Trump trouxe a odiada incerteza #S&P 500
Está completando um ano do atual governo e a sensação é de que passaram vários ciclos econômicos dentro de poucos meses. A sucessão de idas e vindas nas decisões criou um dilema permanente para os empresários: produzir fora e correr o risco de novas barreiras ou internalizar operações sem saber qual será a próxima regra do jogo. O resultado é um ambiente em que ninguém se sente confortável para assumir compromissos de longo prazo. Empresas americanas avaliam constantemente se mantêm cadeias globais ou se recuam para dentro de casa, enquanto parceiros estrangeiros passam a construir acordos paralelos, muitas vezes excluindo os Estados Unidos para reduzir exposição política. Não é apenas volatilidade de mercado; é um modelo de tomada de decisão baseado em ameaças e recuos que transformou o planejamento corporativo em um exercício defensivo.
A partir desse primeiro ano, o cenário
econômico pode ser lido como uma retrospectiva de efeitos acumulados. Apesar do
ruído político, as projeções ainda apontam crescimento em torno de 2,5% em
2026, sustentado por estímulos fiscais e condições financeiras mais suaves.
Porém, por trás desse número existe uma lista crescente de riscos: uma correção
relevante nas bolsas poderia retirar cerca de meio ponto percentual do
crescimento ao afetar consumo e investimento, enquanto mudanças mais rápidas
provocadas pela inteligência artificial podem elevar o desemprego antes que os
ganhos de produtividade apareçam plenamente. O quadro não é de colapso
imediato, mas de uma economia que avança sob tensão constante, onde múltiplos
fatores precisam se alinhar para que o ritmo atual seja mantido.
A inteligência artificial tornou-se parte
central dessa retrospectiva. O avanço tecnológico já começa a desacelerar a
criação de empregos em setores mais expostos, e estimativas indicam que uma
elevação adicional da taxa de desemprego pode reduzir o crescimento do consumo
mesmo sem alterar a renda total da economia. Historicamente, ganhos de
produtividade acabam compensando esses choques, mas o caminho até lá costuma
gerar desequilíbrios temporários. O resultado é uma redistribuição gradual da
renda em favor do capital, algo que altera padrões de gasto e reforça a
sensação de transição estrutural no mercado de trabalho.
Outro ponto marcante desse primeiro ano foi a
incerteza em torno das tarifas comerciais. A possibilidade de aumentos
adicionais ou de maior repasse ao consumidor mantém a inflação sob pressão e
reduz a previsibilidade dos investimentos. Mesmo mudanças moderadas na carga
tarifária podem funcionar como um imposto indireto sobre famílias e empresas,
diminuindo a renda disponível e afetando o consumo. Em um ambiente em que o
crescimento depende cada vez mais da confiança, qualquer sinal de instabilidade
política amplia o prêmio de risco exigido pelos mercados.
A geopolítica também ganhou peso ao longo do
período. Tensões internacionais capazes de elevar o preço do petróleo não
representam apenas um choque de custo, mas um lembrete constante de que o
cenário externo permanece frágil. Mesmo que o impacto líquido sobre o
crescimento seja relativamente pequeno, a percepção de risco aumenta e
influencia decisões corporativas, levando empresas a postergar investimentos ou
reduzir exposição a projetos de longo prazo.
Por fim, a evolução do crédito privado trouxe
sinais de alerta adicionais. A queda nas ações de fundos ligados a empréstimos
não bancários indica que o mercado já começa a antecipar perdas maiores, ainda
que o efeito sistêmico esperado seja limitado. O crédito continua disponível,
mas sob condições mais seletivas, refletindo um ambiente em que investidores
preferem liquidez e proteção diante das incertezas acumuladas ao longo do
primeiro ano de governo.
O resultado dessa retrospectiva é uma economia
que segue crescendo, mas com fundamentos cada vez mais dependentes de
expectativas e menos de estabilidade estrutural. O crescimento existe, porém,
precisa conviver com riscos simultâneos — mercado acionário, emprego, comércio
exterior e crédito — que tornam qualquer projeção mais frágil do que aparenta à
primeira vista.
The winner is….
Já virou quase um ritual acompanhar, no começo de cada ano, a fotografia dos grandes hedge funds globais e comparar quem realmente entregou retorno e quem apenas surfou narrativa. O levantamento recente mostra como 2025 concentrou ganhos relevantes em poucos nomes, refletindo um ambiente em que tecnologia e inteligência artificial dominaram a geração de resultados. Ainda assim, muitos fundos permaneceram na faixa intermediária de performance, reforçando que tamanho e estrutura não são garantias de liderança quando o mercado passa por mudanças rápidas.
Quando coloco o Mosca nessa mesma régua, a
leitura ganha outra dimensão. Com 42,67% em 2025, o desempenho ficaria na
primeira posição caso fosse classificado como um hedge fund institucional.
Diferentemente dessas gestoras, que operam múltiplas estratégias e dezenas de
ativos, sigo uma disciplina constante — entra ano, sai ano — acompanhando
apenas seis mercados: real, S&P500, Ibovespa, ouro, euro e Nasdaq 100. Essa
simplicidade não elimina o risco, mas reduz o ruído e ajuda a manter foco nas
grandes tendências. Em um ano marcado por concentração de resultados e por
narrativas intensas, a comparação mostra mais sobre a natureza do mercado do
que sobre quem está certo ou errado.
Análise
Técnica
No post “acabou-moleza”, fiz os seguintes
comentários sobre o S&P 500:
“o
motivo da minha entrada na bolsa na última sexta‑feira, que, embora envolvesse
risco, apresentou uma relação risco‑retorno que julguei interessante”.
O S&P 500 acabou não se comportando como eu
esperava e, por essa razão, fomos estopados na sexta‑feira 13 — não poderia ter
dia mais macabro! Hahaha. Pois é, investir é desafiador e muita paciência é
necessária. Acabei tendo que empurrar a onda C amarela mais à direita.
A bolsa está sem direção no curto prazo. No dia
20/02 parecia que iria romper a máxima; ontem devolveu tudo. Em todo caso, nada
dramático ocorreu e, desta forma, sigo com a mesma orientação de alta. Quero
deixar frisado que o nível de 6.516 ainda pode ser visitado e, para que isso
não ocorra, é necessário que ultrapasse a máxima histórica. Será que o mercado
depende de uma mordaça no Trump, evitando que ele sugira tantas ameaças?
O S&P 500 fechou a 6.890, com alta de
0,77%; o USDBRL a R$ 5,1564, com queda de 0,32%; o EURUSD a € 1,1775, sem
alteração; e o ouro a U$ 5.163, com queda de 1,24%.
Fique ligado!
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