Siga em frente #OURO #GOLD #EURUSD
Os primeiros
meses de 2026 começaram cercados por dúvidas sobre inteligência artificial, mas
curiosamente as preocupações mudaram de natureza. Antes o foco estava no volume
de investimentos, nos múltiplos elevados e no fantasma de uma bolha
tecnológica. Agora o debate gira em torno da substituição do trabalho humano
por aplicativos e automações. A narrativa dominante passou a prever desemprego
estrutural e recessão, mas essa visão ignora um ponto essencial: se a
tecnologia realmente reduzir custos e aumentar produtividade, o efeito líquido
tende a ser desinflacionário por um bom motivo — eficiência — e não por uma
crise econômica.
A tese central é simples: a economia não precisa de perfeição para seguir avançando. O mercado de trabalho americano continua resiliente, enquanto indicadores mais recentes mostram inflação ajustada próxima de níveis compatíveis com estabilidade de preços. Essa combinação ajuda a explicar por que algumas casas de análise ainda defendem uma visão otimista para o ciclo atual. O próprio Yardeni sustenta que já estamos em um ambiente próximo ao equilíbrio entre inflação e emprego.
Quando olho para
esse tipo de argumento, não vejo ingenuidade, mas uma tentativa de separar
ruído de tendência. Há uma diferença entre riscos potenciais e deterioração
efetiva dos dados. O índice que soma inflação e desemprego permanece próximo de
mínimos históricos, sinalizando que a economia ainda opera em uma zona
confortável.
Ao mesmo tempo,
a narrativa otimista ganha força com fatores estruturais ligados ao consumo e
ao efeito riqueza das famílias mais velhas, cujo patrimônio atingiu níveis
recordes. O aumento do patrimônio líquido tende a reduzir a necessidade de
poupança e sustentar o gasto das famílias, criando uma base sólida para o
crescimento.
Outro elemento
relevante é o investimento maciço em infraestrutura tecnológica. O avanço da
inteligência artificial não está restrito a software; ele envolve energia,
semicondutores e redes físicas, o que amplia o impacto econômico para além do
setor digital.
Apesar disso, é
preciso reconhecer que o mercado raramente se move de forma linear. As rotações
recentes mostram que investidores estão tentando antecipar quais regiões ou
setores irão capturar o próximo estágio do crescimento. O risco aqui é simples:
múltiplos mais baixos não significam automaticamente melhores oportunidades se
o lucro não acompanhar.
Essa rotação
ganha uma camada adicional de risco quando se observa o que está acontecendo
com os resultados corporativos chineses. O entusiasmo recente com mercados fora
dos Estados Unidos esbarra em uma realidade incômoda: o crescimento dos lucros
não acompanha a narrativa otimista. Pré-anúncios de balanços mostram
deterioração relevante, reflexo direto da desaceleração econômica, da demanda
doméstica mais fraca e de um ambiente ainda pressionado por deflação
industrial. O desempenho relativo também começa a denunciar essa fragilidade,
sugerindo que a troca de liderança pode estar sendo guiada mais por fluxo do
que por fundamentos. Quando a rotação ocorre sem crescimento de lucro, o
investidor corre o risco de apenas trocar uma narrativa cara por outra ainda
não comprovada.
Em ciclos de
alta prolongados, a dúvida se torna permanente. Sempre haverá alguém dizendo
que “subiu demais” e que a reversão está próxima. O problema é que alertas fora
de tempo raramente ajudam o investidor. O mercado pode permanecer irracional
por muito mais tempo do que o consenso imagina, já dizia Keynes.
Outro ponto que
merece atenção é a política monetária. Com inflação próxima da meta e
desemprego baixo, não há urgência para novos cortes de juros, especialmente
após o afrouxamento já realizado desde 2024. A curva de juros mais inclinada e
a expansão do crédito bancário sugerem que a liquidez já está suficiente para
sustentar a atividade econômica.
Isso nos leva a
uma conclusão desconfortável: talvez o maior risco atual não seja a economia,
mas a interpretação emocional do mercado. Seguir em frente não significa negar
a possibilidade de uma virada. Significa reconhecer que tendências estruturais
continuam válidas enquanto os dados confirmarem essa direção.
No fim das
contas, a recomendação continua simples: seguir em frente — mas com atenção
redobrada aos sinais de mudança. Porque em bull markets o perigo raramente é o
excesso de notícias negativas; é a incapacidade de distinguir entre ruído e
transformação real.
Análise Técnica
No post “les-attacher-des-chiens-sob-risco” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
“Tudo indica que
a opção de correção mais prolongada parece ser a mais provável; essa
consideração é mais pela percepção nesses dias. Para dar alguns níveis a se
observar destaquei no retângulo a área que deveria conter a recuperação em
andamento, entre U$ 5.107 / U$ 5.316”
O primeiro nível apontado acima acabou sendo atingido o que não significa que meu cenário de correção prolongada possa se confirmar. No curto prazo permanece indefinido quais serão os próximos movimentos, se a queda irá continuar ou ainda uma nova alta até o nível de U$ 5.316 irá ocorrer. Continuamos acompanhando, sem posição.
Em relação ao
euro comentei:
“ Fiz uma
adaptação considerando o movimento dentro de uma correção a-b-c em
laranja. Não tenho nada a propor; seria um puro chute, “achômetro”. O que posso
afirmar é que, caso ocorra uma queda abaixo de € 1,1584, a alta terminou”
O euro acabou recuando, o que coloca a possível recuperação até os níveis destacados no retângulo em questão. Se, por acaso, a queda que estamos esperando estiver em curso o nível de € 1,1680 deve ser alcançado rapidamente, ameaçando em seguida € 1,1584; ou uma recuperação comece em seguida. Nada a fazer, a não ser acompanhar.
O S&P 500 fechou a 6.861, com queda de 0,28%; o USDBRL a R$ 5,2109, com queda de 0,47%; o EURUSD a € 1,1772, sem variação; e o ouro a U$ 5.000, com alta de 0,46%.
Fique ligado!
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