Jogatina planetária #IBOVESPA
Não sei quem foi o primeiro grego que olhou para uma oliveira carregada e pensou em lucro. Consta que Tales de Mileto, em um rasgo de genialidade que mataria de inveja qualquer gestor de fundos hedge, previu uma colheita abundante e arrendou todas as prensas de azeite da região antes mesmo da primeira azeitona cair. Desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até as bolsas de arroz de Dojima, a humanidade sempre teve a necessidade de colocar um preço no que ainda não aconteceu. E o que começou como uma proteção para o agricultor evoluiu hoje para as modernas plataformas de apostas: mais uma forma de fatiar, embalar e transacionar o destino incerto em lotes padronizados. O jeitão mudou, mas é a mesma tentativa de usar um mercado para compensar a incerteza.
O mundo mudou: em vez de centenas de operadores se esgoelando num salão,
milhões de apostadores movimentam bilhões diante de suas telas a qualquer
momento. As modernas plataformas de apostas, ou "mercados de
previsão" — um nome muito mais respeitável para quem aposta no próximo
bombardeio ou na cor da gravata de um presidente —, são bolsas planetárias.
Também podemos chamá-las de cassinos. Plataformas como a Polymarket foram
tomados por jogadores que, entre um café e outro, fazem sua fezinha no destino
em janelas de cinco minutos. A economia real se arrasta com a lentidão das
burocracias soberanas, mas o mercado de cripto apostas, por exemplo, opera em
intervalos de 250 milissegundos, em que meia piscadela pode significar a
diferença entre a glória e a insolvência.
Dizem seus defensores que esses mercados são perfeitos instrumentos de hedge
porque democratizam o acesso à informação, aproveitando a "sabedoria das
massas" para prever eventos com mais precisão que qualquer analista da
CIA. É uma narrativa quase poética, não fosse o pequeno detalhe de que essa
"massa" é frequentemente composta por robôs de negociação
automatizada que trituram investidores humanos em milissegundos.
Os riscos, por outro lado, são bem humanos e palpáveis. O mercado de apostas
tornou-se um incentivo perverso para a manipulação da realidade, como demonstra
o caso do jornalista Emanuel Fabian, do The Times of Israel. Após relatar a
queda de um míssil iraniano em solo israelense, Fabian viu-se alvo de uma
campanha de assédio e ameaças de morte por parte de apostadores da Polymarket.
O motivo? Milhões de dólares estavam em jogo, e a verdade dos fatos era um
obstáculo inconveniente para quem havia apostado que o míssil seria
interceptado.
Aqui, a especulação cruza a linha da ética e entra no território do crime
organizado. Oferecer subornos a jornalistas para alterar relatos oficiais não é
arbitragem de informação — é corrupção sistêmica. Quando o lucro depende de um
oráculo — seja ele um sistema de dados ou um relato de imprensa —, a tentação
de corromper a fonte torna-se irresistível para as baleias e tubarões que
dominam as águas desse mercado. O investidor comum, o peixe pequeno, entra
nessa brincadeira acreditando que a volatilidade é sua amiga, sem perceber que
ele é apenas o ponto mais baixo da cadeia alimentar.
Muitos jovens investidores, sentindo que o mercado tradicional lhes fechou as
portas com preços de imóveis proibitivos e empregos estagnados, entregam-se a
esses riscos desproporcionais como a única via de saída. É o desespero
fantasiado de espírito empreendedor, alimentado por uma falta crônica de
educação financeira e por narrativas de redes sociais que prometem fortunas
rápidas em ativos sem valor intrínseco.
O próprio mercado de opções parece ter se rendido a essa busca pelo
imediatismo: hoje mais da metade do volume de opções tem seu volume negociado
em prazo D-Zero, ou seja, liquidação no mesmo dia. Talvez não haja muita
diferença, afinal, entre Nasdaq e Polymarket...
O mercado de apostas e previsões é a extensão lógica de uma sociedade que
transformou a atenção em moeda e a incerteza em entretenimento. Apesar de
insiders e manipuladores (como em todas as bolsas, afinal), a permanência
dessas plataformas é garantida pela mesma cobiça humana temperada pela ilusão
do controle.
Aposto que só vai piorar.
Análise
Técnica
No post “o-ouro-perdeu-seu-status”, fiz os seguintes comentários sobre o IBOVESPA:
“Passada uma semana, a opção do Triângulo ganha um pouco mais de
probabilidade, sem que se possa descartar o Zig-Zag nem um eventual
rompimento para novas altas — o que considero menos provável.
Quais os cuidados no curto prazo: 1) dentro das opções de correção, ambas
deveriam levar a bolsa até 188 mil e não ultrapassar 192 mil. Havendo a
reversão nesse intervalo — e prefiro que fique contido em até 188 mil —, na
opção Triângulo se vai notar uma reversão com queda mais lenta, enquanto no
Zig-Zag mais profunda.”
Neste caso, o prospecto para o futuro melhora ainda mais, pois se deve assumir
mais uma subdivisão no movimento de alta. Para simplificar e manter o objetivo
de curto prazo, tracei no gráfico alternativo abaixo essa nova possibilidade, cujo objetivo
passa a ser 220 mil (+17%). Fiquem atentos a uma possível sugestão de compra.
O S&P 500 fechou a 6.575, com alta de 0,72%; o USDBRL a R$ 5,1572, com queda de 0,73%; o EURUSD a € 1,1587, com alta de 0,29%; e o ouro a U$ 4.764, com alta de 2,10%.
Fique ligado!
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