Postagens

O estreito das GPUs #S&P 500

Imagem
  O petróleo do século XX passava por Hormuz. O combustível do século XXI passa por outro estreito. Enquanto o mundo acompanha com apreensão as tensões no Oriente Médio e o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, um outro gargalo estratégico começa a se formar silenciosamente em um lugar muito diferente: o mercado de chips de inteligência artificial. Hormuz é um dos pontos mais sensíveis da economia global. Por ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no planeta e qualquer ameaça de bloqueio provoca imediatamente reações nos preços da energia e nos mercados financeiros. Mas existe hoje um outro “estreito” igualmente decisivo para o funcionamento da economia moderna. Ele não está no Golfo Pérsico. Ele está no Vale do Silício. É o que podemos chamar de o estreito das GPUs. Se você fosse o CEO da Nvidia, teria coragem de anunciar US$ 1 trilhão em vendas de chips de inteligência artificial até 2027? Não daria um certo frio na barriga...

Irã se tranca na defesa #USDBRL

Imagem
  Mesmo que o leitor não seja adepto do futebol, é fácil imaginar uma estratégia comum dentro de campo. Um time claramente inferior tecnicamente decide se fechar na defesa. Recua todo o time, protege a área e deixa o adversário dominar a posse de bola. O rival pressiona, troca passes, chuta várias vezes ao gol. A sensação é de que o gol está maduro. Ainda assim existe sempre um risco: quando todos avançam para o ataque, basta um contra-ataque bem executado para mudar o resultado da partida. A guerra no Golfo começa a assumir exatamente essa lógica. Diante de forças militares muito superiores, o Irã parece ter optado por uma defesa profunda. Em vez de tentar enfrentar diretamente o poder militar americano e israelense, aposta em um recurso diferente: transformar o Estreito de Hormuz em uma zona de risco permanente para o comércio internacional. Esse estreito de pouco mais de vinte milhas náuticas é uma das passagens marítimas mais importantes do planeta. Por ele circula uma pa...

SexTech: O caro que fica barato #nasdaq100 #NVDA

Imagem
  Existe um erro recorrente no mercado financeiro que se repete com uma frequência impressionante: investidores descartam empresas extraordinárias simplesmente porque parecem caras. O investidor olha para os números tradicionais — múltiplos elevados, margens aparentemente comprimidas ou lucros momentaneamente modestos — e conclui rapidamente que o preço da ação está exagerado. O problema é que, em alguns casos, esses números não refletem fraqueza do negócio. Refletem exatamente o contrário: empresas que estão reinvestindo agressivamente para ampliar suas vantagens competitivas e capturar mercados muito maiores no futuro. O caso da Amazon é quase didático nesse sentido. Em 2012, quando diversas teses de investimento começaram a destacar o potencial da empresa, muitos analistas consideravam a ação excessivamente cara. O mercado observava um múltiplo próximo de 39 vezes o lucro normalizado e reagia da forma previsível: para investidores acostumados a avaliar companhias maduras, com ...

A inflação não tem termômetro #OURO #GOLD #EURUSD

Imagem
  Quando alguém mede a temperatura do corpo e o resultado aparece abaixo de 37 graus, o diagnóstico é imediato: não há febre. A medicina tem um termômetro claro. A inflação, ao contrário, raramente oferece esse conforto. Um número aparentemente benigno pode esconder uma doença que ainda não apareceu nos exames. Foi exatamente essa sensação que tomou conta do mercado após a divulgação da inflação de fevereiro nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor subiu 2,4% em relação ao ano anterior, enquanto o núcleo — que exclui alimentos e energia — avançou 2,5%, praticamente em linha com o esperado pelos economistas. À primeira vista, parece uma boa notícia. Depois de dois anos de juros elevados e política monetária restritiva, o Federal Reserve finalmente começa a ver a inflação se aproximar da meta de 2%. Mas a política monetária não se baseia apenas no presente. Ela precisa antecipar o futuro. E é justamente aqui que surge o problema. O dado divulgado mede o passado re...

O mundo está crescendo a crédito #IBOVESPA

Imagem
  Durante décadas o crescimento econômico foi associado à expansão da produção, do comércio e da produtividade. Hoje, cada vez mais, ele também depende de outro fator: a capacidade dos governos de continuar se financiando no mercado. A economia global passou a operar em um ambiente em que a expansão da dívida pública deixou de ser exceção e passou a ser parte estrutural do funcionamento do sistema. Países desenvolvidos, economias emergentes e até governos locais recorrem continuamente ao crédito para sustentar políticas públicas, programas sociais, investimentos e também gastos extraordinários. Durante muito tempo existiu uma linha imaginária no debate econômico. A regra informal dizia que quando a dívida pública ultrapassasse 100% do PIB , o mercado começaria a questionar seriamente a solvência de um país. Esse número tornou-se uma referência recorrente em estudos acadêmicos, relatórios de bancos e discussões entre investidores. A realidade, porém, acabou desmontando essa re...