O Irã vai instalar SemParar em Hormuz #OURO #GOLD #EURUSD

 


Como investidor, você precisa entender assuntos que jamais imaginou serem relevantes para suas decisões. Posicionar-se hoje exige uma opinião fundamentada sobre conflitos geopolíticos, suas consequências sobre a energia global e, em especial, sobre o destino do preço do petróleo. É exatamente esse o tema que me ocupa agora.

O conflito entre os Estados Unidos e o Irã — que durou 38 dias — encerrou-se com um cessar-fogo de duas semanas negociado na semana passada. Trump anunciou "vitória total", mas aliados próximos e membros do próprio governo americano reconhecem que a expressão exagera o que é, na prática, uma trégua frágil. O regime iraniano sobreviveu. E saiu do conflito com dois ganhos estratégicos concretos: o controle sobre o estreito de Ormuz e um novo poder de dissuasão contra ataques de larga escala por parte de seus adversários históricos.

O estreito de Ormuz é a artéria mais importante do comércio energético mundial. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo exportado no planeta. Antes da guerra, mais de 100 navios cruzavam o estreito diariamente. Na última quarta-feira, apenas quatro foram autorizados a passar — o menor número registrado em abril. O Irã comunicou aos mediadores que limitará o fluxo a cerca de uma dúzia de embarcações por dia, cobrando pedágio pela travessia.



O modelo de cobrança que se consolida é escalonado: navios transportando petróleo iraniano ou mercadorias de países aliados transitam livremente; embarcações de nações neutras pagam alguma tarifa; navios de países alinhados com os Estados Unidos ou Israel são simplesmente bloqueados. O pagamento deve ser acertado com antecedência e realizado em criptomoeda ou em iuane chinês — um detalhe que não é mera curiosidade operacional, mas sinal político inequívoco.

Para um superpetroleiro com capacidade para dois milhões de barris, o pedágio cobrado chega a dois milhões de dólares. No cálculo agregado, a receita potencial para o Irã com essa cobrança pode alcançar 70 bilhões de dólares por ano — valor expressivo para um país cujas infraestruturas militares e industriais foram duramente castigadas por mais de cinco semanas de ataques aéreos americanos e israelenses.

Há uma camada ainda mais relevante nessa equação. O Irã provou ao mundo — e a si mesmo — que seu controle sobre o estreito é real e efetivo, não apenas uma ameaça retórica. Antes da guerra, Teerã sabia que possuía esse trunfo, mas não tinha certeza se conseguiria exercê-lo de fato em um conflito aberto, nem por quanto tempo, nem como os mercados reagiriam. Agora sabe. Esse conhecimento não desaparece com nenhum acordo de paz.

A reação dos vizinhos do Golfo será igualmente duradoura. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já operavam oleodutos alternativos que permitiram contornar parcialmente o estrangulamento. Ambos devem ampliar essas rotas de emergência. O Kuwait tende a seguir o mesmo caminho. O Iraque, apesar de suas dificuldades financeiras, tem forte incentivo para reativar seu antigo oleoduto estratégico que conectava o sul do país ao Mediterrâneo via Turquia. O mundo árabe recebeu uma lição geopolítica que vai remodelá-lo por anos.

Do ponto de vista dos fundamentos de mercado, o cenário mais provável é de queda do petróleo a médio prazo — desde que nenhum novo escalonamento ocorra. Com o preço em torno de 100 dólares por barril, praticamente qualquer campo do mundo volta a ser viável economicamente. Uma oferta crescente, combinada com a aceleração da transição energética — as vendas de veículos elétricos na China bateram novo recorde em março —, aponta na direção da baixa. O problema é que "desde que nada mais grave aconteça" é uma ressalva bastante pesada quando se fala de Oriente Médio.

