2075: um chute sobre o futuro #nasdaq100 #NVDA
Como os leitores já percebem pelas minhas colocações ao longo dos anos, sou cético em relação ao Brasil. Executivo e legislativo têm visão imediatista e egoísta, pensam em si mesmos, sem contar a corrupção que vemos todos os dias nos telejornais — sempre uma novidade. Tudo isso tem custo, e o custo não aparece de imediato: é uma deterioração lenta, que se acumula no tempo.
Estamos às vésperas de uma nova eleição, e posso adiantar que vou votar no menos ruim — e mesmo assim é muito ruim. Isso só muda se a população se revoltar e exigir mudança drástica, e não creio que estejamos perto desse ponto. Pode levar décadas.
Os leitores também sabem que sou cético em relação a economistas — não que eu desconsidere a matéria, mas me surpreende como mudam de opinião sem nenhum constrangimento, às vezes jogando a culpa em terceiros: o governo, a conjuntura internacional. Sei bem que o futuro pertence a Deus, e que as previsões, na melhor das hipóteses, estão sujeitas a mudança.
Por isso, o post de hoje é um chute sobre o futuro — parece-me a forma mais honesta de tratar o tema. E o chute vem de gente séria: o estudo "The Path to 2075", da Goldman Sachs, assinado por Kevin Daly, propõe uma tese que merece nossa atenção antes de qualquer previsão.
A maior parte dos estudos sobre convergência econômica — a ideia de que países pobres crescem mais rápido que os ricos, reduzindo a distância entre eles — encontrou pouca evidência disso nas últimas décadas. A Goldman discorda, e o motivo é simples: esses estudos tratam cada país como uma unidade igual, dando o mesmo peso à China e a Chipre. Quando a Goldman pondera os países pelo tamanho da população — ou seja, olha para pessoas, não para bandeiras — a convergência aparece como um fenômeno consistente desde os anos 1980, puxada por China, Índia, Indonésia e Bangladesh, que juntos somam mais de 40% da população mundial.
Gráfico 1 — arquivo "2075_grafico1_convergencia_regional.jpg" — reproduzido do relatório "The Path to 2075 — Is Convergence Really Over?", Goldman Sachs Global Economics Analyst, 1º de junho de 2026. Fonte: The Conference Board Total Economy Database (abril de 2026), Goldman Sachs Global Investment Research.]
O gráfico acima mostra bem o ponto: a renda por habitante na Ásia emergente subiu quase dez vezes desde 1980, embora ainda esteja bem abaixo dos níveis dos países desenvolvidos. A África segue capenga, e a América Latina — onde o Brasil mora — cresce pouco acima de zero: apenas 0,9% ao ano em média desde 1980, um dos piores desempenhos do levantamento.
É aqui que a leitura fica pessoal. O gráfico a seguir compara os oito países mais populosos do planeta, e a linha do Brasil (BRA) é a mais desanimadora de todas: em vez de subir, ela desce. Em 1980 nossa renda por habitante equivalia a cerca de 38% da americana; hoje mal chega a 20%. A China partiu de apenas 2% do nível americano e hoje está em 33% — nos ultrapassou de vez, e segue subindo.
Gráfico 2 — arquivo "2075_grafico2_brasil_vs_populosos.jpg" — reproduzido do relatório "The Path to 2075 — Is Convergence Really Over?", Goldman Sachs Global Economics Analyst, 1º de junho de 2026. Fonte: The Conference Board Total Economy Database (abril de 2026), Goldman Sachs Global Investment Research.]
A Goldman aponta as razões do nosso atraso sem rodeios: instabilidade macroeconômica, gasto público que atropela o investimento privado, barreiras comerciais e infraestrutura capenga. Não é notícia nova para quem lê o Mosca, mas dói ver o diagnóstico confirmado por terceiros, número a número.
A projeção de longo prazo — o "Path to 2075" propriamente dito — reforça o quadro. Em 2022, o Brasil era a 11ª economia do mundo em dólares correntes; em 2050 e também em 2075, a Goldman projeta o país ainda na 8ª posição — nem sobe, nem desaparece da lista, fica estacionado. Enquanto isso, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão, Egito e Filipinas sobem no ranking, e a China deve ultrapassar os Estados Unidos como maior economia do mundo por volta de 2035; a Índia, segundo a projeção, ultrapassaria os americanos até 2075. É o retrato de um mundo em que o centro de gravidade econômico migra para a Ásia, com o Brasil observando de longe, sem regredir, mas também sem avançar.
O relatório também aposta que a inteligência artificial deve reforçar o desempenho de quem já vai bem — Estados Unidos e parte do Leste Asiático, com destaque para Coreia do Sul e Taiwan em capex, e a China na adoção. Do lado do risco, o protecionismo crescente pode reverter décadas de globalização, e as mudanças climáticas ameaçam sobretudo o Sul da Ásia e a África. Nenhuma dessas forças é favorável ou desfavorável ao Brasil de forma automática — dependem, como sempre, de decisões que fazemos ou deixamos de fazer por aqui.
Fico com a mesma dúvida com que abri o texto: previsão de 50 anos vale o quê? Vale como exercício de honestidade — um chute qualificado, feito por gente séria, com metodologia transparente e disposta a admitir os próprios limites. O que fica claro, chute ou não, é que a distância entre nós e os países que estão convergindo de verdade não é destino, é escolha. E escolha se muda antes de 2075.
Análise Técnica
No post "IA-virou-commodity" fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq100:
"Ainda não havia ocorrido o rompimento da máxima histórica, e mesmo assim, como comentei no post 'all-in-em-equities', ainda seria preciso superar alguns níveis.
Em relação à Nasdaq100, ainda não são visíveis cinco ondas na janela de duas horas, e a máxima ainda não foi ultrapassada."
"O nível apontado acima, de US$ 213,81, foi ultrapassado, e agora, assim como a Nasdaq100, precisa completar as cinco ondas na janela de duas horas e superar a máxima histórica de US$ 236,54 (+7%)."
Para que meu amigo não venha me perguntar, deixei o objetivo de US$ 340 que aparece no gráfico como tentativo. Não se anime antes de passar pela sequência acima.
Pode acontecer de novo? Claro que pode, mas não é o que os gráficos apontam por enquanto. Entre a opinião deles e os gráficos, fico com os gráficos.
O S&P 500 fechou a 7.785, com queda de 0,17%; o USDBRL a R$ 5,2193, com alta de 0,24%; o EURUSD a € 1,1568, com alta de 0,34%; e o ouro a U$ 4.374, com alta de 0,54%.
Fique ligado!
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