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O outro lado da moeda #S&P 500

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Na semana passada escrevi o post “Nunca duvide da China”, elencando a incrível resiliência da economia chinesa, que conseguiu redirecionar suas exportações para outros mercados e reduzir o impacto da queda imposta pelas tarifas americanas. Tudo isso parecia não apenas impressionante, mas quase definitivo: a China teria encontrado mais uma vez um caminho para contornar restrições externas, manter o crescimento e seguir adiante. Parecia incrível. Mas alguns artigos publicados nos dias seguintes começaram a me incomodar — e me colocaram em dúvida. Não porque os dados estivessem errados, mas porque a leitura superficial escondia tensões mais profundas. Os números são, de fato, expressivos. Em 2025, as exportações chinesas deram o maior impulso ao crescimento econômico desde 1997. As exportações líquidas responderam por cerca de um terço da expansão do PIB, algo que não se via desde a crise asiática do fim dos anos 1990. O superávit comercial atingiu um recorde histórico, próximo de US$ 1...

Negociando o inegociável #USDBRL

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  O mundo entrou numa fase em que aquilo que antes era implícito passou a ser dito sem rodeios. A diplomacia perdeu verniz, os eufemismos ficaram caros e a política internacional começou a operar em modo transacional, quase contábil. Já não se trata de alianças baseadas em valores, mas de interesses imediatos, muitas vezes expostos de forma crua. É nesse ambiente — áspero, curto de paciência e longo de desconfiança — que a mais recente obsessão americana com a Groenlândia reaparece como sintoma de algo maior. Donald Trump nunca foi um negociador no sentido clássico do termo. Ele testa limites, cria ruído, ameaça, recua parcialmente e insiste até extrair alguma vantagem. Isso vale para adversários, parceiros e até aliados históricos. O problema é que, quando esse método é aplicado à política internacional, os efeitos colaterais se multiplicam: o custo do risco sobe, a previsibilidade some e todo mundo passa a precificar o pior cenário primeiro. A Groenlândia, por si só, parece...

SesTech: A agonia dos "Sem Carteirinha" #nasdaq100 #NVDA

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 Durante anos, a chamada economia K-shaped foi tratada como uma metáfora didática, quase inofensiva. Uma forma elegante de explicar por que, após grandes choques, alguns setores se recuperam mais rápido do que outros. Algo transitório, quase pedagógico. Um desenho torto que, com o tempo, se endireitaria. Essa leitura envelheceu mal. O “K” deixou de ser uma fase do ciclo econômico e passou a descrever a própria engenharia do sistema atual. Não estamos mais diante de desvios temporários, mas de uma lógica estrutural que organiza vencedores e perdedores de forma permanente. Hoje, não se trata mais de trajetórias que divergem por algum tempo. Trata-se de uma economia que separa, filtra e seleciona. O crescimento continua existindo, a inovação segue avançando e os mercados funcionam normalmente. No entanto, o acesso a esses ganhos tornou-se cada vez mais restrito. Não é mais apenas uma questão de renda ou produtividade; é uma questão de pertencimento. É nesse ponto que a Carteirinha d...

Um presidente precisa ser pragmático #OURO #GOLD #EURUSD

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Há momentos em que a história cobra coerência. Outros, mais raros, cobram pragmatismo puro. O Brasil vive hoje essa segunda situação. Em um mundo que se reorganiza rapidamente — com disputas geopolíticas explícitas, cadeias produtivas sendo redesenhadas e capital cada vez mais seletivo — insistir em decisões movidas por ideologia é um luxo que países médios simplesmente não podem se dar. Um artigo recente da Bloomberg deixa isso claro ao apontar o Brasil como o grande perdedor da reconfiguração geopolítica da América Latina. Não se trata de provocação gratuita nem de opinião isolada. Trata-se de uma constatação dura: o país que, por dimensão econômica, população e histórico diplomático, deveria liderar a região, hoje assiste aos acontecimentos do banco de reservas, reagindo com notas oficiais cautelosas enquanto outros atores definem os rumos do jogo. O Mosca vem alertando há tempos para um erro estrutural: a escolha equivocada de parceiros estratégicos. Movido por um idealismo ing...

Nunca duvide da China #IBOVESPA

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A China encerrou 2025 com um número que desmonta, de forma quase constrangedora, boa parte das narrativas prontas que circularam ao longo do ano: um superávit comercial recorde de aproximadamente US$ 1,2 trilhão, alcançado justamente num ambiente em que os Estados Unidos — seu maior parceiro histórico — intensificaram tarifas, ameaças e restrições. Esse dado, detalhado na reportagem da Bloomberg News, surpreende menos pelo tamanho absoluto e mais pelo contexto em que surge. Durante meses, o consenso falou em desaceleração estrutural, perda de competitividade e até em uma espécie de japonização da economia chinesa. Nada disso impediu que a máquina exportadora continuasse rodando, e rodando forte.     O ponto central, explicitado com clareza na análise do Wall Street Journal sobre o superávit recorde de 2025, é simples: tarifas não matam exportações, apenas mudam o caminho delas. Em 2025, as vendas chinesas para os EUA recuaram cerca de 20%, mas esse movimento foi mais d...

Vivendo com o dedo no gatilho #S&P 500

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  Vivemos num mundo de curto prazo. Informação em tempo real, decisões instantâneas, cobrança contínua. Tudo precisa mostrar resultado agora. Se demora, perde relevância. Se não performa rápido, vira erro. Mas será que investir em ações combina com essa lógica? Ou estamos apenas naturalizando um comportamento que cobra um preço alto — e recorrente? É importante dizer desde já: agir assim é normal. A teoria comportamental explica. O ser humano reage ao que está próximo, sofre mais com perdas visíveis do que valoriza ganhos futuros e sente desconforto diante da incerteza. Nada disso é exceção. É regra. O mercado financeiro apenas amplifica esse traço. Um estudo acadêmico recente – Exploiting Myopia, Kalash Jain e outros, ajuda a colocar números nessa intuição antiga. Ele não julga gestores, não acusa incompetência, não romantiza o longo prazo. Apenas observa um fato simples: quanto mais curto é o horizonte real de decisão, menor tende a ser o retorno capturado no tempo. A met...