SexTech: IA a mina ainda é para poucos #nasdaq100 #NVDA


Durante os últimos dois anos o mercado viveu algo muito parecido com uma corrida do ouro. Trilhões de dólares foram direcionados para a construção da infraestrutura da inteligência artificial: centros de dados gigantescos, chips cada vez mais potentes, redes elétricas reforçadas e modelos de linguagem cada vez mais sofisticados. A velocidade dessa corrida impressiona. O capital chegou antes mesmo de existir uma resposta clara para a pergunta essencial de qualquer revolução tecnológica: quem realmente vai ganhar dinheiro com isso?

O entusiasmo não surgiu do nada. Toda grande transformação tecnológica começa com uma fase de construção. Foi assim com as ferrovias, com a eletricidade e, mais recentemente, com a internet. Antes de qualquer aplicação prática ganhar escala, alguém precisa construir os trilhos, as redes e os cabos. Naturalmente, o capital financeiro tende a se concentrar nesses construtores da nova infraestrutura.

Hoje a inteligência artificial atravessa exatamente esse estágio.

Grandes empresas de tecnologia e diversos novos participantes passaram os últimos anos financiando uma expansão gigantesca de capacidade computacional. O resultado foi uma explosão de investimentos que mudou a composição do próprio mercado acionário. Uma parcela crescente dos principais índices passou a representar empresas ligadas direta ou indiretamente à infraestrutura da inteligência artificial.

Mas existe um detalhe importante que começa a aparecer nas entrelinhas dos dados.

Apesar do volume colossal de investimentos, a adoção efetiva da inteligência artificial nas empresas ainda é surpreendentemente baixa. Levantamentos recentes indicam que apenas cerca de 10% das empresas utilizam inteligência artificial em processos produtivos de forma efetiva. Em outras palavras, a economia ainda está apenas no início do processo de incorporação da tecnologia.

Isso ajuda a explicar uma inquietação crescente entre investidores. Construir infraestrutura é caro. A conta global do processo de expansão da inteligência artificial já caminha para trilhões de dólares. Para que esse investimento faça sentido, será necessário que empresas de todos os setores passem a utilizar a tecnologia para gerar ganhos econômicos concretos.

Essa transição entre construção e uso é um momento delicado em toda revolução tecnológica.

Historicamente, a liderança do mercado costuma mudar exatamente nesse ponto. Durante a fase inicial, quem constrói a infraestrutura tende a dominar as narrativas e os retornos financeiros. Mas, à medida que a tecnologia se difunde, o valor passa a migrar para quem consegue aplicá-la de forma produtiva.

Esse movimento já começou a aparecer de maneira discreta nos dados corporativos.

Nos últimos anos cresceu rapidamente o número de empresas que mencionam inteligência artificial em suas apresentações de resultados. Mais interessante ainda é observar quantas passaram a relatar ganhos econômicos concretos associados à tecnologia. Desde 2017, o número de companhias que reportam ganhos financeiros associados ao uso de inteligência artificial praticamente saiu do zero para algumas centenas.

 

 

Esse tipo de evidência é relevante porque separa dois universos distintos. De um lado estão as empresas que apenas mencionam inteligência artificial como promessa estratégica. Do outro estão aquelas que já conseguem demonstrar ganhos mensuráveis — redução de custos, aumento de produtividade ou crescimento de receita.

A diferença entre esses dois grupos começa a aparecer também no comportamento das ações.

Estudos recentes mostram que empresas capazes de demonstrar ganhos econômicos concretos com inteligência artificial tiveram desempenho superior ao do mercado nos últimos anos. O simples uso da tecnologia já esteve associado a retornos um pouco melhores que a média. Mas quando os resultados financeiros se tornam mensuráveis, a vantagem tende a ser ainda maior.


 

Esses dados ajudam a sustentar uma hipótese que considero cada vez mais plausível: a revolução da inteligência artificial está começando a sair da fase da construção para entrar na fase da adoção.

E essa mudança pode alterar profundamente a forma como o mercado precifica o tema.

Durante a fase inicial da corrida tecnológica, investidores tendem a concentrar capital nas empresas que fornecem as ferramentas fundamentais. Fabricantes de chips, operadores de centros de dados e fornecedores de infraestrutura tornam-se os protagonistas do momento. O problema é que, com o passar do tempo, essas atividades frequentemente se tornam cada vez mais competitivas e, em alguns casos, próximas de uma espécie de serviço utilitário.

A história oferece exemplos claros.

Durante o boom das telecomunicações no final dos anos noventa, empresas investiram bilhões na instalação de redes de fibra ótica. Quando a bolha estourou, grande parte dessa capacidade ficou ociosa e os preços de transmissão despencaram. Muitos dos construtores da infraestrutura desapareceram ou foram absorvidos.

Mas a queda no custo de transmissão criou as condições para o crescimento explosivo das empresas que utilizariam essa infraestrutura. Plataformas digitais, comércio eletrônico e serviços de entretenimento online se beneficiaram diretamente da abundância de capacidade.

A inteligência artificial pode seguir um caminho semelhante.

A competição crescente entre empresas que desenvolvem modelos e infraestrutura tende a pressionar preços e reduzir margens ao longo do tempo. Para quem utiliza a tecnologia, no entanto, isso significa acesso cada vez mais barato a ferramentas extremamente poderosas.

O efeito econômico pode ser profundo.

Empresas que conseguem aplicar inteligência artificial em áreas como marketing, atendimento ao cliente, logística, programação ou pesquisa científica começam a relatar ganhos expressivos de eficiência. Em muitos casos, tarefas que antes exigiam grandes equipes passam a ser executadas por sistemas automatizados com custos muito menores.

