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Produtividade pelo lado ruim #IBOVESPA

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A pergunta que domina os mercados neste momento é uma só: a inteligência artificial vai se pagar? Em outras palavras, as empresas que estão despejando centenas de bilhões de dólares nessa tecnologia vão conseguir transformar esse gasto em lucro? A conta é mais simples do que parece, e existem apenas dois caminhos para fechá-la. O primeiro é vender mais com o mesmo número de funcionários. O segundo é reduzir o quadro e manter, ou até aumentar, a receita. Nos dois casos, a receita dividida pela folha de pagamento tem que subir. Ninguém tem dúvida de qual caminho é o preferível, mas uma notícia de hoje aponta para o segundo. A Microsoft ofereceu um pacote de benefícios a 60 mil funcionários para quem aceitar pedir demissão voluntária. A empresa frisa que não se trata de um processo de demissão e diz esperar uma adesão pequena, inferior à de um programa semelhante feito em abril. Fico com duas dúvidas. Se a expectativa é de baixa adesão, por que estender a oferta a 60 mil pessoas, mais de...

Curando com a dor #USDBRL

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O grande tema do momento é a dívida pública, para onde quer que se olhe. Os governos aprenderam que podem gastar à vontade, porque a conta não cai no colo de quem gastou; no máximo, sobra para um governo futuro. Os mercados, por sua vez, foram benevolentes enquanto os juros não incomodavam. Havia lógica nisso. Com o dinheiro praticamente de graça, apostar contra os títulos públicos não tinha atratividade nenhuma. Estou exagerando, havia um "custinho". Mas, pelo mesmo motivo, a dívida crescia devagar: juro baixo significa pouca despesa financeira se acumulando. Agora é outra história. Os déficits se aceleram e o mercado passou a escolher os mais frágeis para testar, como a França. Os juros dos títulos longos estão nas máximas em décadas, e um estudo recente da AllianceBernstein, assinado por Inigo Fraser Jenkins, põe o dedo na ferida: os políticos dos dois lados do Atlântico vivem num mundo de faz de conta. Os números mostram o tamanho do buraco. A dívida pública dos Estados...

Brasil metade em luto #SP500

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Até a tarde de domingo, tudo indicava que Flávio Bolsonaro venceria por margem estreita. Na véspera, Datafolha e Quaest davam 51% a 49% para ele, e no primeiro turno ele havia terminado à frente, com 47% contra 45%. Para surpresa de quase todos – talvez nem todos –, Lula conquistou o quarto mandato com 51,8% dos votos válidos. Passada a frustração das primeiras horas, é hora de uma avaliação mais ampla e pragmática. O país saiu das urnas partido em dois, nada diferente da eleição de 2022. De um lado, 51% – sim, já é maioria – formados majoritariamente por quem vive, direta ou indiretamente, às custas do Estado. Nesse grupo incluo também pessoas esclarecidas que, ingenuamente, não conseguem separar o joio do trigo. Do outro lado, 49% compostos em boa parte por empresários e microempresários que empregam gente dos dois grupos. Essa metade está de luto. Algo inusitado ocorreu nesta eleição. Aos 45 minutos do segundo tempo, minutos depois do horário previsto para o fechamento das urnas, ...

Sinuca de bico #nasdaq100 #NVDA

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Quem já se debruçou sobre uma mesa de bilhar conhece a sensação. Dar uma sinuca no adversário é deixar a bola branca escondida atrás de outra, de modo que ele não consiga atingir diretamente a bola da vez. Resta recorrer à tabela, ao efeito e à sorte. A sinuca de bico é a versão mais cruel do lance: a branca fica encostada no bico da tabela, aquela quina que forma a boca da caçapa. A própria madeira bloqueia o ângulo, mal sobra espaço para o taco, e qualquer tacada tende a terminar em falta. Não há saída boa, apenas a menos ruim. É exatamente nessa posição que vejo Kevin Warsh, a poucos dias da reunião do Fed marcada para 27 e 28 de outubro. O mercado já fez sua aposta, e com convicção. Pela ferramenta FedWatch, da CME, a probabilidade de manutenção dos juros está em 84%. A expectativa é de uma alta de 0,25 ponto em dezembro e de algo próximo de 0,50 ponto ao longo dos próximos seis meses. Robin Brooks chama atenção para o grau de tranquilidade: antes da reunião de 29 de julho, os co...

Sentado nas fichas #OURO #GOLD #EURUSD

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Acredito que a grande maioria dos leitores já jogou pôquer de forma presencial. Hoje existem diversos livros para os aficionados, com cálculos estatísticos que auxiliam a decisão em cada jogada. Meu associado, Alberto Dwek, além de exímio financista, já venceu vários torneios. Sua estratégia mistura técnica e avaliação comportamental, que pesa tanto quanto a matemática. E não se pode esquecer do blefe. Provavelmente, em algum jogo, essa combinação de técnica e comportamento, ainda que pouco consciente, levou você a ganhar diversas mãos. Em determinado ponto, resolveu "sentar nas fichas": passou a pagar apenas os pingos, sem se arriscar, até o jogo terminar. Algo semelhante acontece com os americanos, principalmente com a geração dos baby boomers, que está se aposentando. Passaram a maior parte da vida produtiva arriscando seus recursos na bolsa e conseguiram acumular quantias expressivas. Agora estão sentados nas fichas, e a pilha é enorme. Podemos nos perguntar como a ec...

Quem paga o estádio #IBOVESPA

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Ontem falei dos laboratórios, os craques que ainda precisam provar que fazem gol. Hoje vou para o outro lado do campo: quem está construindo o estádio. A segunda grande dúvida do mercado é se o investimento das gigantes da nuvem — Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Oracle — vai se pagar. Um relatório recente do Goldman Sachs tenta responder com números, e vale acompanhar a conta. A escala impressiona. Essas empresas devem investir US$ 800 bilhões em 2026, e o consenso já aponta US$ 1,1 trilhão para 2027, estimativa revisada para cima em US$ 175 bilhões só desde o início da última temporada de balanços. Em proporção do PIB, é o maior ciclo de investimento tecnológico desde a construção das ferrovias, no fim do século XIX. O Goldman vai além: US$ 1,2 trilhão em 2027 e US$ 1,4 trilhão em 2028. Mas o que importa é o ritmo. O crescimento do investimento, que beirou 100% neste ano, cai para 54% em 2027 e para 12% em 2028. O gasto continua subindo, porém cada vez mais devagar. ["Cons...

Antrophic: estreia sem torcida #SP500

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Ontem meu associado listou suas razões de ceticismo quanto ao retorno das empresas de inteligência artificial, principalmente — mas não só — dos laboratórios OpenAI e Anthropic. Não é uma voz isolada: essa desconfiança já tomou conta de parte relevante do mercado, embora outra parte continue bastante otimista. Vou recorrer ao futebol. Não adianta montar um time de estrelas se, em campo, ele não faz gol. Quando isso acontece, a culpa costuma cair no técnico, raramente nos jogadores. No mercado, o jogo é disputado todos os dias, e fazer gol tem uma definição simples: a ação subir. Ponto. O primeiro laboratório a sentir essa pressão será a Anthropic, que deve abrir o capital no início de novembro. A partir daí, todas as suas contas estarão expostas ao escrutínio público, assim como suas perspectivas de lucro. O momento ideal teria sido algumas semanas atrás. Hoje o ambiente é cético, e o valor pretendido já recuou 30% antes mesmo de a bola rolar: de US$ 2,0 trilhões para US$ 1,4 trilhão...