O mercado de petróleo é fortemente guiado pelos contratos futuros, nas modalidades Brent e WTI. Em condições normais, ninguém quer receber a mercadoria fisicamente. Quem se lembra da pandemia sabe do que estou falando: naquele momento sem precedentes, os preços chegaram a território negativo porque simplesmente não havia onde armazenar o óleo — situação que comentei à época no post "petróleo-de-graça-e-caro". O movimento atual tem natureza oposta, mas é igualmente perturbador: desta vez, a escassez não é de demanda, e sim de passagem.

Trump declarou vitória. Mas a vitória real foi do Irã. Um país que perdeu grande parte de sua marinha, viu sua maior petroquímica ser destruída e teve seu arsenal de mísseis e drones severamente degradado — mesmo assim saiu do conflito com um novo instrumento de poder que analistas ocidentais comparam, em termos de influência sobre a economia global, a um arsenal nuclear. A República Islâmica, liderada agora por uma cúpula ainda mais endurecida após a morte de Khamenei no primeiro dia do conflito, não vai abrir mão facilmente desse ativo.

A negociação que se avizinha é complexa. O Irã apresentou uma proposta de dez pontos exigindo, entre outras concessões: garantia americana de não atacar novamente, levantamento de todas as sanções e retirada das tropas norte-americanas da região. O controle sobre o estreito de Ormuz está explicitamente listado como uma das demandas. Trump sinalizou que a proposta é "uma base de trabalho" para as negociações — lido com atenção, uma concessão implícita de enorme alcance.

Para o investidor, a conclusão prática é direta: o preço do petróleo ganhou um novo componente estrutural de risco que simplesmente não existia antes. O pedágio de Ormuz, que teria um custo marginal de U$ 1,00 por barril — o que é pequeno —, passou a integrar permanentemente o cálculo energético global. Mesmo que um acordo seja fechado nas próximas semanas, o conhecimento geopolítico adquirido — por Teerã, por Riad, por Pequim e por Washington — já não pode ser desfeito. O Irã bagunçou o preço de uma matéria-prima sem ser um grande produtor dela. Essa é a síntese de tudo.

Análise Técnica

No post "o indicador da modernidade", fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

"Os novos objetivos nessa contagem adotada — friso que não é a única — levam o preço a um primeiro patamar entre U$ 4.030 / U$ 3.900 (+/- ↓12%) ou, mais abaixo, U$ 3.680 / U$ 3.620 (+/- ↓20%)"



Estou adotando a configuração de um triângulo para o ouro, que em ondas 4 é bastante comum. Mesmo que eu tivesse certeza de que será assim, poderia comprar o ouro quando se aproximasse de U$ 4.000 e vender na proximidade de U$ 5.200 por um tempo. Ainda assim, essa estratégia poderia não ser lucrativa, pois o triângulo pode ser Extendido, como mostrado no gráfico abaixo em vermelho. Por sinal, essa última situação ocorre justamente em momentos em que o mercado fica mais nervoso, alternando movimentos fortes para cima e, em seguida, para baixo — o que pode ser o cenário atual.

Mesmo tendo uma visão mais altista à frente, não me aventuro a comprar, principalmente nos preços atuais. Posso até pagar mais caro depois, porém com uma evidência mais consistente.



Em relação ao euro, comentei:

"A moeda única está próxima de desvendar (ou esclarecer) minha dúvida apontada acima. Se cair abaixo de € 1,1402, serão formadas 5 ondas 'bonitinhas', como gosta a EW. Supondo que isso aconteça, vou aguardar a correção indicada no gráfico abaixo em (a) — (b) — (c), em preto."



Minha hipótese está no limite de tempo e de extensão: ou começa a cair em breve, ou terei que refazê-la. Estou desconfiado de que terei que revisá-la, pois, com o cessar-fogo em curso, o mercado parece acreditar que o dólar tende a cair e, por consequência, o euro a subir.


O S&P 500 fechou a 6.824, com alta de 0,61%; o USDBRL a R$ 5,0644, com queda de 0,68%; o EURUSD a € 1,1706, com alta de 0,38%; e o ouro a U$ 4.776, com alta de 1,22%.

Fique ligado!

Comentários