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O entrerro apressado da América #USDBRL

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  O Mosca volta às suas atividades normais e se depara com a notícia de uma ação criminal contra Jay Powell, presidente do Federal Reserve. A leitura imediata é menos jurídica e mais política. O timing chama atenção: o episódio surge justamente quando Powell reforça publicamente sua disposição de cumprir o mandato até o fim, citando de forma explícita — talvez pela primeira vez — a intenção do presidente de influenciar a condução da política monetária. Tudo indica uma tentativa de irritá‑lo, constrangê‑lo e, sobretudo, desestimulá‑lo a permanecer no Fed após o término do mandato. O problema é que esse tipo de manobra não desgasta apenas uma pessoa, mas coloca ruído sobre um dos pilares centrais da credibilidade americana: a independência do banco central. É um movimento de baixo retorno político e custo potencial elevado, especialmente num momento em que, como mostra o relatório da Goldman Sachs comentado a seguir, a superioridade estrutural dos Estados Unidos repousa justamente na...

Errar ficou mais caro #USDBRL #S&P500 #IBOVESPA #OURO #GOLD #EURUSD #NASDAQ100

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  Todo fim de ano o mercado pede previsões. Todo começo de ano ele se encarrega de expô-las. Em 2025, isso ficou particularmente claro. Não porque o mercado tenha sido caótico, mas porque avançou num ambiente que muitos se recusaram a aceitar como funcional. O erro não foi estatístico. Não foi pontual. Foi conceitual. A economia americana cresceu de forma consistente ao longo do ano. O PIB real avançou a taxas anualizadas próximas de 4% na segunda metade de 2025, depois de já ter rodado acima de 3% no primeiro semestre. Os lucros corporativos renovaram máximas históricas, superando US$ 3 trilhões em termos anualizados, enquanto o consumo das famílias cresceu em torno de 3% ao ano, mesmo com juros reais elevados e condições financeiras mais restritivas. Nada disso ocorreu em um ambiente confortável. A inflação medida pelo núcleo do PCE permaneceu próxima de 3% ao ano, acima da meta do Federal Reserve, e a taxa dos Treasuries de 10 anos oscilou consistentemente acima de 4%. Ain...

O ouro manda #OURO #GOLD #EURUSD

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  Olhando para trás, o post publicado exatamente um ano atrás ajuda a organizar o raciocínio. Naquele momento, o pano de fundo era um misto de fragilidade europeia, esperança mal colocada no euro e uma percepção ainda incompleta sobre o papel que o ouro voltaria a desempenhar em um mundo que já não confia cegamente nas instituições monetárias tradicionais. Um ano depois, os fatos se encarregaram de colocar cada ativo no seu devido lugar — e, principalmente, de mostrar quem correu de verdade e quem apenas caminhou. Em 2025, o ouro não apenas confirmou a tendência de alta como passou a liderar o ranking de desempenho entre os grandes ativos globais. Uma valorização superior a 60% não é algo trivial, ainda mais para um ativo que muitos insistem em tratar como relíquia, reserva emocional ou simples hedge de crise. O movimento foi amplo, persistente e, talvez mais incômodo para os modelos tradicionais, ocorreu apesar de juros ainda elevados em boa parte do mundo desenvolvido. As corre...

Ibovespa: ainda vale o risco? #IBOVESPA

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  No início de 2025, essa não era uma pergunta retórica — era o dilema central de qualquer investidor no Brasil. Com um CDI estratosférico, previsível e confortável, a bolsa precisava justificar cada ponto de retorno com risco real, volatilidade e paciência. Não se tratava apenas de ganhar dinheiro, mas de explicar por que sair da renda fixa fazia algum sentido. Esse dilema continua presente, mas começa a perder força conforme o ano avança. O Ibovespa deixou de ser apenas uma promessa futura e passou a refletir, ainda que de forma irregular, a expectativa de um ciclo de juros menos restritivo à frente. Não se trata de euforia, mas de uma mudança gradual na relação risco-retorno que dominou o mercado nos últimos anos. O ponto central é que o CDI sempre foi mais do que um indexador. Ele virou um parâmetro psicológico. Enquanto o juro curto permanecia elevado, qualquer investimento em ações precisava justificar não apenas o risco, mas a renúncia a um retorno garantido. Isso criou ...

O medo por trás da alta S&P 500 #nasdaq100

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  O mercado americano entra em 2026 em um ponto curioso: índices nas máximas históricas, liquidez ainda abundante e, ao mesmo tempo, uma sensação difusa de desconforto. Não é euforia aberta. Tampouco é pessimismo. É algo mais sutil — uma alta sustentada mais pelo receio de ficar de fora do que por convicção plena. Esse incômodo fica explícito quando olhamos a mais recente pesquisa global do Deutsche Bank com seus clientes institucionais, feita justamente para mapear os principais riscos do próximo ano. E o resultado é tão revelador quanto desconfortável.   Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados apontam o estouro de uma bolha tecnológica como um dos três maiores riscos para 2026. Não apenas é o risco número um: ele aparece isolado, com enorme distância para os demais. O próprio Deutsche Bank afirma nunca ter visto um único risco tão dominante na virada de um ano. Isso diz muito sobre o momento atual das bolsas americanas. A discussão já não é mais sobre se ...

O mercado sempre ganha #TB 10 years #USDBRL

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A trajetória da taxa de juros dos títulos americanos de 10 anos tem sido uma das histórias mais mal interpretadas pelos mercados desde o início da última grande alta de juros em 2020. Naquele ano, a combinação de inflação elevada e política monetária ultra-frouxa deixou muitos operadores confusos sobre a direção futura dos juros. O Fed demorou a reconhecer a persistência inflacionária, e quando começou a subir os juros em março de 2022, iniciou um ciclo que só foi interrompido no fim de 2023. Parte do mercado apostou em cortes rápidos a partir dali, levando o rendimento do título a recuar de cerca de 5% para 3,8% ao ano, antes de voltar a subir de novo ao reconhecer que a “molezinha” de juros baixos era uma anomalia histórica. Hoje, o cenário mudou: A inflação não desapareceu como muitos previam, A economia americana continuou forte em vez de entrar em recessão, E o mercado está menos inclinado a apostar em cortes intensivos de juros no curto prazo. Essa “persistência” nas ...