um conjunto de slides organizado de forma lógica, com um roteiro sob medida para a minha apresentação. O material recebeu inclusões quase diárias, sempre discutindo antes a conveniência de cada acréscimo, até chegar a uma versão bem completa — que eu jamais teria condições de produzir, nessa extensão, sem essa ferramenta.

Meu uso ainda é limitado — não tenho nenhum agente de IA trabalhando de forma autônoma para mim —, então essas conclusões valem o que valem. Mas o que acredito estar acontecendo de forma mais ampla é uma melhoria na qualidade da tomada de decisão, com acesso a informação que antes era restrita ou cara demais para obter. Um gestor hoje decide seu dia a dia com mais precisão, o que resulta em menos erros. E isso afeta a rentabilidade de uma empresa de forma direta — não pela via mais óbvia do corte de custos, que é onde todo mundo está olhando primeiro.


Análise Técnica

Um pequeno update sobre o dado de emprego, divulgado agora pela manhã. Um estrondo! Foram criadas 162 mil novas vagas, muito acima de qualquer previsão, com a taxa de desemprego em 4,1% — ou seja, pleno emprego. O contraste é grande frente aos 38 mil postos privados que a ADP havia reportado em agosto, e reforça que o mercado de trabalho segue mais resiliente do que o esperado, às vésperas da reunião do FOMC de 15 e 16 de setembro.

O grande receio de que a IA estaria gerando desemprego, por enquanto, não está aparecendo nos dados — pelo contrário, o mercado de trabalho está forte. O Fed não vai ter outro jeito a não ser subir os juros.

No post "o-yen-carrega-o-real" fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq100:

"A Nasdaq100 talvez tenha atingido a mínima em 28.875, bem próxima de um dos níveis apontados no post acima, e depois das informações e resultados publicados pela Nvidia pode estar caminhando para atingir novas máximas."



Como comentei, a bolsa chegou a completar cinco ondas observadas numa janela de duas horas, mas, durante a semana, uma queda em três ondas pode dar suspensão à tese de novas altas. É preciso que ultrapasse o nível destacado em 29.752 e, mais importante, não caia abaixo de 28.875.



Em relação à Nvidia, comentei:

"Os resultados da Nvidia ajudaram em sua recuperação; agora vamos ver se ela continua e ultrapassa a máxima histórica, como apontado no gráfico. Está tudo bonito, tudo pronto, mas o preço tem que subir, fazer a lição de casa."



A Nvidia está muito próxima de ultrapassar a máxima de US$ 236,54 e pode-se esperar que atinja o primeiro objetivo de US$ 291. Se minha contagem estiver correta, podemos esperar inúmeras máximas sendo rompidas. Mas, sem se animar por antecipação, ela precisa ultrapassar os US$ 236.



Recebi um gráfico em que o analista alerta para um perigo iminente na bolsa. Ele está apresentado a seguir e mede a correlação média de 63 dias entre o S&P 500 e as ações contidas nesse índice. E mais: aponta que, na crise do Dotcom, no início dos anos 2000, essa correlação ainda estava menor.



Não sei de onde ele tirou os 63 dias — talvez tenha pensado em dois meses, mas quis ser preciso, ou os dados explicavam melhor sua tese. Imediatamente pensei: "Efeito Carteirinha". Será que isso não seria esperado num grupo de ações ainda pequeno, engajadas direta ou indiretamente em IA, contra um número bem maior de ações fora desse grupo? Em seguida pensei: naquela época, o efeito Carteirinha não existiu também com a internet? Acredito que sim. Qual a diferença? A grande diferença é que boa parte das empresas de hoje apresenta lucro — até expressivo —, enquanto lá o critério era o número de cliques e o resultado era prejuízo.

Falando em Carteirinha, um amigo e leitor de longa data me enviou um gráfico comparando o S&P 500 com sua própria carteira.


Ele me confidenciou que, quando leu meu post sobre a Carteirinha, gostou da tese e resolveu montar uma carteira com 70% de ações com essa característica e 30% em fundos alternativos de menor volatilidade. Posso dizer que foi muito competente, tanto na escolha das ações quanto na participação individual de cada uma delas — poderia ser contratado pelas melhores gestoras de fundos de Wall Street.



O S&P 500 fechou a 7.718, com queda de 0,38%; o USDBRL a R$ 5,1248, com alta de 0,34%; o EURUSD a € 1,1612, com queda de 0,12%; e o ouro a U$ 4.430, com queda de 0,96%.

Fique ligado"

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