2018: Vestibular Político

17 de abril de 2018

A China não para


A economia chinesa cresceu 6,8% no primeiro trimestre, mais do que era esperado, contrariando as expectativas de desaceleração, embora a queda nas exportações e a produção industrial possam se tornar um obstáculo nos próximos meses.

O ritmo de crescimento correspondeu à taxa do trimestre anterior e confundiu as previsões de alguns investidores e analistas de que, a economia desaceleraria no início deste ano em meio a uma redução da dívida do governo, com uma diminuição dos investimentos em propriedades, infraestrutura e fábricas. As vendas no varejo mantiveram-se particularmente bem, subindo 9,8% no trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior

As exportações, inesperadamente fortes nos primeiros dois meses do ano, juntamente com o consumo doméstico resiliente e a produção industrial, ajudaram a elevar o crescimento. E, até agora, as tensões comerciais entre Washington e Pequim tiveram pouco impacto sobre a China, apesar de algumas autoridades e economistas estarem preocupados com o fato de uma prolongada batalha comercial possa mudar isso.

"Vamos enfrentar alguns desafios no comércio em um futuro previsível", disse Xing Zhihong, porta-voz do Departamento Nacional de Estatísticas, em uma entrevista coletiva na terça-feira. Ainda assim, Xing disse que a demanda doméstica saudável ajudará a compensar qualquer possível queda nas encomendas estrangeiras. "O atrito comercial entre os EUA e a China não pode vencer a economia chinesa", disse ele.

A possibilidade de uma contundente batalha comercial surge quando aparecem sinais de que os embarques no exterior, as vendas de moradias e a produção industrial - todos os pilares da economia da China - estão começando a enfraquecer. Por exemplo, dados oficiais mostram que as fábricas chinesas estão começando a produzir menos mercadorias para os mercados estrangeiros.

Essa desaceleração, é estimulada pela antecipação de maiores barreiras para entrar no mercado americano e por um abrandamento da demanda global, após um ano durante o qual as principais economias do mundo cresceram em rara harmonia. Essas expansões sincronizadas estão "chegando ao fim", segundo um novo relatório do Instituto de Finanças Internacionais, com sede em Washington.

Washington e Pequim estão envolvidos numa disputa comercial desde que o governo Trump impôs novas tarifas sobre painéis solares fabricados na China, máquinas de lavar, aço e outros metais no início deste ano. Ambas as partes ameaçaram impor novas taxas ao aumento das listas de bens de cada país. As crescentes tensões atormentaram os mercados globais e levantaram preocupações de que uma guerra comercial de alto impacto derrubaria a economia global.

O superávit comercial da China com os EUA continuou a aumentar no primeiro trimestre. Mas os embarques no exterior caíram no mês passado, fazendo com que a China registrasse um déficit comercial raro com o resto do mundo. Enquanto isso, a produção industrial cresceu apenas 6% em março, ante 7,2% no primeiro bimestre do ano e 6,8% no trimestre. O investimento em edifícios, fábricas e outros ativos fixos cresceu 7,5% no primeiro trimestre, abaixo dos 7,7% esperados pelos economistas.

Mesmo assim, o volume de exportações aos EUA não corresponde a maior parte das exportações chinesas. Esse peso vem diminuindo nos últimos anos, com a elevação de vendas externas aos países emergentes, principalmente asiáticos e a Europa.

 
Enquanto isso, apesar do forte desempenho do primeiro trimestre, uma campanha sustentada de Pequim para frear o endividamento desenfreado está atrapalhando os investimentos de alto valor, especialmente os dos governos locais e empresas estatais. A região de Xinjiang, no noroeste do país, interrompeu neste mês todas as construções industriais e de infraestrutura financiadas pelo governo, iniciadas desde janeiro de 2017, quando as autoridades iniciaram uma investigação sobre se esses projetos têm financiamento suficiente.

"Preferimos ter uma taxa de crescimento mais lenta do que mais dívidas", disse um comunicado divulgado pela agência de planejamento econômico da região.

A ilustração a seguir mostra um endividamento que cresceu aceleradamente a partir da crise de 2008, quando o governo Chinês procurou estimular sua economia a qualquer custo. A dívida cresceu de 150% do PIB para 300%. Com esse elevado patamar qualquer escorregada na economia pode gerar uma quebradeira em massa. A boa notícia é que o governo vem tomando medidas a fim de evitar essa evolução, o que já se pode observar com uma estagnação desde 2014.


