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Quando o dinheiro muda de direção #IBOVESPA

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Antes de entrar no tema principal, vale um breve comentário sobre a reunião do Fed de hoje. Não pela decisão em si — que já nasce parcialmente precificada — mas pelo momento que ela simboliza. Jerome Powell se aproxima do fim do seu ciclo à frente do banco central em um ambiente que mudou radicalmente. Sai de um mundo previsível, onde liquidez era abundante e a inflação parecia controlada, para outro em que a política monetária perdeu clareza e o cenário passou a ser dominado por choques externos. Mais do que a decisão, o que importa é o desconforto: o Fed já não consegue oferecer direção com a mesma confiança. E isso, por si só, já altera a forma como o mercado se posiciona. Dito isso, o ponto central está em outro lugar. Durante grande parte da última década, investir em ações parecia uma decisão quase automática. Em um mundo de juros próximos de zero — e depois, mesmo com juros mais altos, mas ainda abaixo do crescimento nominal — volumes crescentes de capital passaram a buscar re...

O estreito das GPUs #S&P 500

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  O petróleo do século XX passava por Hormuz. O combustível do século XXI passa por outro estreito. Enquanto o mundo acompanha com apreensão as tensões no Oriente Médio e o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, um outro gargalo estratégico começa a se formar silenciosamente em um lugar muito diferente: o mercado de chips de inteligência artificial. Hormuz é um dos pontos mais sensíveis da economia global. Por ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no planeta e qualquer ameaça de bloqueio provoca imediatamente reações nos preços da energia e nos mercados financeiros. Mas existe hoje um outro “estreito” igualmente decisivo para o funcionamento da economia moderna. Ele não está no Golfo Pérsico. Ele está no Vale do Silício. É o que podemos chamar de o estreito das GPUs. Se você fosse o CEO da Nvidia, teria coragem de anunciar US$ 1 trilhão em vendas de chips de inteligência artificial até 2027? Não daria um certo frio na barriga...

Irã se tranca na defesa #USDBRL

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  Mesmo que o leitor não seja adepto do futebol, é fácil imaginar uma estratégia comum dentro de campo. Um time claramente inferior tecnicamente decide se fechar na defesa. Recua todo o time, protege a área e deixa o adversário dominar a posse de bola. O rival pressiona, troca passes, chuta várias vezes ao gol. A sensação é de que o gol está maduro. Ainda assim existe sempre um risco: quando todos avançam para o ataque, basta um contra-ataque bem executado para mudar o resultado da partida. A guerra no Golfo começa a assumir exatamente essa lógica. Diante de forças militares muito superiores, o Irã parece ter optado por uma defesa profunda. Em vez de tentar enfrentar diretamente o poder militar americano e israelense, aposta em um recurso diferente: transformar o Estreito de Hormuz em uma zona de risco permanente para o comércio internacional. Esse estreito de pouco mais de vinte milhas náuticas é uma das passagens marítimas mais importantes do planeta. Por ele circula uma pa...

SexTech: O caro que fica barato #nasdaq100 #NVDA

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  Existe um erro recorrente no mercado financeiro que se repete com uma frequência impressionante: investidores descartam empresas extraordinárias simplesmente porque parecem caras. O investidor olha para os números tradicionais — múltiplos elevados, margens aparentemente comprimidas ou lucros momentaneamente modestos — e conclui rapidamente que o preço da ação está exagerado. O problema é que, em alguns casos, esses números não refletem fraqueza do negócio. Refletem exatamente o contrário: empresas que estão reinvestindo agressivamente para ampliar suas vantagens competitivas e capturar mercados muito maiores no futuro. O caso da Amazon é quase didático nesse sentido. Em 2012, quando diversas teses de investimento começaram a destacar o potencial da empresa, muitos analistas consideravam a ação excessivamente cara. O mercado observava um múltiplo próximo de 39 vezes o lucro normalizado e reagia da forma previsível: para investidores acostumados a avaliar companhias maduras, com ...

A inflação não tem termômetro #OURO #GOLD #EURUSD

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  Quando alguém mede a temperatura do corpo e o resultado aparece abaixo de 37 graus, o diagnóstico é imediato: não há febre. A medicina tem um termômetro claro. A inflação, ao contrário, raramente oferece esse conforto. Um número aparentemente benigno pode esconder uma doença que ainda não apareceu nos exames. Foi exatamente essa sensação que tomou conta do mercado após a divulgação da inflação de fevereiro nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor subiu 2,4% em relação ao ano anterior, enquanto o núcleo — que exclui alimentos e energia — avançou 2,5%, praticamente em linha com o esperado pelos economistas. À primeira vista, parece uma boa notícia. Depois de dois anos de juros elevados e política monetária restritiva, o Federal Reserve finalmente começa a ver a inflação se aproximar da meta de 2%. Mas a política monetária não se baseia apenas no presente. Ela precisa antecipar o futuro. E é justamente aqui que surge o problema. O dado divulgado mede o passado re...