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Tem vaga - mas não é para você #nasdaq100 #NVDA

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  Acompanho o mercado americano há décadas, e raramente um tema reúne tantos estudos contraditórios quanto o impacto da inteligência artificial sobre o emprego. Todo mundo tem uma opinião, quase ninguém tem dados. Resolvi olhar com atenção o que está sendo publicado e o que encontrei é mais sofisticado — e mais perturbador — do que o debate costuma revelar. Começo pelo que o Wall Street Journal chamou de distorção. A IA não está apenas mudando a economia — ela está distorcendo os instrumentos que usamos para medir essa economia. Ela faz o crescimento parecer melhor do que é e o mercado de trabalho parecer pior do que é. Essa frase merece ser lida duas vezes. O mecanismo é o seguinte: o investimento em tecnologia de IA disparou. Morgan Stanley projeta que os cinco maiores hyperscalers vão gastar mais de 800 bilhões de dólares em infraestrutura de IA neste ano, chegando a 1,1 trilhão em 2027 — o equivalente a 3,3% do PIB americano, mais do que todo o orçamento de defesa nacional...

85% de crescimento é pouco? #OURO #GOLD #EURUSD

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  A Nvidia apresentou ontem seu relatório do 1º trimestre e, como vem acontecendo ao longo de mais de uma dezena de trimestres consecutivos, bateu todas as estimativas dos analistas. É natural que uma empresa com valor de mercado de US$ 5,5 trilhões não consiga mais surpreender com crescimento explosivo — mas os números continuam impressionantes para qualquer companhia desse porte. A receita do trimestre atingiu US$ 81,6 bilhões, alta de 85% sobre o mesmo período do ano anterior, superando em 3,4% o consenso do FactSet. A projeção de vendas para o próximo trimestre também foi revisada para cima, para US$ 91 bilhões.   O mercado, porém, ficou indiferente. As ações recuaram cerca de 1% no after market. Se o múltiplo de lucros da Nvidia estivesse esticado como o de suas concorrentes mais recentes, um certo ceticismo seria compreensível. Mas não é o caso. O P/L projetado da empresa, calculado na base non-GAAP que o Wall Street usa como referência, está próximo da média histórica...

5% - onde o fantasma vira pesadelo #IBOVESPA

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  Todo grande veículo de comunicação financeira está cobrindo a alta dos juros internacionais com alarde. Entendo o nervosismo. A comparação com a década de 70, quando os juros americanos visitaram dois dígitos, amplifica qualquer receio. Provavelmente 80% dos operadores ativos hoje nunca trabalharam com juros nesses níveis e, sem memória histórica, o instinto corre para o pior cenário. Os “terroristas” do crash da dívida americana aproveitam o momento para reforçar sua tese, e o ciclo vicioso se alimenta sozinho. Quem acompanha o Mosca sabe que não me incomodei com essa alta. Pelo contrário: considero o movimento saudável. Os juros ficaram artificialmente comprimidos por muitos anos e agora estão se normalizando. A questão relevante não é “por que subiram”, mas “até onde vão”. O yield do Treasury de 30 anos ultrapassou 5,19% esta semana — nível inédito desde junho de 2007. O gráfico abaixo, da Bloomberg, conta a história: a linha tocou o teto dos 5% nos meses finais de 2023, r...

Gráfico não tem opinião #SP500

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  Há uma pergunta que o mercado nunca cansa de fazer, e que a maioria dos investidores responde errado: como se proteger de uma crise? A resposta mais comum é: diversificando. Ações, renda fixa, imóveis, fundos multimercado — uma carteira bem distribuída, em tese, amortece os choques. O problema é que essa lógica falha exatamente quando mais precisa funcionar. Um estudo recente da Man AHL, gestora quantitativa com décadas de histórico, demonstra com clareza o porquê. Ações, crédito, imóveis e private equity têm o mesmo motor de retorno: crescimento econômico. Quando esse motor falha — numa recessão, num colapso de liquidez, numa crise sistêmica — esses ativos caem juntos. A diversificação, nesses momentos, é uma ilusão bem embrulhada. A exceção histórica tem sido o trend following — estratégias que não dependem de crescimento econômico para gerar retorno, e que historicamente performam melhor justamente quando os demais ativos desmoronam. No pior quintil de retorno trimestral ...