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O yen carrega o real #Nasdaq100 #NVDA

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  Eu tinha dito que não publicaria hoje, mas surgiu tempo e assunto — espero que gostem. Tem um detalhe passando praticamente despercebido por trás da relativa calma do real neste fim de agosto: quem está segurando a moeda brasileira não é o Brasil. É o Japão. O mecanismo chama-se carry trade, e a lógica é simples: um investidor toma dinheiro emprestado onde o juro é desprezível, converte para uma moeda de juro alto e embolsa a diferença. Há décadas o Japão é o financiador natural dessa festa, porque sua taxa básica vive perto de zero. O curioso é que essa conta nunca fechou tão a favor do resto do mundo quanto agora — e o Brasil está entre os maiores beneficiários. O Banco do Japão manteve sua taxa em 1% ao ano na reunião de julho, o nível mais alto desde 1995, mas a decisão só passou por 8 votos a 1: um diretor queria subir para 1,25% e foi voto vencido. O próprio banco central japonês, aliás, revisou para baixo sua projeção de inflação para este ano. Ou seja, mesmo depois de...

LeBron Inc. #NVDA

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  Hoje eu vou estar em trânsito e preparei um post mais suave — sem taxa de juros, presidente do Fed, Irã ou desvalorização da moeda: apenas o relato dos valores a que chegamos no mercado de esportes. Antes de entrar no tema de hoje, um parêntese sobre a Nvidia, cujos números saíram nesta semana. A sequência de reações foi curiosa: os resultados vieram, como sempre, acima do esperado — e mesmo assim as ações caíram no pós-mercado, a negociação eletrônica que ocorre depois do fechamento do pregão. Fiquei pensando: o que mais o mercado queria? Uma analista da Bloomberg resumiu bem o impasse: não dá para exigir mais crescimento quando os chips já estão "esgotados", ou seja, não sobra o que vender. A resposta veio na teleconferência, quando o diretor financeiro anunciou previsão de alta de 70% nas vendas no próximo ano, com uma pequena compressão de margem. Uau — isso depois de a receita já ter subido quase 1.400% nos últimos cinco anos. Nunca uma empresa desse tamanho cresceu ...

O mercado respira #IVOVESPA

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Na semana passada, poucos temas dominaram o noticiário de mercado como a atuação do Tesouro americano no mercado de títulos. Eu já tinha me posicionado contra as narrativas de "debasement" e os discursos apocalípticos que circulavam por aí, e alguns dias depois vejo bancos e casas de análise chegando, com atraso, a conclusões parecidas. Mas quanto mais leio os relatórios que recebi, mais me convenço de que o verdadeiro motivo por trás da queda dos juros longos não foi bem esse. O mercado estava "all in" contra os juros — apostado, pesado, na ponta vendida dos títulos longos. Antes de ter em mãos os números eu preferia não me arriscar a essa afirmação, para não passar aos leitores uma imagem equivocada. Mas os dados que vieram junto aos relatórios não deixam dúvida. Aprendi, ao longo dos quase cinquenta anos que caminho por este mercado, que é fácil descobrir a posição de um investidor: basta dizer algo contrário à tese dele que ele vem para cima da sua jugular se ...

Crise não é ctrl+C, ctrl+V #SP500

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  Ray Dalio é, sem dúvida, um dos personagens mais bem-sucedidos que o mercado financeiro já produziu. Fundou um dos hedge funds de maior visibilidade do mundo, a Bridgewater Associates, com um detalhe que diz muito sobre sua filosofia: o ticket mínimo para investir era de "50 paus" — no jargão do mercado, 50 milhões de dólares. Não é difícil entender o recado por trás dessa barreira: ele nunca quis ser incomodado com opiniões de quem não tivesse repertório para justificá-las. Prever o futuro é ofício arriscado, e mesmo os melhores erram. Dalio acertou em cheio a crise de 2008, antecipando as quebras de bancos e empresas que pegaram praticamente todo o mercado de surpresa. Mas sua história tem tantos tropeços quanto acertos — vale um resumo enxuto: Previsão Ano Resultado Depressão americana iminente 1981–1982 Errou — perdeu quase tudo e teve de demitir a equipe Colapso do mercado após fim do padrão-ouro 1971 Errou — o Dow subiu quase 4% no dia seguinte Cri...

Curto-circuito na política monetária #USDBRL

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A recente intervenção do Tesouro americano nos juros de longo prazo está sendo anunciada como se fosse a solução para os yields que não param de subir. Como comentei na sexta-feira, não estou de acordo com as leituras mais destrutivas que andam circulando por aí — mas de nada adianta eu achar diferente se a maioria do mercado pensa do jeito que pensa. É o preço que se paga por trabalhar com percepção, não com verdade absoluta. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, chamou seu plano de recompra de títulos longos de "Treasury twist", numa referência à operação Twist do Fed dos anos 1960. A ideia é recomprar dívida mais longa e cara e financiar isso emitindo mais papel curto — inclusive, segundo a CNBC, usando parte dos US$ 935 bilhões parados na Treasury General Account, a conta do Tesouro no Fed. Bessent também tem mexido no câmbio, intervindo para sustentar o iene e pedindo ao Fed que aumente o limite de repo para bancos centrais estrangeiros. Ou seja: um Secretário do Teso...

O Mosca discorda do mercado #10y #Nasdaq100 #NVDA

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  Antes de bater de frente com o consenso do mercado, parei para pensar: será que minha discordância tem fundamento, ou é apenas irritação por não concordar com a leitura que Wall Street fez da decisão do Tesouro americano de trocar títulos longos por títulos curtos? Passado esse momento de dúvida, sigo firme na tese que vou expor. Primeiro ponto, e talvez o mais importante: o mundo saiu de um longuíssimo período de juros artificialmente baixos, e só por isso já seria necessária uma reprecificação. A pandemia trouxe de volta a inflação, que agora se acomodou num patamar que prefiro chamar de mínimo, não de ameaça. O crescimento global segue em bases sólidas, turbinado pela nova tecnologia de inteligência artificial, que acelerou a demanda por capital numa velocidade que pegou muita gente de surpresa. Some a isso o déficit público americano, que continua elevado e pressiona os juros por pura questão de oferta, e os conflitos geopolíticos que mexeram com a cadeia do petróleo. Reunid...

O recheio do bolo #OURO #GOLD #EURUSD

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Para quem acompanha ações não existe parâmetro mais divulgado que o P/L — o preço dividido pelo lucro. Numa rodinha de investidores, convencionou-se de forma simples traçar uma linha de corte: acima dela está cara, abaixo está barata. E essa linha varia conforme as condições econômicas do momento — crescimento, juros, inflação. Olhando essa medida com calma, o preço é a parte visível e real da equação: varia a cada minuto de negociação, todo mundo vê. Já o lucro é mais escorregadio — o que ele contempla, exatamente? No passado usava-se o lucro já publicado pela empresa; hoje, a projeção feita pelos analistas. Mas dá para ir além e separar esse lucro em duas partes. A primeira é a continuidade pura e simples do que a companhia já faz hoje — se ela ganha US$ 2 por ação e consegue sustentar esse patamar de forma estável, isso é o chão do valor, o que os acadêmicos chamam de “steady state”. A segunda parte é a opção de fazer investimentos futuros que criem valor além desse chão. A essa se...