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Warsh latiu, mas ainda não mordeu #S&P 500

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Na semana que vem o Federal Reserve se reúne novamente para decidir os rumos da política monetária americana, e é ali que Kevin Warsh vai finalmente ter que mostrar a que veio. Até agora, suas aparições públicas revelam um profissional de viés claramente monetarista: ele repete, sempre que pode, que se a inflação está fora da meta os juros estão baixos — raciocínio clássico de quem aprendeu economia nos livros certos. E o fato é que, mesmo com o índice de preços ao consumidor mais ameno nos últimos meses, a inflação americana já está acima da meta de 2% ao ano há cinco anos consecutivos. O mercado, por enquanto, não está apostando em uma alta na reunião da semana que vem: a probabilidade embutida nos preços gira em torno de apenas 15%, um contraste e tanto com o que se via poucas semanas atrás. Mas olhando um pouco mais à frente, o quadro muda de figura — para a reunião de setembro, cerca de dois terços dos participantes já esperam uma alta, e para o fechamento do ano, em dezembro, p...

Ninguém perde por azar #USDBRL

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  A Copa do Mundo terminou ontem com a taça nas mãos da Espanha, e o jogo contra a Argentina disse mais sobre mercados do que qualquer relatório econômico que li essa semana. A Argentina não atacou — praticamente zero chutes a gol — porque dependia de um único gênio, o Messi, que passou boa parte da partida parado esperando a oportunidade certa. A Espanha fez o oposto: um time inteiro de meio-craques circulando a bola sem parar. Não tinha singularidade ali, tinha repetição. E foi a repetição que ganhou a taça. Todo mundo já ouviu que a casa sempre ganha. Quase ninguém sabe explicar por quê — e é isso que vale a pena entender hoje, porque a mesma engrenagem que faz um cassino lucrar todas as noites decide também de que lado da mesa está a sua carteira. Vale registrar por que escolho este caminho hoje. Irã e Estados Unidos voltaram a trocar hostilidades, o suficiente para pressionar o petróleo, mas o impacto no mercado foi mínimo. As eleições já estão precificadas em qualquer con...

A China quer estragar a festa #Nasdaq100 #NVDA

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Xi Jinping abriu hoje a cúpula de inteligência artificial da China com uma ambição pouco disfarçada: liderar a próxima revolução industrial. Ele comparou a IA ao motor a vapor e à eletricidade — uma tecnologia de propósito geral cujo poder geopolítico não pertence a quem a inventa primeiro, mas a quem consegue difundi-la mais amplamente pela economia. Reiterou o compromisso da China com código aberto, colaboração e uma ordem tecnológica global mais inclusiva, estendida ao Sul Global. É um desafio direto à aposta americana em laboratórios fechados e de elite. A cúpula não poderia ter tido um pano de fundo mais oportuno. A Moonshot lançou nesta sexta o Kimi K3, seu novo modelo, e a coincidência de calendário com o discurso de Xi não é acidente — é mensagem. As ações de semicondutores e de empresas de IA caíram em cascata pela Ásia, e os futuros de Wall Street também recuaram, sob o temor de que modelos chineses cada vez mais capazes reduzam a demanda pelos chips mais avançados do mundo. ...

Nem tudo é um Panamá #OURO #GOLD #EURUSD

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O post de hoje pode parecer, à primeira vista, sem muita utilidade prática — trata de uma visão macroeconômica de longo prazo, sem impacto imediato no bolso de ninguém amanhã de manhã. Mas essa sensação me lembra a época áurea do Mercado de Open no Rio de Janeiro, quando proliferavam corretoras e distribuidoras dedicadas a financiar a dívida do governo: compravam títulos longos — dois a cinco anos, pagando inflação mais 6% ao ano — e se financiavam no overnight a uma taxa aproximadamente igual à inflação. Com alavancagem permitida de até 30 vezes o patrimônio líquido, o resultado quase triplicava em um ano. Um "Panamá" — expressão de mesa de operações da época para uma operação dada como certa, sem como dar errado, numa referência ao canal: uma vez que o navio entra na eclusa, o processo é mecânico, garantido, sem variável de risco no meio do caminho. Certa vez, um sócio de uma dessas corretoras foi indicado para uma diretoria do Banco Central. Passados noventa dias, o outro ...

EM=ET #IBOVESPA

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Ontem foi um "dia de reversão" e o mercado comemorou como se fosse vitória. O CPI de junho caiu 0,4% — maior queda mensal em seis anos — e a inflação anual recuou a 3,5%. Só que essa "boa notícia" teve ajuda de um personagem que não merece crédito nenhum: o petróleo. Horas antes, Trump anunciou uma taxa de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz e revogou a medida em menos de 24 horas — o tipo de bagunça que derruba o preço do barril por um dia e some no seguinte. Sem esse tropeço pontual de energia, não haveria reversão alguma para comemorar. Kevin Warsh, no primeiro depoimento como presidente do Fed, teve a lucidez de não cair na armadilha e recusou o "missão cumprida" que Wall Street queria ouvir — mas o mercado de swaps já apostou a mão: pela primeira vez desde a eleição de 2024, a inflação implícita de um ano caiu abaixo da meta de 2%, o mercado comemorando a vitória antes do apito final. É a mesma euforia seletiva que fez Wall Street embolsar o melhor ...

Quando a euforia manda, vai tomar um café #SP500

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O assunto bolha virou manchete recorrente, e isso sempre acontece quando um ativo — ou um grupo de ativos — sobe de forma intensa. Primeiro foram as Sete Magníficas, depois o setor de energia, e mais recentemente os semicondutores, esse último com um vigor particular. A maioria dos analistas justifica a alta pelo nível de lucros, muito acima do esperado. Está tudo pronto para aceitar que não é bolha. Mas nem todos concordam: alguns apontam que a bolha, na verdade, está nos lucros — e que a taxa de aceleração que sustenta essas expectativas não é repetível indefinidamente. Do ponto de vista do investidor, o fator emocional separa o mercado em dois grupos: quem está posicionado e quem não está — e pior, quem vendeu com o único argumento de que "subiu muito". O ser humano é movido pela emoção e pela razão, forças que entram em conflito justamente quando a primeira se torna extremada e vira euforia. Nessa condição, qualquer pessoa — eu incluído — tende a procurar apenas as notíci...

Indefinido até segunda ordem #USDBRL

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A pergunta de um milhão de dólares — devo atualizar o valor para os padrões de hoje, confesso que dá vontade de rir — é o que será do mercado de trabalho daqui a cinco anos. A dúvida não é gratuita. De um lado, a maioria dos economistas projeta cortes expressivos de vagas à medida que a inteligência artificial se espalhar pelas empresas, e os argumentos fazem sentido quando lidos isoladamente. De outro, os números disponíveis até agora contam uma história bem menos dramática, e o detalhe mais intrigante é que as companhias que mais usam IA são justamente as que mais estão contratando. Um analista europeu comentou recentemente, citando dados do Financial Times, que empresas com adoção intensa de inteligência artificial viram seu quadro de funcionários crescer cerca de 10% nos dois anos seguintes à adoção, com um salto ainda maior, perto de 12%, nas vagas de entrada. A leitura que ele propõe é provocativa: em vez de destruir postos de trabalho, a IA parece estar funcionando, nessas compa...