SexTech: O caro que fica barato #nasdaq100 #NVDA

 


Existe um erro recorrente no mercado financeiro que se repete com uma frequência impressionante: investidores descartam empresas extraordinárias simplesmente porque parecem caras. O investidor olha para os números tradicionais — múltiplos elevados, margens aparentemente comprimidas ou lucros momentaneamente modestos — e conclui rapidamente que o preço da ação está exagerado. O problema é que, em alguns casos, esses números não refletem fraqueza do negócio. Refletem exatamente o contrário: empresas que estão reinvestindo agressivamente para ampliar suas vantagens competitivas e capturar mercados muito maiores no futuro.

O caso da Amazon é quase didático nesse sentido. Em 2012, quando diversas teses de investimento começaram a destacar o potencial da empresa, muitos analistas consideravam a ação excessivamente cara. O mercado observava um múltiplo próximo de 39 vezes o lucro normalizado e reagia da forma previsível: para investidores acostumados a avaliar companhias maduras, com crescimento moderado e margens estáveis, esse número parecia difícil de justificar. O raciocínio parecia simples: se o múltiplo é alto, a ação está cara.

O erro estava justamente aí. A Amazon não era uma empresa comum e não podia ser analisada como se fosse.

Naquele momento, o negócio já apresentava sinais claros de que operava com um modelo estruturalmente superior ao varejo tradicional. A vantagem competitiva não vinha apenas de preços mais baixos, mas de uma combinação poderosa de fatores: variedade praticamente ilimitada de produtos, conveniência logística, personalização e — talvez o mais importante — a capacidade de criar hábitos de consumo. Quem compra repetidamente em uma plataforma tende a permanecer nela. Esse efeito de hábito transforma-se, com o tempo, em uma barreira competitiva extremamente difícil de romper.

Alguns indicadores operacionais já revelavam essa diferença de eficiência. O giro de estoques da Amazon girava em torno de 12 vezes por ano, enquanto gigantes do varejo físico operavam em patamares significativamente inferiores — cerca de 8 vezes no Walmart e aproximadamente 6 vezes na Target. Esse detalhe aparentemente técnico refletia algo muito mais profundo: um modelo logístico capaz de transformar capital em vendas com muito mais rapidez.

Outro elemento essencial era o tamanho do mercado potencial. Em 2012, o comércio eletrônico ainda representava uma parcela relativamente pequena do varejo global. Mesmo as estimativas mais otimistas sugeriam que a penetração poderia atingir algo próximo de 20% ao longo da década seguinte. A Amazon, naquele momento, participava de apenas uma fração das categorias nas quais poderia competir. O espaço de expansão era gigantesco.

Mas talvez o aspecto mais incompreendido do negócio estivesse nos lucros. A empresa apresentava margens relativamente baixas porque estava reinvestindo agressivamente em infraestrutura logística, centros de distribuição e tecnologia. Esses investimentos comprimiam o lucro contábil de curto prazo e criavam a impressão de que a rentabilidade estrutural do negócio era limitada. Na realidade, estava acontecendo exatamente o oposto: a Amazon estava construindo as bases de um modelo de negócios muito mais poderoso.




Os números posteriores confirmaram essa leitura de forma contundente. Entre 2012 e 2022, a receita da Amazon cresceu cerca de 24% ao ano, enquanto o lucro operacional avançou aproximadamente 32% ao ano. Para uma empresa que já era grande naquele momento, esse tipo de expansão é extraordinário e revela um modelo capaz de combinar crescimento acelerado com aumento de eficiência.




Um paralelo interessante pode ser feito com a Nvidia hoje. Há vários trimestres investidores repetem a mesma preocupação: a ação parece cara. No entanto, trimestre após trimestre, a empresa continua entregando resultados acima das expectativas e permanece no centro da infraestrutura da inteligência artificial.

Como destaquei recentemente em um post, o P/L forward da Nvidia gira atualmente em torno de 22 vezes e vale fazer um exercício simples.

Suponha que o preço atual da ação — aproximadamente US$ 183 — permaneça completamente congelado durante um ano inteiro. Agora imagine que a empresa apenas cumpra aquilo que já está embutido nas projeções consensuais do mercado. As estimativas indicam um lucro por ação próximo de US$ 10,80 para o próximo exercício.

Se isso acontecer, ao final desse período o múltiplo naturalmente cairia para aproximadamente 17 vezes lucro. O cálculo é direto: 183 dividido por 10,80 resulta em cerca de 16,9. Ou seja, sem nenhuma valorização da ação, apenas com crescimento operacional, a Nvidia passaria a negociar abaixo da média atual do S&P 500.

