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O Mosca discorda do mercado #10y #Nasdaq100 #NVDA

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  Antes de bater de frente com o consenso do mercado, parei para pensar: será que minha discordância tem fundamento, ou é apenas irritação por não concordar com a leitura que Wall Street fez da decisão do Tesouro americano de trocar títulos longos por títulos curtos? Passado esse momento de dúvida, sigo firme na tese que vou expor. Primeiro ponto, e talvez o mais importante: o mundo saiu de um longuíssimo período de juros artificialmente baixos, e só por isso já seria necessária uma reprecificação. A pandemia trouxe de volta a inflação, que agora se acomodou num patamar que prefiro chamar de mínimo, não de ameaça. O crescimento global segue em bases sólidas, turbinado pela nova tecnologia de inteligência artificial, que acelerou a demanda por capital numa velocidade que pegou muita gente de surpresa. Some a isso o déficit público americano, que continua elevado e pressiona os juros por pura questão de oferta, e os conflitos geopolíticos que mexeram com a cadeia do petróleo. Reunid...

O recheio do bolo #OURO #GOLD #EURUSD

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Para quem acompanha ações não existe parâmetro mais divulgado que o P/L — o preço dividido pelo lucro. Numa rodinha de investidores, convencionou-se de forma simples traçar uma linha de corte: acima dela está cara, abaixo está barata. E essa linha varia conforme as condições econômicas do momento — crescimento, juros, inflação. Olhando essa medida com calma, o preço é a parte visível e real da equação: varia a cada minuto de negociação, todo mundo vê. Já o lucro é mais escorregadio — o que ele contempla, exatamente? No passado usava-se o lucro já publicado pela empresa; hoje, a projeção feita pelos analistas. Mas dá para ir além e separar esse lucro em duas partes. A primeira é a continuidade pura e simples do que a companhia já faz hoje — se ela ganha US$ 2 por ação e consegue sustentar esse patamar de forma estável, isso é o chão do valor, o que os acadêmicos chamam de “steady state”. A segunda parte é a opção de fazer investimentos futuros que criem valor além desse chão. A essa se...

Você acerta por sorte ou competência #Strategy #IBOVESPA

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Depois de tantos anos no ramo de finanças, cuja especialidade posso dizer que é especulativa, toda vez que penso nos meus grandes acertos eu os classifico assim: a sorte teve um peso maior que a competência. Não que essa última não seja importante, mas sem sorte talvez meus resultados tivessem sido outros. A grande virada na minha carreira foi quando comecei a usar análise técnica, que me ajudou principalmente na disciplina em relação à entrada em novos trades, bem como na gestão de risco. Eu seria injusto com a academia se não desse importância ao fundamento. Ele está sempre presente, mas já faz um bom tempo que deixou de ser o principal para mim. Vou dar um exemplo prático: ao observar a situação fiscal do Brasil, eu diria que apostar contra o real seria a opção mais atrativa em termos de preço. Os leitores são testemunhas de que venho buscando um ponto de entrada usando a análise técnica, mas ele ainda não apareceu. Esse é um caso típico em que o fundamento aponta para um lado e o ...

Tudo tem dois lados #TB 10y #SP500

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Confesso que ando meio tonto com a avalanche de números sobre o investimento em data centers. Valores de dezenas de bilhões de dólares já nem chamam mais atenção — o que impressiona agora são as projeções que somam vários anos de capex e chegam a trilhões. O problema é que essas bolas de cristal tentam prever algo que nem as próprias empresas sabem dizer com precisão: quanto efetivamente vão investir. O que me chama atenção é a concentração desse movimento. Eu imaginava que, a essa altura, já existiriam companhias fora do círculo das hyperscalers construindo seus próprios data centers, mas os valores envolvidos são tão elevados que faz mais sentido cada uma focar no seu negócio. Fazendo um paralelo com o que acontece na guerra do Irã, está se formando uma espécie de estreito da inteligência artificial, por onde passa toda a demanda do setor — e quem controla essa passagem manda no preço. Ainda bem que não existe um monopólio, mas nada impede que, no futuro, se forme o cartel da IA. Es...

2027: vão bater sua carteira #USDBRL

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Hoje trago uma pesquisa extensa do UBS sobre a evolução do patrimônio global, e os números impressionam. Só nos Estados Unidos, mais de 440 mil pessoas cruzaram a marca de milionário em dólares em 2025 — um crescimento de 1,9% em doze meses, o equivalente a mais de 1.200 novos milionários por dia. Reino Unido, França, Espanha, Japão e Índia também somaram mais de 30 mil cada um. A América do Norte já concentra 44,8% dos milionários do mundo; somada à Europa Ocidental, ultrapassa 70%. É uma fábrica de riqueza que não para de rodar. Mas há outro lado dessa história, e ele não é tão bonito. Enquanto o patrimônio privado bate recordes, a dívida dos governos também cresce, e o próprio economista-chefe do UBS, Paul Donovan, reconhece que os níveis de endividamento público estão hoje mais elevados do que no passado recente. Isso atrai atenção política e cria um incentivo perigoso: mobilizar a riqueza privada para baixar o custo da dívida. Traduzindo sem rodeios: taxar quem tem para financiar...

2075: um chute sobre o futuro #nasdaq100 #NVDA

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Recebi um relatório da Goldman Sachs com projeções econômicas para o mundo até 2075. Minha primeira reação foi rir: certamente o Mosca, comigo junto, não estará mais por aqui para ser cobrado por nada — mas já adianto que a conta, se não fechar, pode ser mandada para a Goldman. Refleti melhor, porém, e me pareceu que o material tem alguma validade: pode interessar a nossos filhos e netos, e vale a pena registrar minha opinião sobre o que ele descreve. Como os leitores já percebem pelas minhas colocações ao longo dos anos, sou cético em relação ao Brasil. Executivo e legislativo têm visão imediatista e egoísta, pensam em si mesmos, sem contar a corrupção que vemos todos os dias nos telejornais — sempre uma novidade. Tudo isso tem custo, e o custo não aparece de imediato: é uma deterioração lenta, que se acumula no tempo. Estamos às vésperas de uma nova eleição, e posso adiantar que vou votar no menos ruim — e mesmo assim é muito ruim. Isso só muda se a população se revoltar e exigir m...

Zumbis com CNPJ ativo #OURO #GOLD #EURUSD

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O funcionamento da economia chinesa desafia os modelos mais sofisticados. Os leitores do Mosca já conhecem a dependência desse país em relação às suas exportações e, por mais que o governo tente estimular o consumo interno, não há sinal de mudança relevante: a taxa de poupança em torno de 45% da renda continua elevadíssima sob qualquer comparação internacional, muito acima de economias como Estados Unidos, Europa ou Japão. Um excelente estudo divulgado pelo JPMorgan mostra que os limites desse modelo não são impostos internamente, mas sim externamente. O documento recupera a tese de Stephen Roach, ex-economista-chefe do Morgan Stanley para a Ásia, para quem o modelo chinês baseado em produção e exportação é insustentável: a fraca demanda doméstica empurra o excesso de oferta industrial para o resto do mundo, com riscos que lembram crises financeiras do passado. Os pilares dessa análise aparecem claramente nos números: exportações em disparada, investimento privado fraco, vendas no var...