Postagens

Procura-se muito dinheiro #SP500

Imagem
Não me lembro, em 50 anos de mercado, de ter presenciado um momento em que a procura por recursos estivesse tão intensa. No passado, era uma empresa ou um país pedindo arrego ao FMI — e até houve casos em que bancos centrais enfrentaram especuladores na defesa de suas moedas, como o célebre episódio de Soros contra a libra esterlina em 1992. Mas nem esses episódios chegam perto das cifras que circulam hoje, onde a base de discussão são bilhões, trilhões e até se fala em quatrilhão — e a demanda vem por várias vertentes ao mesmo tempo. Estamos diante de três aberturas de capital iminentes — SpaceX, Anthropic e Open IA — que prometem ofuscar até a guerra com o Irã, que já virou nota de segunda categoria. Essa é uma péssima notícia para Teerã, que dependia do frisson geopolítico para forçar um acordo com os Estados Unidos. Até a Google, que nada em rios de dinheiro, resolveu entrar na dança e pediu um troco de US$ 80 bilhões para emitir ações — o que, na escala dos outros, parece quase mo...

oitenta por cento de erro que dá lucro #USDBRL

Imagem
Há estratégias de investimento que parecem resistir ao tempo. A do momentum é uma delas. Dois estudos recentes — um artigo acadêmico e um relatório de engenharia reversa sobre um dos mais respeitados gestores do mundo — chegam à mesma conclusão: seguir o preço funciona. E funciona há décadas. O contraste com a abordagem fundamentalista não poderia ser mais revelador. A análise fundamentalista parte de parâmetros de avaliação fixos — múltiplos de lucro, valor patrimonial, fluxo de caixa descontado. O problema é que esses parâmetros podem ficar obsoletos. A revolução digital dos últimos trinta anos deixou muitos modelos para trás: empresas sem ativos físicos relevantes, sem lucros nos primeiros anos, sem dividendos — todas incompatíveis com o arsenal clássico. Já o momentum não tem esse problema. Ele se baseia em preços, e preços estão sempre atualizados. Não há revisão de modelo que o torne anacrônico. Outro diferencial decisivo é o controle de risco. A abordagem de momentum costuma emb...

Putin não quer a paz - quer tempo #nasdaq100 #NVDA

Imagem
  Em agosto de 2025, Putin desembarcou no Alasca. Era sua primeira visita a solo americano em uma década e foi recebido com honras de Estado. Trump o chamou de "vizinho" — Alaska e Rússia são, de fato, separados por um estreito — e declarou que as conversas haviam sido "um dez". O objetivo declarado era traçar um plano conjunto de paz para a Ucrânia. O encontro terminou sem acordo, sem cessar-fogo, sem prazo. Putin sorria. Trump prometia que a paz viria "em breve". E assim a cúpula se encerrou como chegou: com muito simbolismo e nenhuma substância. Não foi a primeira vez. Em fevereiro de 2025, Trump havia recebido o presidente ucraniano Zelensky no Salão Oval para discutir apoio americano e um acordo de minerais. O que se seguiu foi uma das cenas mais constrangedoras da diplomacia contemporânea: Trump e o vice-presidente JD Vance cercaram Zelensky verbalmente, interromperam suas falas e o acusaram publicamente de ingratidão. O acordo não foi assinado. Zele...

Bem-vindo ao clube dos teracórnios #GOLD #OURO #EURUSD

Imagem
 Desde que a inteligência artificial passou a exigir uma espécie de "Carteirinha" para quem quer continuar relevante — empresas, profissionais, investidores —, o tema ganhou uma densidade que vai muito além da moda passageira. Como acontece com tudo que vira popular, surgiu um subgrupo com regalias, sem fila e com tratamento diferenciado. Chamo esse andar de cima de sala VIP. E foi justamente nesse contexto que uma empresa quase desconhecida do grande público entrou, de uma tacada só, no seleto clube das teracórnios — minha denominação para as companhias que atingem US$ 1 trilhão de valor de mercado. O nome: Micron Technology. A Micron é a maior fabricante americana de chips de memória — segmento que por décadas foi tratado como commodidade, sujeito a ciclos brutais de queda de preços e margens raquíticas. Produz dois tipos principais: DRAM, usada em servidores, computadores e smartphones, e NAND flash, voltada para armazenamento. Por muito tempo ficou à sombra de concorrente...

Juventude for ever #IBOVESPA

Imagem
  Meu pai, na minha idade, já não tinha nenhuma atividade profissional. Não que ele fosse diferente dos outros — o mundo era assim naquela época. Alguém com cinquenta anos era velho na acepção da palavra, ponto final. Se eu me transportasse para aquela data, vocês não teriam o Mosca. No máximo me encontrariam num bar, contando histórias de mercado para quem quisesse ouvir. Mas a evolução nessa área surpreendeu qualquer previsão. Não só ficamos mais jovens — parecemos mais jovens. É verdade que muita coisa contribuiu para isso: os tratamentos para melhorar a aparência, o cuidado com a saúde e os avanços da medicina fizeram a sua parte. O resultado, porém, vai além da estética. É funcional, cognitivo e econômico. Um estudo recente do Goldman Sachs traz números que desafiam várias crenças consolidadas sobre o envelhecimento populacional — esse tema que a mídia insiste em chamar de bomba-relógio demográfica. O Goldman discorda. E os dados estão do lado deles. A tese central é sim...

Quando o lucro lidera #SP500

Imagem
  São incontáveis os posts e relatórios que, nos últimos meses, antecipam um colapso iminente da bolsa americana. A maioria recorre a comparações históricas — múltiplos elevados, exuberância dos preços, paralelos com a bolha de 2000. A narrativa é sedutora. Mas desta vez algo estruturalmente diferente está acontecendo, e ignorar esse fato pode ser o erro mais caro do ciclo. A precificação de ações segue uma lógica simples: projeção de lucros futuros multiplicada por um coeficiente considerado justo nas condições presentes. É um critério discutível? Talvez. Mas quando todos os participantes do mercado o adotam, ele se torna a realidade com a qual se precisa operar. Atualmente, um múltiplo em torno de 20 vezes o lucro projetado é considerado razoável para o conjunto do mercado — com desvios para baixo em antecipação a recessões e desvios para cima em setores com crescimento excepcional, como os semicondutores. O que diferencia o momento atual é a origem do movimento. Ed Yardeni, ...

O "PIX" vai matar a stablecoin #Bitcoin #USDBRL

Imagem
  Existe uma narrativa sedutora circulando nos mercados desde que os Estados Unidos aprovaram a lei que regulamenta as stablecoins. A história é a seguinte: o dólar digital privado vai conquistar o mundo, criar uma demanda cativa de trilhões em títulos americanos de curto prazo e consolidar a dominância americana no sistema financeiro global por mais uma geração. É uma narrativa inteligente. Tem fundamento. E provavelmente vai morrer antes de completar dez anos. Mas antes de chegar lá, vale entender o que está morrendo agora. O bitcoin perdeu, um a um, os argumentos que o tornavam especial. A narrativa de reserva de valor independente do Estado nunca se sustentou empiricamente — o ativo cai junto com o mercado em momentos de estresse e sobe quando a liquidez global afrouxa, comportando-se como um ativo de risco alavancado, não como ouro digital. A narrativa de meio de pagamento descentralizado morreu na prática diante das taxas de transação e da volatilidade. A narrativa de pro...