O Governo está furioso

Na vida profissional, já tivemos a experiência de conviver com um chefe "truculento", aquele que ao não conseguir resolver uma situação, ameaça seus subordinados com argumentos: Se as vendas não subirem te mando para rua, se vira! Quem recebe esta ordem vai repassando a ameaça, tornando o ambiente de trabalho um terror. Eu tive a felicidade de nunca ter um chefe destes, e acredito que como gestor não agi assim. Não funciona, pois nestas situações, normalmente são tomadas medidas paliativas.
Venho alertando diversas vezes para a situação dramática que vive a indústria brasileira: só-eu-tenho-acesso-estes-dados;  desafiando-o-livro-texto-de-economia, para citar alguns. Ontem foram publicados os dados referentes ao mês de maio, e posso dizer que foram horríveis, veja a seguir.

Os dados acumulados em 12 meses já apontam para um fechamento do ano negativo, pois para ficar no zero a zero, precisaria crescer 1,6% a. m. daqui para frente, mas os dados acumulados deste ano, são ainda muito piores. Imagino que os gestores de nosso governo, ao se depararem com estes números, ficaram furiosos, e provavelmente deram ultimatos do tipo: "Eu quero que a indústria cresça a qualquer custo!" Ações foram tomadas, porém a que chamou a minha atenção, foi a declaração do diretor de política monetária, em entrevista a Agência Estado: ..."O dólar abaixo de R$ 2 pode não ser bom para a indústria"... Tenho até dificuldades de entender como uma autoridade do BC poderia dar uma declaração deste tipo, só pode ser sob intensa pressão.

- David, bem vamos ao que interessa, o dólar vai subir ou cair?
Há alguns dias o BC vendeu uma quantidade razoável de dólares ao redor de R$ 2,10, e conseguiu conter a alta, ontem vem um dirigente e explicita um nível "mínimo". Somos levados a concluir que o BC estabeleceu uma banda entre R$ 2,00 e R$ 2,10. Funciona? Só no curto prazo. Como diz um ex-presidente de Banco Central ..."no câmbio não tem bom"..., você consegue administrar num período curto , mas se esta ação gera uma distorção, algum dia terá que pagar a conta com juros e correção monetária. E para a pobre da indústria, tudo isso tem impacto muito limitado, e o que é pior, posterga as mudanças estruturais necessárias, que comento nos posts citados acima.

Imagino que amanhã virá um esclarecimento negando esta interpretação, e por conta disso, fica bastante improvável o BC intervir nos R$ 2,00, por outro lado o mercado reagiu a estas declarações e acabou subindo hoje também. Embora não tenha mencionado, existem algumas alternativas para como esta correção pode se desenrolar, como não quero confundir vocês preparei o gráfico abaixo com algumas cotações que vamos acompanhar.

Se o real penetrar o retângulo em vermelho, diminui a chance da alternativa que propus no post dá-para-confiar-nos-russos?, neste caso uma formação triangular é possível, onde as cotações ficarão contidas entre R$ 2,00/ R$ 2,09, temporariamente. Se entretanto o nível de R$ 2,105 for ultrapassado, bye, bye correção, estamos a caminho dos R$ 2,25. Espero que os Russos cumpram com sua parte! ahahahah.....


Hoje é dia de festa dupla, nos USA pela comemoração do dia da independência, como consequência os mercados estão fechados. Aqui o Corinthians vai disputar a final da Copa Libertadores. No primeiro caso, a comemoração é garantida, no segundo vai ter que ganhar do Boca Juniors. Vamos Corinthiansssssss.... 
Nota: A partir de amanhã recomeça Vamos Santosssssss.... Está precisando!  

O real fechou a R$ 2,0299 com alta de 0,94%; o euro a 1,2533 com baixa de 0,57% e o ouro a U$ 1.615 com queda de 0,1$%.
Fique ligado!

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