O futuro dos sem Carteirinhas #S&P 500

 


A expectativa global hoje se concentra no prazo final dado pelo presidente Trump ao Irã para aceitar um acordo. A bola está com Teerã e, observando de fora, o regime demonstra pouca disposição para avançar. Caso o limite não seja cumprido, as declarações mais duras de Trump, inclusive a ameaça de “destruir o país em 24 horas”, sinalizam que a paciência americana se esgotou. As próximas doze horas são críticas. O poderio militar dos Estados Unidos é avassalador, mas o Irã detém reservas significativas de urânio e, possivelmente, capacidade nuclear. Qualquer erro de cálculo pode levar ambos os lados a decisões perigosas e não racionais.

Enquanto o Oriente Médio vive essa tensão, outro movimento silencioso e profundo avança: a adoção da inteligência artificial pelas empresas. O relatório da Goldman Sachs de março de 2026 revela que a taxa de adoção geral permanece praticamente estável em 18,9% nos últimos três meses. À primeira vista, o número pode parecer decepcionante, mas o detalhe é revelador.

Os setores de tecnologia da informação já se aproximam da metade das empresas utilizando IA de forma intensa, enquanto os setores tradicionais caminham em ritmo muito mais lento. Essa diferença não é mero detalhe. Ela aponta para uma transformação assimétrica e acelerada.

 


A verdadeira questão que emerge agora não é mais se a IA será adotada, mas quais serão as consequências para o mercado de trabalho quando essa adoção ganhar escala. O estudo “Breaking Down the Impact of AI on the Labor Market: Substitution vs. Augmentation”, também da Goldman Sachs, examina exatamente esse ponto: em que medida a IA substitui trabalhadores e em que medida os complementa e potencializa.

Os dados do último ano indicam que a substituição já é mensurável em tarefas rotineiras e de complexidade média. Ao mesmo tempo, observa-se ganho de produtividade nas funções onde a IA é combinada com julgamento humano. O equilíbrio entre substituição e aumento ainda está em formação — e é exatamente aí que mora o maior risco.

 


Complementando essa visão, o relatório “The Long-Run Effects of Technological Disruption on Workers” analisa o que a história revela sobre grandes disrupções tecnológicas. As revoluções anteriores — da máquina a vapor à eletricidade e à computação — destruíram empregos em determinados setores, mas criaram, no longo prazo, mais oportunidades e de maior qualidade. O problema reside no intervalo: entre a destruição e a reconstrução costuma haver uma década ou mais de ajustamento doloroso, com deslocação de mão de obra e sofrimento real.

 


Diante desse cenário, volto a defender com ainda mais convicção a ideia que apresentei em junho de 2025: a Carteirinha PF, a preparação profissional fundamental.

Não se trata de alarmismo nem de otimismo ingênuo. Trata-se de realismo. Quem acompanhou o raciocínio desde o início teve tempo de se posicionar: estudar, requalificar-se, construir rede, acumular capital humano e financeiro e desenvolver competências difíceis de serem replicadas pela IA — como criatividade de alto nível, negociação complexa, liderança autêntica e pensamento estratégico integrado.

Quem preferiu esperar para “ver no que dava” agora enfrenta uma realidade menos confortável. A aparente estagnação em 18,9% não significa estabilidade. É a calmaria que precede a aceleração. Quando os setores mais avançados demonstrarem ganhos claros de produtividade e rentabilidade, a pressão por adoção se espalhará rapidamente.

O futuro dos que não se prepararem — os sem Carteirinha PF — é preocupante. Não porque a tecnologia seja má por natureza, mas porque a história demonstra que as grandes transições recompensam fortemente os adaptados e penalizam duramente os lentos. Desta vez, a velocidade é maior do que em qualquer revolução anterior.

Não antevejo um apocalipse de desemprego permanente, mas sim um período de forte turbulência, com polarização acentuada entre os preparados e os não preparados — mais intensa do que em disrupções passadas.

Por isso mantenho aqui o tom que sempre adotei no Mosca: urgência serena. Não é momento para desespero, mas tampouco para complacência. O mundo geopolítico está fervendo. O mundo tecnológico ferve ainda mais rápido. Quem conseguir navegar esses dois caldeirões com cabeça fria e olhos atentos construirá uma vantagem estrutural significativa nos próximos anos.

A Carteirinha PF nunca foi promessa de sucesso fácil. Foi, desde o início, um chamado à responsabilidade pessoal: preparar-se porque o que está por vir é grande, veloz e não espera por ninguém.

O relógio tanto do conflito no Oriente Médio quanto da adoção da IA continua avançando.

 

Análise Técnica

No post exportações-com-escala, fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500: “Sinto-me como se estivesse realizando um exercício de futurologia. A razão é clara: parto da hipótese de que estamos em uma correção em andamento, assumo que sua forma será um Flat e, por fim, projeto objetivos específicos — onda (B) vermelha entre 6.837 / 6.986 / 7.180 e onda (C) vermelha entre 6.405 / 6.291 / 6.053. Como diz o ditado, o papel aceita tudo.”



A bolsa caminhou na direção apontada acima, sem, contudo, atingir a marca mínima de 6.837. Notem: esses são os níveis mais prováveis, mas não os únicos. Para que o leitor compreenda melhor, demarquei as opções de menor probabilidade por meio dos retângulos em branco — 6.722 / 6.643, sendo que este último já foi atingido.



As próximas horas podem ser decisivas para a bolsa, e antevejo três possibilidades:

a) Acordo selado — os objetivos iniciais acima podem ser atingidos nos próximos dias, ou até mesmo um cenário mais altista — algo como Trump apertando a mão de Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do comando militar.

b) Sem acordo — neste caso, as bolsas podem sofrer de forma mais intensa, diante da insegurança quanto ao futuro. O nível adotado como stop loss, em 6.320, se rompido, poderá levar a novas quedas.

c) Mais um tempinho — Trump vai às redes e anuncia que o acordo está muito, muito perto, faltando “apenas” alguns detalhes, e decide estender o prazo limite. Nesse caso, a bolsa retorna ao estado de espera.

O S&P 500 fechou a 6.616, sem alteração; o USDBRL a R$ 5,1544, com alta de 0,19%; o EURUSD a € 1,1593, com alta de 0,44%; e o ouro a U$ 4.708, com alta de 1,24%.

Fique ligado!

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