A guerra acabou? #S&P 500
Nos últimos dias, o noticiário tem sido dominado por dois temas que se
retroalimentam: as negociações — ou a falta delas — no Golfo Pérsico, e o
debate sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz. Viramos, da noite para o dia,
especialistas em geopolítica do Oriente Médio e, de quebra, em logística
marítima internacional, avaliando com toda a convicção do achismo se o fluxo de
petróleo vai ou não se normalizar. O problema é que, enquanto a mídia e os
comentaristas de plantão se perdem nessa espiral de incertezas, os mercados
financeiros estão mandando uma mensagem bem diferente — e muito mais objetiva.
O mercado já deu o seu veredicto: a guerra, na prática, acabou.
O índice S&P 500 recuperou integralmente as perdas acumuladas desde o
início do conflito, em 28 de fevereiro. Isso num cenário em que o bloqueio do
Estreito de Ormuz segue vigente, as negociações entre americanos e iranianos
permanecem travadas, e os preços do petróleo ainda operam em patamares
elevados. Mesmo assim, o índice avançou mais de 1% na última segunda-feira,
desafiando a lógica dos que esperavam nova rodada de pressão sobre as bolsas. O
mercado simplesmente ignorou as manchetes.
Ed Yardeni, um dos estrategistas mais respeitados de Wall Street,
publicou dados reveladores. Os analistas de mercado estão, na verdade, mais
otimistas com os resultados corporativos do que o próprio Yardeni — e ele já é
assumidamente altista. As estimativas de consenso para o lucro por ação do
S&P 500 em 2026 chegam a US$ 323,73, contra a projeção de US$ 310 da sua
própria equipe. Para 2027, o consenso vai ainda mais longe: US$ 377,94, frente
aos US$ 350 estimados por Yardeni. A margem de lucro operacional também deve
bater recordes históricos neste e no próximo ano. É o mercado precificando uma
economia que continua resiliente, a despeito da guerra.
Há quem alerte para os riscos ainda presentes. Peter Orszag, atual
presidente-executivo do banco Lazard, comparou a situação ao personagem dos
desenhos animados que corre para além da beirada do penhasco e só cai quando
percebe que não há mais chão sob seus pés. Segundo ele, os choques de oferta
demoram muito tempo para se materializar nos preços ao consumidor — foi assim
na pandemia, é assim com as tarifas, e será assim com o Oriente Médio. Esse
alerta merece atenção.
Mas o mercado, no momento, não está preocupado com esse risco. A lógica
que prevalece é outra: enquanto o Irã não retaliar de forma contundente, cada
dia que passa sem uma escalada é lido como um sinal de que ambos os lados
caminham para uma resolução mutuamente aceitável. A dinâmica se inverteu.
Antes, a passagem do tempo sem acordo era negativa para os ativos de risco.
Agora, a inação iraniana é positiva.
E tem mais: os mercados de países exportadores de petróleo, como o
Brasil, estão em alta expressiva. Já as bolsas de importadores líquidos — China
e Índia em particular — seguem pressionadas. O Brasil, nesse cenário, se
beneficia duplamente: como exportador de petróleo e como destino de fluxos que
buscam diversificação fora dos grandes centros afetados pelo conflito.
No fundo, falta apenas avisar formalmente aos iranianos e americanos que
não precisam de mais rodadas de negociação. O mercado já assinou o armistício.
Alguém precisa entregar o telegrama.
Análise Técnica
No post “o-futuro-dos-sem-carteirinhas”, fiz os seguintes comentários sobre o S&P 500:
“A bolsa
caminhou na direção apontada acima, sem, contudo, atingir a marca mínima de
6.837. Notem: esses são os níveis mais prováveis, mas não os únicos. Para que o
leitor compreenda melhor, demarquei as opções de menor probabilidade por meio
dos retângulos em branco — 6.722 / 6.643, sendo que este último já foi
atingido.”
Aqui entra
um pouco da tecnicidade da Teoria de Elliott Wave. Começo pelo cenário que
considero menos provável. No gráfico a seguir, em janela semanal, a bolsa
estaria navegando na onda 4 laranja. Nesse caso, a queda ainda teria
espaço para se estender, tanto em magnitude quanto em tempo.
No cenário
adotado, o S&P 500 adentrou a área demarcada em rosa, o que coloca em xeque
minha hipótese anterior de uma correção (A) – (B) – (C) (não visível) - em
vermelho.
Se a
hipótese de alta estiver correta, a correção já teria se encerrado no nível de
6.323, onde se encontra a onda (A) vermelha, e o mercado estaria, a
partir daí, em trajetória rumo a novas máximas.
Destaquei no
gráfico acima, com a elipse, o movimento desde a mínima observada em março.
Como de costume — e como você já está cansado de saber — aguardo a formação
completa das cinco ondas.
Agora, uma
provocação inevitável: será que iranianos e americanos também esperam as cinco
ondas se completarem para declarar o fim da guerra? Hahaha.
O S&P
500 fechou a 6.967, com alta de 1,18%; o USDBRL a R$ 5,008, com alta de 0,25%;
o EURUSD a € 1,179, com alta de 0,98%; e o ouro a U$ 4.844, com alta de 2,20%.
Fique
ligado!
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