Errar ficou mais caro #USDBRL #S&P500 #IBOVESPA #OURO #GOLD #EURUSD #NASDAQ100

 


Todo fim de ano o mercado pede previsões. Todo começo de ano ele se encarrega de expô-las.

Em 2025, isso ficou particularmente claro. Não porque o mercado tenha sido caótico, mas porque avançou num ambiente que muitos se recusaram a aceitar como funcional. O erro não foi estatístico. Não foi pontual. Foi conceitual.

A economia americana cresceu de forma consistente ao longo do ano. O PIB real avançou a taxas anualizadas próximas de 4% na segunda metade de 2025, depois de já ter rodado acima de 3% no primeiro semestre. Os lucros corporativos renovaram máximas históricas, superando US$ 3 trilhões em termos anualizados, enquanto o consumo das famílias cresceu em torno de 3% ao ano, mesmo com juros reais elevados e condições financeiras mais restritivas.

Nada disso ocorreu em um ambiente confortável. A inflação medida pelo núcleo do PCE permaneceu próxima de 3% ao ano, acima da meta do Federal Reserve, e a taxa dos Treasuries de 10 anos oscilou consistentemente acima de 4%. Ainda assim, o mercado acionário antecipou a continuidade do crescimento, ignorando a ausência do tradicional estímulo monetário.

O fator central dessa aparente contradição foi a produtividade. Entre 2024 e 2025, a produtividade do trabalho nos Estados Unidos avançou acima de 3% ao ano, enquanto o total de horas trabalhadas permaneceu praticamente estagnado. A economia produziu mais sem empregar proporcionalmente mais pessoas.

A inteligência artificial teve papel decisivo nesse processo. Em 2025, deixou de ser apenas promessa tecnológica e passou a impactar diretamente margens, custos e estruturas operacionais. O crescimento dos lucros ocorreu com expansão limitada do emprego, maior eficiência operacional e foco explícito em rentabilidade — um cenário desconfortável para modelos baseados em ciclos clássicos de crédito e trabalho.

Nesse contexto, o consenso voltou a errar. No início do ano, boa parte das projeções apontava desaceleração relevante ou mesmo recessão. Ao longo de 2025, essas projeções foram sendo revistas, enquanto os mercados já haviam precificado um cenário mais benigno. Errar ficou mais caro porque insistir no erro ficou ainda mais caro.




A concentração é evidente, mas também é possível observar uma melhora gradual do restante do mercado. Para os céticos, trata-se de um sinal clássico de excesso. Para os otimistas, é o reflexo natural de uma transição tecnológica em que os ganhos de produtividade se concentram inicialmente em poucos vencedores.

É nesse ponto que 2026 se apresenta como um ano de tensão permanente. De um lado, os que veem uma bolha em formação. De outro, os que acreditam em um novo regime tecnológico capaz de sustentar valuations mais altos por períodos prolongados.




O S&P 500 encerra o ano negociando próximo de 22 vezes o lucro esperado. Quanto mais as bolsas performarem, maior tende a ser o ruído em torno da tese de bolha. O avanço dos preços não reduz a dúvida — ele a amplifica.

O cenário otimista não é frágil, mas é exigente. Ele depende de ganhos contínuos de produtividade, da manutenção do ciclo de investimento em tecnologia e de juros longos que não sabotem os múltiplos. Bolhas modernas raramente terminam em explosão. Costumam terminar em decepção.

Como isso se traduziu na prática

O resultado do Mosca em 2025 foi 42,67%, acima da média dos últimos dez anos. Foram 20 trades no total, número levemente superior ao padrão histórico, influenciado por algumas entradas com stop loss curto, associadas ao risco de ondas terminais.

Desses trades, 15 foram positivos, representando um ganho acumulado de 43,30%. Apenas duas operações resultaram em perda, somando 0,63%, enquanto três ficaram no zero a zero. O ponto central não está no número absoluto, mas na assimetria: quando o erro ocorreu, custou pouco; quando o acerto veio, foi deixado correr.



O grande destaque do ano foi o ouro, responsável por 42% dos ganhos totais, seguido pelo dólar, com 23%. Os demais mercados contribuíram de forma compatível com o comportamento observado ao longo do ano.

Como de costume, o gráfico abaixo simula um investimento inicial de US$ 100 feito em 2016, cujo valor acumulado teria atingido US$ 1.801 ao final de 2025.


Entre os ativos, o ouro foi novamente o protagonista, com alta expressiva de 65%, seguido pelas bolsas internacionais e pela Ibovespa, que contrariou muitas previsões feitas no início do ano. Indiscutivelmente, foi um ano de risco — mas risco bem remunerado para quem leu corretamente o regime.


2025 também foi um ano de conquistas importantes. O Mosca ultrapassou 1 milhão de visualizações e encerra o ano com mais de 1,1 milhão. As leituras semanais saltaram de cerca de 2.000 para algo entre 8.000 e 10.000. São 3.433 posts, agora auxiliados pela IA, via ChatGPT, ampliando qualidade, clareza e abrangência.

Mais importante do que o nível do retorno foi a consistência. Em algum momento, esse patamar pode não ser entregue — espero estar errado. O objetivo segue sendo explicar os porquês, os riscos, as entradas e, principalmente, as ausências. Errar faz parte. Insistir no erro é que ficou caro demais.

Aos leitores, meu agradecimento pela confiança depositada no Mosca.

Feliz Ano Novo.
Voltamos com postagens diárias a partir de 12 de janeiro.

O S&P 500 fechou a 6.845, com queda de 0,74%; o USDBRL a R$ 5,5155, com alta de 0,69%; o EURUSD a € 1,1732, com queda de 0,13%; e o ouro a U$ 4.325, com queda de 0,31%.

Fique ligado!

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