Postagens

Nvidia garante a galera #IBOVESPA

Imagem
Jensen Huang é um estrategista tão bom que nem preciso gastar linhas explicando o óbvio. Há dez anos ele comandava uma fabricante de placas de vídeo para jogos. Hoje comanda a maior empresa do planeta, ultrapassando gigantes que pareciam intocáveis, caso da própria Microsoft, Apple e outras. Quem acompanha o Mosca sabe que não é modismo: é execução. A grande disputa do momento não é mais só tecnológica, é financeira. Quem consegue dinheiro para construir data center vence a corrida, e o custo desse dinheiro está subindo até para as hyperscalers — Google, Microsoft, Amazon, Meta. Se para elas já está mais caro, imagine para as empresas menores que também precisam de capacidade computacional e não têm o mesmo colchão de caixa. Nvidia não quer depender só dos grandes clientes. A Google já fabrica seus próprios chips de IA há anos, os TPUs, e vem ampliando essa frente — um sinal claro de que outras hyperscalers podem seguir o mesmo caminho e reduzir a dependência da Nvidia. Se vão conseg...

Bonds goela abaixo #SP500

Imagem
Tenho notado, com frequência cada vez maior, documentos alertando para o nível de endividamento dos governos. Não é exagero dizer que o Japão levantou a lebre. E, como bem lembra Robin Brooks num relatório que recebi essa semana, não existe modelo capaz de dizer com precisão em que momento uma dívida começa a ser questionada pelo mercado. Isso acontece de repente, sem aviso prévio. No caso japonês, o problema não é novo: o endividamento elevado já existe há décadas, mas ficou dormente enquanto o juro por lá rodava perto de zero. Bastou a primeira-ministra Takaichi sinalizar, em janeiro, que sua administração poria fim à "austeridade fiscal excessiva" para que o juro do título de 30 anos disparasse no dia seguinte. Desde então o Banco do Japão vem tentando conter os juros comprando títulos, o que na prática é uma forma de repressão financeira, e mesmo assim o iene segue se desvalorizando, driblando intervenções sucessivas. Se fosse só uma questão cambial, a intervenção teria ...

O lucro bem explicado #USDBRL

Imagem
Tenho voltado com mais frequência a temas de finanças comportamentais, ancorados em estudos acadêmicos. O motivo é duplo: é um assunto que me atrai particularmente, e agosto no hemisfério Norte — mês de férias por lá — costuma ser pobre em novidades, fora o excesso de gastos das grandes empresas e o risco que isso carrega; tema relevante, mas cujo veredito só o tempo dará. Hoje trago uma reflexão sobre como cada época se convence de ser diferente das anteriores, quando no fundo é sempre a mesma incerteza vestida de outra roupa — e um estudo acadêmico recente comprova que esse padrão se repete desde o século passado. Isso me trouxe de volta a um episódio da minha própria carreira. Era tesoureiro do BFB — Banco Francês e Brasileiro — quando meu chefe saiu de férias e me deixou livre para tomar posições. Isso ocorreu poucos meses depois do Plano Collor, quando meu saudoso ex-sócio e, naquela época, presidente do Banco Central, Ibrahim Éris, trancou a liquidez do mercado para forçar a qued...

IA virou commodity #Nasdaq100 #NVDA

Imagem
Não existe um único dia em que eu não recorra à IA. Não sei se acontece com vocês, mas hoje praticamente não sobra pergunta sem resposta, qualquer que seja o assunto. Por trás disso se construiu uma confiabilidade impressionante: ninguém diz “o ChatGPT está chutando” — pode até haver erro, mas a suspeita quase sumiu. Na minha vida profissional criei o hábito de verificar tudo, mesmo quando o número parece fazer sentido apenas pela ordem de grandeza. Fui, por décadas, campeão em achar erro de planilha. Essa postura continua enraizada, mas confesso que o alcance da ferramenta que temos hoje nas mãos é tão poderoso que acabei aceitando suas respostas com muito mais frequência. Poucas são as vezes em que hoje questiono o Claude, minha ferramenta de maior uso. Mas como anda o uso da IA no mundo dos negócios? Um conjunto de relatórios que recebi recentemente me deu a dimensão exata do fenômeno, e a conclusão é direta: a novidade acabou. A IA virou commodity. A grande questão deixou de ser qu...

Perder na certa #OURO #GOLD #EURUSD

Imagem
Não existe "ganhar na certa" no mundo das apostas — existe, isso sim, perder na certa. E o mais curioso é que essa certeza não vem de as apostas serem injustas. Vem exatamente do contrário. Um relatório de Michael Mauboussin e Dan Callahan, da Counterpoint Global (Morgan Stanley), testou a precisão dos preços em quatro mercados diferentes — apostas em eventos, apostas esportivas, turfe e a bolsa de valores — comparando o que a odds implica com o que de fato acontece. A conclusão é desconcertante: os três primeiros são espantosamente bem calibrados. O relatório testou 72 milhões de negociações numa plataforma de apostas em eventos e quase 400 mil partidas de futebol em mais de 6 mil ligas. Em ambos os casos, um contrato cotado a 70% de chance vence, de fato, perto de 70% das vezes. O único desvio sistemático é o "viés do favorito azarão": favoritos vencem um pouco mais do que a odds sugere, azarões vencem um pouco menos. Fora essa distorção pequena e conhecida, esses...

Yen: the bad boy #IBOVESPA

Imagem
Eu me recordo quando era mais ativo nos mercados de câmbio de ter surfado um rally importante do yen. Em junho de 2007 a moeda japonesa estava em ¥124 e em 2011 atingiu a mínima de ¥75, uma valorização de 40% - vale frisar ao leitor menos familiarizado com moedas que essa cotação indica quantos yens são necessários para comprar 1 dólar, ou seja, quanto menor o número, mais forte o yen. Não peguei toda essa queda, mas embarquei numa boa parte dela. Naquela época todo mundo queria yen, era considerado o porto seguro por excelência. O Japão vinha enfrentando décadas de deflação e respondeu com uma política monetária extremamente frouxa, juros em 0% e títulos longos que rendiam migalhas aos poupadores. Os japoneses, cansados dessa remuneração pífia, passaram a buscar retorno maior no exterior, e os investidores globais começaram a ficar mais receosos com a montanha de dívida acumulada pelo país. Desde então o yen entrou numa escalada de desvalorização, com períodos de estabilidade no meio ...

All in em equities #SP500

Imagem
Mesmo quem não conhece os detalhes do pôquer já ouviu falar do “all in” — a jogada de quem acredita ter a melhor mão da mesa e aposta todas as fichas de uma vez. Talvez seja a hora de fazer o mesmo com a carteira: alocar 100% em ações. A partição mais usada entre ações e renda fixa é o 60/40 — 60% em ações, 40% em renda fixa. O modelo se mostrou eficiente ao longo do tempo, mas nem sempre, como vou mostrar adiante. A lógica sempre foi a correlação negativa entre os dois ativos: quando a bolsa caía forte, o dinheiro corria para o título público, o preço subia, e essa correlação negativa amortecia a queda da carteira inteira. Nunca foi sobre retorno — renda fixa raramente rendeu mais que bolsa — e sim sobre proteção. Acontece que ultimamente essa correlação não só deixou de ser negativa como virou positiva: os dois ativos andam juntos, não existe mais proteção nenhuma. O que explica isso não é o nível da inflação, como seria tentador supor — ela caiu a década de 1990 inteira e a correlaç...