2018: Vestibular Político

2 de abril de 2018

Fumaça na cozinha



Nesta segunda-feira, feriado em boa parte da Europa, os mercados começam o 2º trimestre com muitas dúvidas. As bolsas não tiveram um desempenho esperado para um mundo que começa a crescer sincronizadamente levantando o receio da contaminação em outros segmentos, e o mais vulnerável neste contexto são os bonds.

Desde o início de 2018 venho enfatizando os riscos dos títulos em renda fixa internacionais. Eu resumiria em 3 pontos principais: A escalada de juros em andamento pelo FED; a desproporcional compreensão do spread desses títulos ocasionada pelo excesso de liquidez dos últimos anos; e o enorme volume de emissões de empresas consideradas como high yield. E, é sobre esse último, que iremos abordar hoje.

Empresas norte-americanas têm aumentado a sua dívida, introduzindo outro risco aos mercados financeiros já abalados pela recente queda do setor de tecnologia e pela perspectiva de aumento das taxas de juros.

Uma fatia do universo de títulos corporativos de alta qualidade está se tornando rapidamente o epicentro dessas preocupações. Existe U$ 2,5 trilhões em dívidas americanas classificadas como BBB, acima dos U$ 1,3 trilhão há cinco anos, e U$ 680 bilhões há uma década. Esse é o maior valor para empresas classificadas como BBB, que é o nível mais baixo da escala de ratings para empresas que ainda não são consideradas como Junk bonds.

A maioria dos títulos emitidos por empresas brasileiras no exterior se enquadram nessa categoria, em função do risco soberano brasileiro. Vale ressaltar, que os fundos de investimento de renda fixa, em sua maioria, não são permitidos compras de papéis com categoria inferior a essa. Caso algum de seus títulos é rebaixado, obrigatoriamente eles tem que se desafazer.

O temor: se a longa expansão econômica piorar, os investidores podem se desfazer da dívida de tomadores mais alavancados, como esses emissores. Isso pesaria ainda mais nas empresas e potencialmente exacerbaria qualquer contração.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou recentemente o risco do BBB em um relatório sobre a estabilidade financeira que alertava sobre a "acumulação de balanço financeiro" da dívida.

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Os bônus com classificação BBB, que agora respondem por 50% do mercado de grau de investimento, pesaram sobre os retornos gerais de dívida de alta qualidade neste ano. Eles tiveram um retrono negativo de 2,2%.

E isso não se deveu apenas ao aumento das taxas de juros de curto prazo. Notavelmente, títulos acima e abaixo do triplo B na escala de classificação se saíram melhor. Os bônus AA caíram 1,8%.

A apreensão crescente sobre os níveis de endividamento é outro sinal de que os investidores estão recuando do risco e estão cada vez mais questionando se os mercados de ações e títulos estão se aproximando do fim. Em termos mais amplos, as ações oscilaram frenetiacmente nos últimos dois meses, à medida que as preocupações com a inflação surgiram pela primeira vez em anos.


Em contraste com os junk bonds, os mais frequentemente associados à alavancagem, os títulos corporativos de alto grau são considerados como uma das dívidas mais seguras, muitas vezes mantidos em carteiras de títulos de investidores institucionais.

Alguns gstores estão preocupados que a escala de classificação não reflita totalmente os riscos em um ambiente de mercado menos hospitaleiro. Uma desaceleração econômica que atinge as vendas e os lucros das empresas, por exemplo, estimularia uma reconsideração da divisão atual das classificações, dizem os investidores, levando potencialmente a muitos rebaixamentos no mercado.


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Por enquanto, as taxas de inadimplência permanecem baixas, fazendo com que os elevados níveis de endividamento sejam mais uma preocupação de médio prazo para os investidores do que uma crise imediata. As empresas também tiveram facilidade em refinanciar suas dívidas com taxas de juros baixas, embora isso possa se tornar mais difícil e custoso em um ambiente de elevação de taxas. E enquanto a economia e os ganhos das empresas continuarem a crescer, os encargos da dívida podem ser menos preocupantes.

Mas há sinais de que o ambiente benigno de empréstimos está se desgastando. Desde o dia 2 de fevereiro, o rendimento extra que os investidores exigem para possuir títulos com classificação B-triplo em relação aos títulos do governo subiu para 1,34 % acima dessa taxa, de 1,08 %.


Uma razão pela qual o montante da dívida BBB está em níveis recordes foi ocasionado pelo aumento da dívida ao longo dos anos. O McDonald's, por exemplo, foi classificado AA pela S&P em 2001. Hoje, o varejista de fast-food é classificado como BBB pela S&P, uma queda de cinco pontos na classificação, já que sua dívida total mais que triplicou.


O uso de dívida barata para financiar mega fusões é outro fator que eleva a quantidade de títulos com ratings mais baixos.

A rede de farmácias CVS Health Corp. emitiu US $ 40 bilhões em bônus em março para ajudar a pagar a aquisição da seguradora de saúde Aetna, aumentando sua carga de dívidas. A Moody’s Investors Service colocou o rating Baa1 da CVS em revisão para um rebaixamento, enquanto a S&P Global Ratings já o deixou para BBB de BBB +.

As empresas de classificação de crédito afirmam que, em algumas circunstâncias, o aumento dos níveis de endividamento pode ser um fenômeno temporário relacionado à atividade de M&A. Mas o aumento da alavancagem, no final, torna essas empresas mais vulneráveis ​​a futuros rebaixamentos.

A complacência dos investidores fez com que se relaxasse os conceitos de crédito, levando empresas de qualidade de risco não tão sólidas a emitirem títulos com custos artificialmente mais baixos duplamente, primeiro ocasionado pelas taxas baixas, ou “não taxas” usada pelo FED para evitar que a economia entrasse em depressão, e segundo, consequência desse primeiro, os investidores queriam “qualquer” juros, fechando os olhos para os parâmetros de risco. Agora esses dois fatores estão mudando e essas empresas terão que se financiar a juros mais caros, questionando seus estudos anteriores, que viabilizavam a elevação do seu nível de endividamento. 

No post o-duelo, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” No caso da alternativa apontada em vermelho anteriormente, destaquei no gráfico que, tecnicamente existe uma convergência nesse patamar de R$ 3,50, sob duas óticas distintas, o que dá um pouco mais de força para esse nível” ... ...” O nível de R$ 3,35 poderia também ser um ponto de termino dessa pequena alta, como se acontece uma “falha” na ruptura do triângulo” ...


O próximo gráfico mostra com precisão matemática, como o dólar atingiu na semana passada o nível de R$ 3,35 e retornou a linha de ruptura. Palavra que eu não combinei com os Russos! Hahaha ...


O dólar tem se mostrado renitente não mostrando para onde deseja ir. Mas nós não estamos aqui para julgar ninguém, se assim ele prefere, vamos aguardar.

Localmente, no curto prazo haverá dois eventos importantes, primeiro a manifestação repudiando as decisões do STF, estarei lá; e na quarta-feira o Habeas Corpus do Lula. Ontem circulou nas mídias sociais um vídeo no qual Gilmar Mendes estava presente no interior do avião, retorno de sua viagem para “descansar” na Europa. Foi um xingamento só. Como havia comentado, seu inferno astral está apenas começando, terá que viver confinado em algum lugar, ou sujeito a constrangimentos como esse.

O SP500 fechou a 2.581, com queda de 2,23%; o USDBRL a R$ 3,3133, com alta de 0,25%; o EURUSD a 1,3201, com queda de 0,16%; e o ouro a U$ 1.341, com alta de 1,28%.

Fique ligado!

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