SexTech: Cuidado com o filme do Mickey #nasdaq100 #NVDA


Durante muito tempo, ter acesso à tecnologia foi o principal diferencial competitivo. Quem chegava primeiro capturava valor, construía posições dominantes e surfava ciclos inteiros de crescimento. Esse privilégio acabou. A “Carteirinha” que criei, focada nas líderes da revolução da inteligência artificial, começa a se tornar algo comum, já que praticamente todas as grandes companhias incorporaram IA aos seus processos, produtos e estratégias. O acesso deixou de ser vantagem. Virou pré-requisito competitivo.

A revolução da inteligência artificial entrou agora em uma segunda fase — muito mais exigente do ponto de vista econômico. Não se trata mais de possuir a ferramenta, mas de convertê-la em produtividade mensurável: redução estrutural de custos, aceleração de ciclos de desenvolvimento, automação de processos e ganhos reais de eficiência. E foi justamente o mercado que começou a precificar essa transição de forma mais dura onde menos se esperava: no setor de software.

Durante mais de uma década, empresas de software representaram o modelo ideal da economia digital. Margens operacionais frequentemente acima de 30%, crescimento previsível de dois dígitos, receitas recorrentes e forte poder de precificação sustentaram múltiplos elevados por anos. Em diversos momentos, companhias negociaram acima de 12 a 15 vezes receita — patamar típico de ciclos de euforia tecnológica.

A própria evolução da inteligência artificial passou a corroer essas características. Ferramentas de IA agora escrevem código completo, constroem aplicações internas, automatizam rotinas jurídicas, substituem plataformas corporativas e organizam fluxos empresariais inteiros com custo marginal cada vez menor. Em termos econômicos, o custo de criar soluções digitais despencou, reduzindo drasticamente as barreiras de entrada.

O reflexo apareceu com violência nos mercados financeiros. O índice de software da S&P 1500 acumulou quedas superiores a 15% em determinados momentos do ano, enquanto o mercado mais amplo se mantinha relativamente estável.

 

Mais importante que a queda em si é sua natureza. Os resultados operacionais continuam crescendo, com várias empresas reportando expansão de receitas entre 10% e 20% ao ano. O que está sendo punido é o futuro.

Os múltiplos de valuation colapsaram. Empresas que negociavam em patamares elevados passaram para faixas entre 6 e 8 vezes receita, mesmo com crescimento operacional sólido. Em alguns casos, a compressão de múltiplos superou 40% em menos de doze meses.


 

Ao mesmo tempo, a infraestrutura da inteligência artificial segue capturando valor de forma concentrada. Fabricantes de semicondutores ligados à IA registram crescimento de receitas acima de 30% ao ano, enquanto grandes empresas de tecnologia anunciaram planos de investimento em data centers que ultrapassam US$ 200 bilhões anuais em capex combinado.

 

 

A cadeia de valor da tecnologia está se deslocando de forma clara. A camada de aplicações tornou-se a mais vulnerável, enquanto a infraestrutura passou a concentrar os gargalos econômicos da revolução da IA.

Essa mudança começa a aparecer também no comportamento da nova geração de empresas de inteligência artificial. Uma análise recente da Bloomberg mostra como companhias como a Anthropic transformaram o que muitos viam como excesso de cautela — a obsessão por segurança e controle dos modelos — em vantagem competitiva concreta. Ao desenvolver sistemas mais confiáveis para uso corporativo, aceleraram a adoção, lançaram produtos em ritmo muito mais rápido e passaram a capturar valor real, enquanto grande parte do software tradicional vê suas barreiras de entrada desaparecerem.

Até o que parecia ideologia tecnológica virou estratégia econômica. O mercado não está premiando quem apenas incorpora IA ao discurso, mas quem a transforma em produtividade mensurável e lucro estrutural.

O impacto não será pontual, mas cumulativo. Mais de 70% das grandes empresas americanas já utilizam alguma forma de inteligência artificial em processos internos, contra menos de 25% há apenas três anos. Em áreas como desenvolvimento de software, atendimento ao cliente, análise de dados e automação administrativa, os ganhos de produtividade reportados variam entre 20% e 40%.

A diferença central não está em possuir IA, mas em transformá-la em vantagem econômica real. Companhias que integraram profundamente a tecnologia já apresentam expansão de margens operacionais, reduções de custos superiores a 30% em vários processos e ciclos de inovação significativamente mais curtos.

