Será o fim da Microsoft? #nasdaq100 #NVDA

 


No passado eu usava o Lotus 1-2-3 para fazer minhas planilhas de cálculo e era feliz. Ele me atendia em tudo o que eu precisava. Através dele desenvolvi um programa que hoje seria ridículo para calcular a arbitragem no mercado de ouro. Funcionou tão bem que, quando um amigo pediu uma cópia, mandei um disquete com o arquivo batizado de “Acertar na Mosca”. Entenderam a razão do nome do blog?

Até que certo dia um colega voltou dos Estados Unidos trazendo uma cópia do Excel e jurando que era o software mais poderoso para cálculos e simulações. Ele abriu no laptop e me deixou algumas horas para experimentar. Como qualquer novidade exige boa vontade para vencer a inércia, devolvi o disco e disse: “Se o pessoal da Microsoft quer que eu use o Excel, que venha aqui me ensinar. Não vou perder meu tempo”. Nem preciso contar o que aconteceu depois.

 A Microsoft virou a rainha absoluta das receitas recorrentes. Cobrança mensal em quase todos os programas, faturamento bilionário só no Windows, mais a hospedagem na nuvem. Era o sonho de qualquer investidor: estabilidade quase eterna, dinheiro entrando no automático. Mas agora a IA chegou para explodir essa festa. O Claude, a IA que está na boca do mercado, não é apenas mais uma ferramenta — é um tsunami que ameaça varrer o modelo inteiro de software. E se o império da Microsoft estiver realmente começando a rachar de forma irreversível?

Olhem o gráfico abaixo, extraído do artigo do WSJ que todo mundo está comentando. Ele mostra o que ninguém quer admitir em voz alta: os múltiplos de valuation do setor de software despencaram para níveis historicamente baixos.

 


Depois de meses de pânico com a disrupção da inteligência artificial, as ações caíram forte. O ETF iShares Expanded Tech-Software Sector (IGV) perdeu 35% do pico de setembro até o fundo em 23 de fevereiro. A cesta de software da Goldman Sachs chegou a negociar a apenas 22 vezes os lucros projetados — contra uma média histórica de 52 vezes na última década. Parecia o começo do fim. E talvez ainda seja.

E então veio uma recuperação rápida. O índice S&P 500 de software registrou sua melhor semana desde maio. Fundos de hedge inverteram posições bearish que haviam atingido o pico de 17 anos. O volume de opções explodiu na direção comprada. O sentimento passou de oversold para bullish em questão de dias. Mas será que isso é uma virada real ou apenas um suspiro de alívio antes da próxima queda brutal?

 


Os números mostram um setor ainda em tensão. Mesmo com a alta recente, as ações de software continuam baratas. Salesforce negocia a menos de 15 vezes os lucros (contra média de 46 vezes nos últimos dez anos). Microsoft está em 22 vezes (contra 27 vezes históricas). Os analistas da Goldman Sachs e do Deutsche Bank dizem que o pior do medo já passou e que nenhuma grande empresa espera queda de receita por causa da IA em 2026. Mas será que eles não estão sendo otimistas demais? Ou será que estão simplesmente torcendo para que a narrativa de disrupção não se confirme?

O relatório “Top of Mind” da Goldman Sachs, que analisa exatamente se a IA vai “comer” o software, deixa o quadro bem mais incerto e perigoso do que parece. Especialistas divergem ferozmente: alguns acham que as empresas legadas vão se adaptar como “fast followers” e usar seus vantagens de dados e experiência de domínio para sobreviver. Outros avisam, sem rodeios, que essas vantagens podem não ser eternos — a IA vai erodi-los com o tempo, sem piedade. O consenso? Ninguém sabe ao certo. O setor precisa reconstruir tudo do zero em muitos casos, ou corre o risco real de virar apenas “sistema de registro” antigo enquanto as nativas de IA ficam com o futuro inteiro.

 


A provocação é direta e incômoda: e se a IA não estiver apenas mudando o jogo, mas destruindo as regras antigas e expondo que muitas fortalezas de hoje são castelos de areia? As empresas que dominam — Microsoft incluída — têm caixa, equipes de engenharia e integração vertical. Mas isso basta mesmo? Ou estamos assistindo ao mesmo filme de sempre, só que em velocidade insana: quem não reconstruir a arquitetura em torno de agentes autônomos e LLMs no núcleo pode simplesmente desaparecer do mapa?