Se o preço permanecesse congelado por mais tempo enquanto os lucros continuassem crescendo, o múltiplo continuaria se comprimindo. Em determinado momento começaria a parecer absurdamente barato.

Quase de graça.

Agora compare esse exercício com o bitcoin. Suponha exatamente o mesmo cenário: o preço permanece congelado por um ano inteiro. O que mudaria ao final desse período? Nada. Não existem lucros operacionais crescendo, não há expansão de margens e não existe reinvestimento produtivo gerando valor incremental. O ativo não produz fluxo de caixa e não possui um mecanismo interno de geração de valor econômico.

Esse contraste reforça exatamente a tese apresentada no post “Nvidia x Bitcoin”.



Isso não significa que a Nvidia necessariamente repetirá a trajetória da Amazon. Cada empresa vive em um contexto tecnológico diferente, mas o paralelo serve como lembrete de que o mercado frequentemente subestima por quanto tempo vantagens competitivas conseguem sustentar crescimento.



Com o passar dos anos, o próprio crescimento do negócio costuma corrigir essas percepções equivocadas. Aquilo que parecia uma ação cara pode se transformar em uma das oportunidades de investimento mais extraordinárias da década seguinte.

Em empresas excepcionais, o maior risco raramente está no preço. O maior risco costuma ser ignorar o negócio enquanto ele continua crescendo.

 

Análise Técnica

No post “sextech-ia-mina-ainda-e-para-poucos” fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:

“Passou-se mais uma semana e a Nasdaq 100 permanece no mesmo nível, mesmo com a ameaça de guerra que surgiu nesta semana. Isso é bom ou ruim? Depende de como se quer olhar.

Por um lado, os investidores parecem apostar que o conflito vai durar pouco e que, em um horizonte relativamente curto, voltaremos ao ‘business as usual’. Por outro lado, se o conflito se prolongar e o petróleo atingir a chamada ‘marca de Benjamin Franklin’, como alguns analistas projetam, a queda pode ser mais intensa.”



O que parecia ser uma guerra curta está se mostrando cada vez mais distante. Enquanto isso, o estreito de Hormuz permanece fechado e o mundo não sabe exatamente como enfrentar essa situação. Do ponto de vista técnico, a ameaça de rompimento do limite inferior do intervalo destacado abaixo torna-se cada vez mais visível. Essa é justamente a situação mais odiada pelo mercado: a indecisão.



Em relação à Nvidia, comentei:

“A dúvida colocada acima — se a onda (2) vermelha terminou — continua válida.”




No gráfico abaixo fiz apenas uma alteração na posição da onda C azul, deslocando-a um pouco mais para a direita. Em movimentos corretivos essas adaptações são absolutamente rotineiras, pois só se conhece exatamente a estrutura da correção depois que o movimento está concluído. Na elipse destacada não se observam cinco ondas completas, portanto tudo ainda permanece tentativo na hipótese de o mercado buscar novas máximas.

Não esquecer que hoje é sexta-feira 13, sendo desnecessários maiores comentários.



Os sites de apostas são a bola da vez. A quantidade de artigos comentando sobre essa febre que assola os investidores — investidores? — é enorme. Notem que, desde a propagação das mídias sociais, o número de manias especulativas tem crescido na mesma proporção. Dentro desse ambiente, procuram-se argumentos para dar uma roupagem mais técnica à atividade, enfatizando o uso de modelos estatísticos, algoritmos e outras ferramentas — inclusive a suposta inside information — para que essas apostas não sejam encaradas como simples jogatina.

No meu entender — e, claro, dependendo do tema — trata-se de pura jogatina mesmo.

Vejam a ilustração a seguir.



Essas são as probabilidades atribuídas para o término da guerra em diversas datas. Como se pode observar, a probabilidade só supera 50% após 31 de maio. É verdade que Trump poderia ganhar uma boa soma de dinheiro, afinal tem a faca e o queijo na mão. Ainda assim, duvido que alguém com pretensões políticas se arriscaria por algumas centenas de dólares colocando a própria carreira em risco.

Diante disso, surge uma pergunta simples: como alguém pode apostar nesse tipo de evento sem que isso seja puro achismo?



O S&P 500 fechou a 6.632, com queda de 0,61%; o USDBRL a R$ 5,3189, com alta de 1,40%; o EURUSD a € 1,1417, com queda de 0,82%; e o ouro a U$ 5.014, com queda de 1,27%.

Fique ligado!

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