2018: Vestibular Político

11 de abril de 2018

E se der errado?



As manchetes desta semana foram todas sobre guerras comerciais - reais ou imaginárias. Mas a resposta dos economistas tem sido em grande parte otimista: o próprio crescimento global parece estar se mantendo bem.

Será mesmo? Os mercados de commodities - e a indústria global - estão começando a enviar alguns sinais preocupantes.

Embora a produção na maioria das grandes economias ainda esteja em expansão, o ritmo desses ganhos diminuiu notavelmente nos últimos meses. Enquanto isso, as principais commodities industriais, como cobre e alumínio, também começaram a cair no final de 2017, bem antes de as preocupações comerciais começarem a assustar os mercados.


A implicação: a forte recuperação global da indústria, evidente desde o final de 2016, já pode ter - ou estar próximo - do pico, seja ou não verdadeira guerra comercial.

A desaceleração da China tem sido evidente há meses. Apesar de um modesto aumento após o ano novo chinês de fevereiro, o índice oficial PMI da China parece ter atingido o pico no terceiro trimestre do ano passado, enquanto o índice alternativo da Caixin também se encontra de lado.

O que há de novo é que outros índices principais agora estão seguindo na mesma direção.

O PMI da Europa, publicado pela Markit caiu 4 pontos desde dezembro, embora ainda permaneça confortavelmente acima da marca de 50 que separa a expansão da contração. Os PMIs japoneses e coreanos também diminuíram. Mesmo nos EUA, os números fortes têm mascarado a desaceleração no crescimento de novos pedidos desde o quarto trimestre de 2017, juntamente com uma recuperação nos estoques.

Embora o petróleo tenha se mantido relativamente bem devido às crescentes preocupações geopolíticas, os preços do cobre e do carvão caíram mais de 5% desde o final de dezembro. Os preços do alumínio caíram mais de 10% e o minério de ferro teve queda de quase 9%.

A fraqueza é particularmente notável, dado que quando o dólar cai, geralmente ajuda as commodities.


Parte dessa fraqueza - particularmente para o alumínio, um dos primeiros alvos da ira tarifária do Trump - provavelmente está relacionada ao aumento das tensões comerciais e à recuperação da produção chinesa após o fim das restrições à produção no inverno.

Mas o fato de que a queda é tão ampla, e começou na época em que os PMIs globais começaram a atingir o topo, sugere que a desaceleração do crescimento industrial é o principal culpado.

Isso não quer dizer que outra recessão industrial esteja próxima. Mas, pela primeira vez desde o início de 2017, os grandes PMIs apontam para um crescimento mais lento, e não mais rápido, do que o esperado.

Os investidores que esperam que as expectativas reconfortantes de um aumento global sincronizado protejam seus portfólios de danos severos, mesmo se as tensões comerciais continuarem a aumentar, devem prestar atenção.

Um acompanhante entre o Hard data – dados concretos, com o Soft data – dados de expectativa, essa diferença também pode ser notada. No gráfico a seguir, esse diferencial e bastante elevado para que se possa desconfiar da recuperação esperada.


A maior parte dos analistas está muito otimista com as economias dos países desenvolvidos. Caso isso acabe não se concretizando será um banho de agua fria com impacto importante nos mercados. Nós ficamos acompanhando pela análise técnica, onde essa hipótese se concretizaria caso a bolsa americana caia substancialmente dos níveis atuais.

No post a-opinião-de-quem-importa, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Agora ficou um pouco mais próximo da linha superior vermelha, que se ultrapassada vou sugerir compra. Com as oscilações recentes, o ouro está buscando um rumo” ... ...” Os sinais quando o ouro bate na linha inferior do triangulo são positivos (alta) e quando bate na linha superior negativos (baixa)” ... ...” O que posso dizer é que, parece que o ouro está se preparando para dar um salto para cima, só não sei de que nível” ...

Depois de ter recuado por duas vezes até o nível de U$ 1.321, hoje o metal deu toda pinta que estava pronto para romper o nível de U$ 1.370, mas como vocês poderão notar, depois da tentativa, o ouro recuou bastante à tarde.


Os leitores do Mosca sabem que eu quero comprar ouro, mas nenhuma das minhas condições foi satisfeita: ou superar o nível de U$ 1.370, ou retornar a U$ 1.310, sendo que esse último pode estender a queda até U$ 1.280. Porém, o viés é de compra.

- David, mas não vale a pena comprar agora a U$ 1.350, pelo menos um pouco?
Eu não compro, prefiro pagar mais caro com uma convicção maior de alta, ao invés de comprar no meio do intervalo como se encontra agora. Se você quiser comprar pode, mas aonde colocaria o stoploss? O correto seria em U$ 1.270, assim, o prejuízo poderia ser de 6,25%.

Veja, não queremos comprar no preço mínimo e vender no preço máximo, para obter o máximo de lucro, queremos um lucro bom com um prejuízo provável pequeno. O primeiro caso só serve para se vangloriar com os amigos e sem dizer que foi por pura sorte. Querer repetir esse feito, só vai trazer prejuízos, ou perda de oportunidades.

O SP500 fechou a 2.642, com queda de 0,55%; o USDBRL a R$ 3,3855, com queda de 0,68%; o EURUSD a 1,2359, sem variação; e o ouro a U$ 1.351, com alta de 0,91%.

Fique ligado!

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