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5% - onde o fantasma vira pesadelo #IBOVESPA

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  Todo grande veículo de comunicação financeira está cobrindo a alta dos juros internacionais com alarde. Entendo o nervosismo. A comparação com a década de 70, quando os juros americanos visitaram dois dígitos, amplifica qualquer receio. Provavelmente 80% dos operadores ativos hoje nunca trabalharam com juros nesses níveis e, sem memória histórica, o instinto corre para o pior cenário. Os “terroristas” do crash da dívida americana aproveitam o momento para reforçar sua tese, e o ciclo vicioso se alimenta sozinho. Quem acompanha o Mosca sabe que não me incomodei com essa alta. Pelo contrário: considero o movimento saudável. Os juros ficaram artificialmente comprimidos por muitos anos e agora estão se normalizando. A questão relevante não é “por que subiram”, mas “até onde vão”. O yield do Treasury de 30 anos ultrapassou 5,19% esta semana — nível inédito desde junho de 2007. O gráfico abaixo, da Bloomberg, conta a história: a linha tocou o teto dos 5% nos meses finais de 2023, r...

Gráfico não tem opinião #SP500

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  Há uma pergunta que o mercado nunca cansa de fazer, e que a maioria dos investidores responde errado: como se proteger de uma crise? A resposta mais comum é: diversificando. Ações, renda fixa, imóveis, fundos multimercado — uma carteira bem distribuída, em tese, amortece os choques. O problema é que essa lógica falha exatamente quando mais precisa funcionar. Um estudo recente da Man AHL, gestora quantitativa com décadas de histórico, demonstra com clareza o porquê. Ações, crédito, imóveis e private equity têm o mesmo motor de retorno: crescimento econômico. Quando esse motor falha — numa recessão, num colapso de liquidez, numa crise sistêmica — esses ativos caem juntos. A diversificação, nesses momentos, é uma ilusão bem embrulhada. A exceção histórica tem sido o trend following — estratégias que não dependem de crescimento econômico para gerar retorno, e que historicamente performam melhor justamente quando os demais ativos desmoronam. No pior quintil de retorno trimestral ...

Vitrine e fundo de quintal #USDBRL

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Na semana passada, a guerra perdeu as manchetes para a visita do presidente Trump à China. A impressão que ficou foi a de que Pequim saiu do encontro convicto de que pode impor suas condições aos americanos — inclusive sinalizando que Taiwan é apenas uma questão de tempo. Como já comentei, este presidente americano não tem argumentos para impedir que isso avance, dado seu espírito de conquistador aplicado a todas as frentes do tabuleiro global. Mas enquanto o espetáculo diplomático dominava as câmeras, os dados da economia chinesa voltaram a colocar o país diante de seu problema estrutural mais persistente. Os chineses foram bem-sucedidos nos últimos meses ao redirecionar suas exportações para fora dos Estados Unidos, e a balança comercial continuou a bater recorde após recorde. Ao mesmo tempo, aquilo que não conseguem reverter segue como um fantasma: a fraqueza do mercado interno e a falta de disposição da população para consumir. Os números de abril deixaram pouco espaço para otimism...

A Ford passou raspando #nasdaq100 #NVDA

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Existe um tipo de reunião que todo executivo de empresa velha conhece de cor. Convocam os melhores, montam os slides, analisam os números — e ao final ninguém encontra uma saída que faça sentido. O negócio principal sangra, o concorrente chinês avança sem pedir licença, a grande aposta que deveria mudar o jogo virou uma cratera de quase vinte bilhões de dólares. A Ford viveu esse filme por anos. Até que alguém olhou para o esqueleto de uma fábrica no Kentucky e fez a pergunta certa. O gráfico abaixo conta a história melhor do que qualquer balanço. Enquanto o mercado americano multiplicou por mais de oito vezes nos últimos 25 anos, a ação da Ford ficou praticamente no mesmo lugar — uma linha azul rastejando ao lado de uma linha verde que não para de subir. Uma empresa centenária presa numa armadilha que ela mesma ajudou a construir: dependente do motor de combustão num mundo que quer se eletrificar, e sem competitividade para brigar com os chineses no único segmento que crescia. A fábri...

2026: Um Data Center no Espaço #OURO # GOLD # EURUSD

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À parte Trump visitou Pequim nesta semana para uma cúpula com Xi Jinping. O encontro foi coreografado, cordial e revelador. Xi foi direto ao ponto: Taiwan é "a questão mais importante" entre os dois países, e qualquer erro de manuseio colocaria a relação em um lugar "perigoso". Não é a primeira vez que o alerta é feito — mas desta vez foi mais explícito. O que vejo aqui é estratégia pura. Xi esperou o momento certo para entregar sua mensagem central: ninguém se meta nos assuntos de Taiwan. Escolheu bem a hora — Trump chegou a Pequim com a agenda focada em comércio, tarifas e Irã. Colocar Taiwan no centro foi deliberado. O recado foi claro sem revelar intenções: em algum momento no futuro, Pequim vai querer concretizar o que considera seu território, e não quer os Estados Unidos no caminho — assim como não se meteu em nenhuma das investidas de Trump pelo mundo: Venezuela, Irã, Groelândia, Canadá. Trump não pode protestar muito: ele próprio adotou a mesma lógica em ou...

A IA entrou em esacape velocity #IBOVESPA

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Na semana passada escrevi sobre os chips da Nvidia e o que está por trás da demanda explosiva por semicondutores. Mas o chip é só a camada mais visível de uma transformação muito mais profunda — e é essa camada invisível que vai definir quem sobrevive e quem desaparece no ciclo que está em curso. Quem acompanha o blog há mais tempo conhece a Carteirinha. A ideia central era simples: ou a empresa tinha o ingresso para o mundo da IA, ou estava fora da festa. O que estou vendo agora é que chegamos a um segundo estágio — ter a Carteirinha já não é suficiente. Quem a tem precisa correr na frente dos concorrentes. Quem ainda não a tem corre o risco de sumir. É a destruição criativa de Schumpeter em velocidade de processamento gráfico. O que uma enorme instituição financeira já faz hoje Ontem, numa conversa com uma executiva de uma enorme instituição financeira, fiquei impressionado com o estágio de adoção da IA naquela organização. Não estamos falando de projeto piloto nem de comitê estudand...

Vamos sentir saudades da inflação baixa #S&P 500

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Saudade é uma palavra que carrega uma ambiguidade peculiar. Quando algo bom ficou no passado, sua lembrança traz um breve conforto, seguido imediatamente pela frustração de saber que aquela situação não voltará. O problema é que o reconhecimento daquele momento feliz quase sempre ocorre somente depois que ele passou — exatamente o que o título de hoje quer dizer. Vivemos por mais de uma década num ambiente de inflação excepcionalmente baixa, que induziu os bancos centrais a adotar políticas monetárias extraordinariamente frouxas. O exemplo mais emblemático desse excesso foi a emissão, em 2020, de um título do governo austríaco com vencimento em 100 anos e cupom de apenas 0,85% ao ano. O volume captado foi de 4,6 bilhões de euros — e havia fila para comprar. Cinco anos depois, aquele papel vale aproximadamente metade do preço de emissão. É o risco de duração na sua expressão mais brutal: um título soberano com classificação AA+, desvalorizado pela metade, sem que o emissor tenha dado um...