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A bomba japonesa #OURO #GOLD #EURUSD

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A retórica contra o dólar sossegou por enquanto. Os economistas que vinham martelando o tema da desvalorização estrutural da moeda americana mudaram o alvo: agora falam do déficit fiscal dos Estados Unidos. A trajetória e o nível de endividamento preocupam, mas não me parece um problema para o próximo trimestre. A outra incógnita que pairava sobre o mercado era saber como Kevin Warsh se portaria à frente do Fed. Suas últimas aparições públicas, inclusive a de ontem em Sintra, confirmaram o viés que eu já esperava: conservador, disposto a subir os juros se a inflação insistir em ficar acima da meta de 2%. O quadro americano, por ora, está razoavelmente definido. O problema é que, enquanto todos os olhos seguem fixos em Washington, do outro lado do mundo pode estar se desenhando algo mais sério. Estou falando do Japão. Qualquer economista com um mínimo de bagagem sabe que aquele país carrega uma dívida pública de 240% do PIB há décadas. Financiar esse monstro sempre foi possível porque o...

Navegando em novos mares #IBOVESPA

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Tenho notado que cada vez mais os brasileiros estão buscando alternativas no exterior. Esse movimento é muito saudável, pois já diz que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta — se bem que ultimamente a diversificação tem sido desafiadora. O histórico dos investimentos na bolsa brasileira tem sido frustrante, com retornos erráticos nas últimas décadas, e considerando que o objetivo não é entrar e sair com rapidez, é natural que esses investidores se sintam receosos na investida internacional. Se o leitor, depois de me seguir por mais de 15 anos, tiver adquirido alguma confiança na análise técnica, basta olhar o gráfico da bolsa americana e da brasileira para perceber que a primeira tem tendência de alta enquanto a última é cíclica. Lembro que tomei essa decisão em 1999, quando no Deutsche Bank me deparei com a concentração da bolsa brasileira em poucas ações e refleti: por que eu deveria me limitar, se no exterior existem milhares de opções? Iniciei o processo de conhecimento ...

Surgiu uma esperança #Strategy #SP500

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Toda a atenção do mercado neste momento está voltada para o novo presidente do Federal Reserve, e a sensação é de que Kevin Warsh vai frustrar quem o indicou. Trump imaginava ter posto na cadeira mais importante da política monetária americana alguém disposto a baixar juros rapidamente. Por enquanto, todos os sinais apontam na direção contrária. Até pouco tempo atrás o mercado precificava duas quedas de 0,25% ainda em 2026; agora passou a precificar duas altas. Quando o próprio mercado muda de ideia com essa velocidade, vale parar e perguntar o que mudou de fato. O que mudou foi o estilo. Warsh decidiu não submeter sua própria projeção no último dot plot — o gráfico em que cada dirigente do Fed marca onde acha que os juros vão estar nos próximos anos. Ele disse que esse exercício não ajuda na condução da política e anunciou cinco grupos de trabalho para revisar comunicação, balanço, dados, produtividade e o próprio arcabouço de inflação do banco central. Na superfície, parece humildade...

Correndo atrás do prejuízo #USDBRL

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Há um momento peculiar nos mercados em que uma tese de investimento deixa de ser debatida e passa a ser simplesmente repetida. Não porque os argumentos sejam irrefutáveis, mas porque questionar a narrativa dominante começa a custar caro demais — em reputação, em performance relativa e, cada vez mais, em convívio social. Estamos nesse momento agora. Diversificar virou heresia. O mecanismo é simples e implacável. Quando uma única temática — no caso, a inteligência artificial — concentra os melhores retornos do ciclo, qualquer portfólio que se desvie dela paga o preço imediato do desempenho relativo inferior. Gestores são cobrados trimestre a trimestre. Assessores precisam justificar o que não sobe junto com o índice. E o investidor individual, ao comparar sua carteira diversificada com o vizinho que colocou tudo em três nomes de semicondutores, sente que cometeu um erro grave de julgamento. Não cometeu. Mas a psicologia do mercado não opera por lógica financeira; opera por dor e por inve...

O perigo de morrer na praia #Nasdaq100 #NVDA

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Não há ninguém envolvido com investimentos que não conheça a pergunta que paira sobre o mercado de tecnologia há pelo menos dois anos: os investimentos colossais em data centers vão se pagar? A dúvida não é retórica — ela tem um número atrás. As cinco grandes empresas de tecnologia americanas comprometeram cerca de US$ 725 bilhões em gastos de capital para 2026, com aproximadamente 75% destinados à infraestrutura de inteligência artificial. É uma aposta de escala histórica, e o mercado observa cada dado novo como quem lê um eletrocardiograma. Os dados mais recentes da NBER (National Bureau of Economic Research) não são animadores. A adoção da IA pelas empresas avança em ritmo aquém do esperado, e os ganhos de produtividade — o argumento central para justificar todo esse capex — ainda não aparecem de forma consistente nas métricas agregadas. Não é surpresa para quem conhece a história da tecnologia. O Paradoxo de Solow e a paciência do mercado Em 1987, o economista Robert Solow cunhou u...

Não deixe ações para seus netos #OURO #GOLD #EURUSD

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Meu ex-sócio Emir Capez costumava dizer, nos corredores da Linear, que a IBM era uma ação para comprar e deixar para os netos. Era outro tempo — um tempo em que ciclos de negócios duravam décadas e a obsolescência tecnológica era um risco remoto. Hoje, diante de tudo que se move no mercado de tecnologia, sou obrigado a revisar essa sabedoria: melhor deixar para os netos um ETF de ações que rebalanceia a carteira conforme a música muda. Há pouco tempo introduzi o conceito que chamei de 'Carteirinha' — a ideia de que empresas precisam se preparar continuamente para enfrentar a concorrência da inteligência artificial, tanto de novas entrantes quanto de rivais dentro do próprio segmento. Citei a Nvidia como exemplo-mor: a mais bem posicionada no mercado de chips para IA, mas inevitavelmente sujeita a ver sua hegemonia contestada. E foi exatamente o que aconteceu: a performance das ações da Nvidia ficou aquém do esperado nos últimos meses — não que ela tenha sofrido algum grande baq...

Prova dos Dezoito #IBOVESPA

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A prova dos nove é uma verificação aritmética antiga — uma forma rápida de checar se um cálculo está certo. Quando digo que o dólar passou na prova dos dezoito, não é modéstia: quero dizer que ele foi testado em dobro, sob as mais variadas pressões, e saiu intacto de todas elas. O relatório especial de junho de 2026 do JP Morgan — elaborado por Michael Cembalest para marcar os 250 anos da Declaração de Independência americana — oferece a mais completa radiografia que já vi sobre o assunto. E os dados do Yardeni Research, publicados nesta semana, completam o quadro com uma precisão que deixa pouco espaço para contestação. Nos últimos anos, proliferaram as narrativas sobre o fim do dólar como moeda de reserva. O argumento tem apelo emocional e político: déficits fiscais imensos, uma dívida pública que saiu de 60% para 125% do PIB em vinte anos, sanções em cascata contra governos e empresas ao redor do mundo. Tudo isso, dizem os mais apocalípticos, estaria corroendo a confiança global na ...