SexTech: A IA se paga? #nasdaq100 #NVDA
Existe um detalhe que poucos querem admitir: a inteligência artificial continua avançando, mas o mercado já não compra a narrativa com a mesma convicção. Não porque a tecnologia tenha fracassado, mas porque o dinheiro começou a perguntar algo mais incômodo — a IA se paga?
No Mosca, essa pergunta foi antecipada no final
de 2025 e acabou escolhida como tema para 2026. Naquele momento parecia apenas
provocação intelectual. Hoje virou questão central de alocação de capital.
Durante meses, bastava mencionar IA para
justificar múltiplos elevados. Agora a pergunta mudou de tom. Executivos
continuam prometendo impacto estrutural nas receitas, porém a própria indústria
admite que ainda não sabe exatamente como monetizar essa revolução. A história
econômica mostra que é justamente nesse ponto que o entusiasmo deixa de ser
narrativa e passa a ser risco.
O mercado começou a entender que o problema não
é técnico, é gerencial. Automação, algoritmos e agentes digitais são apenas a
superfície. O que realmente custa caro é desmontar estruturas antigas para
criar novos modelos de negócio. Foi assim com a eletricidade e com a
informática: primeiro vieram promessas exageradas, depois anos de frustração
produtiva, e só então surgiram os verdadeiros vencedores.
Enquanto isso, o volume de capital mobilizado
pela IA cresce numa escala raramente vista fora de períodos históricos
extremos. Estimativas indicam investimentos trilionários em infraestrutura,
data centers e energia até o fim da década. Esse tipo de expansão costuma
produzir dois efeitos simultâneos: acelera a inovação e cria condições
perfeitas para distorções financeiras.
Quando uma pequena parcela de empresas passa a
representar uma fatia desproporcional do índice, o risco deixa de ser apenas
setorial e se torna sistêmico. Não é necessário um colapso tecnológico para
provocar correções relevantes; basta uma reprecificação de expectativas.
E essa reprecificação já começou. Nos últimos
meses, investidores globais passaram a migrar parte do capital dos nomes mais
dependentes da narrativa para setores ligados à infraestrutura física da IA.
Fabricantes asiáticos de chips, memória e componentes têm capturado fluxo
justamente porque vendem para todos os lados da corrida tecnológica.
Essa mudança revela algo importante: o mercado
deixou de apostar apenas em quem promete disrupção e passou a priorizar quem
monetiza o ciclo imediatamente. Em paralelo, surgiu o chamado “AI Immunity
Trade”, em que investidores rotacionam para setores considerados menos
vulneráveis à automação.
Essa rotação não significa abandono do tema,
mas maturidade do capital. A IA deixou de ser apenas história de crescimento e
passou a ser fator de disrupção generalizada. E toda disrupção cria vencedores
e vítimas ao mesmo tempo.
Outro elemento que começa a incomodar
investidores é o uso indiscriminado de ferramentas baseadas em IA para decisões
financeiras. Modelos de linguagem são persuasivos, mas ainda não possuem
responsabilidade fiduciária nem compreensão emocional do risco. A IA pode
ajudar na análise, mas ainda não substitui o julgamento humano.
Talvez o ponto mais ignorado esteja fora das
empresas e dentro da política econômica. Compras governamentais, tarifas e
incentivos moldam a demanda e definem quem sobrevive.
Somando todas essas peças, o cenário atual
parece menos confortável do que a narrativa dominante sugere. A inteligência
artificial não deixou de ser a maior transformação tecnológica desta geração.
Mas o mercado começou a perceber que transformação tecnológica não é sinônimo
automático de retorno financeiro imediato.
O ciclo entrou numa fase mais seletiva.
Empresas que constroem infraestrutura podem continuar capturando fluxo.
Empresas que apenas prometem escala futura precisarão provar rentabilidade
real. E investidores que confundirem avanço tecnológico com valorização linear
podem descobrir que a diferença entre revolução e bolha é apenas uma questão de
preço.
Talvez a melhor síntese para o momento seja
esta: a IA continua sendo o tema mais poderoso do mercado — mas já não é mais
uma história simples. O capital começou a separar quem lidera a mudança de quem
apenas surfa na narrativa.
Análise Técnica
No post “Cuidado com o filme do Mickey” fiz os
seguintes comentários sobre a Nasdaq 100: “O índice acabou atingindo o nível
de 24.945, colocando o patamar de 23.847 em risco — que, caso seja
ultrapassado, comprometerá minha contagem. Não preciso repetir que a contagem
de ondas das bolsas americanas não é ‘by the books’. No cenário de alta, o
ideal é que a Nasdaq 100 reaja nos próximos dias”.
Durante a semana existiu uma tentativa de
recuperação, mas o índice praticamente voltou às mínimas atingidas nos últimos
dias. O assunto de hoje — a desconfiança sobre o setor de tecnologia que recai
sobre as grandes empresas — torna o quadro mais vulnerável. Para um cenário de
alta, é crucial que o índice reaja nos próximos dias.
Em relação à Nvidia, comentei:
“com as quedas recentes e a compressão de
múltiplos — apesar de os resultados continuarem excelentes —, a empresa passou
a negociar com um P/L ao redor de 24, bastante próximo ao do próprio S&P
500”. “Fiz uma marcação em vermelho que pode acionar o que se chama de
ombro–cabeça–ombro. Em outras palavras: se romper US$ 164, o papel poderá cair
ainda mais”.
A Nvidia apresentou um quadro um pouco melhor
que a Nasdaq 100 esta semana, ficando próxima do nível de US$ 194,40, que, se
rompido, pode ser positivo. Importante frisar que essa empresa irá anunciar
seus resultados no próximo dia 25.
Hoje é dia 13, uma sexta-feira — e, pelo sim ou
pelo não, talvez seja melhor evitar grandes decisões. A febre do Ozempic mostra
como o mercado gosta de exagerar narrativas antes mesmo dos efeitos reais
aparecerem. Em 2023, ações de alimentos, bebidas e saúde foram vendidas
agressivamente sob a tese de que os remédios para perda de peso mudariam
hábitos globais de forma imediata. Meses depois, muitas dessas empresas
recuperaram as perdas e ainda avançaram, evidenciando que a reação inicial foi
mais emocional do que econômica.
A lição é direta: tecnologias transformadoras
podem ser reais, mas o mercado costuma precificar o impacto antes de ele
existir. Enquanto o uso dos medicamentos cresceu e novas versões chegaram ao
mercado, a própria líder do setor viu suas ações perderem força, enquanto
algumas das supostas “vítimas” se recuperaram. Como na IA, a pergunta não é se
a mudança acontece — mas quem realmente captura valor quando a poeira baixa.
O S&P 500 fechou a 6.836,sem variação; o
USDBRL a R$ 5,2188, com alta de 0,12%; o EURUSD a € 1,1873, sem variação; e o
ouro a 5.031, com alta de 2,23%.
Fique ligado”
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