Você vai comprar chips da Nvidia no supermercado #nasdaq100 # NVDA
A tese dos pessimistas tem fundamento aparente. A ação da empresa recuou 7% desde o pico histórico de 27 de abril, tornando-se uma das piores performances no índice Philadelphia Semiconductor, que avançou cerca de 60% no mesmo período. Os grandes clientes — Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft — anunciaram planos de desenvolver seus próprios chips dedicados à inteligência artificial. A Anthropic firmou contrato de US$ 200 bilhões com o Google para uso dos chips TPU ao longo de cinco anos. A Amazon declarou US$ 225 bilhões em compromissos com sua linha Trainium. São números que impressionam.
Pense nos bancos, nas seguradoras, nas indústrias, nos governos, nos sistemas de saúde ao redor do mundo. Nenhum deles tem, nem terá no horizonte próximo, a capacidade de desenvolver chips proprietários. Todos precisarão montar seus próprios data centers para rodar modelos de inteligência artificial. E todos vão comprar Nvidia. Nesse cenário, a base de clientes da empresa não encolhe — ela se multiplica e se diversifica. Onde antes havia quatro compradores gigantes, haverá milhares de compradores médios e grandes.
Há um precedente histórico que ilumina esse raciocínio. Nos anos 1960 e 1970, a IBM dominava o mercado de mainframes com uma completude que fazia inveja. Quando surgiram os primeiros computadores pessoais e os concorrentes começaram a produzir máquinas compatíveis, a narrativa era de que a IBM estava ameaçada. O que aconteceu? O mercado explodiu. As empresas que antes nem cogitavam ter um computador passaram a comprá-los. A IBM perdeu participação relativa no segmento de ponta, mas ganhou em volume bruto. A Nvidia está diante de um movimento estruturalmente semelhante.
E há outro fator que os analistas mais pessimistas subestimam: o custo e o risco de trocar de fornecedor. Quando uma empresa decide construir sua infraestrutura de inteligência artificial sobre a arquitetura CUDA da Nvidia — o padrão de programação que domina o setor — ela não está apenas comprando um chip. Está comprando um ecossistema inteiro de software, ferramentas, suporte e compatibilidade. Migrar para outra plataforma não é uma decisão técnica; é uma cirurgia corporativa de alto risco. Grandes organizações, especialmente as que não são empresas de tecnologia em essência, não fazem isso.
O próprio comportamento da Nvidia confirma essa estratégia de longo prazo. A empresa transformou seu caixa robusto — com margens brutas de 75% e receitas recordes de US$ 68 bilhões no último trimestre — em um instrumento de criação de dependência deliberada. Investiu US$ 30 bilhões na rodada de captação de US$ 110 bilhões da OpenAI. Comprometeu US$ 20 bilhões para absorver a tecnologia da startup Groq. Injetou US$ 800 milhões na Reflection AI e US$ 2 bilhões na CoreWeave. Cada um desses movimentos é, simultaneamente, um investimento financeiro e uma garantia de que o dinheiro vai circular de volta na forma de compra de chips.
A CoreWeave, empresa de computação em nuvem que concorre com os gigantes Google e Amazon, é um exemplo perfeito dessa arquitetura de lealdade. A Nvidia é um de seus maiores acionistas, garante acesso antecipado aos chips mais avançados e se comprometeu a recomprar até US$ 6,3 bilhões em produtos caso a CoreWeave não consiga alugar toda sua capacidade instalada até 2032. Em troca, a CoreWeave compra exclusivamente Nvidia. Não por obrigação contratual explícita — mas porque a lógica econômica não deixa outra escolha.
Que conclusão extrair disso? Que os chips da Nvidia são tão estratégicos, tão cobiçados e tão insubstituíveis que empresas e intermediários estão dispostos a arriscar processos federais americanos para obtê-los. Nenhum concorrente provoca esse nível de demanda reprimida. Quando um produto gera esse tipo de comportamento no mercado, não estamos falando de uma commodity — estamos falando de um ativo essencial sem substituto à vista.
Os analistas de Wall Street ainda não abandonaram a Nvidia. Dos 80 cobrindo a empresa, apenas três têm recomendação neutra e um tem recomendação de venda. As estimativas de lucro para o ano fiscal de 2027 subiram 11% nos últimos três meses. As projeções de crescimento de receita para 2028 avançaram ainda mais. Em 20 de maio, a empresa divulga seus resultados do primeiro trimestre fiscal — e o mercado, que tanto especulou sobre a erosão de sua dominância, terá que se confrontar com os números. Se o histórico recente serve de guia, a leitura de fundo deve permanecer inequívoca.
A narrativa de que a Nvidia será deslocada pelos próprios clientes confunde concentração com dependência. Os hyperscalers estão diversificando seus fornecedores de chips no topo da pirâmide — isso é fato. Mas a pirâmide está crescendo de baixo para cima, e quem vai suprir essa demanda por infraestrutura de inteligência artificial para o restante da economia global é, de longe, a Nvidia. Até que alguém prove o contrário com resultados trimestrais — e não com protótipos promissores —, o ceticismo parece mais ruído do que sinal.
Por ora, a única coisa que parece certa é que os chips da Nvidia continuarão sendo o produto mais disputado do planeta. Nem que para isso alguém precise atravessar a Tailândia de madrugada. E se um dia eles chegarem às prateleiras do Carrefour — ao lado do azeite importado e do vinho chileno —, não diga que não avisei. Hahaha.
Análise Técnica
No post "agora-carteirinha-vale-pib" fiz os seguintes comentários sobre o Nasdaq 100:
"Em novas máximas, o Nasdaq 100 se aproxima dos objetivos apontados: 28 mil (+1,4%) ou 29 mil (+6,5%). Deveria estar pronto para liquidar a posição, mas ondas 3 costumam nos presentear com surpresas por meio de ondas estendidas. Em todo caso, estamos alertas e ajustando o stop loss à medida que o movimento assim o indicar."
— Hahaha. Pelo que você está dizendo, vendeu mal a posição ontem. Está ficando apressadinho!
Poderia te responder com uma frase muito usada nessas situações: "Lucro nunca deu prejuízo", mas eu a acho péssima, pois é o conforto de ter errado achando que se está certo. Depois de quase 15 anos convivendo comigo, eu achava que você me havia conhecido. Vou repetir de novo: sou pragmático! E, no caso, já temos posições abertas. Então crio a minha frase: "Não exagere no risco quando os mercados estão esticados".
Agora, só para dar um sabor à discussão, a seguir o gráfico do Nasdaq 100 com escala semanal. Olha onde está o símbolo em azul — é o objetivo mínimo!
"Finalmente a Nvidia ganhou terreno na última semana e ultrapassou o nível acima; contudo, recuou em seguida. Essa retração deveria encontrar suporte na área delimitada no gráfico abaixo. Vale notar que, agora, a ação parece estar à frente dos índices. A questão que se coloca: qual dos dois devemos privilegiar para nossas posições?"
Vocês já devem estar cheios dos meus comentários sobre a "Carteirinha", mas o que eu posso fazer se seu conceito aparece toda hora? A Coatue é uma casa muito especializada e respeitada na área de tecnologia, sempre esteve envolvida no setor e tem bastante experiência. Vejam os gráficos a seguir, que ela publicou.
Nota: as bolsas fecharam na máxima histórica espero que o Trump não estrague a gesta.
Fique ligado!
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