Empresas que usam inteligência artificial para produtividade e redução estrutural de custos tendem a ampliar margens. As que a tratam como curiosidade tecnológica permanecem presas a modelos antigos e já começam a ser penalizadas pelo mercado.

Ter IA virou comum. Os gastos corporativos globais com soluções de inteligência artificial caminham para superar US$ 300 bilhões anuais antes do fim da década.

Capturar valor com IA é o novo diferencial competitivo. O mercado passou a separar quem transforma tecnologia em lucro estrutural de quem apenas segue a moda.

Quem tratar essa revolução como entretenimento tecnológico, como se estivesse apenas assistindo a um filme do Mickey enquanto a inteligência artificial redesenha os negócios ao redor, vai acordar quando o estrago já estiver feito.

 

Análise Técnica

No post “a-lua-de-mel-da-ia-acabou”, fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:

“A Nasdaq 100 ameaçou romper a máxima e reverteu ontem diante da ameaça de ataque dos EUA ao Irã. Não descarto a possibilidade de uma retração conforme indicado no símbolo, o que levaria o índice para a região de 23.600.”




O índice acabou atingindo o nível de 24.945, colocando o patamar de 23.847 em risco — que, caso seja ultrapassado, comprometerá minha contagem. Não preciso repetir que a contagem de ondas das bolsas americanas não é “by the books”. No cenário de alta, o ideal é que a Nasdaq 100 reaja nos próximos dias.




Em relação à Nvidia, comentei:

“Destaquei a região em que a Nvidia permanece indecisa. Em breve serão divulgados seus resultados, que ainda devem ser muito expressivos, mas, mesmo assim, o mercado vai querer saber das perspectivas futuras.”




O mesmo se aplica à Nvidia agora. Observei que, com as quedas recentes e a compressão de múltiplos — apesar de os resultados continuarem excelentes —, a empresa passou a negociar com um P/L ao redor de 24, bastante próximo ao do próprio S&P 500.

Fiz uma marcação em vermelho que pode acionar o que se chama de ombro–cabeça–ombro. Em outras palavras: se romper US$ 164, o papel poderá cair ainda mais.




As informações do mercado de trabalho foram adiadas para a próxima semana em função do lockdown ocorrido. Um estudo interessante do Deutsche Bank sobre o setor financeiro mostra a evolução do emprego nessa área.

Por mais de uma década — e provavelmente por muito mais tempo — os lucros do setor financeiro nos EUA acompanharam de perto a demanda por mão de obra. À medida que o setor crescia, o emprego avançava junto com a rentabilidade. Essa relação se rompeu por volta de 2022. Desde então, o crescimento do emprego praticamente estagnou, enquanto os lucros continuaram subindo.




O que mudou?

O primeiro e mais importante fator foi a forte alta das taxas de juros. Após 10 a 15 anos de juros próximos de zero — período em que as margens financeiras foram comprimidas e a regulação se intensificou —, os bancos foram forçados a se tornar implacavelmente eficientes. Quando os juros finalmente subiram, o setor conseguiu monetizar essa eficiência.

Há também um componente tecnológico emergente. O setor financeiro é altamente intensivo em dados e baseado em regras, o que, em teoria, o torna um candidato natural à automação e, cada vez mais, a ganhos de eficiência impulsionados por inteligência artificial.

Parte disso já é visível em áreas como monitoramento de compliance, operações e ferramentas internas. Ainda assim, o grosso do impacto da IA sobre estruturas de pessoal e custos provavelmente ainda está mais à frente do que para trás.

Tomados em conjunto, esses fatores apontam para uma mudança estrutural. No curto prazo, os juros continuarão exercendo papel dominante sobre a lucratividade do setor financeiro. No médio prazo, porém, o sistema financeiro global tende a se tornar uma das demonstrações mais claras de como a inteligência artificial e a automação avançada podem gerar eficiência operacional sustentada — permitindo que os lucros cresçam sem uma expansão proporcional da força de trabalho.

A pergunta que fica é: com o avanço da IA, a “boca do crocodilo” nesse gráfico continuará se abrindo ao longo do tempo?

Inicie uma nova posição no S&P 500 que vou comentar na próxima terça-feira o stop loss fica em 6.835. Aproveito para ajustar o stop loss da posição no Ibovespa em 177, 5 mil.



O S&P 500 fechou a 6.932, com alta de 1,97%; o USDBRL a R$ 5,2182, com queda de 1,03%; o EURUSD a € 1,1821, com alta de 0,37%; e o ouro a U$ 4.950, com alta de 3,57%.

Fique ligado!

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