Na minha opinião, o Mosca diria que a história se repete, mas nunca do mesmo jeito — e nunca tão rápido. Eu resisti ao Excel como resisti a muitas mudanças. A inércia é humana. Hoje, porém, a velocidade é brutal e implacável. A Microsoft pode estar na frente da onda de IA com Copilot e computação em nuvem, mas o mercado está testando, sem dó, se ela — e o setor inteiro — consegue realmente surfar ou se vai ser engolida pela própria onda que ajudou a criar.

Não é exagero dizer que o software está vivendo seu momento mais perigoso em décadas. O pior da venda pode ter passado, mas a incerteza continua enorme e sufocante. Os números precisam contradizer o medo, e até agora eles ainda não convenceram todo mundo. O setor vai crescer? Vai se reinventar de verdade? Ou vai encolher enquanto a IA come fatias cada vez maiores, sem pedir licença?

A única certeza é que o jogo mudou para sempre. E quem apostar errado agora pode pagar um preço altíssimo. O fim da Microsoft? Talvez não hoje. Mas o fim do modelo que conhecemos, com suas receitas recorrentes gordas e vantagens que pareciam eternos? Esse risco está bem real — e está sendo precificado em tempo real, bem na nossa frente.

 

Análise Técnica

No post *Chutando tudo para o ar* fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100: “Nessa nova leitura, estaríamos diante de uma correção mais ampla de toda a onda em laranja, com alvo entre 18.500 (-22%) e 16.700 (-32%), configurando um cenário típico de mercado de baixa.

Antes de qualquer conclusão precipitada, há um ponto que não pode ser ignorado: falta impulso na queda”.

 


Vamos ter que navegar com gráficos semanais por mais algum tempo. A consequência é que provavelmente não vou sugerir trades por enquanto. Nessas condições, torna-se necessário reavaliar os cenários mais longos para adequá-los aos movimentos. Tenho dois cenários em vista que têm consequências de preços muito semelhantes no curto prazo. Para não confundir os leitores, vou adotar um deles, que difere no longo prazo.
A onda (2) vermelha estaria em andamento e os objetivos seriam entre 22.000 (-6,5%) / 20.800 (-11,5%) / 19.700 (-16,5%).

 


- David, não podemos estar entrando num *Bear Market*?

Ficou assustado? As quedas esperadas não serão nada agradáveis. Respondendo sua pergunta, até o momento não tenho indicações nesse sentido e minha afirmação está calcada no que comentei acima: “falta impulso na queda”. Por enquanto, mantenho a visão de alta num prazo mais longo.

 Em relação à Nvidia, comentei:

"Aplicando o mesmo raciocínio utilizado para a Nasdaq 100, a Nvidia poderia buscar níveis próximos a US$ 150 (-13%) ou, em um cenário mais extremo, US$ 135 (-22%). Mas, novamente, essa leitura depende de um elemento que ainda não apareceu: intensidade no movimento de queda”.

 


A Nvidia está negociando próximo dos US$ 170 hoje. Se rompido, deveria levar a novos níveis conforme o retângulo abaixo: US$ 158 / US$ 150 (~ -8%) ou mais abaixo US$ 138 / US$ 135 (-19%). Mesmo a Nvidia, empresa que é uma máquina de fazer lucro, não vai escapar se a bolsa como um todo recuar.

 


Quanto sozinhos as pessoas estão vivendo ultimamente? As estatísticas indicam que esse número é crescente. Vejam a seguir as pesquisas para várias atividades solo.




As mídias sociais são grande parte da razão. Hoje em dia é muito mais simples manter uma conversa pelo WhatsApp: você pode pensar na resposta e, às vezes, nem responder, o que não aconteceria de forma presencial. Já o Instagram, onde a grande maioria das postagens mostra momentos espetaculares, pode deixar quem observa triste, deprimido por não poder estar nesses locais. Mas a revanche acontece quando é sua vez de postar fotos de uma viagem e, lógico, escolhe as mais “cools”. Minha mãe já dizia: “o que os olhos não veem o coração não sente”. É uma grande frase. Tudo isso está isolando mais as pessoas e não espanta o gráfico acima.

 


O S&P 500 fechou a 6.368, com queda de 1,68%; o USDBRL a R$ 5,2555 com alta de 0,31%; o EURUSD a € 1,1518, sem variação; e o ouro a U$ 4.515, com alta de 3,14%

Fique ligado”

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