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Jogatina planetária #IBOVESPA

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Quando a incerteza vira produto e a aposta passa a competir com o investimento, a linha que separa mercado de cassino começa a desaparecer. É o que mostra o texto de hoje, escrito por meu colaborador, Alberto Dwek. Não sei quem foi o primeiro grego que olhou para uma oliveira carregada e pensou em lucro. Consta que Tales de Mileto, em um rasgo de genialidade que mataria de inveja qualquer gestor de fundos hedge, previu uma colheita abundante e arrendou todas as prensas de azeite da região antes mesmo da primeira azeitona cair. Desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até as bolsas de arroz de Dojima, a humanidade sempre teve a necessidade de colocar um preço no que ainda não aconteceu. E o que começou como uma proteção para o agricultor evoluiu hoje para as modernas plataformas de apostas: mais uma forma de fatiar, embalar e transacionar o destino incerto em lotes padronizados. O jeitão mudou, mas é a mesma tentativa de usar um mercado para compensar a incerteza. O mundo mudou: em...

Exportações com escala #S&P 500

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  Há exatamente um ano, o presidente Donald Trump compareceu ao Rose Garden da Casa Branca segurando um quadro com as alíquotas de importação que os Estados Unidos passariam a impor a diversos parceiros comerciais. Aquele dia foi batizado por ele como “Liberation Day”. Os objetivos declarados eram claros: elevar a arrecadação de impostos para ajudar a cobrir o enorme déficit americano e trazer de volta indústrias que haviam migrado para o exterior. O primeiro objetivo foi alcançado apenas parcialmente. Poucas semanas atrás, a Corte Suprema americana declarou que o presidente não possuía poder para implementar boa parte daquelas alíquotas, deixando o cenário futuro indefinido e iniciando um processo conturbado de reembolso de bilhões de dólares. Quanto ao segundo objetivo — o retorno da manufatura aos Estados Unidos —, os resultados foram ainda mais distantes do pretendido. Em vez de um renascimento industrial doméstico, o que se observa é uma reconfiguração acelerada das cadeia...

O "Serial Killer" do mercado #USDBRL

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  Você odeia “drawdowns”. Eu também.   Aquele momento em que seu investimento cai 20 %, 30 %, 40 %… e parece que nunca mais vai parar. Você fica olhando a tela, o coração acelera e a mente começa a questionar todas as decisões que tomou até ali. A gente costuma culpar dois vilões famosos:   1. Retorno médio baixo (o mercado simplesmente não rende o suficiente).   2. Volatilidade alta (os preços sobem e descem feito loucos, deixando todo mundo enjoado).   Mas existe um terceiro assassino que age nas sombras e que quase ninguém menciona. Ele é responsável por transformar quedas ruins em quedas verdadeiramente catastróficas. E o pior de tudo: ele não aparece em nenhum gráfico de volatilidade que você costuma olhar no home broker ou nos relatórios dos assessores. O nome dele é simples: o jeito como os retornos se agrupa no tempo (a famosa correlação serial ou autocorrelação de primeira ordem dos retornos). Pense assim: imagine um ativo que todo mês tem...

Será o fim da Microsoft? #nasdaq100 #NVDA

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  No passado eu usava o Lotus 1-2-3 para fazer minhas planilhas de cálculo e era feliz. Ele me atendia em tudo o que eu precisava. Através dele desenvolvi um programa que hoje seria ridículo para calcular a arbitragem no mercado de ouro. Funcionou tão bem que, quando um amigo pediu uma cópia, mandei um disquete com o arquivo batizado de “Acertar na Mosca”. Entenderam a razão do nome do blog? Até que certo dia um colega voltou dos Estados Unidos trazendo uma cópia do Excel e jurando que era o software mais poderoso para cálculos e simulações. Ele abriu no laptop e me deixou algumas horas para experimentar. Como qualquer novidade exige boa vontade para vencer a inércia, devolvi o disco e disse: “Se o pessoal da Microsoft quer que eu use o Excel, que venha aqui me ensinar. Não vou perder meu tempo”. Nem preciso contar o que aconteceu depois.   A Microsoft virou a rainha absoluta das receitas recorrentes. Cobrança mensal em quase todos os programas, faturamento bilionário só n...

E se.... #OURO #GOLD #EURUSD

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  Quando eu estava na Linear, o mercado começou a sofisticar sua forma de medir risco. Foi ali que se popularizou o conceito de VaR — “Value at Risk”. A ideia era simples: estimar qual seria a perda máxima esperada dentro de um intervalo de confiança, assumindo condições normais. Em outras palavras, até onde se poderia perder sem sair do padrão. O problema é que o mercado raramente respeita padrões. Na prática, o VaR funcionava bem enquanto tudo permanecia dentro do esperado. As reuniões eram técnicas, os números organizados e o risco parecia controlado. Quando alguém levantava um cenário mais extremo, a resposta vinha automática: “o mercado não vai chegar lá”. Era confortável pensar assim. Até deixar de ser. Quando o mercado rompe o limite do modelo, ele não avisa. Ele atravessa. Já passei por situações em que a perda não apenas alcançou o limite projetado, mas o ultrapassou com facilidade — o chamado risco de cauda. E quando ele aparece, não há modelo que proteja, nem clien...

O ouro perdeu seu status? #IBOVESPA

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  A primeira decepção do mercado foi o bitcoin, que desde outubro do ano passado vem caindo sem qualquer sinal consistente de retomada de interesse. Nada disso chega a surpreender. Trata-se de um ativo cuja sustentação depende muito mais de narrativa do que de fundamento — algo que já ficou claro ao longo do tempo. Mas o ponto relevante agora não está no bitcoin. Está no ouro. O ativo que passou a ocupar seu espaço como reserva de valor começa a falhar justamente no momento em que mais deveria cumprir seu papel. E quando um ativo não reage como esperado, o problema raramente está nele. Está na leitura. Vale lembrar que, apesar de sua história secular, o ouro não sobe sozinho. Precisa de fluxo contínuo de compradores. E esse fluxo, nos últimos meses, foi intenso. Bancos centrais, investidores institucionais e, principalmente, uma nova base de investidores entraram de forma agressiva. Esse movimento ajuda a explicar parte da correção recente, mas não esgota o tema. Robin Brooks...

Acreditando em Papai Noel #S&P 500

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Hoje vou me afastar do assunto mais barulhento do momento. Não por falta de relevância, mas porque o excesso de ruído costuma esconder o que realmente importa. E o que importa, desta vez, é comportamento — não geopolítica. Neste final de semana encontrei um leitor no elevador e, sem rodeios, ele foi direto ao ponto: “Que absurdo a queda dos fundos multimercados neste mês de março”. Fundos que até pouco tempo entregavam retornos razoavelmente estáveis passaram a registrar perdas relevantes em questão de dias. O espanto não vinha da queda em si, mas da quebra de expectativa. Aquilo que parecia previsível simplesmente deixou de ser. A conversa evoluiu naturalmente. Ele mesmo antecipou: “Eu sei que você não gosta desses fundos”. De fato, nunca gostei. E não é por falta de respeito aos gestores — pelo contrário. Já vivi esse ambiente por dentro e sei exatamente a pressão que existe ali. Mas justamente por isso aprendi a desconfiar. Em geral, quando o cenário parece claro demais, é porqu...