Rasgando os livros de economia #OURO #GOLD #EURUSD


Sou engenheiro, não economista. Aprendi economia na marra, pelo trabalho — décadas de mercado financeiro são um laboratório que nenhuma sala de aula reproduz. E aprendi a distinguir o que importa do que é enfeite acadêmico. Os conceitos fundamentais são simples. Tão simples que, conta-se, um deputado indignado com a inflação propôs ao plenário revogar a lei da oferta e da procura, afinal, estava atrapalhando sua intenção. O episódio diz tudo sobre a distância entre a política e a realidade.

O livro-texto de economia ensina há séculos que existem três fatores de produção: Terra, Trabalho e Capital. Ideia sólida, lógica, testada. Ninguém havia sugerido nada diferente em toda a história da disciplina.

Até agora.

Acompanho com atenção o trabalho do economista Ed Yardeni — raiz, criterioso, com um banco de dados que poucos possuem e uma veia levemente sarcástica que aprecio. Em seu relatório desta semana, ele fez uma afirmação que me parou: propôs a inclusão de um quarto fator de produção. Os Dados. Minha reação foi imediata: Bingo. É exatamente isso.

O quarto fator que sempre esteve aqui

A lógica de Yardeni é elegante. Os dados sempre existiram, mas eram caros demais para coletar, processar e analisar em escala. Com a Revolução Digital, que ele data do mainframe da IBM em 1964, esse custo caiu dramaticamente. Com a inteligência artificial — em especial após o surgimento do ChatGPT em novembro de 2023 — os dados passaram a ser processados numa velocidade e profundidade que transformam completamente seu valor econômico.

O resultado concreto está nos números: a participação dos investimentos em alta tecnologia no total do investimento nominal em capital fixo saltou de cerca de 20% para 55% nesse período. Metade de todo o investimento produtivo dos Estados Unidos vai hoje para tecnologia. Isso não é tendência — é estrutura.



E a lógica se retroalimenta: mais dados geram mais demanda por processamento. Mais processamento exige mais memória, porque todo dado precisa ser armazenado enquanto não for deliberadamente apagado. É o que Yardeni batizou de sua Teoria Buzz Lightyear da inteligência artificial — ao infinito e além. Provocativo, mas preciso.

Uma ideia que confirma o que venho dizendo

Essa proposição de Yardeni não chega como novidade isolada. Ela se encaixa perfeitamente no que tenho desenvolvido aqui ao longo do tempo: a ideia de que vivemos uma Revolução Digital sem precedentes; a necessidade de uma atualização profissional que chamei de 'carteirinha' para quem ainda não incorporou a inteligência artificial ao seu repertório; e a convicção de que esse movimento está apenas começando.

Há dias, numa consulta médica com o Dr. Sidney Klajner — presidente do Hospital Albert Einstein —, pude constatar isso de perto. Boa parte da consulta foi dedicada a me mostrar o que a inteligência artificial já está trazendo de benefícios concretos para aquele hospital. Impressionante. E ele mesmo disse: estamos ainda só no começo.

Se até a medicina — setor de altíssima complexidade e responsabilidade — já opera com dados como fator central de decisão, o que dizer dos negócios, das finanças, da indústria? Nas economias desenvolvidas, onde a maior parte da atividade econômica está em serviços, esse quarto fator não é acessório. É o núcleo.

A bolsa acredita nisso — e os números confirmam

O mercado de capitais já precificou essa visão, ao menos em parte. O S&P 500 saiu da mínima do ano em 30 de março e subiu mais de 16% desde então, atingindo nova máxima histórica. O consenso dos analistas projeta crescimento de lucros de 21,4% para 2026 — e elevou as estimativas mesmo durante o acirramento do conflito no Oriente Médio em março. O crescimento esperado de longo prazo chegou a 20,2% — nível que já supera o pico da bolha tecnológica de 2000.



A consequência direta é que o múltiplo de preço sobre lucro projetado caiu. Com o crescimento esperado acelerando, o índice PEG — que relaciona o preço/lucro ao crescimento esperado — está em 1,03. Pelo critério clássico, o mercado está barato. O risco, claro, é que essas projeções se mostrem excessivamente otimistas — como aconteceu após o estouro da bolha em 2000. Mas a diferença é que desta vez há substância por baixo: lucros reais, trimestres batidos, economia americana resiliente.



O próprio Yardeni reconhece que sua exuberância pode ser irracional — e cita, como principal risco geopolítico, uma eventual invasão chinesa de Taiwan. Para o aqui e agora, a economia americana continua surpreendendo positivamente: o PIB do segundo trimestre está projetado em 3,7%, o mercado de trabalho segue firme com 109 mil vagas criadas no setor privado em abril, e as vendas no varejo cresceram 7,8% em termos anuais na primeira semana de maio.

Hora de rasgar os livros

A economia é uma ciência viva — ou deveria ser. Quando a realidade muda de forma estrutural, os modelos precisam acompanhar. A inclusão dos Dados como quarto fator de produção não é uma provocação acadêmica. É o reconhecimento de que o mundo mudou e que as ferramentas conceituais precisam refletir essa mudança.

Terra, Trabalho, Capital — e Dados. Quatro fatores. Um novo mapa para navegar a economia do século XXI.

Considerando tudo isso, não resta outra conclusão: é hora de rasgar os livros de economia e reescrevê-los com esse novo capítulo.


Análise Técnica

No post “o-novo-patrão-do-fed” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

“A hipótese de o ouro estar formando um triângulo segue dentro do esperado. Como mencionado, formações de triângulo são particularmente desafiadoras — e testam a paciência de qualquer operador”



Será que vou ter a oportunidade de mostrar aos meus leitores como um triângulo se desenvolve na prática, ao vivo e em cores? Nessa onda B laranja temos que ficar de olho se os níveis apontados dentro da elipse são respeitados (U$ 4.968 / U$ 5.234). Se ultrapassar, vou ficar desconfiado de que não é um triângulo, e possivelmente estamos no canal de alta novamente — mas é acima de U$ 5.427 que jogo a toalha.



Em relação ao euro comentei:

“O que se pode dizer é que houve uma pequena janela para subir — e o euro não conseguiu aproveitá-la, o que torna a hipótese de alta um pouco mais frágil” ... “Se o euro romper € 1,1628 e, principalmente, € 1,1404, pode-se dar adeus aos objetivos de alta”



Será que daqui algum tempo meus leitores ficarão experts na teoria de Elliott Wave? Posso garantir por experiência que, de tanto ver gráficos, o processo hoje é quase automático — consigo no mínimo identificar sequências “by the books” das complexas. No caso do euro, destaquei o retângulo que pode estar formando as 5 ondas tão desejadas — mas não pode violar o stop loss antes.



Venho comentando que estava com o dedo no gatilho nas posições de bolsa — não que tenha mudado minha visão de médio prazo de alta, mas no curto prazo uma correção pode estar a caminho. O S&P 500 atingiu meu objetivo esta manhã, a 7.373, e resolvi liquidar. A posição na Nasdaq 100 continua por enquanto — análise no post de amanhã. Não costumo agir assim; normalmente deixo o mercado me tirar da posição conforme vou subindo o stop loss, mas desta vez optei por sair agindo. Veremos.

O S&P 500 fechou a 7.337, com queda de 0,38%; o USDBRL a R$ 4,9389, sem variação; o EURUSD a € 1,1734 com queda de 0,11%; e o ouro a 4.701, com alta de 0,23%.

Fique ligado!

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