2018: Vestibular Político

5 de abril de 2018

Uma notícia boa e várias ruins



A notícia boa vocês já podem imaginar. No meu entender, não foi a prisão do Lula a notícia boa, mas sim, o fato que definitivamente está fora das eleições de 2018. Não que sua prisão não seja importante, mas o pior seria a indecisão se poderia ou não participar. Vamos as ruins: O STF continua o mesmo, o placar já indica que não fosse o voto da Rosa Weber as coisas seriam diferentes hoje; em setembro Carmen Lucia deixa a presidência e assume Dias Toffoli, cuja reputação não parece merecer a mínima confiança. Como lembrou bem um leitor, poderá pautar a decisão sobre a prisão em segunda instancia, com grande chance de vitória contra. Isso tiraria da prisão inúmeros bandidos da cadeia, além de incentivar o status quo; precisa mais?

Em conversa com minha analista, uma acadêmica de renome, me relatou que é impressionante a quantidade de professores universitários acreditando que Lula é honesto, ou na melhor das hipóteses, é assim que funciona o Brasil. Comentou o caso de uma pessoa próxima de um desses professores que fez a limpeza do tríplex do Guarujá. Na entrega, essa empresa tem como norma a presença dos proprietários, e lá estavam Dona Marisa e Lula. Os funcionários que estavam presentes não quiseram depor com receio de represálias. Qual foi a reação desse professor? “É mentira, se fosse verdade teriam deposto”.

Esses comentários mostram que seres humanos são movidos a paixões, precisam de um herói que vai salvar o mundo. Depositaram essa imagem no Lula, e preferem não enxergar a realidade ao invés de sofrer com a desilusão. Isso não é uma característica nacional, vejam o Trump. A grande diferença é que aqui se está falando de roubo, enquanto lá, devolver a dignidade dos americanos. Mas ambos são movidos por paixão.

Outra conclusão que se pode tirar desse momento no STF, é a divisão do país. Nesse fórum, metade ainda mantém a posição dos brasileiros do passado, da minha época, onde o que prevalecia era o bem nacional, a civilidade, e a outra metade que é corporativista, onde as decisões são movidas por interesses pessoais.

Com meu pragmatismo peculiar, me parece que o sofrimento vivido nesses últimos anos ainda não foi suficiente para gerar uma mudança radical, onde a maioria deveria pregar os bons costumes, o caráter e o bem público. Em linguagem de mercado não atingimos o limite de baixa para acionar o stoploss!

Amanhã é dia de publicação dos dados de emprego nos EUA. Diferentemente do passado, aonde o problema era a baixa criação de novas vagas, agora o receio é um excesso indesejado, num momento de taxa de desemprego muito baixa. Uma parte dessa demanda está sendo completada por parte da população que deixou o mercado de trabalho depois da recessão de 2009.

Outro fator importante é o aumento dos salários, que pode afetar a inflação mais à frente. Com todo esse aperto evidente nos resultados do emprego, os salários mantem-se estáveis, principalmente nos últimos 5 anos, não indicando ainda nenhuma pressão. Será que a concorrência dos robôs que tem salários fixos iguais a zero, está contendo os aumentos?


Se não for isso, o gráfico abaixo aponta na história americana que a aceleração vista poderia levar o FED a elevar mais os juros, culminado com uma recessão mais adiante. Será?


Ontem foi publicado o ADP que sempre é um indicador do número oficial a ser publicado amanhã. Como se pode notar o resultado sob esse métrica continua bastante sólido.


O resultado dos PMI publicados no início do mês mostra claro que os EUA estão liderando nesse aspecto o resto do mundo, além de uma retração ocorrida recentemente nos principais países europeus.


Em relação a Europa o índice de supressas econômicos europeus publicado pelo Citibank, encontra-se nos mínimos próximos aos valores de 2016. O Mosca vem publicando esse indicador nos últimos tempos e tenho notado que nada de muito concreto se pode concluir sobre o mesmo. Porém como todos os analistas acompanham me sinto na obrigação de informar os leitores.


No post dois-contra-um, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Esse trade está se encaminhando de acordo com minhas expectativas. O que é necessário (desejado) seria que o nível de 2.588 seja rompido, conforme anotei no gráfico abaixo em preto. Em verde, se encontra o stoploss, caso as coisas andem diferente” ...


Fiz também uma observação quanto ao intervalo usado neste gráfico que é de 1 hora: ...” É muito arriscado formar-se opiniões observando somente o gráfico mais curto, pode te levar a grandes enganos, pois as cotações de curto prazo podem por exemplo indicar alta, enquanto as de médio e longo prazo baixa” ...

Desde a última atualização, o mercado não conseguiu romper o nível que apontei acima, e não faltaram motivos – caso Facebook, medidas de Trump e China, para citar alguns. Isso me faz recear que o movimento que eu estava esperando será diferente. Para relembrar os leitores, no post indice-de-miseria, expus um cenário que pode estar se formando:

...” Cenário 2 – triangulo: Nesse cenário antevejo a formação de um triangulo, que depois de algum tempo, o SP 500 romperia caminhando para o rompimento da máxima de 2872, atingida em janeiro” ...

Na análise de hoje vou usar o intervalo de 4 horas, onde se pode por comparação verificar a diferença entre ambos. Tracei a possibilidade que pode estar se desenvolvendo no curto prazo. Notem que existirão duas saídas radicalmente opostas, caso seja essa a leitura a se concretizar.


As duas possibilidades são prováveis e agora estamos mais ou menos no meio do intervalo.
Fiquei num grande dilema. O stoploss se encontra em 2.700 e tecnicamente o correto seria elevar para 2.750, ou um pouco mais elevado. Se fizer isso arrisco 100 pontos que significa ~ 4%. Por outro lado, se sair fora do mercado posso estar perdendo a oportunidade em rosa apontada acima.  

O que fazer? Na dúvida se deve zerar, não ter posição, e é o que estou fazendo. Além desse princípio que sigo, o desenrolar descartou minha hipótese de movimento mais provável, embora ainda existe boa possibilidade de mais uma queda.

Não posso também deixar de considerar que, minha indicação de longo prazo ainda é de alta e como frisei acima em destaque, não se deve deixar influenciar pelos movimentos de curto prazo quando os de longo prazo é oposto. Assim, ficamos agora de espectador.

O SP500 fechou 2.662, com alta de 0,69%; o USDBRL a R$ 3,3414, com alta de 0,37%; o EURUSD a 1,2233, com queda de 0,35%; e o ouro a U$ 1.325, com queda de 0,51%.

Fique ligado!

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