Bem-vindo ao Inferno, Kevin #OURO #GOLD #EURUSD
Há décadas que os mercados financeiros não assistem a uma estreia tão carregada quanto a de Kevin Warsh na presidência do Fed. A primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto sob seu comando acontece na próxima semana, e o ambiente que o espera é, para dizer o mínimo, inóspito. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos acelerou para 4,2% em maio — o nível mais alto em três anos — puxada pela crise no Irã e pelos efeitos persistentes nos preços de energia. E, como se não bastasse, o mercado de títulos já votou: os juros precisam subir, não cair.
Warsh chegou ao cargo com um histórico de banqueiro privado, acostumado a dar ordens e ser ouvido. A transição para o Fed exige outra postura. O colegiado do Comitê é formado majoritariamente por acadêmicos com carreiras construídas dentro da instituição, cada um com seu modelo, sua visão e — por que não dizer — seu ego. A dinâmica interna das reuniões é diferente de qualquer sala de conselho corporativo. Warsh terá de convencer, negociar e construir maioria. O ser humano é assim: quando percebe que alguém externo chegou com muitas ideias de mudança, a resistência é instintiva. Esse atrito não estará nos comunicados oficiais, mas estará presente.
O problema é que, antes mesmo de abrir espaço para reformas de médio prazo, Warsh está diante de um incêndio imediato. O CPI ficou acima de 4%, mas o mercado respirou aliviado porque o núcleo — excluindo alimentos e energia — subiu apenas 0,2%, abaixo do esperado. Isso tirou da mesa, por ora, a hipótese de uma alta na taxa de juros já nesta reunião. A expectativa dominante é de manutenção na banda de 3,5% a 3,75%. Mas o alívio é superficial.
A pressão vem também das pequenas empresas. O índice de otimismo da Federação Nacional de Empresas Independentes recuou abaixo do esperado em maio, devolvendo todos os ganhos desde a eleição de Trump. O índice de preços da mesma pesquisa está no nível mais alto desde 1981, fora o choque pós-pandemia. Mais de um terço das empresas já elevou preços, e outro terço planeja fazê-lo. Troy Ludtka, da SMBC Nikko Securities, aponta que esse índice historicamente antecede os pontos de inflexão da inflação em nove meses — o que sugere reaceleração à frente.
Há ainda a questão do MOVE Index — o equivalente do VIX para o mercado de títulos. Diferente de 2022 e 2023, quando a alta dos juros veio acompanhada de volatilidade extrema e deslocações, o movimento atual tem sido relativamente ordenado. A correlação com o petróleo é alta, os grandes saltos diários são raros, e as estratégias quantitativas têm vendido volatilidade implícita, amortecendo o índice. Isso explica por que os ativos de risco ainda não sentiram o impacto. Mas essa resiliência tem prazo de validade: se a inflação mostrar efeitos secundários relevantes ou se a guerra no Oriente Médio escalar, o quadro muda rapidamente.
Análise Técnica
No post "Bem vindo ao clube.." fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
"O ouro se aproxima da região nomeada com "Atenção". O leitor pode se perguntar o que poderia ocorrer caso o nível de US$ 4.100 seja rompido. Publiquei há algum tempo a possibilidade de ocorrer uma correção pequena ou correção grande — e seria nesse último contexto caso ocorra a violação"
Em algum momento teremos uma boa oportunidade de compra, mas só depois dessa correção terminar.
"O gráfico semanal a seguir mostra qual o objetivo que esse cenário contempla — a probabilidade assumida pelo meu analista é de 60% e, como venho enfatizando, o nível de € 1,14 é crucial: abaixo dele vamos ter que refazer as hipóteses. Conclusão: um mercado sem graça!"
Diferentemente do ouro, que em certas ocasiões costumam andar juntos, a moeda única experimentou uma pequena queda não violando o nível de € 1,14. Uma observação mais pormenorizada aponta 5 ondas de menor grau, mas isso é muito pouco para qualquer conclusão. Continuamos acompanhando sem o menor interesse de propor algum trade.
Fique ligado!
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