"Deve haver um equilíbrio entre o controle dos riscos e a manutenção do crescimento", disse Zhu Baoliang, economista-chefe do Centro de Informações do Estado, um centro de estudos afiliado à principal agência de planejamento econômico do país. Para estimular o crescimento, disse Zhu, Pequim deve reduzir as exigências de reserva para os bancos liberarem mais fundos para empréstimos.

Esforços do governo para impedir a compra especulativa de imóveis residenciais - e esfriar um mercado imobiliário tórrido - também estão começando a atingir as vendas residenciais, que desaceleraram para 11,4% no primeiro trimestre, de 15,7% nos dois primeiros meses de 2018.

O que não vem performado positivamente é a bolsa chinesa. Depois de apresentar uma expressiva valorização em 2017, a partir de maio, atingindo seu pico no início deste ano com uma alta de 30%. Desde então, e em consonância com as bolsas mundiais, retraiu 14%.


Mas enquanto o presidente americano busca atrapalhar a vida dos chineses, usando as armas que dispõe atualmente, o elevado volume de importações, o país asiático vai tomando medidas para continuar seu expressivo rumo de crescimento, sem parar.

Os americanos sabem de sua dependência dos chineses no que se refere ao financiamento de sua dívida. Hoje a China é o maior detentor de títulos americanos, U$ 1,2 trilhões, e nessa briga toda, esse país não mencionou usar essa arma contra os americanos. Naturalmente, sabe que qualquer movimento nesse estoque, pode ter impacto violento nos mercados, o que também seria um tiro no pé. Essa é uma bomba atômica que só seria usada em caso extremo, e ainda estamos longe disso.

No post empurrando-com-barriga, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” O gráfico apresentado com escala semanal, apresentado a seguir, mostra claramente essa indefinição. Destaquei em verde o intervalo entre 86.000 e 83.000. A última barra, corresponde a semana em curso, podendo ultrapassar tanto para cima como para baixo, quando do termino” ...


Com a queda ocorrida ontem o Ibovespa encontra-se exatamente no limite inferior que eu havia indicado de 83.000.

Eu estou desconfiado há um bom tempo que a bolsa brasileira poderia estar entrando num processo de correção mais longo. No post citado acima comentei: ...” A configuração futura do Ibovespa dá margem a dúvidas conforme tracei abaixo. Pode ser que, o índice ainda atinja o nível esperado de uma forma mais “tortuosa”, onde o que observamos desde o início de março é a primeira sequência, ou não, já estamos num processo de correção mais demorado que levaria o índice a 81.000, 76.500, ou 73.000 (menos provável) ”

Naquele momento essa opção era menos provável e a cada dia que passa se torna mais provável. O quadro político combina bem com essa hipótese. Até o final de julho o assunto que predominará será a Copa do Mundo. Depois disso, até agosto, saberemos com certeza quem serão os candidatos. Ou seja, teremos de 90 a 105 dias de indefinição, apenas com pesquisas de intenção de votos “teóricas”. No mercado externo, se o Mosca estiver certo, também não terá muito alento.

Veja a seguir o que poderia acontecer, caso esse cenário se concretize. Os leitores do Mosca sabem que é extremamente difícil fazer previsões sobre correções. Mas vou arriscar 2 palpites que podem se encaixar nessa situação.

1)      Triangulo da esperança

Na figura abaixo encontra-se um triangulo possível que perduraria nesse período. Imagino que o Brasil fique numa boa classificação no Mundial e nenhum candidato de esquerda ameace nas eleições.


2)      Esquerda Unida

Vocês já imaginaram se o Ciro Gomes faz um acordo com a Marina Silva, ela aceitando ser vice-presidente? Difícil imaginar, mas não impossível. Nessa situação a esquerda passaria a ser uma ameaça real.

Ou mesmo no exterior, a bolsa americana ameaça romper o nível de 2.450 que venho reforçando em minhas análises? Com essas especulações em mente, a bolsa brasileira poderia sofrer um impacto mais profundo.


Mas não precisa se preocupar, o exposto acima faz parte da imaginação, sem nenhum fato concreto. Eu quis apenas ilustrar que haveria motivos para esses movimentos. Mas antes de mais nada, o nível de 83.000 precisa ser rompido o que não aconteceu até o momento. Podem preparar o telão e vamos curtir esse período maravilhoso de Copa do Mundo.

Hoje foi executado nosso trade de venda do SP500 e queria redefinir o stoploss, ao invés de 2.750 para 2.800. O principal motivo é que, existem algumas possibilidades de outros níveis que poderiam comprometer nosso trade.

O SP500 fechou a 2.706, com alta de 1,07%; o USDBRL a R$ 3,4049, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,2371, sem alteração; e o ouro a U$ 1.37, sem variação.

Fique ligado!

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