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Rasgando os livros de economia #OURO #GOLD #EURUSD

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Sou engenheiro, não economista. Aprendi economia na marra, pelo trabalho — décadas de mercado financeiro são um laboratório que nenhuma sala de aula reproduz. E aprendi a distinguir o que importa do que é enfeite acadêmico. Os conceitos fundamentais são simples. Tão simples que, conta-se, um deputado indignado com a inflação propôs ao plenário revogar a lei da oferta e da procura, afinal, estava atrapalhando sua intenção. O episódio diz tudo sobre a distância entre a política e a realidade. O livro-texto de economia ensina há séculos que existem três fatores de produção: Terra, Trabalho e Capital. Ideia sólida, lógica, testada. Ninguém havia sugerido nada diferente em toda a história da disciplina. Até agora. Acompanho com atenção o trabalho do economista Ed Yardeni — raiz, criterioso, com um banco de dados que poucos possuem e uma veia levemente sarcástica que aprecio. Em seu relatório desta semana, ele fez uma afirmação que me parou: propôs a inclusão de um quarto fator de produção. ...

O maior cliente manda #IBOVESPA

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Acordei esta manhã com uma notícia que, para quem acompanha mercados há décadas, tem o cheiro inconfundível de ponto de virada: o Irã estaria avaliando uma proposta norte-americana para encerrar quase dez semanas de guerra. Trump, fiel ao seu estilo, não perdeu tempo e declarou vitória nas redes sociais antes mesmo de qualquer acordo ser assinado. Mas há um terceiro personagem nessa história — e, na minha avaliação, o mais decisivo de todos: a China. Para entender o que está acontecendo, é preciso compreender uma estatística que resume tudo: a China compra em torno de 90% do petróleo exportado pelo Irã. Não é parceria — é dependência estrutural. E dependência estrutural, como qualquer empresário experiente sabe, é uma faca de dois gumes. Nas últimas semanas, os Estados Unidos vinham tentando sufocar as finanças iranianas pelo bloqueio naval e pela ameaça de sanções secundárias a quem comprasse o petróleo iraniano — leia-se, a China. Robin Brooks, em análise cirúrgica publicada na seman...

A batata quente (pelando?) #S&P500

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Este ano temos a escolha de um novo presidente da república. As pesquisas recentes mostram perda de popularidade do presidente atual. Se Lula for reeleito, já sabemos o que esperar: nada de resolver as contas públicas mas continuar gastando sem controle. Se for um outro candidato com melhores intenções, pode ser um pouco diferente — mas por que um pouco? Vão entender no decorrer deste post. Existe uma possibilidade de difícil solução — quem quer que  ganhe a eleição. E aposto que nenhum dos candidatos está sequer pensando nisso, embora o tema seja intensamente debatido lá fora. Estou falando do risco de demissões em massa provocadas pela inteligência artificial. Se for o Lula, conhecendo seu histórico intervencionista, vai querer expulsar a IA da economia — convoca os amigos do STF e proíbe seu uso. Lógico que isso é impossível na prática, mas a tentação estaria lá. Se for um candidato de outro perfil, seria ele obrigado a expandir ainda mais o Bolsa Família para absorver os desloc...

O mercado não deixa dinheiro na mesa #USDBRL

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O mercado de ações dispõe de inúmeras métricas para avaliar empresas, mas todas elas têm um denominador comum inescapável: o preço. Seja pelo Preço/Lucro, pelo Preço/Vendas ou pelo valor patrimonial, o preço está em toda parte. A pergunta que raramente se faz, porém, é a mais importante: por que determinada ação ficou barata? Qual foi o gatilho? Seria o tamanho da empresa, que a exclui dos índices mais difundidos? Um novo concorrente capaz de oferecer produtos mais baratos? A deterioração da gestão? Perspectivas sombrias para o setor? As causas são muitas — mas identificá-las faz toda a diferença entre uma oportunidade real e uma armadilha disfarçada de pechincha. Certa vez, tive a oportunidade de visitar a mesa de operações da Merrill Lynch, quando a instituição ainda existia. De uma janela em andar superior, a cena era impactante: aproximadamente 500 operadores, cada um diante de seus terminais e telefones, formavam uma multidão densa e disciplinada. A pessoa que me acompanhava fez q...

Agora a carteirinha Vale PIB #nasdaq100 #NVDA

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  Hoje é feriado no Brasil, mas os mercados americanos operam normalmente — e com notícias importantes. Reservei a sexta-feira para falar de inteligência artificial, e o dia de hoje oferece material farto em dois assuntos que merecem atenção. O primeiro é o mais relevante: os números do Produto Interno Bruto americano do primeiro trimestre de 2026, divulgados ontem pelo Departamento de Comércio, mostram crescimento anualizado de 2%. Parece um número modesto até que se olhe para dentro: três quartos desse crescimento têm origem direta na inteligência artificial. O investimento empresarial em equipamentos e propriedade intelectual — categorias intimamente ligadas à infraestrutura de dados e ao desenvolvimento de modelos — avançou 10,4% no período, o ritmo mais forte em quase três anos. O economista Oliver Allen, da Pantheon Macroeconomics, estimou que o investimento em inteligência artificial respondeu por cerca de metade do crescimento do PIB no trimestre, mesmo após descontar a...

O novo "patrão" do Fed #OURO #GOLD #S&P 500

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  O presidente Trump tem um padrão de comportamento que já se tornou previsível: escolhe alguém de fora do sistema, com perfil de executivo agressivo, e aposta que essa figura vai dobrar uma instituição que, na prática, não se dobra facilmente. Aconteceu com Elon Musk no Departamento de Eficiência Governamental — prometeu cortar um trilhão de dólares, saiu pela culatra, e a experiência mostrou que máquinas públicas têm sua própria inércia. Agora é a vez de Kevin Warsh no Federal Reserve. A ideia de Trump é simples: colocar um aliado na cadeira de presidente do banco central americano e forçar uma queda de juros, independentemente do que os dados econômicos recomendem. Aprendeu no mercado imobiliário que juro baixo é bom para negócios — e generalizou essa lição para toda a política monetária de uma das maiores economias do mundo. Acontece que o Fed não é uma incorporadora. Warsh é, sem dúvida, um perfil incomum para a cadeira. Declarou patrimônio de cerca de 100 milhões de dólar...