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O medo da virada #SP500

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  Na semana passada eu estava assistindo ao jogo do Palmeiras contra a LDU do Equador, pela Taça Libertadores — o que não fazemos pela família. O jogo estava disputado, quando, no segundo tempo, o Palmeiras abriu uma vantagem de dois gols no agregado. Faltando menos de 15 minutos para o fim, meu genro começou: "cuidado, podemos tomar dois gols". Eu respondia que era para esquecer, que mesmo com o time se defendendo a chance era muito baixa. Foi quando o técnico explosivo do Palmeiras, Abel Ferreira, foi mais uma vez expulso, e a partir daí a situação complicou: a LDU marcou os dois gols e levou a disputa para os pênaltis. Ainda bem que o Palmeiras ganhou, porque não sei do que meu genro seria capaz! Rs. O leitor deve estar se perguntando o que essa situação tem a ver com os mercados de hoje e com a grande dúvida do momento sobre a inteligência artificial. É que os investidores, como meu genro, estão com medo da virada. E, como os artigos que acompanho mostram, mesmo com os l...

Você pode esperar 100 anos? #nasdaq100 #NVDA

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Imaginem que um assessor chega para vocês e diz que pode transformar US$ 1 em US$ 14 mil. A reação natural é desconfiar — ninguém entrega esse tipo de retorno sem risco. Ele insiste: não vai correr risco maior do que o mercado americano, o S&P 500. A conversa fica interessante quando perguntamos onde ele investiria. A resposta é simples: no próprio S&P 500. O detalhe que passa despercebido de início é o prazo. Quanto tempo? Cem anos. Foi exatamente isso que o índice entregou nesse período: US$ 1 investido em 1925 valeria hoje cerca de US$ 14.066. Para efeito de comparação, o mesmo dólar em títulos corporativos (Baa) teria rendido US$ 504, e em títulos do Tesouro americano de 10 anos, apenas US$ 77 — mal e mal cobrindo a inflação: medida pelo CPI, a inflação acumulada no período foi de 1.808%, o que significa que US$ 1 de 1925 precisaria valer cerca de US$ 19 hoje só para manter o poder de compra. Em outras palavras, quem ficou em bonds do governo obteve um retorno real de pouc...

In Warsh We Trust #OURO #GOLD #EURUSD

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  Nas últimas 48 horas tive dois exemplos opostos sobre o que é confiança. De um lado, o STF espalhou desconfiança generalizada pela parcela da população minimamente esclarecida — se alguém precisar de Justiça neste país, é melhor não contar com ela. Do outro lado do Equador, fiquei genuinamente impressionado com Kevin Warsh. Pairava sobre ele a dúvida de que não teria estômago monetarista à frente do Fed. Pois deu um sinal inequívoco na direção contrária. Aprendemos, com o tempo, a identificar em quem podemos confiar. De forma simples: quando alguém age, solicitado ou não, sem levar em conta restrição pessoal alguma — sem interesse próprio, sem esconder fato relevante, sem medo de ser honesto — essa pessoa se torna confiável. Não é fácil. Mas é a única forma de construir esse tipo de reputação, e Warsh entregou isso na quarta-feira. O Fed subiu os juros em 0,25 ponto, levando a faixa básica para 3,75%–4%, em decisão unânime — 12 a 0. Não é pouca coisa: era o primeiro aperto desd...

A bola de cristal sempre falhou #IBOVESP

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A vontade de saber o futuro não é coisa nova — a profissão de cartomante existe há séculos, prova de que a curiosidade sobre o que está por vir é praticamente estrutural na natureza humana. Há algum tempo fiz, a convite de um amigo que medita todos os dias, um curso de meditação. Sobraram dali alguns áudios que uso em dias mais agitados, embora confesse que às vezes durmo no meio da sessão — o que, sei bem, não é exatamente o objetivo. Mas o que ficou de mais valioso da técnica foi a constatação de como carregamos um sentimento duplo em relação ao tempo: olhamos para trás com saudade do que foi bom e não volta, ou com angústia do que foi ruim e ainda dói; olhamos para frente com a ansiedade de não saber o que vem. A meditação insiste que, nesse estado, deixamos de viver o presente — o único tempo que realmente temos. Isso vale, e vale muito, para os mercados. Quanto não pagaríamos por uma informação confiável sobre qualquer ativo daqui a um ano? Se pudesse escolher, eu quereria saber ...

5%: O nível da febre #10TB #S&P500

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Aprendemos ainda crianças que a partir de 37º o corpo está com febre, e que quanto mais o termômetro sobe, maior o cuidado que se deve tomar. Na renda fixa existe uma régua parecida: até 5% de juro nos títulos longos é tolerável, até saudável. Acima disso, o organismo financeiro entra em alerta, e quanto maior o nível, maior a preocupação. Por que justamente 5%? Talvez a conta seja simples: 2% de inflação, 2% de juro real, 1% de prêmio de risco. Somados, dão a tal febre. Se o termômetro passa disso, alguma dessas variáveis saiu do lugar — normalmente a inflação, a mais visível e a que mais incomoda quem administra política monetária. Com um banco central ativo, é hora de agir subindo a taxa básica. O juro real não deveria ficar muito acima de 3% mesmo com a economia bombando, que é o caso agora, e o prêmio de risco acima de 1% denuncia que o mercado enxerga algo mais no horizonte. Foi exatamente isso que aconteceu na segunda-feira: o 10 anos americano tocou 5% intraday e recuou no me...

Pé no breque da IA #USDBRL

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  Quando a esmagadora maioria dos concorrentes decide se sentar à mesma mesa, alguma coisa importante está em jogo. Foi o que vimos neste fim de semana: os principais laboratórios de inteligência artificial — Anthropic, OpenAI, xAI e Google DeepMind — pediram, em uma rara demonstração de unidade num setor movido a rivalidade, uma desaceleração no ritmo de evolução dos modelos mais avançados. O estopim foi a saída de um pesquisador da Anthropic, que deixou a empresa alertando publicamente que a tecnologia que ajudava a construir podia representar risco existencial para a humanidade. Sua declaração viralizou e foi reforçada por colegas ainda na ativa, um deles estimando em mais de 10% a chance de a IA matar toda a humanidade na próxima década. No sábado, o presidente-executivo da Anthropic publicou um longo ensaio defendendo que o setor precisa moderar o ritmo de melhoria das capacidades, para dar tempo à prevenção de riscos. Sam Altman, da OpenAI, aderiu de imediato e propôs dar a ...

o preço que você não vê #NASDAQ100 # NVDA

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  Durante minha apresentação na FEA-USP esta semana, percebi uma falta de compreensão generalizada sobre como funcionam os modelos abertos e fechados de IA. Confesso que eu mesmo não tinha pesquisado o assunto a fundo — fugia do tema principal daquela palestra. Foi essa lacuna que me motivou a escrever o post de hoje, complementando algo que talvez não esteja bem compreendido entre meus leitores. Toda vez que alguém me pergunta se deve migrar para uma ferramenta de IA "de graça" ou mais barata, eu devolvo a pergunta: barata para quem? Essa dúvida ganhou um capítulo concreto nesta semana. Na quinta-feira, a Anthropic publicou um relatório de ameaças afirmando que empresas chinesas de IA — entre elas a Moonshot AI, dona do popular Kimi, e a DeepSeek — usaram uma rede de plataformas intermediárias para canalizar milhões de perguntas de seus próprios usuários até o Claude, meu modelo de referência para boa parte do trabalho técnico que faço aqui no blog. O objetivo era "de...