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Perder na certa #OURO #GOLD #EURUSD

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Não existe "ganhar na certa" no mundo das apostas — existe, isso sim, perder na certa. E o mais curioso é que essa certeza não vem de as apostas serem injustas. Vem exatamente do contrário. Um relatório de Michael Mauboussin e Dan Callahan, da Counterpoint Global (Morgan Stanley), testou a precisão dos preços em quatro mercados diferentes — apostas em eventos, apostas esportivas, turfe e a bolsa de valores — comparando o que a odds implica com o que de fato acontece. A conclusão é desconcertante: os três primeiros são espantosamente bem calibrados. O relatório testou 72 milhões de negociações numa plataforma de apostas em eventos e quase 400 mil partidas de futebol em mais de 6 mil ligas. Em ambos os casos, um contrato cotado a 70% de chance vence, de fato, perto de 70% das vezes. O único desvio sistemático é o "viés do favorito azarão": favoritos vencem um pouco mais do que a odds sugere, azarões vencem um pouco menos. Fora essa distorção pequena e conhecida, esses...

Yen: the bad boy #IBOVESPA

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Eu me recordo quando era mais ativo nos mercados de câmbio de ter surfado um rally importante do yen. Em junho de 2007 a moeda japonesa estava em ¥124 e em 2011 atingiu a mínima de ¥75, uma valorização de 40% - vale frisar ao leitor menos familiarizado com moedas que essa cotação indica quantos yens são necessários para comprar 1 dólar, ou seja, quanto menor o número, mais forte o yen. Não peguei toda essa queda, mas embarquei numa boa parte dela. Naquela época todo mundo queria yen, era considerado o porto seguro por excelência. O Japão vinha enfrentando décadas de deflação e respondeu com uma política monetária extremamente frouxa, juros em 0% e títulos longos que rendiam migalhas aos poupadores. Os japoneses, cansados dessa remuneração pífia, passaram a buscar retorno maior no exterior, e os investidores globais começaram a ficar mais receosos com a montanha de dívida acumulada pelo país. Desde então o yen entrou numa escalada de desvalorização, com períodos de estabilidade no meio ...

All in em equities #SP500

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Mesmo quem não conhece os detalhes do pôquer já ouviu falar do “all in” — a jogada de quem acredita ter a melhor mão da mesa e aposta todas as fichas de uma vez. Talvez seja a hora de fazer o mesmo com a carteira: alocar 100% em ações. A partição mais usada entre ações e renda fixa é o 60/40 — 60% em ações, 40% em renda fixa. O modelo se mostrou eficiente ao longo do tempo, mas nem sempre, como vou mostrar adiante. A lógica sempre foi a correlação negativa entre os dois ativos: quando a bolsa caía forte, o dinheiro corria para o título público, o preço subia, e essa correlação negativa amortecia a queda da carteira inteira. Nunca foi sobre retorno — renda fixa raramente rendeu mais que bolsa — e sim sobre proteção. Acontece que ultimamente essa correlação não só deixou de ser negativa como virou positiva: os dois ativos andam juntos, não existe mais proteção nenhuma. O que explica isso não é o nível da inflação, como seria tentador supor — ela caiu a década de 1990 inteira e a correlaç...

Bateram a carteira #Bitcoin #USDBRL

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Bater carteira é expressão antiga, de quando dinheiro se levava mesmo — em espécie, dentro de uma carteira física, vulnerável a qualquer batedor de bolso mais ágil. Hoje meus filhos não carregam um tostão em moedas; o PIX virou a carteira, e o único “dinheiro do ladrão” que resta é uma reserva mental, não mais física. Eu insisto nisso com eles porque o risco não desapareceu — só mudou de forma. Vale uma ressalva antes de entrar no caso: bitcoin não fica guardado fisicamente em lugar nenhum — nem no pen drive, nem no cofre, nem no aparelho da Coldcard. Ele existe só na internet, porque é o único lugar onde pode existir. O que você guarda fisicamente é a senha, não a moeda. Isso muda a forma de olhar essa história inteira: o problema nunca foi proteger um objeto, foi proteger uma senha — e senha previsível não vira segura só porque está guardada num aparelho bonito, isolado da rede. E era exatamente essa a promessa do bitcoin: uma chave de entrada tão longa que nenhum computador do mundo...

A história se repete #MicroStrategy #MSTR #Nasdaq100 #NVDA

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Ontem a mídia especializada repercutiu mais um episódio de socorro financeiro no mundo da inteligência artificial. O protagonista foi o Situational Awareness, um fundo até então desconhecido da maioria, mas alavancado até as tampas. Seu gestor, Leopold Aschenbrenner, tem pouco mais de vinte anos e foi o primeiro colocado de sua turma na Columbia aos dezenove anos. Ele passou pelo time de segurança da OpenAI antes de fundar o fundo que leva o nome do ensaio que o projetou ao estrelato do mercado de inteligência artificial. O detalhe que mais me chama atenção: antes de abrir o fundo há cerca de dois anos, ele não tinha nenhuma experiência prévia em investimentos. O resultado dessa inexperiência combinada com alavancagem agressiva já é conhecido. O patrimônio do fundo saltou para US$ 45 bilhões no início de julho, embalado por retornos de tirar o fôlego. Bastaram poucas semanas de reversão para que esse mesmo patrimônio despencasse para algo em torno de US$ 10 bilhões. Parte dessa revirav...

Don't fight the Fed #OURO #GOLD #EURUSD

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Ontem o mercado se comportou como um adolescente contrariado diante da mesada negada. O Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, decisão que já estava precificada e não deveria surpreender ninguém. O detalhe que chamou atenção foi a votação: três membros do comitê, Kashkari, Hammack e Logan, dissentiram a favor de uma alta, o maior número de divergências simultâneas em muitos anos. Isso sozinho já é sintoma de um Fed rachado internamente, algo raro nas últimas três décadas. O mercado reagiu torcendo a curva de juros: as taxas longas subiram enquanto as curtas recuaram, movimento técnico conhecido como "bear steepening". Traduzindo para o bolso, é como se o mercado dissesse ao Fed: você não sobe agora, mas vai se arrepender depois. O rendimento do título de 30 anos bateu a maior marca em quase duas décadas, acima de 5,20%, e a probabilidade embutida de uma alta em setembro recuou de 70% para 63% logo após a entrevista coletiva. Até aqui, nada que um inve...

O eclipse das Sete Magníficas #IBOVESPA

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As menções às Sete Magníficas praticamente sumiram das manchetes, e isso não deveria surpreender ninguém que acompanha o mercado há tempo suficiente. A cada nova tecnologia surge um grupo de empresas que passa a polarizar as atenções por um período, até que a moda se esgota e uma nova protagonista toma seu lugar. Mais recentemente foi a vez das fabricantes de chips, redescobertas do dia para a noite quando a demanda por data centers explodiu muito além do que qualquer um esperava. O lucro disparou, e o mercado, como sempre faz, apressou-se a projetar esse crescimento para o futuro indefinidamente. Mas surgiu um probleminha que sempre aparece nessas histórias: de onde vem o dinheiro para sustentar investimentos dessa magnitude? Primeiro, as empresas recorreram ao caixa, e não eram caixas pequenos. Não foi suficiente. Partiram então para os empréstimos, e aí a bola de neve começou a crescer. Cada uma montou um programa de investimento tão ambicioso quanto o da concorrente, um verdadeiro ...