A China está quietinha #OURO #GOLD #EURUSD
Há momentos na história em que o silêncio de
um país revela mais do que discursos inflamados ou demonstrações militares. No
cenário geopolítico atual, esse silêncio tem um protagonista evidente: a China.
Nos recentes episódios de tensão envolvendo o
Irã, algo chamou atenção. Entre os países que, em tese, poderiam demonstrar
algum tipo de alinhamento estratégico — Rússia e China — nenhum deles realizou
qualquer movimento concreto além de declarações diplomáticas. Não houve
mobilização militar, não houve apoio logístico, tampouco sinalização de
envolvimento indireto.
No caso da Rússia, essa postura é
relativamente compreensível. Depois de anos de guerra na Ucrânia, o país
enfrenta um desgaste significativo. Recursos militares foram consumidos, as
finanças públicas foram pressionadas e o isolamento econômico provocado por
sanções ocidentais alterou profundamente sua dinâmica comercial.
Mas o comportamento chinês chama mais atenção.
A China possui capacidade econômica, militar e
tecnológica suficiente para exercer influência direta em diversos cenários
internacionais. Ainda assim, optou por uma postura extremamente pragmática:
observar à distância e evitar qualquer envolvimento que possa comprometer sua
estabilidade econômica.
Esse comportamento ganha ainda mais
significado quando se observa o momento interno do país.
Recentemente, Pequim divulgou seu novo plano
econômico plurianual e, pela primeira vez em décadas, estabeleceu uma meta de
crescimento inferior ao tradicional patamar de 5%. A nova faixa projetada gira
entre 4,5% e 5% ao ano.
Para colocar esses números em perspectiva,
vale lembrar que a economia chinesa já supera US$ 18 trilhões. Isso significa
que um crescimento de 4,5% representa uma expansão anual próxima de US$ 800
bilhões, valor equivalente ao tamanho de economias inteiras de diversos países.
Ao mesmo tempo em que reconhece essa nova fase
de crescimento mais moderado, o governo chinês continua ampliando sua
capacidade estratégica.
O orçamento oficial de defesa divulgado por
Pequim gira em torno de US$ 230 bilhões anuais, valor que ainda fica distante
do orçamento militar americano, que ultrapassa US$ 880 bilhões. Entretanto,
diversos estudos indicam que o gasto efetivo chinês pode ser significativamente
maior quando se incluem programas tecnológicos, investimentos industriais
militares e projetos estratégicos que não aparecem diretamente no orçamento
oficial.
As empresas chinesas de tecnologia continuam
altamente competitivas em áreas estratégicas como inteligência artificial,
comércio eletrônico, pagamentos digitais e infraestrutura de telecomunicações.
Empresas como Alibaba, Tencent e Baidu disputam espaço diretamente com
concorrentes americanos.
Mesmo assim, as ações dessas empresas
permanecem negociadas a múltiplos significativamente inferiores aos das
gigantes de tecnologia dos Estados Unidos.
Nos últimos anos, índices de tecnologia
chineses chegaram a negociar com descontos superiores a 40% em relação aos
equivalentes americanos, reflexo de dois fatores principais: maior intervenção
regulatória doméstica e crescente tensão geopolítica entre China e Estados
Unidos.
Os Estados Unidos gastaram mais de US$ 2
trilhões nas guerras do Afeganistão e do Iraque ao longo de duas décadas. A
guerra na Ucrânia já mobilizou mais de US$ 300 bilhões em apoio financeiro e
militar por parte de países ocidentais.
Enquanto isso, a China permanece fora desses
conflitos diretos. Existe um argumento muito repetido nos mercados: uma guerra
por Taiwan seria cara demais para a China e, por isso, improvável.
O raciocínio parece lógico, mas parte de uma
premissa equivocada — a de que decisões estratégicas são tomadas apenas com
base em cálculos econômicos.
