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A ilusão da eficiência na era dos ETFs #OURO #GOLD #EURUSD

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Durante anos o investidor foi educado a acreditar que o mercado é um mecanismo quase perfeito de precificação. Que milhões de participantes analisando dados garantem que o preço de uma ação reflete fielmente seus fundamentos econômicos. Essa narrativa funcionou bem nos livros. Na prática, começa a ruir. Um amplo estudo recente da Morgan Stanley Investment Management, em parceria com a Counterpoint Global Insights, mostra, com dados de fluxo, estrutura de mercado e concentração de lucros, que os preços vêm se afastando sistematicamente do valor econômico das empresas. Não por falhas ocasionais, mas por mudanças profundas na forma como o capital hoje circula nos mercados financeiros. O relatório parte do conceito clássico de valuation: o valor de uma empresa deriva de seus fluxos de caixa futuros descontados. O preço deveria orbitar esse valor ao longo do tempo. O que os pesquisadores observam é o aumento da frequência e da duração dos desvios entre preço e valor. Mesmo quando os fun...

O bitcoin está no vácuo #IBOVESPA #BITCOIN

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A desmontagem silenciosa da narrativa institucional e o vazio de sustentação do mercado O que parecia ser uma revolução silenciosa nas finanças acabou revelando sua verdadeira face: uma armadilha institucional disfarçada de demanda estrutural. O Bitcoin, que chegou a US$ 126 mil em outubro do ano passado, caiu mais de 40% e hoje circula abaixo de US$ 75 mil. Parte dessa queda é atribuída ao esvaziamento de uma ilusão cuidadosamente montada por grandes instituições e promovida por personagens que transformaram convicção em dogma. O argumento de que a aprovação dos ETFs de bitcoin por si só sustentaria o preço desmoronou. Como mostrou Shanaka Anslem Perera em artigo de 2 de fevereiro, a maior parte do dinheiro que entrou nesses fundos não estava ancorada em convicção de longo prazo, mas sim em uma operação de arbitragem chamada "basis trade", que garantia retorno via diferença entre os preços do mercado à vista e futuro. Essa vantagem evaporou com a compressão dos spreads, ...

As economias estão bombando #S&P 500

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A economia americana atravessa um daqueles períodos em que os dados desmontam, um a um, as narrativas pessimistas que insistem em circular pelo mercado. Os números mais recentes sugerem um ritmo de crescimento que foge do padrão de uma economia madura como a dos Estados Unidos. O modelo GDPNow, do Fed de Atlanta, aponta expansão anualizada acima de 4%. Em qualquer outro contexto, isso seria tratado como exuberância; aqui, virou apenas mais um capítulo de uma sequência de surpresas para cima.   Essa sequência não é detalhe técnico. Quando os indicadores passam a superar as expectativas de forma recorrente, o que se observa, na prática, é o consenso sendo empurrado para trás. Revisões para cima deixam de ser exceção e viram rotina. Isso importa porque o mercado precifica o futuro com base no que espera — e, neste momento, parece estar sempre um passo atrasado. O segundo pilar que sustenta esse ciclo é a lucratividade. O crescimento não está acontecendo apenas “no papel”: ele ...

Warsh será um "yes man"? #USDBRL

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Desde sexta-feira, o mercado passou a girar em torno de um único nome: Kevin Warsh. A indicação para a presidência do Federal Reserve foi rapidamente transformada em explicação para tudo — da queda histórica da prata ao recuo do ouro e à oscilação do dólar. A narrativa foi direta: os metais caíram porque Warsh seria duro com juros. Mas por trás dessa leitura apressada surge a pergunta que realmente importa: ele será independente ou apenas mais um presidente do Fed pressionado pela política. O Mosca não ignora que a notícia serviu de gatilho. Mas gatilho não é causa estrutural. Em ativos que vinham subindo de forma quase vertical, qualquer evento vira desculpa para realização. O erro está em confundir correção técnica com mudança de regime monetário. Quando o investidor olha apenas para o preço do ouro e tenta extrair dali uma conclusão sobre política monetária, acaba lendo o termômetro errado. Metais refletem expectativas, medo, excesso especulativo e, muitas vezes, puro movimento ...

A lua de mel da IA acabou #nasdaq100 #NVDA #OURO #EURUSD

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  Durante dois anos, a inteligência artificial foi o passe livre para o mercado esquecer o básico. Bastava um CEO encaixar “AI” em duas frases — e o valuation se comportava como se o resto do mundo tivesse sido dispensado por decreto. O investidor comprava a história e, junto com ela, comprava a esperança de que produtividade, margens e crescimento chegariam por osmose. Só que 2026 começou a mostrar uma coisa bem menos romântica: a festa continua, mas agora alguém está pedindo o extrato. Essa virada não tem nada de mística. Ela é a consequência natural de qualquer ciclo de tecnologia quando sai da fase do “isso vai mudar tudo” e entra na fase do “ok, e quanto isso gera de caixa?”. O Deutsche Bank chamou esse momento pelo nome: a “lua de mel” da IA acabou; a tecnologia sobrevive, mas este será o ano mais difícil até aqui, porque três forças se encontram ao mesmo tempo: desilusão (promessas maiores que entregas), deslocamento (gargalos físicos e de custo) e desconfiança (política, ...