Essa dinâmica cria um novo mapa dentro do universo corporativo.

Enquanto algumas empresas se posicionam como fornecedoras da infraestrutura tecnológica, outras começam a se destacar como adotantes precoces da inteligência artificial. Esses adotantes não necessariamente desenvolvem a tecnologia, mas conseguem utilizá-la para melhorar processos internos e ampliar sua vantagem competitiva.

 

 

O dado mais impressionante desse levantamento talvez seja outro.

Entre milhares de empresas analisadas globalmente, cerca de 80% ainda podem ser classificadas como retardatárias na adoção da inteligência artificial. Apenas uma pequena fração está realmente investindo de forma consistente na integração da tecnologia aos seus processos.

Em outras palavras: a mina existe, mas poucos a encontraram.

Esse fato ajuda a explicar uma curiosidade adicional observada no mercado. Apesar do entusiasmo generalizado com o tema, ainda existe pouca relação direta entre o grau de adoção da inteligência artificial e o valor de mercado das empresas. Em muitos casos, companhias que utilizam intensamente a tecnologia continua sendo negociada com múltiplos semelhantes aos de empresas que pouco avançaram nessa área.

Esse desalinhamento sugere que a fase atual da revolução tecnológica ainda está longe de atingir maturidade. A narrativa continua concentrada nos construtores da infraestrutura, enquanto os efeitos econômicos da tecnologia começam a aparecer de forma mais difusa e silenciosa em diversos setores.

Para mim, esse é talvez o ponto mais interessante de toda a história.

A inteligência artificial já mudou profundamente a narrativa do mercado. Mas, paradoxalmente, a transformação econômica ainda está apenas começando. Quando essa adoção ganhar escala real dentro das empresas, os vencedores podem não ser exatamente aqueles que hoje dominam as manchetes.

A corrida continua. A infraestrutura já foi construída. Agora começa a fase mais difícil — e possivelmente mais lucrativa.

Enquanto isso, o mercado continua tentando decifrar seus próprios sinais.

Encontrar a mina.


Análise Técnica

No post “sextech-nvidia-x-bitcoin” comentei o seguinte sobre a Nasdaq 100:

“Observando o gráfico na janela semanal, estou próximo de alterar a contagem, o que implicaria um cenário sensivelmente mais altista que o atual. Por medida de cautela, mantenho a contagem vigente — mas vocês já sabem: tem gato por aí. Hahaha.”



Passou-se mais uma semana e a Nasdaq 100 permanece no mesmo nível, mesmo com a ameaça de guerra que surgiu nesta semana. Isso é bom ou ruim? Depende de como se quer olhar.

Por um lado, os investidores parecem apostar que o conflito vai durar pouco e que, em um horizonte relativamente curto, voltaremos ao “business as usual”. Por outro lado, se o conflito se prolongar e o petróleo atingir a chamada “marca de Benjamin Franklin”, como alguns analistas projetam, a queda pode ser mais intensa.

Como não estamos aqui para adivinhar, aguardo definições mais claras.



— David está inspirado hoje? O que seria “a marca de Benjamin Franklin”?

Elementar, meu amigo… nunca viu uma nota de 100 dólares? Hahaha.

Em relação à Nvidia, comentei:

“Nem olhem muito para os objetivos projetados para a Nvidia, pois, em função do texto de hoje, podem achar que exista conflito de interesses. Hahaha.”

“A dúvida no curto prazo reside na onda (2) vermelha, que pode buscar níveis inferiores.”



A dúvida colocada acima — se a onda (2) vermelha terminou — continua válida.

A novidade da semana é que o presidente Trump impôs uma restrição à venda de chips da Nvidia e da AMD para outros países: essas exportações passam a depender de aprovação prévia do governo americano. Trump sabe que, sem esses chips, o avanço da inteligência artificial ficaria atrasado, o que lhe dá uma poderosa alavanca de negociação.

Esses países, gostem ou não, ficarão na mão de Trump, que utiliza pressão econômica para obter apoio em suas empreitadas geopolíticas.



O mercado tem alguns mantras que realmente não consigo entender. Um exemplo clássico: se o dólar sobe, isso seria bom para os países emergentes; se cai, o raciocínio seria o inverso.

A explicação tradicional diz que, com a queda do dólar, fica mais barato financiar esses países. Sendo assim, as bolsas emergentes deveriam subir.

Quer dizer que, se o dólar cai, vendo Nvidia para comprar Petrobras?

Bem… como todo mundo acredita nisso, é assim que muitas vezes o mercado se comporta.

Como o dólar subiu desde o início da guerra, as bolsas dos países emergentes caíram durante esta semana de forma generalizada.

Todas elas?

 

 

É natural que as bolsas dos países diretamente envolvidos sofram mais — afinal, o impacto econômico tende a ser maior. Mas existe uma exceção curiosa.

A bolsa de Israel, pasmem, está subindo.

Ah, entendi… agora o mercado vai criar um novo mantra: se existe guerra e Israel está envolvido, sua bolsa sobe.

Até entendo que o país tenha demonstrado competência cirúrgica em seus objetivos. Agora está gastando um caminhão de dinheiro para despejar milhares de bombas, mísseis e drones.

Isso não vai gerar mais déficit?

 


O S&P 500 fechou a 6.740, com queda de 1,33%; o USDBRL a R$ 5,2378, com queda de 0,53%; o EURUSD a € 1,1606, sem variação; e o ouro a U$ 5154, com alta de 1,43%.

Fique ligado!

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