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Agora a carteirinha Vale PIB

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  Hoje é feriado no Brasil, mas os mercados americanos operam normalmente — e com notícias importantes. Reservei a sexta-feira para falar de inteligência artificial, e o dia de hoje oferece material farto em dois assuntos que merecem atenção. O primeiro é o mais relevante: os números do Produto Interno Bruto americano do primeiro trimestre de 2026, divulgados ontem pelo Departamento de Comércio, mostram crescimento anualizado de 2%. Parece um número modesto até que se olhe para dentro: três quartos desse crescimento têm origem direta na inteligência artificial. O investimento empresarial em equipamentos e propriedade intelectual — categorias intimamente ligadas à infraestrutura de dados e ao desenvolvimento de modelos — avançou 10,4% no período, o ritmo mais forte em quase três anos. O economista Oliver Allen, da Pantheon Macroeconomics, estimou que o investimento em inteligência artificial respondeu por cerca de metade do crescimento do PIB no trimestre, mesmo após descontar a...

O novo "patrão" do Fed #OURO #GOLD #S&P 500

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  O presidente Trump tem um padrão de comportamento que já se tornou previsível: escolhe alguém de fora do sistema, com perfil de executivo agressivo, e aposta que essa figura vai dobrar uma instituição que, na prática, não se dobra facilmente. Aconteceu com Elon Musk no Departamento de Eficiência Governamental — prometeu cortar um trilhão de dólares, saiu pela culatra, e a experiência mostrou que máquinas públicas têm sua própria inércia. Agora é a vez de Kevin Warsh no Federal Reserve. A ideia de Trump é simples: colocar um aliado na cadeira de presidente do banco central americano e forçar uma queda de juros, independentemente do que os dados econômicos recomendem. Aprendeu no mercado imobiliário que juro baixo é bom para negócios — e generalizou essa lição para toda a política monetária de uma das maiores economias do mundo. Acontece que o Fed não é uma incorporadora. Warsh é, sem dúvida, um perfil incomum para a cadeira. Declarou patrimônio de cerca de 100 milhões de dólar...

Nunca se apaixone por um investimento #IBOVESPA

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  Ao longo de décadas acompanhando os mercados, aprendi que as piores decisões financeiras raramente nascem da ignorância — nascem da emoção. Lembro de situações em que me deixei conduzir por entusiasmo, por uma narrativa sedutora, por aquele sentimento de que "dessa vez é diferente". Em todas elas, sem exceção, a conta foi paga com prejuízo. Quando o mercado se voltava contra minha posição, em vez de acionar um "stop" e encerrar a história, eu buscava justificativas para permanecer. A tese original já não existia mais, mas eu insistia — estágio clássico da negação. Joe Wiggins, do blog Behavioural Investment, comentou recentemente um estudo acadêmico de enorme relevância para qualquer investidor que se leve a sério. A pesquisa, conduzida por Elroy Dimson, Kuntara Pukthuanthong e Blair Vorsatz, analisou o desempenho de 13 categorias de ativos colecionáveis ao longo de até 110 anos, comparando-os com portfólios líquidos de risco equivalente. O resultado é inequívoc...

A matemática da euforia #S&P 500

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  Toda grande onda tecnológica carrega consigo uma característica invariável: os números projetados pelos protagonistas desafiam qualquer parâmetro histórico. Não é arrogância — é a natureza da narrativa. Para levantar capital, atrair talentos e intimidar concorrentes, as empresas precisam vender um futuro grandioso. O problema é quando os investidores confundem a grandiosidade da narrativa com a probabilidade do sucesso. A inteligência artificial generativa é o epicentro dessa dinâmica hoje. Desde que a OpenAI lançou o ChatGPT no final de 2022, o setor entrou em modo de corrida armamentista. Bilhões são investidos em infraestrutura, chips e centros de dados. As projeções de crescimento que emergem desse ambiente são, para dizer o mínimo, ambiciosas. A OpenAI, em meados de 2025, projetou receitas de 145 bilhões de dólares para 2029. Sua receita em 2024 foi de 3,7 bilhões de dólares. Isso implica uma taxa de crescimento composto anual de 108% por cinco anos consecutivos. ...

O mercado continua errado #USDBRL

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  Desde o ano 2000 acompanho com atenção especial o mercado de moedas internacionais. Foi naquele ano que o dólar iniciou um ciclo de forte desvalorização que se estendeu pelos anos seguintes — e do qual me beneficiei de maneira expressiva. O euro, por exemplo, saiu de € 0,85 e chegou à máxima histórica de € 1,60, uma valorização de quase 100%. Naquele período, as manchetes não poupavam palavras: a moeda americana estava condenada. Havia quem decretasse seu fim com a segurança de quem conhece o futuro. Aprendi, porém, uma lição que poucos investidores de longo prazo conseguem internalizar: o movimento das moedas de países estabilizados é cíclico. Diferente das bolsas de valores, que podem subir indefinidamente enquanto os lucros das empresas crescerem, as moedas oscilam dentro de regimes que se alternam ao longo do tempo. E o dólar, apesar de todas as crises, profecias e narrativas de colapso, continua sendo a moeda de troca do mundo. Todas as tentativas de liquidá-lo falharam. ...