EM=ET #IBOVESPA


Ontem foi um "dia de reversão" e o mercado comemorou como se fosse vitória. O CPI de junho caiu 0,4% — maior queda mensal em seis anos — e a inflação anual recuou a 3,5%.



Só que essa "boa notícia" teve ajuda de um personagem que não merece crédito nenhum: o petróleo. Horas antes, Trump anunciou uma taxa de 20% sobre navios no Estreito de Ormuz e revogou a medida em menos de 24 horas — o tipo de bagunça que derruba o preço do barril por um dia e some no seguinte. Sem esse tropeço pontual de energia, não haveria reversão alguma para comemorar. Kevin Warsh, no primeiro depoimento como presidente do Fed, teve a lucidez de não cair na armadilha e recusou o "missão cumprida" que Wall Street queria ouvir — mas o mercado de swaps já apostou a mão: pela primeira vez desde a eleição de 2024, a inflação implícita de um ano caiu abaixo da meta de 2%, o mercado comemorando a vitória antes do apito final.



É a mesma euforia seletiva que fez Wall Street embolsar o melhor trimestre de trading da história — JPMorgan e Goldman Sachs nunca lucraram tanto com volatilidade — no mesmo pregão em que a IBM despencou 25%, a pior queda diária de toda a sua existência, por não convencer ninguém sobre o que a IA realmente vale para o seu balanço. A ansiedade com IA paga o bônus de um lado da mesa e queima valor de mercado do outro, no mesmo dia.

E essa mania de ver diversificação onde na verdade há concentração tem um paralelo direto em outro canto do mercado: o das alocações internacionais.

Há quase duas décadas, ter ações fora dos Estados Unidos tem sido um exercício de paciência. O ETF que replica os mercados desenvolvidos ex-EUA estava, no início de 2025, praticamente no mesmo patamar de preço de junho de 2007. O ETF de mercados emergentes mostrava padrão semelhante. No mesmo período, o S&P 500 quase quadruplicou.



Recentemente, essa fotografia mudou. Setores da "velha economia" — financeiro, energia, materiais, industriais — que sempre pesaram mais nos índices fora dos EUA voltaram a ganhar tração, puxados pelo novo foco geopolítico em defesa e autossuficiência industrial e pelo capex de inteligência artificial que passou a transbordar para energia, hardware e materiais — exatamente os setores em que os índices de mercados emergentes e do resto do mundo são historicamente overweight. O ativismo fiscal ajuda: o estímulo alemão é o exemplo mais visível entre os desenvolvidos, mas o México também investe pesado em infraestrutura ferroviária mesmo tentando reduzir seu déficit. Os bancos europeus, capengas havia quase quinze anos, reprecificaram com a melhora da rentabilidade. E o dólar, que subiu cerca de 40% entre 2010 e 2024 — um peso constante sobre o retorno de investidores americanos em ativos estrangeiros sem hedge — pode estar perto de um platô: caiu mais de 9% em 2025, sua pior marca desde 2017.

Só que há uma pegadinha nessa narrativa de "diversificação recuperada". As três maiores posições tanto no índice de mercados emergentes quanto no índice ex-EUA são hoje TSMC, Samsung e SK Hynix — quase 30% do índice de emergentes e cerca de 10% do índice ex-EUA estão concentrados nesses três nomes. E a concentração no topo é reveladora: os dez maiores nomes do índice mundial ex-EUA somam apenas 16,8% — moderado. Já os dez maiores do índice de mercados emergentes somam 39,4% — mais concentrado que o próprio S&P 500, que está em 36,7%.

Ou seja: quem compra hoje um ETF de mercados emergentes para diversificar sua carteira, na prática está comprando uma aposta pesada em semicondutores e tecnologia. O Brasil, que despontou como opção de fluxo estrangeiro no começo do ano, perdeu apelo recentemente; o interesse ficou concentrado na Ásia — justamente onde moram TSMC, Samsung e SK Hynix. Daí a provocação do título: EM não é sigla de "diversificação emergente". É sigla de Emerging Technology — um ET que, como todo bom alienígena, se disfarça de familiar antes de revelar o que realmente é.

O fio que une os dois assuntos do dia é simples: tanto no dado de inflação de ontem quanto na composição real dos índices de emergentes, a superfície engana. Um mês bom de CPI não apaga uma década de expectativas mais altas. Um ETF rotulado como diversificação pode ser, por baixo do capô, mais uma aposta concentrada na mesma cadeia de valor de sempre. Vale sempre perguntar o que está de fato dentro da sigla antes de confiar nela.


Análise Técnica

No post "navegando-em-novos-mares" fiz os seguintes comentários sobre a IBOVESPA:

“O que posso dizer é que a bolsa está numa correção, contida dentro da elipse vermelha. Em situações como essa, procuro mais pistas olhando gráficos em janelas menores, que é o caso abaixo. Quais são as possibilidades: 

1) a onda B vermelha está em curso e levaria a bolsa ao patamar de 187,5 mil (↑ 10%) ou 192,9 mil (↑ 12%); ou 

2) a onda A vermelha ainda não terminou, e novas quedas podem ocorrer abaixo de 168 mil... Considero a opção 1 mais provável e vou aguardar o rompimento do nível apontado com o símbolo vermelho, em 174,2 mil”.



No dia 10/07 houve o rompimento, o que deu início a um trade de compra a 174,2 mil, conforme mencionei no post acima. Posso dizer que é preciso muita coragem para entrar numa correção e ainda de uma onda B — como dizia um velho guru que eu acompanhava: ondas B são destruidoras de lucro.

Onde devo posicionar o stop loss? O correto seria em 172,6 mil, o que poderia originar uma perda de aproximadamente 1% — nada catastrófico —, mas vou usar o nível de entrada de 174,2 mil, uma vez que minha confiança no trade é baixa. O objetivo está demarcado no gráfico abaixo entre 187,5 mil (+7%) e 192,9 mil (+10%).

Outro fator que me incomoda é que a alta apontada pelo símbolo em laranja precisa atingir rapidamente 181,6 mil.



"David, parece que você está pisando em ovos com tanto, mas..."

É isso aí. Para quem tem experiência em Elliott Wave, sabe que navegar numa onda B é heroico: essa onda costuma andar dois passos para frente e um a um e meio para trás. Fique de olho, pois posso sair a qualquer momento do trade.

Um pequeno comentário sobre o jogo de ontem entre França e Espanha, onde a primeira era tida como favorita. Gosto muito dos franceses, afinal tive muitos amigos durante minha passagem no BFB, mas detesto o Mbappé: é um sujeito arrogante e um tremendo pé-frio, pois já tem um histórico razoável de perdas por onde passa. A imprensa quis compará-lo ao Messi, mas ele não chega aos pés do brilhante jogador argentino.

O S&P 500 fechou a 7.572, com alta de 0,38%; o USDBRL a R$ 5,0925, sem variação; o euro a € 1,1469, com alta de 0,38%; e o ouro a U$ 4.057, com alta de 0,11%.

Fique ligado!

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