Taiwan produz cerca de 60% dos
semicondutores do mundo e mais de 90% dos chips mais avançados, o
que significa que qualquer conflito teria impacto global de trilhões de
dólares. Para a própria China, o custo militar, econômico e político seria
enorme.
Mesmo assim, isso não elimina o risco.
Para Xi Jinping, Taiwan não é apenas uma
questão econômica. É parte do projeto histórico de reunificação nacional — e
decisões desse tipo raramente são tomadas olhando apenas para o custo.
Por enquanto, esse posicionamento gera uma vantagem silenciosa, mas poderosa. Recursos
que poderiam ser consumidos em confrontos militares continuam sendo
direcionados para infraestrutura, tecnologia, energia e expansão comercial.
Nesse contexto, a frase que melhor resume essa
estratégia é simples:
enquanto os outros lutam, ela trabalha.
A situação da Rússia ilustra bem os custos de
uma guerra prolongada.
As sanções impostas ao país tiveram impacto
direto sobre o mercado de energia. O petróleo russo do tipo Urals passou a ser
negociado com descontos cada vez maiores em relação ao petróleo Brent,
referência global.
Esse tipo de desconto representa perda direta
de receita para a economia russa, reduz o superávit externo e pressiona a moeda
local. Com menor entrada de divisas, a inflação tende a subir e o banco central
é obrigado a manter juros elevados.
Enquanto isso, a China continua desempenhando
um papel singular no sistema internacional. Ela permanece como o maior parceiro
comercial de mais de 120 países, mantém reservas internacionais superiores a
US$ 3 trilhões e continua ampliando sua presença industrial e tecnológica em
diversas regiões do mundo.
A estratégia parece clara: evitar confrontos
diretos, preservar estabilidade interna e expandir influência econômica de
forma gradual.
Em um mundo cada vez mais marcado por disputas
geopolíticas, essa postura pode parecer discreta. Mas, ao longo do tempo, pode
revelar-se extremamente poderosa.
Análise Técnica
No post “ (des) União Europeia” fiz os
seguintes comentários sobre o ouro:
“Os níveis do ouro permaneceram contidos nesta
semana não oferecendo nenhuma pista adicional. Observando numa janela menor
tudo indica que a área de U$ 5.316 pode ser atingida, e se isso acontecer, o
movimento posterior vai nos dizer se a correção terminou ou ainda terão novas
quedas”.
CONTINUIDADE: Nesta opção o ouro deveria
ultrapassar o nível de U$ 5.437 e principalmente U$ U$ 5.620 indicando que
tanto a onda (5) vermelha como a onda 3 laranja ainda não
terminaram.
CORREÇÃO PEQUENA: O metal ficaria contido
dentro do intervalo de U$ 4.400 e U$ 5.437 por um tempinho de depois seguiria
para atingir novas máximas implicando que a onda (5) vermelha não
terminou.
CORREÇÃO GRANDE: Por um período mais longo as
cotações deveriam atingir a mínima entre U$ 4.175 e U$ 3.483, esse movimento
levaria alguns meses.
Minha preferência? Entre o segundo e o
terceiro
“A moeda única não está mostrando muita força,
depois da alta ocorrida na onda a amarela vem definhando colocando em
risco o cenário de mais uma alta. Mas enquanto o nível de € 1,1584 não for
violado, a hipótese de alta continua embora fiquei mais hesitante”
Minha preferência? Ambas igualmente provável
Estamos dentro de uma correção de uma correção
e você sabe bem que nessas condições toda ideia é sujeita a mudanças depende do
que acontecer, depois, quando coloco algum parâmetro numérico a indicação é do
mais provável e não significa que violado se tenha que mudar radicalmente.
O S&P 500 fechou a 6.830, com queda de
0,56%; o USDBRL a R$ 5,2655, com alta de 0,65%; o EURUSD a € 1,1607, com queda
de 0,23%; e o ouro a U$ 5.079, com queda de 1,19%.
Fique ligado!
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