O indicador da modernidade: P/N #OURO # GOLD #EURUSD
O leitor deve estar se perguntando que raio é esse de P/N. Vou explicar.
Segundo Viktor Shvets, chefe de estratégia global da Macquarie Capital, os
investidores se afastaram do modelo tradicional de avaliação de empresas e
migraram, ainda que sem admitir, para um novo modelo baseado em narrativa —
onde o lucro pode ser explosivo ou simplesmente não vir. Suas ideias ajudam a
organizar um desconforto que já está no ar: nada ficou mais incerto do que
investir nos dias atuais e, naturalmente, muitos ainda carregam os modelos
antigos, que simplesmente deixaram de funcionar. Enquanto esse processo não se equilibrar,
veremos distorções que, à primeira vista, parecem inexplicáveis.
Explosão
dos investimentos em IA e infraestrutura — o novo padrão de alocação de capital
O gasto bilionário em data centers pelas maiores empresas do mundo tem
deixado analistas perplexos — mas será que isso não é justamente o novo
“normal”? O Mosca vem alertando para essas mudanças há algum tempo, mas o que
segue abaixo organiza esse fenômeno de forma mais estruturada.
O pensamento de Viktor Shvets ganha outra dimensão quando cruzado com a inteligência artificial, porque a IA não surge apenas como mais um ciclo tecnológico — ela aparece como o destino natural de um sistema que já não sabe mais para onde direcionar o excesso de capital. O ponto de partida é simples: o mundo está inundado de liquidez, e esse capital precisa de narrativas grandes o suficiente para absorvê-lo. A IA cumpre esse papel com perfeição. Ela combina promessa de crescimento exponencial, transformação estrutural e, principalmente, dificuldade de mensuração. Não se sabe exatamente quanto vale, mas se sabe que “tem que estar lá”. E, em um ambiente em que o preço deixou de ser âncora, isso é suficiente.
Liquidez
global e mercado: quando o fluxo passa a ditar os preços
Nesse contexto, forma-se o que, no Mosca, já se convencionou chamar de
“carteirinha da IA”. Não se trata apenas de tecnologia, mas de pertencimento ao
fluxo. Empresas que carregam essa identificação passam a ser destinos naturais
de capital global, independentemente de estarem caras, baratas ou simplesmente
incompreendidas. O mercado deixa de operar por valuation e passa a operar por
inclusão: quem está dentro recebe fluxo contínuo; quem está fora se torna
irrelevante. Isso ajuda a explicar a concentração extrema observada nos
últimos anos, em que poucos ativos capturam a maior parte da
valorização, mesmo em ambientes macro que, em teoria, deveriam ser
desfavoráveis.
Concentração
extrema: poucos ativos capturam a maior parte do mercado
A consequência direta é que o valuation, como ferramenta, perde função.
Não porque deixou de existir, mas porque deixou de ser determinante. A IA é
financiada hoje com base em promessas de produtividade futura que são, por
definição, difíceis de medir e impossíveis de precificar com precisão. Data
centers, chips, infraestrutura energética — tudo isso exige investimentos
massivos agora para retornos que virão, talvez, ao longo de muitos anos. Ainda
assim, o capital flui sem hesitação. Não porque os números justificam, mas
porque a ausência de alternativas torna essa narrativa quase obrigatória.
E é aqui que surge o risco mais relevante. Se a IA falhar em entregar no
ritmo esperado, o problema não será apenas uma correção de múltiplos. O sistema
como um todo se torna vulnerável, porque trilhões de dólares já foram
direcionados para essa tese. Não se trata apenas de preços elevados, mas de uma
dependência estrutural: infraestrutura construída, cadeias produtivas
reorganizadas, políticas públicas alinhadas. A IA deixa de ser uma aposta
isolada e passa a ser o eixo em torno do qual o capital global se reorganizou.
Nesse sentido, o comportamento do mercado começa a se assemelhar a um
fenômeno conhecido como efeito Fujiwara, em que dois sistemas passam a orbitar
um ao outro. De um lado, o excesso de capital global; do outro, a promessa da
IA. Esses dois vetores não apenas coexistem, mas passam a se reforçar
mutuamente, criando movimentos que desafiam a lógica tradicional. Juros altos
deixam de importar, riscos macro são relativizados e a trajetória dos preços
passa a refletir muito mais a dinâmica desse acoplamento do que qualquer
fundamento isolado.
No limite, essa dinâmica aproxima o mercado de algo que ele sempre
evitou admitir: a precificação de cenários. Quando o investidor compra uma
empresa inserida no universo da IA, ele não está adquirindo apenas fluxo de
caixa futuro — ele está comprando a probabilidade de que aquela narrativa se
concretize. Isso não é muito diferente de uma aposta, ainda que revestida de
linguagem técnica e modelos sofisticados.
A grande diferença é que, desta vez, a aposta sustenta o próprio
sistema. A IA não é apenas uma possível bolha; ela é, cada vez mais, o
mecanismo que mantém o mercado funcionando. Sem ela, o excesso de capital
ficaria sem destino claro, os valuations perderiam sustentação e a narrativa
que ancora os preços desapareceria. Com ela, o sistema continua girando — ainda
que cada vez mais dependente de uma promessa que precisa, em algum momento, se
materializar.
Análise Técnica
No post “e-se...” fiz os seguintes comentários sobre o ouro:
“Uma análise mais detalhada parece apontar para novas mínimas, conforme
destacado no gráfico abaixo. Esses novos objetivos passam a ser US$ 3.881
(-12%) / US$ 3.682 (-17%)...”
“Destaquei no gráfico uma área entre US$ 4.650 e US$ 5.000 onde 'não
gostaria' que o metal subisse até lá. Por outro lado, abaixo de US$ 4.100, vou
ficar de olho em uma posição de reversão”
Os novos objetivos nessa contagem adotada — friso que não é a única —
leva o objetivo para um primeiro patamar entre U$ 4.030 / U$ 3.900 (+/- ↓12%)
ou mais abaixo U$ 3.680 / U$ 3.620 (+/- ↓ 20%).
Antes que meu amigo pergunte por enquanto nenhuma sugestão de trade, mas
pode surgir fiquem atentos.
“Resolvi colocar o gráfico semanal” ... “São dez anos entre € 1,24 e €
1,02” ...
” Minha grande dúvida neste momento é saber se ainda existirá uma última
alta, destacada na elipse rosa. Para isso, é necessário observar o movimento de
curto prazo dentro do retângulo em azul”
Quero já deixar claro que existe uma opção alternativa que levaria o
euro a novas altas. Como sabem bem sempre é uma questão de probabilidade.
Fique ligado!
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