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A ilusão do crescimento #IBOVESPA

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Crescimento é uma das palavras mais sedutoras no vocabulário dos mercados financeiros. Analistas o perseguem, executivos o prometem e investidores pagam prêmios generosos por ele. O problema é que a maioria das pessoas que fala de crescimento nunca se deu ao trabalho de fazer a pergunta certa: crescimento para quê, e por quanto tempo? Um estudo recente da Morgan Stanley, de autoria de Michael Mauboussin e Dan Callahan, jogou luz sobre um dado que deveria constranger qualquer investidor entusiasta: de todas as empresas listadas nas bolsas americanas entre 1926 e 2025 — mais de 29 mil ao todo —, apenas 0,7% foram responsáveis por mais de 75% de toda a riqueza gerada no mercado acionário no período. Pouco mais de 200 empresas carregando nas costas a prosperidade de gerações inteiras de investidores. Uma outra publicação que aponta no mesmo sentido, mostra que nesse período apenas 10 empresas geraram aproximadamente 30% da criação de riqueza. Notem que dessas empresas a grande maioria ...

Procurando a porta de saída #S&P 500 #Bitcoin

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  Hoje é feriado no Brasil, mas os mercados internacionais operam normalmente — e como uma parcela expressiva dos meus leitores está nos Estados Unidos, algo que me surpreendeu ao verificar recentemente, pois esse grupo representa atualmente 48% do total, superando os leitores brasileiros com 30%, decidi publicar um post mais enxuto, porém sem abrir mão da substância. Há algum tempo não comento sobre o bitcoin. Desde outubro do ano passado ele ficou à margem das minhas análises, mas não passou despercebido o otimismo exagerado que circula nas redes sociais entre seus adeptos mais fervorosos — um entusiasmo que não encontra respaldo na realidade recente. Um artigo da Bloomberg ilustra bem esse descompasso: o bitcoin perdeu todos os argumentos que sustentavam sua narrativa original. No evento geopolítico de maior tensão recente — o conflito entre Irã e os Estados Unidos — o ativo performou de forma pífia, incapaz de exercer qualquer papel de reserva de valor ou proteção sistêmica. ...

Monopólio do emprego #USDBRL

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Raramente, em uma economia que cresce, se debateu tanto sobre o mercado de trabalho quanto agora. A chegada da inteligência artificial ao cotidiano profissional acelerou uma angústia que já existia antes — e que, acredito, muita gente ainda subestima. A questão não é apenas tecnológica. É estrutural. E a Bloomberg, em uma matéria recente, parece ter posto o dedo exatamente na ferida. O raciocínio que me ocorreu ao ler o artigo foi quase imediato: se nos mercados financeiros assistimos, há anos, a uma concentração sem precedentes — com poucas empresas respondendo pela maior parcela da capitalização de mercado —, por que seria diferente com os empregos? A lógica é a mesma. Quando o poder econômico se concentra, o poder de contratação também se concentra. E quando são poucos os empregadores que de fato disputam trabalhadores, quem perde é o trabalhador. Esse fenômeno tem nome técnico — monopsônio —, cunhado pela economista Joan Robinson nos anos 1930 para descrever mercados em que há ...

O vírus da IA não tem vacina #nasdaq100 #NVDA

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  Há três anos, ao me deparar com um estudo da Goldman Sachs que projetava uma queda de emprego equivalente a um terço dos trabalhadores nos próximos dez anos, fiquei genuinamente preocupado com o futuro do trabalho. Mais a frente, desenvolvi o conceito da “Carteirinha” — a ideia de que quem se engajasse profundamente com a inteligência artificial saíria vencedor na nova ordem econômica; os demais, a reboque. Imaginei inicialmente o impacto sobre as empresas, depois sobre as pessoas. O tempo passou, e a realidade veio confirmar, com crescente intensidade, o que já desconfiava. A inteligência artificial avança como um vírus silencioso: começa nos países desenvolvidos, acomete os setores mais qualificados e, gradualmente, contamina toda a cadeia produtiva global. Nos Estados Unidos, esse processo já se tornou visível e irreversível. O Wall Street Journal sintetizou o fenômeno com precisão: empresas como Snap, Block e Amazon adotaram o que o mercado batizou de “mega-demissões” como ...

Resiliente = China #OURO #GOLD #EURUSD

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  Antes de entrar no assunto central de hoje, um parêntese sobre a bolsa americana. Nesta semana tenho adotado postura técnica cautelosa, aguardando a superação de níveis-chave para confirmar a tendência de alta. Não estou sozinho nessa cautela — a maioria dos investidores se mostra perplexa diante da recuperação em curso, sem que o conflito geopolítico tenha se resolvido. Para dimensionar o que está acontecendo: a alta dos últimos dez dias está no percentil 99,7 de todas as variações equivalentes registradas desde 1950. Nos episódios históricos comparáveis, o retorno médio nos doze meses seguintes foi de 19%, com 17 ocorrências positivas e apenas 3 negativas. Tudo indica que estamos rumando a novas máximas. Devo sugerir compra da bolsa americana assim que surgir uma oportunidade de correção adequada. Se alguém precisa de um exemplo concreto de resiliência — a palavra que domina o vocabulário econômico desta temporada —, sugiro que olhe para a China. Nos últimos anos, já perdi ...

O feitiço vira contra o feiticeiro #IBOVESPA

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  Nos últimos dias, o sistema financeiro mundial passou por um susto de proporções incomuns. Não foi um colapso de bolsas, nem uma crise de liquidez — foi a revelação de um modelo de inteligência artificial capaz de identificar, de forma autônoma, milhares de falhas de segurança em softwares amplamente utilizados, incluindo sistemas bancários. O modelo se chama Mythos, desenvolvido pela Anthropic, e sua existência foi considerada tão perigosa que a própria empresa se recusou a lançá-lo ao público. A Anthropic — para quem ainda não a conhece — é uma das empresas mais relevantes do atual ecossistema de inteligência artificial. Seu produto mais conhecido, o Claude, vem ganhando adeptos de forma acelerada, disputando palmo a palmo o espaço que o ChatGPT ocupou quase que sozinho por anos. Tenho acompanhado essa evolução de perto e, recentemente, passei a utilizar o Claude como ferramenta principal de trabalho, em substituição ao produto da OpenAI. O crescimento é visível nos dados: o ...