SexTech: Nvidia X Bitcoin #nasdaq100 #NVDA #Bitcoin
A Nvidia divulgou seus resultados na última
quarta-feira e, como vem ocorrendo trimestre após trimestre, conseguiu
novamente a proeza de “decepcionar” analistas mesmo entregando números que, até
onde minha memória alcança, não têm paralelo recente na história corporativa.
Lucros extraordinários, crescimento acelerado, margens robustas — e ainda assim
queda nas ações. O mercado escolheu olhar para o medo.
A ironia é que essa queda não mexe apenas com
o humor do investidor — ela mexe com a matemática. A Nvidia, sempre tratada
como típica ação de crescimento, começa a se aproximar de um múltiplo de
preço/lucro que conversa com o próprio S&P 500. Em outras palavras: passa a
ser uma opção de crescimento com preço de valor. Não se trata de transformá-la
em barganha automática, nem de ignorar riscos. Mas quando o mercado decide
precificar uma empresa no centro da revolução tecnológica como se fosse apenas mais
um componente médio do índice, cria-se uma assimetria interessante. O
investidor paga como se fosse normal por algo que ainda está longe de ser
comum.
O receio atende por duas letras: IA.
Há um temor difuso de que a margem próxima de
75% seja insustentável. De fato, em algum momento ela deverá recuar. Nenhuma
companhia mantém indefinidamente um patamar tão elevado sem provocar
concorrência. Mas alguns artigos publicados destacam um ponto essencial: os maiores
clientes simplesmente não podem correr o risco de ficar sem os chips da Nvidia.
Existe uma superioridade tecnológica que, por ora, compensa pagar caro. Na
corrida atual, o custo de não ter supera o custo de pagar mais.
Mas há algo maior em jogo. A inteligência
artificial se espalha como um vírus — um vírus bom — e não há vacina contra
ela. Sua adoção é abrangente e irreversível.
Parem por um minuto e reflitam: quantas
decisões vocês já tomaram com base em poucos dados? Não por incompetência, mas
porque a informação simplesmente não estava disponível, ou estava fragmentada,
ou chegava tarde demais. Nessas horas, usamos a intuição. Às vezes acertamos.
Muitas vezes erramos.
Com a proliferação da IA, esse vazio tende a
diminuir drasticamente. O processo decisório, em escala global, torna-se mais
preciso, mais rápido e mais consistente. Isso melhora produtos, melhora
serviços, melhora logística, melhora precificação, melhora alocação de capital.
Isso se chama produtividade na veia. E produtividade não é discurso bonito: ela
aparece na margem, no custo e na competitividade.
Visiono um mundo mais estável e previsível.
Não porque o ser humano deixará de errar, mas porque errará menos no escuro.
Quando decisões passam a ser tomadas com base em dados amplos e análise
sofisticada, o número de equívocos grosseiros tende a cair. Menos desperdício, melhor
alocação, menos ruído. Um sistema que erra menos cresce melhor. E crescimento bem-feito
sustenta ciclos longos.
Se a demanda por inteligência artificial tende
a crescer estruturalmente, a demanda por poder computacional acompanha. Em
horizonte de médio prazo, é difícil enxergar limite claro. A estratégia da
Nvidia tem sido antecipar a concorrência com novas gerações de chips, mais
potentes, deslocando continuamente o padrão tecnológico.
Agora comparemos com o bitcoin.
Qual foi a boa notícia estrutural da
criptomoeda nos últimos tempos? Nenhuma relevante. Não se consolidou como moeda
corrente, não estabilizou volatilidade, não cumpriu as promessas mais
ambiciosas que lhe foram atribuídas.
O argumento recente de que o caso otimista
estaria “escondido nos destroços de um trilhão de dólares” apoia-se na ideia de
que investidores de fundos negociados em bolsa não resgataram de forma
significativa durante a queda. Para alguns, isso demonstraria maturidade.
Vejo diferente. O comportamento de não vender
no prejuízo é antigo. O investidor espera recuperar o preço para sair. O tempo
corrói a convicção. Em algum momento, se a recuperação não vem, a paciência
acaba. Esse processo pode levar meses ou anos, mas não deve ser confundido com
força estrutural.
A diferença essencial é simples: a Nvidia gera
lucro, fluxo de caixa e ocupa o centro de um ciclo global de investimento
produtivo. O bitcoin depende da disposição do próximo comprador.
O mercado pode errar no curto prazo. Pode exagerar no medo. Pode pressionar margens e múltiplos. Mas, no longo prazo, lucros importam. E produtividade importa ainda mais. Para quem tem bitcoin deveria se perguntar: Por que manter esse ativo, não seria melhor ter Nvidia?
Análise Técnica
No post “sextech-conta-da-ia-chega-antes-da-sobremesa” fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:
“A bolsa se
encontra em um intervalo destacado com o retângulo amarelo desde outubro do ano
passado. Em algum momento irá romper e, enquanto isso, ficamos observando.”
A letargia continua. Pouco aconteceu durante a última semana, pois a Nasdaq 100 permanece praticamente no mesmo nível. Observando o gráfico na janela semanal, estou próximo de alterar a contagem, o que implicaria um cenário sensivelmente mais altista que o atual. Por medida de cautela, mantenho a contagem vigente — mas vocês já sabem: tem gato por aí. Hahaha.
Em relação à Nvidia comentei:
“A mesma
situação ocorre com a Nvidia: nada acontece em termos de tendência. Seus
resultados serão apresentados na próxima semana e não é preciso ser analista
para concluir que serão ótimos. O que o mercado quer saber são as projeções à
frente.”
Farei o mesmo procedimento adotado na Nasdaq
100 e observarei o gráfico na janela semanal. Nem olhem muito para os objetivos
projetados para a Nvidia, pois, em função do texto de hoje, podem achar que
exista conflito de interesses. Hahaha.
A dúvida no curto prazo reside na onda (2) vermelha, que pode buscar níveis inferiores. Let the Market Speak.
— David, sem essa de criar suspense. Diga logo
qual é o cenário mais altista da Nasdaq 100!
Vou dar uma dica: observem em detalhe as ondas
no gráfico da Nvidia e reflitam sobre como algo semelhante poderia ser
encaixado na Nasdaq 100.
Outra retórica recorrente no mercado é a de
que os investidores estariam fugindo do dólar e, por consequência, da bolsa
americana. Agora, deem uma olhada no gráfico abaixo.
Ao observar a entrada em títulos de renda
fixa, percebe-se certa hesitação, ainda que os volumes estejam próximos de
recordes. Já na bolsa, nunca entrou tanto dinheiro — e é importante frisar que cada ponto do gráfico contempla os últimos 12 meses.
Um outro relatório, que não está aqui reproduzido, comenta que muitos investidores optaram por comprar opções de venda como proteção, o que poderia justificar o comportamento lateral das bolsas. Em todo caso, há muita retórica e pouca realidade sobre o dólar.
O S&P 500
fechou a 6.871, com queda de 0,53%; o USDBRL a R$ 5,1265, com queda de 0,22%; o
EURUSD a € 1,1822, com alta de 0,21%; e o ouro a U$ 5.261, com alta de 1,47%.
Fique ligado!
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