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O indicador da modernidade: P/N #OURO # GOLD #EURUSD

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  O leitor deve estar se perguntando que raio é esse de P/N. Vou explicar. Segundo Viktor Shvets, chefe de estratégia global da Macquarie Capital, os investidores se afastaram do modelo tradicional de avaliação de empresas e migraram, ainda que sem admitir, para um novo modelo baseado em narrativa — onde o lucro pode ser explosivo ou simplesmente não vir. Suas ideias ajudam a organizar um desconforto que já está no ar: nada ficou mais incerto do que investir nos dias atuais e, naturalmente, muitos ainda carregam os modelos antigos, que simplesmente deixaram de funcionar. Enquanto esse processo não se equilibrar, veremos distorções que, à primeira vista, parecem inexplicáveis. Explosão dos investimentos em IA e infraestrutura — o novo padrão de alocação de capital O gasto bilionário em data centers pelas maiores empresas do mundo tem deixado analistas perplexos — mas será que isso não é justamente o novo “normal”? O Mosca vem alertando para essas mudanças há algum tempo, mas o...

Jogatina planetária #IBOVESPA

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Quando a incerteza vira produto e a aposta passa a competir com o investimento, a linha que separa mercado de cassino começa a desaparecer. É o que mostra o texto de hoje, escrito por meu colaborador, Alberto Dwek. Não sei quem foi o primeiro grego que olhou para uma oliveira carregada e pensou em lucro. Consta que Tales de Mileto, em um rasgo de genialidade que mataria de inveja qualquer gestor de fundos hedge, previu uma colheita abundante e arrendou todas as prensas de azeite da região antes mesmo da primeira azeitona cair. Desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até as bolsas de arroz de Dojima, a humanidade sempre teve a necessidade de colocar um preço no que ainda não aconteceu. E o que começou como uma proteção para o agricultor evoluiu hoje para as modernas plataformas de apostas: mais uma forma de fatiar, embalar e transacionar o destino incerto em lotes padronizados. O jeitão mudou, mas é a mesma tentativa de usar um mercado para compensar a incerteza. O mundo mudou: em...

Exportações com escala #S&P 500

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  Há exatamente um ano, o presidente Donald Trump compareceu ao Rose Garden da Casa Branca segurando um quadro com as alíquotas de importação que os Estados Unidos passariam a impor a diversos parceiros comerciais. Aquele dia foi batizado por ele como “Liberation Day”. Os objetivos declarados eram claros: elevar a arrecadação de impostos para ajudar a cobrir o enorme déficit americano e trazer de volta indústrias que haviam migrado para o exterior. O primeiro objetivo foi alcançado apenas parcialmente. Poucas semanas atrás, a Corte Suprema americana declarou que o presidente não possuía poder para implementar boa parte daquelas alíquotas, deixando o cenário futuro indefinido e iniciando um processo conturbado de reembolso de bilhões de dólares. Quanto ao segundo objetivo — o retorno da manufatura aos Estados Unidos —, os resultados foram ainda mais distantes do pretendido. Em vez de um renascimento industrial doméstico, o que se observa é uma reconfiguração acelerada das cadeia...

O "Serial Killer" do mercado #USDBRL

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  Você odeia “drawdowns”. Eu também.   Aquele momento em que seu investimento cai 20 %, 30 %, 40 %… e parece que nunca mais vai parar. Você fica olhando a tela, o coração acelera e a mente começa a questionar todas as decisões que tomou até ali. A gente costuma culpar dois vilões famosos:   1. Retorno médio baixo (o mercado simplesmente não rende o suficiente).   2. Volatilidade alta (os preços sobem e descem feito loucos, deixando todo mundo enjoado).   Mas existe um terceiro assassino que age nas sombras e que quase ninguém menciona. Ele é responsável por transformar quedas ruins em quedas verdadeiramente catastróficas. E o pior de tudo: ele não aparece em nenhum gráfico de volatilidade que você costuma olhar no home broker ou nos relatórios dos assessores. O nome dele é simples: o jeito como os retornos se agrupa no tempo (a famosa correlação serial ou autocorrelação de primeira ordem dos retornos). Pense assim: imagine um ativo que todo mês tem...

Será o fim da Microsoft? #nasdaq100 #NVDA

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  No passado eu usava o Lotus 1-2-3 para fazer minhas planilhas de cálculo e era feliz. Ele me atendia em tudo o que eu precisava. Através dele desenvolvi um programa que hoje seria ridículo para calcular a arbitragem no mercado de ouro. Funcionou tão bem que, quando um amigo pediu uma cópia, mandei um disquete com o arquivo batizado de “Acertar na Mosca”. Entenderam a razão do nome do blog? Até que certo dia um colega voltou dos Estados Unidos trazendo uma cópia do Excel e jurando que era o software mais poderoso para cálculos e simulações. Ele abriu no laptop e me deixou algumas horas para experimentar. Como qualquer novidade exige boa vontade para vencer a inércia, devolvi o disco e disse: “Se o pessoal da Microsoft quer que eu use o Excel, que venha aqui me ensinar. Não vou perder meu tempo”. Nem preciso contar o que aconteceu depois.   A Microsoft virou a rainha absoluta das receitas recorrentes. Cobrança mensal em quase todos os programas, faturamento bilionário só n...

E se.... #OURO #GOLD #EURUSD

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  Quando eu estava na Linear, o mercado começou a sofisticar sua forma de medir risco. Foi ali que se popularizou o conceito de VaR — “Value at Risk”. A ideia era simples: estimar qual seria a perda máxima esperada dentro de um intervalo de confiança, assumindo condições normais. Em outras palavras, até onde se poderia perder sem sair do padrão. O problema é que o mercado raramente respeita padrões. Na prática, o VaR funcionava bem enquanto tudo permanecia dentro do esperado. As reuniões eram técnicas, os números organizados e o risco parecia controlado. Quando alguém levantava um cenário mais extremo, a resposta vinha automática: “o mercado não vai chegar lá”. Era confortável pensar assim. Até deixar de ser. Quando o mercado rompe o limite do modelo, ele não avisa. Ele atravessa. Já passei por situações em que a perda não apenas alcançou o limite projetado, mas o ultrapassou com facilidade — o chamado risco de cauda. E quando ele aparece, não há modelo que proteja, nem clien...

O ouro perdeu seu status? #IBOVESPA

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  A primeira decepção do mercado foi o bitcoin, que desde outubro do ano passado vem caindo sem qualquer sinal consistente de retomada de interesse. Nada disso chega a surpreender. Trata-se de um ativo cuja sustentação depende muito mais de narrativa do que de fundamento — algo que já ficou claro ao longo do tempo. Mas o ponto relevante agora não está no bitcoin. Está no ouro. O ativo que passou a ocupar seu espaço como reserva de valor começa a falhar justamente no momento em que mais deveria cumprir seu papel. E quando um ativo não reage como esperado, o problema raramente está nele. Está na leitura. Vale lembrar que, apesar de sua história secular, o ouro não sobe sozinho. Precisa de fluxo contínuo de compradores. E esse fluxo, nos últimos meses, foi intenso. Bancos centrais, investidores institucionais e, principalmente, uma nova base de investidores entraram de forma agressiva. Esse movimento ajuda a explicar parte da correção recente, mas não esgota o tema. Robin Brooks...