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Brasil com Z #IBOVESPA

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  Ontem fomos surpreendidos, na verdade não tanto, com o detalhamento das conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Não é preciso ser especialista em direito para perceber que a intimidade entre os dois era grande, e isso por si só já levanta uma dúvida enorme sobre o que realmente ocorreu entre eles — não é preciso prova maior do que essa proximidade revelada. O mais incrível foi a reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se apressou em declarar que o conteúdo era ilegal e deveria ser arquivado. Não podia ter sido em pior hora: mesmo que ele tenha razão do ponto de vista técnico, o timing joga contra ele, e no ambiente atual ninguém deu a mínima para o argumento jurídico. Além disso, só pelo que já foi revelado, no mínimo todos os envolvidos deveriam colocar o cargo à disposição. Mas no Brasil nem sempre a justiça de raiz prevalece. Vamos ver como esse caso termina. Sempre fiquei intrigado com o fato de que em inglê...

A frenesi dos bonds #SP500

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  Escolher os assuntos do dia é, de certa forma, um exercício especulativo. Meu termômetro são as visualizações, que acompanho diariamente: hoje a média está na casa de 15 mil por semana e o total acumulado já passou de 1,6 milhão. Isso me diz que, de alguma forma, ando acertando na mosca. No post de ontem me posicionei sobre o debasement do dólar, tema que deveria afetar principalmente os títulos americanos. É nessa linha que Robin Brooks argumenta em seu relatório de hoje. Mas discordo do enquadramento. O que realmente está em curso é um realinhamento global das taxas de juros, como bem mostra Ed Yardeni ao comparar o endividamento das principais economias desenvolvidas. Se houvesse mesmo debasement, ele deveria aparecer em todas as moedas de países desenvolvidos, e com muito mais intensidade no Japão e na Europa do que nos Estados Unidos — não é isso que vemos. Government Debt as a Percent of GDP (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Canadá) Mas o que é, a...

Opinião acima da realidade #USDBRL

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  Durante minha vida profissional sempre convivi com economistas ao meu lado. Essa convivência me ensinou a ter muita cautela com previsões e me fez cunhar uma frase que uso há décadas: economistas mudam de opinião como eu mudo de camisa. Não sei se essa é também a experiência de vocês, mas talvez o motivo esteja na própria natureza da economia, que não é uma ciência exata. Ela conjuga econometria, disciplina forte em estatística, com inferência sobre comportamento humano, e essa mistura abre espaço para opiniões que soam técnicas mas carregam, na origem, uma dose de convicção pessoal. Por que essa ressalva hoje? Eu gosto muito e respeito o trabalho de Robin Brooks, que acompanho diariamente e cujos relatórios recebo pela manhã. Mas ultimamente sinto que suas colocações estão mais enviesadas do que de costume. Ele realiza dois calls nos finais de semana sobre os temas mais recentes e, neles, percebo com clareza como busca justificar posições já tomadas, não construir uma leitura n...

O yen carrega o real #Nasdaq100 #NVDA

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  Eu tinha dito que não publicaria hoje, mas surgiu tempo e assunto — espero que gostem. Tem um detalhe passando praticamente despercebido por trás da relativa calma do real neste fim de agosto: quem está segurando a moeda brasileira não é o Brasil. É o Japão. O mecanismo chama-se carry trade, e a lógica é simples: um investidor toma dinheiro emprestado onde o juro é desprezível, converte para uma moeda de juro alto e embolsa a diferença. Há décadas o Japão é o financiador natural dessa festa, porque sua taxa básica vive perto de zero. O curioso é que essa conta nunca fechou tão a favor do resto do mundo quanto agora — e o Brasil está entre os maiores beneficiários. O Banco do Japão manteve sua taxa em 1% ao ano na reunião de julho, o nível mais alto desde 1995, mas a decisão só passou por 8 votos a 1: um diretor queria subir para 1,25% e foi voto vencido. O próprio banco central japonês, aliás, revisou para baixo sua projeção de inflação para este ano. Ou seja, mesmo depois de...

LeBron Inc. #NVDA #OURO #GOLD #EURUSD

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  Hoje eu vou estar em trânsito e preparei um post mais suave — sem taxa de juros, presidente do Fed, Irã ou desvalorização da moeda: apenas o relato dos valores a que chegamos no mercado de esportes. Antes de entrar no tema de hoje, um parêntese sobre a Nvidia, cujos números saíram nesta semana. A sequência de reações foi curiosa: os resultados vieram, como sempre, acima do esperado — e mesmo assim as ações caíram no pós-mercado, a negociação eletrônica que ocorre depois do fechamento do pregão. Fiquei pensando: o que mais o mercado queria? Uma analista da Bloomberg resumiu bem o impasse: não dá para exigir mais crescimento quando os chips já estão "esgotados", ou seja, não sobra o que vender. A resposta veio na teleconferência, quando o diretor financeiro anunciou previsão de alta de 70% nas vendas no próximo ano, com uma pequena compressão de margem. Uau — isso depois de a receita já ter subido quase 1.400% nos últimos cinco anos. Nunca uma empresa desse tamanho cresceu ...

O mercado respira #IBOVESPA

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Na semana passada, poucos temas dominaram o noticiário de mercado como a atuação do Tesouro americano no mercado de títulos. Eu já tinha me posicionado contra as narrativas de "debasement" e os discursos apocalípticos que circulavam por aí, e alguns dias depois vejo bancos e casas de análise chegando, com atraso, a conclusões parecidas. Mas quanto mais leio os relatórios que recebi, mais me convenço de que o verdadeiro motivo por trás da queda dos juros longos não foi bem esse. O mercado estava "all in" contra os juros — apostado, pesado, na ponta vendida dos títulos longos. Antes de ter em mãos os números eu preferia não me arriscar a essa afirmação, para não passar aos leitores uma imagem equivocada. Mas os dados que vieram junto aos relatórios não deixam dúvida. Aprendi, ao longo dos quase cinquenta anos que caminho por este mercado, que é fácil descobrir a posição de um investidor: basta dizer algo contrário à tese dele que ele vem para cima da sua jugular se ...

Crise não é ctrl+C, ctrl+V #SP500

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  Ray Dalio é, sem dúvida, um dos personagens mais bem-sucedidos que o mercado financeiro já produziu. Fundou um dos hedge funds de maior visibilidade do mundo, a Bridgewater Associates, com um detalhe que diz muito sobre sua filosofia: o ticket mínimo para investir era de "50 paus" — no jargão do mercado, 50 milhões de dólares. Não é difícil entender o recado por trás dessa barreira: ele nunca quis ser incomodado com opiniões de quem não tivesse repertório para justificá-las. Prever o futuro é ofício arriscado, e mesmo os melhores erram. Dalio acertou em cheio a crise de 2008, antecipando as quebras de bancos e empresas que pegaram praticamente todo o mercado de surpresa. Mas sua história tem tantos tropeços quanto acertos — vale um resumo enxuto: Previsão Ano Resultado Depressão americana iminente 1981–1982 Errou — perdeu quase tudo e teve de demitir a equipe Colapso do mercado após fim do padrão-ouro 1971 Errou — o Dow subiu quase 4% no dia seguinte Cri...