Alta por osmose #IBOVESPA
Antes de qualquer
análise, vale explicar o título. Uso a metáfora para descrever um movimento
passivo, sem mérito intrínseco, conduzido por uma força externa: a pressão dos
vendidos que precisam cobrir posições. O mercado não sobe por convicção
profunda ou melhora estrutural. Ele sobe por osmose.
Todos sabemos que
se instalou um cessar-fogo de duas semanas entre Irã, Estados Unidos e Israel,
com a reabertura do Estreito de Ormuz. As condições, porém, estão longe de
serem favoráveis. A contraproposta iraniana revela um acordo que prioriza
ganhos imediatos para Teerã, mas deixa o horizonte carregado de incertezas.
O otimismo que
vemos agora não nasce de uma solução definitiva. Ele nasce de posições técnicas
extremas. A compra de puts atingiu níveis recorde e o sentimento dos
investidores estava profundamente negativo. Qualquer notícia positiva bastaria
para deflagrar a cobertura em massa dessas posições. É exatamente o que estamos
prestes a testemunhar.
A reação dos
mercados foi imediata e brutal. O petróleo registrou a maior queda diária desde
a pandemia, refletindo o alívio por evitar um conflito que ameaçava o
suprimento mundial de energia.
O alívio se
espalhou para os ativos de risco. Futuros de ações americanas dispararam. O
dólar perdeu força como ativo de refúgio. No front econômico doméstico
americano, os dados recentes reforçam a resiliência subjacente. O modelo GDPNow
do Atlanta Fed indica crescimento real de 1,3% no primeiro trimestre,
pressionado por fatores climáticos temporários, mas com clara perspectiva de
rebound no segundo trimestre. O emprego privado mostra recuperação consistente
no momentum de contratações. As encomendas de bens de capital não aeronáuticos
mantêm tendência de alta sólida. As expectativas de inflação de longo prazo
permaneceram ancoradas, mesmo com o pico temporário nos preços da gasolina. E o
consumo continua forte, com o índice Redbook de vendas no varejo avançando 7,6%
ano a ano.
Ainda assim, a
cautela é obrigatória. Um cessar-fogo de duas semanas não é paz. O Irã pretende
cobrar taxas pela passagem no estreito, o que pode abrir precedente perigoso de
nacionalização de facto de uma via marítima internacional. Questões centrais seguem
abertas: garantias contra-ataques futuros, suspensão completa de sanções,
compensação por danos, desmantelamento verificável do programa nuclear e o
futuro das alianças regionais. O regime iraniano mostrou mais disposição para
compromisso do que o consenso previa, mas o mundo permanece, em última análise,
dependente da estabilidade interna de Teerã.
O mercado sobe,
sim. Mas sobe por osmose. A força motriz não é uma solução duradoura, e sim a
necessidade técnica de cobrir posições vendidas em um ambiente de pessimismo
extremo. O alívio de curto prazo é real e deve se prolongar enquanto as
negociações avançarem. O teste verdadeiro virá quando o prazo de duas semanas
expirar e for preciso transformar trégua em acordo permanente.
Enquanto isso,
sigo acompanhando cada movimento com a mesma disciplina de sempre e deixando a
análise técnica guiar as posições nos mercados.
Análise Técnica
No post *jogatina-planetaria* fiz os seguintes comentários sobre a Ibovespa:
“O mercado se
movimentou de acordo com minhas premissas acima, sem, contudo, sabermos qual
das duas opções irá ocorrer. O fechamento de ontem, em 187,3 mil, está muito
próximo do primeiro limite apontado de 188 mil. Nessas duas opções, a bolsa
deveria reverter e começar a cair.”
Fui observar em
janelas menores e parece que ainda falta um mini movimento de alta para,
depois, uma correção ocorrer.
Botton line: o mercado é de alta; falta escolher o
momento de entrar.
Fique ligado!
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