Monopólio do emprego #USDBRL
Raramente, em uma economia que cresce, se debateu tanto sobre o mercado de trabalho quanto agora. A chegada da inteligência artificial ao cotidiano profissional acelerou uma angústia que já existia antes — e que, acredito, muita gente ainda subestima. A questão não é apenas tecnológica. É estrutural. E a Bloomberg, em uma matéria recente, parece ter posto o dedo exatamente na ferida. O raciocínio que me ocorreu ao ler o artigo foi quase imediato: se nos mercados financeiros assistimos, há anos, a uma concentração sem precedentes — com poucas empresas respondendo pela maior parcela da capitalização de mercado —, por que seria diferente com os empregos? A lógica é a mesma. Quando o poder econômico se concentra, o poder de contratação também se concentra. E quando são poucos os empregadores que de fato disputam trabalhadores, quem perde é o trabalhador. Esse fenômeno tem nome técnico — monopsônio —, cunhado pela economista Joan Robinson nos anos 1930 para descrever mercados em que há ...