"Les attacher des chiens" sob risco #OURO #GOLD #EURUSD
No post de ontem “IA-26-o-novo-virus” ficou implícito que
a inteligência artificial não chega apenas para alterar processos produtivos;
ela redefine o valor do trabalho. Quando lembro da figura dos “Les attacher des
chiens”, expressão que representa funções pouco qualificadas, percebo que aquela
imagem antiga ganhou uma nova camada de significado. Hoje não se trata apenas
de funções simples desaparecendo, mas de um reposicionamento estrutural do
mercado de trabalho, onde o capital avança e o trabalho corre atrás.
Os dados recentes de emprego trouxeram alívio
superficial ao mercado. A criação de vagas veio acima do esperado, mas uma
leitura mais cuidadosa revela concentração em um único setor: saúde. Não é
coincidência. O envelhecimento da população e a demanda por cuidados pessoais
criaram uma âncora para o emprego, enquanto setores mais ligados à
produtividade tecnológica mostram sinais de desaceleração. Isso explica por que
a economia aparenta resiliência mesmo com cortes em áreas tradicionais e
profissionais.
A leitura fria desses números mostra algo
incômodo: estamos trocando empregos de produtividade elevada por funções menos
escaláveis. O mercado comemora a quantidade, mas ignora a qualidade do
crescimento. O setor de saúde cresce porque a demografia exige, não porque gera
um salto estrutural de produtividade. E quando o crescimento depende de um
único motor, o risco aumenta silenciosamente.
Outro sinal dessa mudança aparece na queda
contínua do emprego em áreas ligadas à tecnologia, como mostra o gráfico
acrescentado agora ao texto. Mesmo em setores que lideraram a expansão
econômica recente, a trajetória deixa de ser linear e começa a refletir ajustes
estruturais causados pela automação e pela inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, outra transformação corre em
paralelo. O fluxo de renda desloca-se progressivamente do trabalho para o
capital. A comparação entre empresas atuais e gigantes industriais do passado
deixa isso evidente: companhias extremamente valiosas empregam muito menos
pessoas do que seus equivalentes históricos. A consequência é direta: lucros
crescem mais rápido que salários, e a sensação de desconexão entre o desempenho
dos mercados e a realidade das famílias se amplia.
Enquanto isso, a demografia global adiciona
uma camada ainda mais complexa ao cenário. Estima-se que cerca de 1,2 bilhão de
jovens entrarão na força de trabalho nos países em desenvolvimento nas próximas
décadas, mas apenas uma fração dos empregos necessários será criada. A maior
parte dessas vagas tende a surgir em atividades de baixa qualificação, ligadas
a serviços básicos, infraestrutura ou saúde primária. A pergunta inevitável
passa a ser: quem realmente precisará dessa massa de trabalhadores em um mundo
que acelera a automação e reduz a intensidade de mão de obra nos setores mais
produtivos?
A própria dinâmica do mercado de trabalho
americano passa por ajustes silenciosos. Mudanças na imigração e no crescimento
populacional reduzem o número de empregos necessários apenas para manter a taxa
de desemprego estável. Isso altera completamente a leitura dos relatórios
mensais. Números que antes pareceriam fracos agora podem representar equilíbrio
estrutural.
O resultado final é uma economia que cresce,
mas muda de forma. De um lado, empresas mais eficientes, com margens elevadas e
pouca necessidade de mão de obra. De outro, setores intensivos em pessoas
sustentando o emprego agregado. Essa dualidade explica por que o mercado
acionário pode atingir novos recordes ao mesmo tempo em que parte da população
sente que está ficando para trás.
Quando penso nos antigos “Les attacher des
chiens”, vejo uma metáfora poderosa para o presente. Funções simples continuam
existindo e talvez até prosperem em nichos específicos, porque exigem
proximidade humana e não são facilmente automatizáveis. Já aqueles que iniciam
a carreira em atividades repetitivas enfrentam um cenário mais duro. A
inteligência artificial não elimina todos os empregos, mas redefine quais
habilidades são valorizadas.
No fim das contas, a questão não é se haverá
empregos, mas que tipo de empregos sobreviverá ao avanço da inteligência
artificial. A economia segue criando vagas, mas cada vez mais concentradas em
áreas onde o toque humano ainda é indispensável. O resto do sistema se
reorganiza ao redor de ativos intangíveis e ganhos de escala que favorecem quem
já detém capital.
Nota: A
expressão “amarra cachorro” surgiu como uma forma bem-humorada de se referir a
funções iniciais ou operacionais dentro do ambiente profissional. A intenção
nunca foi diminuir estagiários ou profissionais em começo de carreira, mas
criar um clima mais leve e descontraído — afinal, em algum momento da
trajetória todos já fomos “amarra cachorro” enquanto aprendíamos e evoluíamos.
Análise Técnica
No post “ a-ineficiência-na-era-dos-etfs” fiz os
seguintes comentários sobre o ouro:
“Quando movimentos dessa magnitude ocorrem, é
fundamental aguardar a poeira baixar para avaliar se se trata apenas de uma
correção de curto prazo ou de um movimento mais amplo. Mostro hoje o cenário
caso estejamos diante da segunda hipótese. Nessa situação, seria importante a
formação de uma estrutura de cinco ondas de baixa — o que ainda não se
configura”
Muito cedo ainda para sabermos que tipo de
correção o ouro se encontra. Tudo indica que a opção de correção mais
prolongada parece ser a mais provável, essa consideração é mais pela percepção
nesses dias. Para dar alguns níveis a se observar destaquei no retângulo a área
que deveria conter a recuperação em andamento, entre U$ 5.107/ U$ 5.316, acima
aumentam a possibilidade de novas altas e uma revisão do meu cenário, mas se o
ouro iniciar um movimento de queda e principalmente ultrapassar U$ 4.409 meu cenário
fica mais provável. Let The market Speak!
Em relação ao euro comentei:
“ A moeda única atingiu a máxima de € 1,2080,
muito próxima do primeiro objetivo dentro do retângulo, e, na sequência, voltou
a recuar. Minha contagem está eliminada? Ainda não — mas encontra-se muito
próxima desse limite, pois o euro não pode cair abaixo de € 1,17694.”
Como podem ver no gráfico abaixo ficou a um
triz do limite acima. Mesmo não tendo rompido não gosto deste tipo de salva
guarda se o mercado levou ao limite é bem provável que sua contagem não está
correta. Fiz uma adaptação considerando o movimento dentro de uma correção a-b-c
em laranja. Não tenho nada a propor seria um puro chute, “achometro”. O que
posso afirmar é que caso ocorra uma queda abaixo de € 1,1584, a alta terminou.
O S&P 500 fechou a 6.832, com queda de
1,57%; o USDBRL a R$ 5,2125, com alta de 0,24%; o EURUSD a € 1,1869, sem
variação; e o ouro a U$ 4.9191, com queda de 3,25%.
Fique ligado!
Comentários
Postar um comentário