A (des)União Europeia #OURO #GOLD #EURUSD

 


Desde que comecei a escrever o Mosca mantenho uma visão cética sobre a União Europeia. Não por falta de escala econômica — afinal, trata-se de um bloco com 27 países, centenas de milhões de habitantes e peso relevante no produto global — mas pela forma como suas engrenagens políticas funcionam. Existe uma contradição estrutural: uma potência econômica que muitas vezes age como se fosse frágil diante de crises geopolíticas, tecnológicas ou financeiras.

O modelo decisório europeu é frequentemente apontado como um exemplo de equilíbrio institucional. Na prática, ele também é uma fonte permanente de lentidão. A regra da maioria qualificada exige que decisões contemplem tanto o número de países quanto a população representada, enquanto temas sensíveis dependem de unanimidade. Isso significa que interesses nacionais, mesmo quando minoritários em termos econômicos, podem travar avanços estratégicos. O resultado é uma sensação constante de hesitação, como se o bloco estivesse sempre discutindo o próximo passo enquanto o resto do mundo já está executando o movimento.

O artigo de Robin Brooks, o economista “carequinha” sobre governança mostra como esse desenho institucional ganhou ainda mais relevância após a guerra na Ucrânia. Medidas que deveriam demonstrar força coletiva acabaram sendo diluídas por negociações internas, revelando a dificuldade de alinhar prioridades nacionais em um ambiente de tensão global. O problema não está apenas nas regras, mas nos incentivos criados por elas: quando o veto é possível, negociar torna-se uma estratégia permanente.

Outro ponto central é a política monetária comum. A moeda única foi concebida como símbolo de integração, mas trouxe consigo um dilema estrutural. Economias com níveis distintos de produtividade e endividamento convivem sob a mesma taxa de juros e a mesma política cambial. Já comentei no passado que um euro forte pode ser natural para países altamente eficientes, enquanto outros precisariam de uma moeda mais flexível para sustentar crescimento. Essa divergência não desapareceu; ao contrário, tornou-se mais visível à medida que crises sucessivas expuseram as diferenças internas.

Ao mesmo tempo, existe uma narrativa crescente defendendo que a Europa pode estar subestimada pelos investidores. O material publicado pela Bloomberg no Odd Lots apresenta uma leitura alternativa: quando ajustados fatores como poder de compra, desigualdade e indicadores sociais, a distância entre Europa e Estados Unidos parece menor do que a percepção dominante sugere. A região pode crescer menos em termos nominais, mas apresenta estabilidade institucional e qualidade de vida superiores, elementos que influenciam decisões de longo prazo e risco político.

Essa dualidade é o que torna a análise da União Europeia tão complexa. De um lado, há críticas à lentidão regulatória, à falta de polos tecnológicos comparáveis aos grandes centros americanos e à dependência comercial elevada. De outro, surgem argumentos de que o modelo europeu — baseado em regras rígidas e menor polarização — pode oferecer resiliência em períodos turbulentos. Em vez de um sistema que acelera rapidamente, trata-se de uma estrutura que evita rupturas abruptas.

Os dados apresentados reforçam que o bloco enfrenta um desafio estrutural diferente do norte-americano. Enquanto os Estados Unidos concentram inovação tecnológica e atraem capital global com facilidade, a Europa acumula poupança elevada e tende a exportar recursos financeiros. Isso limita o ritmo de expansão, mas também cria uma base de estabilidade que muitos investidores começam a reconsiderar. A redução recente dos prêmios de risco europeus sugere que o mercado passou a enxergar menos fragilidade e mais potencial de transformação gradual.

Ainda assim, não acredito em narrativas extremas. Nem a União Europeia está condenada à irrelevância, nem existe um excepcionalismo automático capaz de resolver suas contradições internas. O que existe é um sistema em constante negociação, onde avanços acontecem lentamente e quase sempre após crises que forçam ajustes institucionais. A integração de mercados de capitais, o aumento de gastos em defesa e as discussões sobre inovação tecnológica mostram que o bloco tenta adaptar-se a um mundo cada vez mais multipolar.

No Mosca, continuo olhando para a Europa como um laboratório político e econômico. A combinação de regras rígidas, diversidade cultural e moeda única cria um ambiente único, onde decisões raramente são rápidas, mas quase sempre carregam consequências estruturais profundas. Talvez a maior força do bloco não esteja na velocidade das mudanças, mas na capacidade de evitar colapsos sistêmicos, mesmo quando suas falhas ficam evidentes.

No fim, a chamada “desunião” não é apenas uma fraqueza; é também o reflexo de um modelo que privilegia consenso sobre eficiência imediata. Para investidores, isso significa aceitar que a Europa dificilmente seguirá o mesmo caminho das economias mais dinâmicas, mas pode oferecer uma trajetória diferente — menos explosiva, porém potencialmente mais estável ao longo do tempo.

 

Análise Técnica

No post “siga-em-frente” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

“No curto prazo permanece indefinido quais serão os próximos movimentos, se a queda irá continuar ou ainda uma nova alta até o nível de U$ 5.316 irá ocorrer. Continuamos acompanhando, sem posição”




Os níveis do ouro permaneceram contidos nesta semana não oferecendo nenhuma pista adicional. Observando numa janela menor tudo indica que a área de U$ 5.316 pode ser atingida, e se isso acontecer, o movimento posterior vai nos dizer se a correção terminou ou ainda terão novas quedas. Por enquanto, ainda trabalho com a última hipótese.



Em relação ao euro comentei:

“Se, por acaso, a queda que estamos esperando estiver em curso o nível de € 1,1680 deve ser alcançado rapidamente, ameaçando em seguida € 1,1584; ou uma recuperação comece em seguida. Nada a fazer, a não ser acompanhar”



A moeda única não está mostrando muita força, depois da alta ocorrida na onda a amarela vem definhando colocando em risco o cenário de mais uma alta. Mas enquanto o nível de € 1,1584 não for violado, a hipótese de alta continua embora fiquei mais hesitante.



A publicação do post será mais cedo por motivo de deslocamento.

O S&P 500 estava as 12h00 em 6.923, com queda de 0,34%; o USDBRL a R$ 5,1446, com alta de 0,39%; o EURUSD a € 1,1812, sem variação; e o ouro a U$ 5.159, com queda de 0,10%.

Fique ligado!

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