O que fazer com os juros #nasdaq100 #NVDA
Nas últimas semanas, imagino que o presidente
Trump nem esteja pensando nos juros. Sua ideia fixa de que eles só podem cair
persiste, mas espero que um pouco de bom senso prevaleça. Depois da guerra em
que se envolveu — e que fez os derivados de petróleo subirem de forma
significativa —, não parece ser o momento de reduzir os juros. O conflito no
Golfo, com o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, introduziu um choque de
energia de magnitude ainda incerta, mas já suficiente para alterar o quadro
inflacionário global.
Powell permanece no comando do Fed até que a
ação judicial imposta a ele se resolva, e um senador já sinalizou que não
aprovará o nome do próximo presidente — Kevin Warsh — enquanto o caso não for
encerrado. Essas duas evidências indicam que a transição não ocorrerá no prazo
inicialmente previsto. O Comitê de Política Monetária, portanto, continuará sob
a liderança atual por mais tempo do que o mercado imaginava há poucas semanas.
Ontem, o Bureau of Economic Analysis divulgou
o dado de fevereiro do PCE, medida preferida do Fed. O núcleo subiu 0,4% no
mês, o que, anualizado, equivale a 4,5%, bem acima da meta de 2%. Nenhum efeito
da guerra foi capturado nesse número, o que torna o resultado ainda mais
inquietante. Robin Brooks, em análise publicada ontem, reconhece o sobressalto
inicial, mas argumenta que há razões benignas por trás dele. O grande choque
tarifário do ano passado não provocou descontrole inflacionário, o que sugere
que a inflação subjacente segue contida — consistente com o comportamento
observado na década anterior à pandemia. Além disso, persiste um efeito de
sazonalidade residual no início de cada ano desde 2020: as empresas acumulam
reajustes de preços nos primeiros meses, e o ajuste sazonal padrão não os
filtra completamente quando a inflação está volátil.
Ed Yardeni, por outro lado, adota visão mais
cautelosa. Antes da guerra, a inflação medida pelo deflator de preços do
consumo pessoal (PCE) já havia estagnado em torno de 3% ao ano, acima da meta.
Os efeitos das tarifas de 2025 sobre bens duráveis não se mostraram
transitórios como o Fed esperava. Em fevereiro, a inflação de bens duráveis
saltou 1,1% no mês — a maior variação mensal desde janeiro de 2022 — e passou
de -3,1% para +2,8% em base anual.
Os traders de títulos do Tesouro americano
reforçam essa cautela. Nas últimas sessões, intensificaram hedges contra novas
perdas em bonds, comprando opções que apostam em yields mais altos nos títulos
de 5 e 10 anos. O foco agora está no CPI de março, que será divulgado amanhã e
deve registrar o maior aumento mensal desde junho de 2022. O emprego forte de
março e os reembolsos de impostos maiores (decorrentes da redução de impostos
sobre horas extras, gorjetas e seguridade social) podem até compensar parte do
impacto do petróleo no curto prazo, mas a inflação permanece o risco dominante.
O CPI de março, anunciado pela manhã, veio em
3,3% ao ano — ainda distante da meta de 2%. Fico em dúvida se o Fed continuará
perseguindo com rigor esse patamar ou se, na prática, já se conforma com algo
entre 2,5% e 3%. Nunca admitirão publicamente, mas as atitudes recentes
transmitem certa leniência.
O mercado já se adaptou: não contempla mais
quedas de juros para este ano e projeta cortes apenas no futuro. Não
compartilho dessa certeza. Os dados não apontam para alívio inflacionário
iminente; pelo contrário, o risco inclina-se para alta. O choque tarifário
mostrou-se mais persistente do que o esperado. O choque de energia, mesmo que
passageiro, amplia a base de preços. A sazonalidade residual mascara, mas não
elimina, a rigidez subjacente.
Para responder à pergunta do título de hoje,
se feita para mim, a resposta é subir. Não é momento de afrouxar. É momento de
sinalizar que o Fed leva a inflação a sério, mesmo diante das pressões
políticas e dos choques externos. Qualquer sinal de complacência só alimentaria
expectativas desancoradas e tornaria o ajuste futuro ainda mais doloroso. O bom
senso, neste caso, exige firmeza.
Análise Técnica
No post publicado há
duas semanas, por conta do feriado da última sexta-feira, “será-o-fim-da-microsoft?”, fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:
“Tenho dois
cenários em vista que têm consequências de preços muito semelhantes no curto
prazo. Para não confundir os leitores, vou adotar um deles, que difere no longo
prazo. A onda (2) vermelha estaria em andamento e os objetivos seriam
entre 22.000 (-6,5%) / 20.800 (-11,5%) / 19.700 (-16,5%)”.
a) A correção
terminou – Neste caso, temos a considerar o seguinte: o término da onda
(2) vermelha, conforme indicado no gráfico somente a título de ilustração;
a sequência de correção A – B – C em azul foi “by the books”, um ponto a
favor. Por último, é necessário superar a área destacada em verde entre 25.428
– 26.182.
b) A correção não
terminou – A onda (2) vermelha ficou aquém do que se poderia esperar; ainda
não ocorreu a formação de cinco ondas numa janela menor – por exemplo, de duas
horas.
Fica evidente que a
opção a) tem mais elementos a seu favor do que a b), mas ainda não cumpriu toda
a lição de casa. Fiquem atentos ao Mosca nos próximos dias para desvencilhar
esses pontos.
A Teoria de Elliott
Wave é fantástica em situações como essa, de dúvida; basta seguir os parâmetros
e verificar o que o mercado quer fazer para que você se posicione. Os
fundamentalistas estão todos apontando que o acordo de cessar-fogo é frágil,
mas o mercado, por enquanto, enxerga de outra forma. Se ainda é apenas a
liquidação das posições vendidas, como comentei no post “alta-por-osmose”, ou
uma nova sequência de altas, saberemos em breve.
“A Nvidia está
negociando próximo dos US$ 170 hoje. Se rompido, deveria levar a novos níveis
conforme o retângulo abaixo: US$ 158 / US$ 150 (~ -8%) ou, mais abaixo, US$ 138
/ US$ 135 (-19%). Mesmo a Nvidia, empresa que é uma máquina de fazer lucro, não
vai escapar se a bolsa como um todo recuar”.
Mesmo assim, vale o
raciocínio das duas hipóteses, pois, ainda que exista mais percurso a ser
percorrido, se uma onda de otimismo ocorrer, a Nvidia pode correr mais rápido.
O que deve ocorrer
daqui em diante? Não acompanho em detalhe o que ocorre com essa empresa, mas
não vejo, por enquanto, nenhuma companhia que ameace sua predominância. Por
outro lado, o mercado tem suas razões para adotar uma postura mais cautelosa;
afinal, isso não pode durar para sempre. “Ceteris paribus”, o P/L pode ficar
por aí, e o preço será impactado pelo lucro de forma integral.
Fique ligado!
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