O bitcoin está no vácuo #IBOVESPA #BITCOIN
A desmontagem silenciosa da narrativa institucional e o vazio de sustentação do mercado
O que parecia ser uma
revolução silenciosa nas finanças acabou revelando sua verdadeira face: uma
armadilha institucional disfarçada de demanda estrutural. O Bitcoin, que chegou
a US$ 126 mil em outubro do ano passado, caiu mais de 40% e hoje circula abaixo
de US$ 75 mil. Parte dessa queda é atribuída ao esvaziamento de uma ilusão
cuidadosamente montada por grandes instituições e promovida por personagens que
transformaram convicção em dogma.
O argumento de que a aprovação dos ETFs de bitcoin por si só sustentaria o
preço desmoronou. Como mostrou Shanaka Anslem Perera em artigo de 2 de
fevereiro, a maior parte do dinheiro que entrou nesses fundos não estava
ancorada em convicção de longo prazo, mas sim em uma operação de arbitragem
chamada "basis trade", que garantia retorno via diferença entre os
preços do mercado à vista e futuro. Essa vantagem evaporou com a compressão dos
spreads, levando ao início de um ciclo de vendas que agora se retroalimenta. O
tão falado “piso institucional” não passava de um truque contábil.
Ao mesmo tempo, o investidor símbolo dessa era, Michael Saylor, está
encurralado. Com mais de 713 mil bitcoins adquiridos a um preço médio de US$ 76
mil, a empresa que ele comanda, Strategy Inc., enfrenta perdas contábeis
relevantes e um mercado que não perdoa alavancagens ideológicas. As ações da
empresa derreteram mais de 60% desde outubro. O modelo de acumular tokens com
base em dívida e emitir ações a preços inflacionados virou pó.
Esse movimento não é isolado. Segundo a Bloomberg, desde que Trump reassumiu a
presidência, o bitcoin iniciou uma sequência de quedas que já dura quase quatro
meses. O rompimento abaixo de US$ 74 mil rompeu o patamar mais baixo de 2025 e
alimentou vendas forçadas em derivativos. Cerca de US$ 19 bilhões em posições
alavancadas foram liquidadas após o colapso do mercado em outubro, agravado
pelas falas do próprio Trump sobre tarifas comerciais.
Enquanto alguns tentam “comprar na baixa”, o mercado de derivativos cripto
mostra exatamente o contrário: as taxas de financiamento estão negativas e a
estrutura de preços revela predominância de posições vendidas. Ou seja, quem
aposta na alta é hoje minoria, e o sentimento de mercado está em “modo baixista
total”, como definiu um analista de opções em Hong Kong.
Ao contrário do que sugerem os evangelistas da blockchain, a base que
sustentava os preços não era a fé em uma nova arquitetura monetária, mas sim um
mecanismo opaco de arbitragem e especulação de curto prazo. O “milagre” da
adoção institucional era apenas uma ilusão de ótica produzida por fluxos que
agora se revelam efêmeros.
No Mosca, tenho alertado que o Bitcoin opera mais como um ativo de risco do que
como ouro digital. O colapso simultâneo de criptoativos e metais preciosos
confirma que estamos diante de uma reprecificação mais ampla, impulsionada pela
redução de liquidez, por mudanças regulatórias e por um esgotamento narrativo.
E para piorar, Saylor talvez não venda. Mas pode ser forçado a fazer isso. E
aí, meus caros, a tragédia será completa.
E essa realidade escancarada pela queda, refletida na ausência de compradores
sustentados, na persistente pressão vendedora e no enfraquecimento dos fluxos
institucionais, não encontra suporte técnico nem convicção estrutural que
indiquem uma reversão confiável no curto ou médio prazo.
O alerta recente de
Michael Burry aprofunda essa percepção: para ele, o Bitcoin não apenas deixou
de cumprir qualquer papel como 'ouro digital', como passou a representar risco
sistêmico. Segundo o investidor, o colapso atual pode provocar falências em mineradoras,
contaminação de mercados adjacentes e liquidações forçadas em fundos expostos à
narrativa cripto.
Desde que Trump
reassumiu a presidência, o mercado cripto perdeu aproximadamente US$ 1,7
trilhão em valor, segundo a Bloomberg. O movimento expôs a fragilidade
estrutural da tese institucional e escancarou o colapso de um ecossistema que
se alimentava de ilusão. No Mosca, o diagnóstico é direto: o vácuo não é apenas
de preço — é de convicção, de fundamento e, agora, de sobrevivência.
Análise Técnica
No post “Esqueceram de
mim”, publicado em novembro do ano passado, fiz os seguintes comentários sobre
o Bitcoin:
“Fiz uma análise de
mais longo prazo e, caso minhas assunções estejam corretas, pode-se esperar uma
queda entre 75,3 mil / 61,5 mil / 47,7 mil. Notem que o gráfico abaixo tem
escala mensal, o que significa que vai demorar muitos meses para terminar”.
Passado pouco tempo —
menos de três meses —, o Bitcoin rompeu o primeiro limite e caminha para o
segundo nível, em torno de 64 mil. Caso esse patamar não se sustente, o próximo
alvo seria ao redor de US$ 50 mil. E se não parar por aí, vou precisar reestudar
minhas premissas.
No post “febre
especulativa” fiz os seguintes comentários sobre a IBOVESPA:
“os movimentos de
correção que eu havia mencionado deram luz a um movimento direcional de
respeito. Não posso me abster da realidade, e ela agora indica que estamos em
uma onda 3 de 3. Adaptei, portanto, a contagem para essa alternativa. Sob essa
nova ótica, o objetivo passa a ser ao redor de 230 mil, como mostra o gráfico
em janela mensal a seguir”
Vou navegar sem muita
visibilidade dado a limitação da minha ferramenta, para tanto vou subindo o
stop loss e calculando os próximos objetivos de alta, sem muita precisão como é
com os outros ativos. Nessas condições o próximo target seria em 192,1 mil que
se ultrapassado rumaria a 214,3 mil. Estou ajustando o stop loss para 175 mil.
Para complicar – aqui
no bom sentido, ondas 3 direcionais como a que o IBOVESPA está inserido podem
ter desdobramentos de objetivos que vão se adaptando a alta.
O S&P 500 fechou a 6.882, com queda de 0,51%; o USDBRL a R$ 5,2431, sem variação; o EURUSD a 1,1803 com queda de 0,13%; e o ouro a U$ 4.940, com queda de 0,13%.
Fique ligado!
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