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IA: As pedras no caminho #SP500

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  A democracia funciona no Mosca. Meu associado Alberto Dwek, que vocês já conhecem, tem uma visão mais cética em relação à IA — e neste post de hoje coloca seus pontos de questionamento. Não que ele desacredite da ferramenta; pelo contrário, usa-a de forma constante e abrangente. O que ele questiona são os números projetados pelas novas debutantes: OpenAI, Anthropic e SpaceX.   Alguns avisos antes de entrar no assunto: 1) sou usuário de IA em várias formas — GPT, Grok, Gemini, Claude — e não tenho a menor intenção de parar, até porque estou pagando pouco; 2) este artigo tem o objetivo preciso de apontar riscos, criticar posições e analisar as várias inconsistências, incongruências e armadilhas colocadas por essa magnífica ferramenta; 3) só usei IA para minhas pesquisas — o texto, juro, é meu mesmo. Já abordei em outros artigos uma visão mais ampla sobre o advento dos LLMs e a contínua evolução da IA, sem nenhum problema em colocar na mesma frase que estamos vivendo uma re...

A bolha vai ficar sem sabão #USDBRL

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  Passei o fim de semana refletindo sobre um conjunto de tendências que tenho acompanhado com atenção crescente. A conclusão a que cheguei é inquietante: estamos entrando em um período sui generis na história dos mercados financeiros, marcado por uma demanda por capital de proporções inéditas — e o sistema de preços ainda não acordou para esse fato. Antes de desenvolver essa tese, preciso abordar o argumento que mais tem circulado nos últimos anos: o de que os mercados estão numa bolha. É uma afirmação intuitiva, mas os dados sistematicamente a desafiam. Os lucros das empresas, de forma geral, vêm crescendo de maneira acelerada. Quando os lucros sobem na mesma proporção que os preços das ações, o P/L não se altera significativamente — e a narrativa da bolha perde sustentação. Os céticos da bolha têm razão nesse ponto específico. Mas o problema que estou identificando é outro, e mais sutil. Não se trata de questionar se os fundamentos são sólidos — eles são. A questão é o ambien...

Casuísmo #nasdaq100 #NVDA

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Existe uma diferença fundamental entre mudar as regras e violar as regras. Violar é crime. Mudar — se você tiver poder suficiente — é apenas negócio. O que a Nasdaq acaba de fazer com o seu próprio índice é um manual de como transformar uma manobra grosseira em procedimento oficial. A SpaceX faz seu IPO em 12 de junho. Avaliação: US$ 1,77 trilhão. Capital captado: US$ 75 bilhões — o maior IPO da história. Elon Musk mantém 85% da empresa. O free float será de apenas 4%. Ou seja: o público recebe uma fatia mínima de uma empresa que vale quase dois trilhões de dólares, não é lucrativa pelo critério GAAP, e acumulou prejuízo de US$ 4,9 bilhões em 2025 e outros US$ 4,3 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026. Para situar a magnitude: a SpaceX será precificada a 92 vezes a receita no IPO. No auge da bolha dot-com, as empresas de tecnologia no S&P 500 valiam em média 7 vezes a receita. A turma dos IPOs tech daquele ano perdeu a maior parte do valor nos três anos seguintes. A SpaceX n...

Raspando o Tacho #Bitcoin #MSTR #IBOVESPA

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Na semana passada a Strategy — nome que a MicroStrategy adotou recentemente — divulgou que havia vendido 32 bitcoins. Quando li a notícia, parei para calcular o valor: aproximadamente US$ 2,5 milhões. Imediatamente pensei que faltavam alguns zeros. Não faltavam. Era isso mesmo — um troco para uma empresa que vale US$ 56 bilhões em bolsa e carrega algo entre US$ 57 bilhões e US$ 65 bilhões em bitcoin no balaço. O CEO Michael Saylor já havia sinalizado que poderia vender a criptomoeda em algum momento. Mesmo assim, imaginei que guardaria esse gesto para algo mais grandioso, não para um valor tão diminuto. A justificativa dada pela empresa foi direta: a venda destinava-se a pagar dividendos de suas ações preferenciais. A reação do mercado foi imediata — o bitcoin recuou 3% no dia seguinte à divulgação. Detalhe revelador: essa queda representou US$ 1,8 bilhão em valor do próprio estoque da Strategy. A empresa vendeu US$ 2,5 milhões e o mercado respondeu destruindo US$ 1,8 bilhão do ativo q...

Procura-se muito dinheiro #SP500

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Não me lembro, em 50 anos de mercado, de ter presenciado um momento em que a procura por recursos estivesse tão intensa. No passado, era uma empresa ou um país pedindo arrego ao FMI — e até houve casos em que bancos centrais enfrentaram especuladores na defesa de suas moedas, como o célebre episódio de Soros contra a libra esterlina em 1992. Mas nem esses episódios chegam perto das cifras que circulam hoje, onde a base de discussão são bilhões, trilhões e até se fala em quatrilhão — e a demanda vem por várias vertentes ao mesmo tempo. Estamos diante de três aberturas de capital iminentes — SpaceX, Anthropic e Open IA — que prometem ofuscar até a guerra com o Irã, que já virou nota de segunda categoria. Essa é uma péssima notícia para Teerã, que dependia do frisson geopolítico para forçar um acordo com os Estados Unidos. Até a Google, que nada em rios de dinheiro, resolveu entrar na dança e pediu um troco de US$ 80 bilhões para emitir ações — o que, na escala dos outros, parece quase mo...

oitenta por cento de erro que dá lucro #USDBRL

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Há estratégias de investimento que parecem resistir ao tempo. A do momentum é uma delas. Dois estudos recentes — um artigo acadêmico e um relatório de engenharia reversa sobre um dos mais respeitados gestores do mundo — chegam à mesma conclusão: seguir o preço funciona. E funciona há décadas. O contraste com a abordagem fundamentalista não poderia ser mais revelador. A análise fundamentalista parte de parâmetros de avaliação fixos — múltiplos de lucro, valor patrimonial, fluxo de caixa descontado. O problema é que esses parâmetros podem ficar obsoletos. A revolução digital dos últimos trinta anos deixou muitos modelos para trás: empresas sem ativos físicos relevantes, sem lucros nos primeiros anos, sem dividendos — todas incompatíveis com o arsenal clássico. Já o momentum não tem esse problema. Ele se baseia em preços, e preços estão sempre atualizados. Não há revisão de modelo que o torne anacrônico. Outro diferencial decisivo é o controle de risco. A abordagem de momentum costuma emb...