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"Les attacher des chiens" sob risco #OURO #GOLD #EURUSD

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  No post de ontem “ IA-26-o-novo-virus ” ficou implícito que a inteligência artificial não chega apenas para alterar processos produtivos; ela redefine o valor do trabalho. Quando lembro da figura dos “Les attacher des chiens”, expressão que representa funções pouco qualificadas, percebo que aquela imagem antiga ganhou uma nova camada de significado. Hoje não se trata apenas de funções simples desaparecendo, mas de um reposicionamento estrutural do mercado de trabalho, onde o capital avança e o trabalho corre atrás. Os dados recentes de emprego trouxeram alívio superficial ao mercado. A criação de vagas veio acima do esperado, mas uma leitura mais cuidadosa revela concentração em um único setor: saúde. Não é coincidência. O envelhecimento da população e a demanda por cuidados pessoais criaram uma âncora para o emprego, enquanto setores mais ligados à produtividade tecnológica mostram sinais de desaceleração. Isso explica por que a economia aparenta resiliência mesmo com cortes e...

IA-26: O novo vírus?

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  Ontem uma empresa praticamente desconhecida fora do circuito tradicional colocou em xeque uma parte relevante da indústria de gestão de recursos. A reação do mercado foi imediata: vendas rápidas, quedas abruptas e uma sensação difusa de que algo mudou de patamar. Não foi apenas mais um anúncio tecnológico. Foi a materialização de uma ameaça que vinha sendo ignorada enquanto os investidores buscavam apenas os vencedores da inteligência artificial.     A novidade que detonou essa reação foi relativamente objetiva: a plataforma Hazel, desenvolvida pela Altruist, passou a oferecer planejamento tributário automatizado capaz de analisar declarações fiscais, extratos e outros documentos financeiros para gerar estratégias personalizadas quase em tempo real. O sistema cria cenários interativos, responde perguntas e produz relatórios prontos para clientes, reduzindo tarefas que antes exigiam horas de trabalho humano. O mercado não demorou a reagir. A simples apresentação ...

Acabou a moleza #S&P 500

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Nos últimos meses, os mercados globais passaram por uma rotação clara e relativamente ordenada, mas nem por isso trivial. Depois de anos concentrando apostas nas grandes empresas de tecnologia americanas, o fluxo começou a migrar para ativos considerados “baratos”, sobretudo fora dos Estados Unidos. A narrativa é conhecida: vender crescimento caro, comprar valor esquecido. O instrumento mais usado para justificar esse movimento também é velho conhecido: o múltiplo preço/lucro. Essa rotação não surgiu do nada. Em vários momentos recentes, chamei atenção para um ponto que costuma passar despercebido quando o mercado entra em modo automático. O retorno obtido no ano passado teve naturezas muito distintas conforme a geografia e o tipo de ativo. Nos Estados Unidos, boa parte do desempenho veio do crescimento efetivo dos lucros. Já em outros segmentos — como empresas menores, mercados emergentes e Europa — o avanço foi majoritariamente explicado por expansão de múltiplos. Não é um detalhe ...

A estratégia do conta gotas #USDBRL

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  Desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, a China retornou ao centro do debate econômico global. Não por retórica, mas por método. O episódio do chamado “Liberation Day”, em abril, marcou o auge do barulho: uma escalada de tarifas respondida com novas tarifas, em uma sequência quase infantil que levou as alíquotas recíprocas a níveis próximos de 135%. Um número economicamente inviável, mas politicamente ruidoso. Serviu ao espetáculo, não à economia. Passada a fase do choque, o roteiro mudou. As negociações voltaram a acontecer de forma discreta, técnica, quase invisível. O mercado fez o que sempre faz quando o excesso fica evidente: ajustou expectativas e voltou a precificar os dados. Esse contraste revela a diferença central entre os dois lados. Os Estados Unidos operam no impacto imediato. A China opera no tempo. Trump gosta do gesto grande, da manchete, da reação instantânea dos preços. Pequim prefere o movimento incremental, contínuo, difícil de datar. Não busca o choq...

Michael Saylor: O Especulador #BITCOIN #MicroStrategy

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  Se Michael Saylor tivesse me consultado antes de transformar a MicroStrategy numa empresa essencialmente dedicada a especular em Bitcoin, eu teria sido direto: não faça isso. Não porque o Bitcoin não possa subir — ele pode — mas porque essa decisão não tem nada de estratégia e muito de aposta. Estratégia trabalha com probabilidades e adaptação; especulação trabalha com convicção e narrativa. Foi por esse caminho que Saylor decidiu seguir. Enquanto o Bitcoin subia, o discurso funcionava. Saylor ocupava as redes sociais afirmando que o Bitcoin valeria US$ 1 milhão ou mais, reforçando uma narrativa de inevitabilidade. O problema é que o mercado não para no tempo. No último ano, três mudanças relevantes ocorreram e alteraram profundamente a relação risco-retorno dessa tese, mas foram ignoradas. A primeira foi a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista. Antes disso, a MicroStrategy funcionava como um veículo imperfeito, porém escasso, de acesso ao Bitcoin no mercado tradicional. Com ...

SexTech: Cuidado com o filme do Mickey #nasdaq100 #NVDA

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Durante muito tempo, ter acesso à tecnologia foi o principal diferencial competitivo. Quem chegava primeiro capturava valor, construía posições dominantes e surfava ciclos inteiros de crescimento. Esse privilégio acabou. A “Carteirinha” que criei, focada nas líderes da revolução da inteligência artificial, começa a se tornar algo comum, já que praticamente todas as grandes companhias incorporaram IA aos seus processos, produtos e estratégias. O acesso deixou de ser vantagem. Virou pré-requisito competitivo. A revolução da inteligência artificial entrou agora em uma segunda fase — muito mais exigente do ponto de vista econômico. Não se trata mais de possuir a ferramenta, mas de convertê-la em produtividade mensurável: redução estrutural de custos, aceleração de ciclos de desenvolvimento, automação de processos e ganhos reais de eficiência. E foi justamente o mercado que começou a precificar essa transição de forma mais dura onde menos se esperava: no setor de software. Durante mais ...